Curtas, quentes e boas

I- Teorias e práticas

A atuação de Gaspar até pode basear-se em teorias e modelos económicos considerados ciência certa (e agora, ó desastre, dados como falsos). Mas a atuação dos líderes alemães nesta crise no que respeita aos países em dificuldades pouco tem a ver com elaboradas teorias económicas que explicam as recessões e o crescimento. Tem exclusivamente a ver 1) com a melhor maneira e a mais rápida de recuperarem o dinheiro emprestado e darem solidez aos seus próprios bancos, que também tinham alinhado nas práticas de casino, e 2) com a preservação do euro por enquanto, dadas as consequências catastróficas previstas, por enquanto, repito, para a Alemanha em caso de desmembramento do clube da moeda única.

Assim sendo, é utópico pensar que a queda em desgraça de uma certa teoria sobre a relação da dívida pública com o crescimento leve os alemães a reverem as suas posições e a inverterem o rumo da política europeia. A última coisa com que estão preocupados é mesmo com a maneira de pôr os países do sul a crescer. A primeira todos sabemos qual é.

II – Um líder encravado

Segundo uma sondagem divulgada hoje pelo jornal i, o PS de Seguro perde 8 pontos percentuais num só mês. Esta sondagem pode ser disparatada, eventualmente inventada ou, pelo contrário, estar muito correta e os inquiridos estarem apenas a atravessar um momento de mau humor. No entanto, confesso que me surpreendia o Seguro e o seu partido atual serem 8 pontos mais bem vistos do que Passos Coelho e o atual governo. Apresentar uma moção de censura e no mesmo dia escrever uma carta à Troika como que a pedir desculpa é de uma estupidez (mais uma) a toda a prova. Conviria o PS ter presente que, para o povo, se a política a seguir for a mesma, mais vale que o seu executor seja amigo íntimo do credor, sobretudo se este tiver garras.

III – Grau máximo da amizade é, pelos vistos, fazer figuras tristes só para defender um amigo

Manuela Ferreira Leite, no seu espaço de comentário de ontem, meteu literalmente as mãos pelos pés ao tentar não ver no discurso de Cavaco nada de contraditório com o que ela própria nos tem dito na televisão sobre as políticas do Governo. Quando abandonou o assunto «Cavaco e o discurso do 25 de abril», ficou outra e retomou a linha combativa anti-austeridade, sem se preocupar minimamente com as contradições. Chegará isto para ascender ao patamar de popularidade comentarista de Marcelo?

12 thoughts on “Curtas, quentes e boas”

  1. I exacto os alemaes querem limpar os seus bancos à custa da divida dosmpaisesmdo Sul, o restomé conversa.

    II nao é o lider que esta numa encruzilhada é o Ps enquanto nao perceber por preconceito anticomunista que dentro do quadro actual ( mastrich, euro, tratado de Lisboa, troika) nao é possível ter uma política de esquerda

    III a senhora é muito fraquinha e nao vale a pena perder muito tempo.

  2. cavaco, só enganou os incautos! os outros sabem bem onde votaram e porque votaram.este cavalheiro,antes de ser Pm andou a dar cabo de um governo patriotico como foi o de mario soares com mota pinto (psd). quando apareceu na figueira da foz para fazer a rodagem do carro,já tinha preparado “a cama” durante meses a um governo em que o seu partido participava. não sei quem disse,” que o patriotismo é o refugio dos canalhas”. estou de acordo com este pensamento quando ouço certos vermes!

  3. bento, fraquinho da mona és tu. aconselho-te a veres o filme ” bye bye lenine” para veres qual é o teu estado de saude mental!

  4. a santinha da ladeira faz parte do plano bolicoiso vingança total, entra na 2ª parte em substituição do raspar. na próxima entrevista poderia explicar ao país a diferença entre as taxas de juro da titularização de créditos ao citi e das swaps e já agora qual o papel do broges nestas aldrabices todas.

  5. oh sebento! se alguém quisesse políticas de esquerda votavam na merda do teu partido, já nem a albânia se vende disso, o país vota maioritáriamente no centro ou será que ainda não deste por isso. sim, a velha tem um aspecto frágil, mas é uma boa filha da puta, não percebo porquê tanto cuidado da tua parte a manusear o elixir do estado novo. sódades, certamente.

  6. vamos ter o social -fascismo no pais por via eleitoral! grande jeronimo,contigo a governar,vamos ter um grande pais a viver em exclusivo do que produzimos,pois nem um saco de batatas a europa nos vende ou nos compra! o gançalvismo foi só um cheirinho do que eles nos fazem,para não termos aqui uma segunda ediçao de cuba! o povo não é estupido,e quando chegar a hora da verdade eles vão regressam aos oito% vitalicios.

  7. semedo, está disponivel, mas com o partido comunista como comparsa! que os pariu!quando o ps em eleiçoes, disser que sem maioria não forma governo,até a vaca vai tussir!

  8. essa sondagem é mais um frete do pedro picolho, à semelhança dos anteriores, ao discurso do cavacóide, para fazer a mona ao público que eleições resolvem néria. era bom que os pitagóricos fossem investigados para ver quanto custou e quem pagou 8 por cento 8 de quebra em intenções de voto no ps em 30 dias. não há memória de tanto descaramento nos anais da aldrabice controlada por belém. só falta a bruxa, com colar de majoricas sebosas, no telejornal a mugir umas desculpas esfarrapadas, aquilo não era uma sondagem eleitoral, mas os resultados de uma prospecção petrolífera para o jardim do palácio praia.

  9. O i não é um jornal alinhado com o partido laranja, ignatz.

    Na série das sondagens do i falta a variação dos indecisos que, como parece evidente, será um dados importante. Quanto ao resto dos números, creio que reflectem bem as oscilações do “centrão” político, bem como a vulnerabilidade desse centrão a certas manobras de intoxicação da comunicação social. Receio cada vez mais que a situação política se encaminhe para uma descontinuidade mais ou menos caótica.

    A maioria do votantes do centro — cuja preparação cultural e inclinação ideológica não lhes permite dispor de um quadro interpretativo da realidade à altura do momento que atravessamos — não percebe a relevância da polémica Reinhart/Rogoff, por exemplo; acreditam na alegoria da “casa de família” para assim concluírem (sem terem que pensar muito no assunto) que o principal problema nacional é a dívida; como tal, são vulneráveis à propaganda dos comentadores de serviço do laranjal e aos discursos graves de Cavaco Silva. Enquanto continuar o branqueamento da nossa adesão ao euro, adesão essa que, COMO TODOS SABEMOS, foi feita de forma irresponsável e apressada, Cavaco ganha. Cavaco foi o principal artífice dessa política; enquanto não for responsabilizado por isso, vai continuar a marcar pontos ao centro.

    Não foi Cavaco Silva o principal responsável da nossa entrada à pressão no “pelotão da frente” da união monetária? Para conseguir esse feito, o Prof. Cavaco Silva muniu-se de um coro imenso de propagandistas, por forma a poder assinar de cruz todos os tratados cujo único objectivo era limitar a soberania na gestão macro-económica do país. Com a pressa que tinha em nos meter no “pelotão da frente”, Cavaco Silva aceitou os trinta dinheiros de Judas em troca da destruição de vários sectores económicos nacionais. Ele nunca vai reconhecer que errou, pois com isso acabaria não só com a sua carreira política, mas com a sua “fama” para a História… Portanto, neste momento, ensaia uma fuga para a frente. É simples, não é verdade?

    Noto que eu concordo completamente com a nossa adesão à União Europeia e, além disso, considero que isso é para manter. A permanência no euro é que não vai dar. Creio que esta é, mais coisa menos coisa, a verdade.

    Como a esperança é a última coisa a morrer, esperemos que venha aí uma surpresa…

  10. “O i não é um jornal alinhado com o partido laranja, ignatz.”

    claro que não, aquilo é um outdoor do regime.

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