“Homo piropensis” – espécie em vias de extinção. Devia ser preservada

Há reservas de aprovação que não convém extinguir. Não desgosto de piropos. Há mesmo alturas na vida em que são uma bênção dos céus. Ainda que alguns surjam apenas de andaimes… Mas nem todos. Nesta inusitada polémica (Júlio, estou contigo), entro tarde e apenas e tão só para agradecer a todos aqueles que algum dia me acharam ou acharem boa (interpretação livre da palavra) e merecedora de delícias mil. O meu muito e muito obrigada. Não que tivesse dúvidas, mas o mundo é injusto, como todos sabemos. Não é o caso do “homo piropensis“: é de uma justiça infalível. Pelo menos ele! Depois, como não render-me a quem se mostra assim indiferente à minha alma traiçoeira, negra de ruindade ou simplesmente absorta, lembrando-me o que sou bem capaz de ser? Para eles vai então o meu sorriso, ainda que disfarçado. Ou um piropo também. Se valer a pena.

22 thoughts on ““Homo piropensis” – espécie em vias de extinção. Devia ser preservada”

  1. allô, allô, experiência…
    aqui vai:

    Ai ragazzo, quem me dera ser a salsa da tua omelete!

    Oi ignatz, preferes atum com azeite ou rever a constituição?

    Miau, adoro línguas-de-gato!

  2. Ai Penélope, se és tão boa como o teu pensamento “piropensis”, ” eu dava tudo para te ter aqui, ao pé de mim”, uma vez que fosse…

  3. sob o nome de piropo cabe tudo, Não vale a pena estarem a pintar esse tudo de cor de rosa. Uma coisa é “bendita a mãe que fez uma filha tão bela” (espanhol) outra é “ssssssssssss….comia-te toda”, as bloquistas fazem mal em pôr tudo no mesmo saco, aqui a oposição também. E Penélpe, olha que o critério do andaime não é universal. Nunca apanhaste velho baboso e decrépito, bem posto e engravatado a vomitar piropos obscenos sobre ti? Lucky girl. è uma questão de classe, não uma questão classista.

  4. Edie, não me chocam mais do que quaisquer outros ditos malcriados e extremamente malcriados que ouço por aí. É falta de educação. A qualidade do piropo pode ser melhorada. O problema não é do ato de galantear.

  5. desculpa lá, não concordo. Não se pode melhorar a qualidade de “piropos” (com cursos de formação?) que são simplesmente agressões e problemas psicológicos mal resolvidos. Misturar isto com galanteio faz-me espécie.

  6. Edie, estás a exagerar. O que há de mal em dizer “Ena, que brasa!”, ou “Cortas-me a respiração!”, quando até eu sou capaz de o dizer e a mulheres? São piropos! Piropo não é a mesma coisa que perseguição ou assédio sexual. Um piropo é, por definição, elogioso e esporádico, o que não quer dizer que não possa ser coletivo. Esses, desse género, se me forem dirigidos, ainda que com sexo em mente, sou incapaz de dizer que me desagradam. Ouço, registo, não respondo, olho ou não olho e sigo (ou não sigo – posso até conhecer a pessoa) caminho. É o que acontece em 99% dos casos, os quais são também casos em que os homens se armam em engraçados ou viris perante os seus pares. Há que dar desconto. A gabarolice, embora utilizando-me, é livre.

    Quanto aos ordinários, é evidente que me ferem os ouvidos como um violino desafinado, mas as pessoas que os proferem utilizam em qualquer outra circunstância uma linguagem ordinária também. É uma questão de falta de estudos ou de educação (não ia tão longe como tu quando falas em problemas psicológicos; sei lá eu?), um problema que urge resolver para acabar com essas dissonâncias e com atrasos mais graves. Acontece que, se as pessoas forem educadas, arranjarão uma boa arte da palavra. Se quiserem, claro. O piropo não é obrigatório e, se há alguma intenção de conquista por parte de quem o profere, o que não é de todo garantido, tenho dúvidas de que seja eficaz. Como cada vez mais prova o facto de estarem a diminuir. Também é verdade que as “brasas” são cada vez mais, não há pachorra para estar sempre a abrir a boca de espanto. Digo eu.

  7. penélope, acho que o meu exemplo foi soft demais e não suficiente para entenderes ao que me referia quando se fala genericamente em piropos por aqui (não vives cá em tugal, pois não?). Claro que o piropo pode. por definição de dicionário, ser elogioso. O que me faz espécie é que consideres como piropo passível de melhoria de qualidade agressões misóginas (que as há, sabes, claro). O meu exemplo muito corriqueiro de sons (grunhidos, sssss’s, comia-te toda) não foi “és uma brasa” ou “és gira” ou “cortas-me a respiração”. Evitaste o assunto. O que eu disse é que as fundamentalistas feministas que não distinguem o cu das calças pecam pelo mesmo que tu ,que fazes o mesmo. Ou queres que seja mais explícita? “ìa-te à cona e desfazia-a”, “boquinha tão linda, faz-me um broche” e outras do género. Tens todo o direito de assumir que “estes, deste género, se me forem dirigidos, ainda que com sexo em mente*, sou incapaz de dizer que me desagradam.” Direito legítimo , assim como eu tenho o direito de não ser considerada exagerada quando digo que a mim, não, obrigada.
    *estes não têm sexo em mente, isso é bom e está inerente ao piropo. O que têm em mente é outra coisa. Daí a necessidade de se distinguir o cu das calças, o lisongeio da agressão.

    Já agora, partilho contigo os dois melhores piropos que recebi (para veres a diferença do que estamos a falar). Curiosamente, nenhum deles por portugueses, um negro americano em NYC, pára na rua, põe as mãos na cabeça e grita GORGEOUS!!!!”, Em Lisboa, um oficial da marinha americana (deve ser sina), pára na R. Augusta, põe-se em sentido perante mim, retira o chapéu e coloca-o sobre o coração, sem palavras.

    Compreendes agora a diferença? Porra, até já te fiz bonecos e tudo.

  8. Edie: As expressões ordinárias que referes dificilmente podem ser consideradas piropos. Mas, na falta de um sistema de educação eficaz (e concomitantes condições económicas), se as quiseres proibir, deverias querer proibir também ordinarices do género “Vai p’rá cona da tua mãe” ou “Caralhos ma (ou ta) fodam”, expressões que tive vergonha de escrever aqui e que, como já disse, são igualmente agressivas. Como consegui-lo?

    O meu ponto é que considero uma pena inibir piropos tão bonitos como os que decidiste partilhar connosco através de fundamentalismos que consideram todo e qualquer piropo uma forma de prepotência, machismo e sei lá que mais. O meu incentivo vai, pois, para o piropo de qualidade. Por Zeus, não quero que acabe!

  9. mas faz algum sentido estar a discutir a oralidade, na qual cabe tudo e é apenas limitada pelo bom senso de cada um? não é clara a fronteira entre aquilo que é um piropo e o que não é? meter no mesmo saco elogio e insulto, por um lado, e querer restringir a oralidade do insulto (ou do que consideramos insultuoso e vergonhoso) por outro é ridículo. mas, Edie, dá para bem entender porquê que confundes piropo com o resto já que tantas vezes te dedicas, aqui no Aspirina, a fazer o resto com quem vai – como eu – passando. acabaste de ganhar uma oportunidade para te veres ao espelho e te assustares. ou não: ou quereres ver-te gorgeous e tirares o chapéu – que é o mais certo. mas dou-te o benefício da dúvida, vá. :-)

  10. “… deverias querer proibir também ordinarices do género “Vai p’rá cona da tua mãe” ou “Caralhos ma fodam”, expressões que tive vergonha de escrever e que, como já disse, são igualmente agressivas. Como consegui-lo?”

    elementar, cara penélope: proibindo a linguagem popular, usando estrangeirismos ou traduzir para gongórico, i.e. ” ide para a vagina da senhora sua mãe” ou “pénis me copulem”. o nunes da asae poderia fiscalizar o cumprimento da lei e as denúncias serem remuneradas.

    “…um negro americano em NYC, pára na rua, põe as mãos na cabeça e grita GORGEOUS!!!!”, Em Lisboa, um oficial da marinha americana (deve ser sina), pára na R. Augusta, põe-se em sentido perante mim, retira o chapéu e coloca-o sobre o coração, sem palavras.”

    edie: o preto deve ter sniffado impulse e com a ganza confundiu-te com o jorge, já a cena do marinheiro na rua augusta parece um remake do preto da casa africana.

  11. oh bécula! não eras tu que quando ia a lisboa eras assediada em todas as repartições e na rua augusta até tinhas que descalçar os (s)altos para não abanar tanto a bunda e não excitar os malandros que te comiam com os olhos? acho que li um desbafo desses naquele blogue que tinha folhas de cannabis a fazer de wallpaper.

  12. Penélope,

    foste tu que introduziste a questão da proibição. Eu não falei em proibir, falei em separar as águas, coisa que me parece não estavas a fazer até este teu último comentário.

  13. Um homem sozinho raramente diz um piropo. O piropo diz-se para ser ouvido por outros homens. É uma bravata.
    O piropo serve para dar a conhecer à visada que ultrapassou a forma discreta de vestir, ficando a saber que não está a passar despercebida. Dá a saber que sua imagem distingue-se da imagem média.
    É um indicador importante do “look”. Se ouvir muitos piropos é porque está muito além da média; se ouvir poucos é porque está ligeiramente acima da média, se não ouvir nenhum é porque passa despercebida, incógnita.
    Proibir o piropo vai no sentido de privar as mulheres desta aferição importante do “look” real, que é uma aferição independente da opinião dos amigos e amigas, os quais frequentemente são hipócritas nessa avaliação. “ah! Estás muito bem, e tal…”
    “Os meus amigos dizem que este decote é normalíssimo, porém, na rua os homens metem-se todos comigo” she said!
    NÃO PRIVEM AS MULHERES DO PIROPO
    Mulher que se preza, quando passa por outra mulher, “tira-lhe a fotografia”, invariavelmente; é gorda demais, já tem pés-de-galinha, a saia fica-lhe mal, com uns joelhos destes devia andar sempre de calças, se eu tivesse as pernas dela também usava mini-saia…
    As mulheres que se produzem para dar nas vistas junto de outras mulheres são as que reivindicam a criminalização do piropo. Eu não digo que sejam lésbicas, mas que estão a querer competir em “look” com outras mulheres. As lésbicas, essas, adorariam receber piropos das mulheres por quem passam… E frequentemente recebem.

  14. Manolo Heredia: Estamos a falar do piropo bem educado, certo? É que as ordinarices parecem ser o que está em causa nesta grande discussão. Mas enfim, as teorias que explana na última parte do seu comentário têm algo que se lhe diga. Parece considerar que há alguma intenção nas mulheres que se vestem de determinada maneira de suscitarem piropos. Não há. Pelo menos eu não o consigo afirmar. O piropo é a expressão oral de uma opinião não solicitada, que pode ser transmitida, se houver interesse nisso, de muitas outras maneiras, quiçá mais bem-vindas e interessantes. Duvido que alguma mulher se vista e vá para a rua pedir aprovação ou para medir o seu grau de atratividade, quer perante mulheres quer perante homens. Gostar de se sentir bonita pode ser uma característica da mulher (ou do homem, já agora) que não tem qualquer outro desígnio senão dar prazer a si próprio.

  15. (penélope, lá estás tu outra vez…”piropo bem educado”???Mas há outro? O outro não é piropo, mulher, é a outra coisa em que gastei o latim a tentar explicar-te….)

    A teoria do Manolo é interessante, também: o piropo é uma reacção pavloviana provocada pela maneira como a mulher se veste e se se veste para agradar às mulheres, condena todo o piropo. Quando tiver tempo vou pesquisar as fontes científicas desta conclusão.

  16. por mera associação de ideias, lembrei-me agora que já há jurisprudência portuguesa de recriminação da mulher violada por ter provocado a violaçao pela forma como se vestiu. O coitado do violador foi ilibado com menção honrosa.

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