Da frescura das barbas

Mas há aqui um espaço que pode ser ocupado. Que partido poderia capitalizar este eleitorado em Portugal? O Bloco de Esquerda (BE)? O Livre? Ou outros?

É difícil organizações políticas que estão em processo de queda eleitoral desempenharem um papel que exige sempre alguma frescura e novidade, como trouxe o Podemos. Não imagino que o PCP ou o BE possam ocupar esse espaço, que pode ser ocupado pelo Livre e outros movimentos que entretanto surjam. Mas falo em causa própria e por isso não desenvolvo…

…quer concretizar que projeto é esse em que está envolvido?

Não quero falar sobre isso. Digo-lhe apenas que é um projeto político que inclui pessoas do Manifesto, como eu e a Ana Drago, pessoas do Livre e independentes, que poderiam ocupar esse espaço.”

Como se confirma hoje pela entrevista que dá ao DN, o Daniel Oliveira insiste à viva força em formar um movimento político (ainda outra coisa diferente do Livre). Ora, como ele próprio diz, para se chegar ao aparente sucesso do Podemos, em Espanha, é necessária frescura. E quais são os rostos frescos que o Daniel tem para apresentar? Pois é: ele próprio e a Ana Drago, ambos dissidentes do BE, mas a ele ligados durante tantos anos que é difícil alguém olhar para eles agora e achar que têm um projeto diferente ou sequer um projeto credível e exequível. É por demais evidente que não têm; apenas decidiram antipatizar com os sucessores de Louçã, e por boas razões, diga-se, pois a dupla não tem carisma nem verve que entusiasme, estando o próprio Bloco bastante condenado. Esta dupla de frescos não ficará, certamente, relegada para um papel secundário no novo partido/movimento. Pelo que, pretender que as suas incontornáveis pessoas sejam «frescas» é querer demais.

5 thoughts on “Da frescura das barbas”

  1. Ou de como as diversas tendências dos socialistas em liberdade se digladiam na praça pública em vez de discutirem calmamente e democraticamente dentro do PS.

  2. O BE teve o seu melhor resultado em 2009 mas, o seu
    grande lider sibilante Louçã nunca se recompoz da der-
    -rota que Sócrates lhe infligiu num debate televisivo!
    Vivia-se a época da grande contestação dos profes por
    causa da avaliação daí, terem conseguido 16 deputados, nunca procuraram ter uma atitude construtiva e, forçaram
    a barra contribuindo para a queda do Governo!
    No rescaldo perderam metade dos deputados, a queda
    de Louçã era inevitável, liderança bicéfala foi um erro …
    nas próximas eleições se tiverem 4 deputados é uma
    vitória! O Povo está farto daqueles que se limitam a
    surfar sobre os seus reais problemas mesmo, a chamada
    esquerda ortodoxa PCP se conseguir 9/10 %, será muito
    bom para manutenção do partido … ainda vivem no século
    passado! Os espontâneos são meras “flores” efémeras!!!

  3. Ó Madeira, não contesto o comentário porque é o habitual. Lembro apenas que “ainda vivem no século passado”, não é propriamente muito feliz. Talvez século XIX fizesse mais sentido.

  4. Ó IGNATZ e derivativos, acessem o site, força. É só gordura nesse bestunto, vá, acessem e emagreçam…

    Ora beie, a propósito de frescuras e frescos, hum, de facto, a Exm.ª Penélope tem razão. Portugal – o político – transformou-se num mercado onde as couves estão podres. Nem com borrifanços de água, se consegue endireitar a horta. Mas a Exm.ª esqueceu-se de incluír o PS ( e os outros, não é?).

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