Esclareçam-me, que esta polémica dos dados parece-me um bocado estúpida

Numa interpretação benigna, talvez por ter uma importância relativa, a questão da comunicação de informações sobre os promotores de uma manifestação à embaixada da Rússia em Portugal não foi notícia quando chegou ao conhecimento dos jornalistas em Janeiro. Talvez. De facto, como considerar grave que uma lei obrigue à comunicação dessas informações ao Estado visado (através da sua embaixada), quando no dia seguinte essas mesmas pessoas se vão apresentar em público, de cara destapada e prontas a serem filmadas, fotografadas, identificadas, e a gritarem ao que vêm? Qual a diferença em termos práticos? Essas pessoas constam com certeza dos registos do consulado da Rússia.

 

Claro que do que acabo de dizer não se deve deduzir que eu concordo com a transmissão de dados sobre a morada e o nome das pessoas que promovem uma manifestação à embaixada do país contra cujo governo as mesmas protestam. Acho que não deve fazer-se nem é necessário fazer-se, mas também acho que de certo modo é irrelevante. Possivelmente, a ideia inicial da lei era informar o alvo do protesto sobre quem o organiza e por que motivo, quando e aonde, até por uma questão de prevenção e de “preparedness”. Não sei. Parece-me também que uma forma de comunicação é uma questão de cortesia diplomática mínima. Se alguém se quisesse manifestar em Amesterdão ou Haia contra o governo português, eu agradecia, enquanto embaixadora, que me informassem de quem são e o que querem (além do local e da hora), não? Sem necessariamente exigir que a Câmara local me desse os nomes e moradas dos organizadores, claro, mas enfim, se se tratasse de uma organização não clandestina ou ilegal, porque não?

É ou não verdade que, hoje em dia, a partir de qualquer fotografia ou imagem é possível saber quem é a pessoa e onde mora, principalmente se essa pessoa provier de um país com registos, com embaixadas com registo dos cidadãos cá residentes, etc.? Ora, que se saiba, os russos que agora se queixam não vivem cá ilegalmente. A sua identificação não é difícil, se as autoridades russas assim o pretenderem. E todos sabemos de como são competentes nessa matéria. Mas, mais uma vez, nada disto obsta a que seja um erro transmitir informações pessoais só porque sim. Mas consta que, depois de um protesto da activista russa que continua a viver pacificamente em Portugal e não se incomodou nada de falar ao Expresso, isso foi corrigido. Agora, que estejamos perante um crime da maior gravidade, não. Poupem-nos aos vossos calores.

 

Por isso, as ou os activistas que agora dizem que vão para tribunal e mais não sei o quê por causa de uma grave violação dos dados pessoais estão claramente a exagerar e a aproveitar a suposta indignação dos opositores a Medina para ganharem dinheiro. É pena, porque eu até acho que se deve protestar contra o regime de Putin e que é preciso alguma coragem para o fazer. Mais lá na Rússia do que neste cantinho soalheiro à beira-mar, diga-se. Passaram-se cinco meses e ninguém foi envenenado nem levado à força para a Rússia. E podemos ter a certeza de que, se tal tragédia acontecesse, não seria porque os serviços da Câmara de Lisboa comunicaram os nomes dos promotores da manifestação à embaixada da Rússia em Lisboa. Sejamos realistas. Uma manifestação é o contrário de uma descida à clandestinidade.

 

Voltando lá acima. Disse “talvez” no primeiro parágrafo, porque pode dar-se o caso de os jornalistas em causa, ao serviço da direita, terem achado que tinham em mãos um enorme furo jornalístico-político e terem decidido deixar a questão de pousio até melhor altura, digamos que mais próximo das eleições autárquicas, para, aí sim, a apresentarem como grande bomba, ajudando a pobre campanha do Moedas a dinamitar a do Medina. Afinal, os jornais que lançaram a notícia pseudo-escandalosa são declaradamente da direita – o Expresso e o blogue noticioso Observador. Se foi isso, não lhes correu lá muito bem, quanto mais não seja porque, um dia volvido apenas, e o próprio Moedas já se encarregava de mostrar a sua falta de nível, de jeito e de pruridos ao querer fazer-se passar por convidado no fórum TSF quando fora ele próprio a inscrever-se, como outros, para falar, qual “troll”. Ridículo. Se a ideia era promoverem esta coisa, melhor abortarem qualquer plano. Já. O ridículo do homem arrasta todos os seus promotores.

 

19 thoughts on “Esclareçam-me, que esta polémica dos dados parece-me um bocado estúpida”

  1. o que é estúpido foi terem se deixado apanhar , pondo a nu que nada de novo se passa debaixo do sol e que os boss têm em reuniões periódicas planeando a defesa do status quo , tal e qual como no paleolítico -:) o que mudou foi a qualidade dos detentores de poder , que já nem conseguem manter os “segredos de estado” em segredo. dá ideia que agora são meio atrasados mentais.

  2. Costuma-se dizer que o diabo está nos pormenores. Acredito que só uma barrela no gabinete de apoio do presidente da CML possa eliminar o pó bolorento que por lá existe.

  3. Querem ver que a culpa é dos manifestantes que hipocritamente levantaram a lebre porque para isso foram desafiados por apoios partidários a uma candidatura a CML em oposição a do partido que lá está?! Não me lixem. O princípio de identificar pessoas para as embaixadas dos países a que pertencem é que está errado. E impossível criar um critério a defender o envio para as embaixadas dos países “bonzinhos” e impedi-lo para as embaixadas dos “mauzinhos”. Diplomacia oblige? Pois mas não está certo. Aconteceu ser com este presidente da CML mas há há muito tempo que está denúncia devia ter sido feita. Há um aproveitamento político? Há basta ler os comentários ao que o Valupi escreveu na intervenção anterior a esquerda e a direita está toda esganiçada . Os 1os atacam de frente e os 2os andam às voltas . Aquela tirada do Roma não paga a traidores não é a direita que a assina mas também admito que anda aqui muito troll de direita a fazer-se passar por ser de esquerda. Por fim queria informar que não sou tia pois não tenho sobrinhos e no meio em que fui educada e criada só se chama tia às irmãs dos pais e avós. Também me ensinaram a respeitar as pessoas sejam elas tias, tios, velhos, velhas e muito em especial mulheres.

  4. chamar-lhe tia é o mínimo respeito que posso ter por si sem ter de lhe chamar burra e ignorante.
    agora passemos há educação civil da classe média que reivindica direitos, oportunidades e garantias em tudo o que mexe ou passa à porta:

    . o activista em causa andou este fim de semana a espalhar charme no arraial do coltrim figueiredo, foi notícia na rtp e ainda não protestou, tamos conversados quanto aos prejuízos sanitários e políticos.

    . não há países bonzinhos nem mauzinhos, há governos melhores ou piores consoante o lado da barricada que dispara. mas há regras de civilização que dizem para avisar o visado, informar o motivo, hora e local da manifestação para evitar confrontos e outras cenas geralmente muito do agrado das televisões que não foram incluídas no menu dos protestos, ie porrada, vidros partidos, pneus queimados e viaturas de churrasco. se a tia vivesse na visconde de santarém nesse dia tinha ido estacionar o trabant no parque das nações.

    . deveria aguardar pelo resultado do inquérito que o medina mandou fazer antes de dizer as asneiras que entretanto vai ter de engolir de volta. tamém há regras para tratar destas cenas, sabia ou informou-se na cabeleireira.

    . aproveitamento político? uma campanha para o medina se demitir e o moedas ser eleito numas eleições sem concorrência é para isso que trabalha o coro dos protestos aqui nos comentários e nas telebisões.

    . respeite os outros e não arme em esperta se quer ser respeitada, não diga tanta asneira e fale daquilo que sabe, se é que sabe alguma coisa. para fazer figuras dessas já temos a dupla de palhaços sobrinhos yô-yô & kamaxinho.

  5. O Valupi e o das 13h22 dizem tudo o que de sensato e verdadeiro há a dizer sobre o assunto.

    Isto foi mais uma moscambilha montada pela cumunicação sucial direitista para denegrir socialistas, neste caso o provável vencedor das próximas eleições de Lisboa. Tentar explorar politicamente semelhante história é sinal evidente de que estão com uma desesperante escassez de material.

  6. Com um pequeno gesto, o ministro Coelho entrou para a história e nela permanecerá para sempre.

    Este também vai ficar para a história ,

  7. Este lugar está a ficar com uma frequência pouco recomendável. Nem nas trocas de galhardetes nas redes sociais há a agressividade de um fulano que muda de identificação para melhor envenenar e que hoje pelas 13 22 se lembrou de tentar demolir o que eu tinha comentado. Ou eu comentei muito bem e ele atirou as baterias com toda a força para nada do que eu disse ficar de pé ou então a zurrapa que bebe o põe fora dele e tenta levar pela frente quem não se rege pela batuta que usa. Então você escreve aquilo tudo para demonstrar que eu não sei o que digo, se fosse assim não era preciso todo o trabalho que teve a escrever aquele lençol tornava_se evidente a fraqueza do que escrevi e não era preciso tanto trabalho. Venho de longe, de muito longe o que eu andei pr’aqui chegar.

  8. Lidamos com o SARS-CoV-2 (ou “novo” coronavírus, como continuam alegremente a chamar-lhe, ad nauseam, os papagaios dos merdia com sonoro) há perto de ano e meio, o que faz com que, no plano da saúde pública, o “novo” seja já quase tão velho como o cagar. E, se é certo que nos tem dado água pela barba, é forte a possibilidade, por via da vacinação, de nos vermos livres dele a médio prazo. Na pior das hipóteses, poderemos talvez reciclá-lo de pandémico em endémico.

    Infelizmente, há outros vírus, muito mais infecciosos, para os quais não se vislumbra qualquer esperança de cura, pelo menos nos próximos milénios. Um deles, como por aqui se vem provando à saciedade, é o vírus do sectarismo (ele, sim, comprovadamente mais velho que o cagar), que provoca cegueira, ataques recorrentes de estupidez, má-fé, infantilismo e outras lamentáveis mazelas.

    E para ele não se vislumbra cura porque as grandes, pequenas e médias farmacêuticas são unha com carne com as seitas, capelas e capelinhas a quem interessa o perpetuar dessas mazelas. Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Desgraçadamente, ao empenho de alguns zarolhos em não abdicar da realeza alia-se a vontade férrea de outros de conservar os privilégios da cegueira, da estupidez, do infantilismo e da má-fé. Uma lástima.

  9. Roma não paga a traidores (um desenho)

    Amiga Mjp (a seriedade da tua argumentação, mesmo quando dela discordo, dá-me vontade de te tratar assim)

    Quando Fernando Medina, há pouco tempo, disse o que disse sobre José Sócrates, fê-lo com uma motivação política e moralmente reles, a de pescar eleitoralmente nas águas da direita, subscrevendo-lhe e reforçando-lhe com baixeza a narrativa. Com essa vergonhosa deslealdade, praticada com displicência e chocante ligeireza, sem que para isso fosse solicitado, Medina traiu sem qualquer necessidade ou motivo legítimo um ex-amigo e ex-camarada de partido que nenhum mal lhe fizera, numa altura em que este se encontrava fragilizado e vulnerável, acossado e pontapeado, por todos os lados, pela escumalha da escumalha. Juntando-se com tanto à-vontade aos bandalhos, Medina revelou-se como um dos piores de entre eles, uma criatura não confiável, desprovida de princípios morais, que não hesita em dar uma facada nas costas de um ex-companheiro por oportunismo fútil.

    Roma, a nossa direita “romana”, bateu-lhe então palmas a quatro patas, porque Medina a serviu bem, mas, à primeira oportunidade, recompensou-lhe a traição tirando-lhe o tapete, atirando-o alegremente aos bichos e enchendo-lhe a bunda e a cintilante dentadura de pontapés. Tem o que merece e foi apenas isso que eu quis dizer.

  10. Desse grande farol e modelo do jornalismo de reverência chamado BBC:

    BBC News – Nato and climate change: How big is the problem?
    https://www.bbc.co.uk/news/world-57476349

    Num planeta normal, onde a profissão de jornalista ainda mantivesse algum resto de dignidade, uma merda destas nunca veria a luz do dia. Neste cantinho de vassalos do império do bem chamado Europa, porém, a criadagem merdiática atropela-se, esgatanha-se toda e até faz bichas para se candidatar à duvidosa honra de parir fretes como este! Santa Greta me valha, phoda-se!

  11. “Amiga Mjp (a seriedade da tua argumentação, mesmo quando dela discordo, dá-me vontade de te tratar assim)”

    tradução: manda likes e loles que preciso de respaldo para a banonada. eu depois retribuo com abraços e emojis, a yôyô manda a receita para grelhares os emojis.

    dass… o ventrujas ò- traduz a propaganda da direita alternativa, este nabo bota links em estrangeiro, uns adereços trumpilhas em português (i.e. ganda farol) e uns vernáculos (i.e. phoda-se) em gótico arcaico para seduzir a tia. já faltou + para termos aqui uma parada de orgulho proud boys e churrasco kkk com discursos do cotrim abrilhantados com a presença de dissidentes russos torturados pela câmara de lisboa.

  12. “Grande Camacho, o mais perspicaz e livre, como habitualmente.”

    ehehehehehehe… perspicoizo e liberdade de asneira é com ele, não falha uma.

  13. o propagandista do regime putin que vive económicamente da exploração petrolífera e mineira a baixos custos e que aposta no degelo para diversificar a actividade à exploração das rotas polares está com preocupações ambientais e alterações climáticas por causa dos países da nato.

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