Alternativas a montante

euro escavacado

Há um mal-estar na Europa. É o Reino Unido que gradualmente se desliga e quem não se importe de ir empurrando, é a França que já ameaça mandar às urtigas a austeridade “à la façon germanique”, é Jean-Claude Juncker, ex-presidente do eurogrupo, a falar no perigo de guerra, são os italianos em caos político e a ameaçar com um referendo, os gregos na indigência, os portugueses a tentar disfarçar o indisfarçável, a Espanha agitada; é um distinto conselheiro económico alemão a dizer que quem não aguenta tem sempre a opção de sair do euro, é outro alemão a dar uma entrevista ao Público para dizer que não há alternativa às políticas atuais, acenando, por sua vez, com o Armagedão que aguardaria os países que abandonassem o euro (prova de que também na Alemanha há medo); há ainda a nova guerra de palavras entre Paul Krugman, que não está sozinho na América, e os comissários europeus obcecados e cegos com a austeridade. Enfim, as tensões vão-se intensificando à medida que se sentem as consequências dos eufemisticamente chamados “ajustamentos” e aumentam as desigualdades e a miséria numa parte significativa da Europa. A estrutura vai ter de ceder em algum lado e há formas muito pouco bonitas de tal acontecer.

A Alemanha tem uma política própria no meio desta crise, tão própria que se diria não partilhar uma moeda única. Aliás, controlando o BCE e as instituições europeias, é a política que mais a beneficia, ou vá lá, que menos a prejudica que se impõe aos restantes países. Estamos, por isso, agrilhoados. A atribuição de culpas desde o início a todos e a tudo o que mexia a sul do paralelo 48 N, mas nunca à arquitetura do euro, às discrepâncias entre as economias que fundaram o clube (um erro) e à inexistência de mecanismos de proteção da moeda contra crises e especuladores, levou a este beco sem saída em que o prosseguimento das atuais políticas, além de insustentável, só agrava os problemas e o simples parar para pensar é considerado uma cedência ao facilitismo, ou perigo de “moral hazard”, e vendido como um regresso ao despesismo “que nos trouxe até aqui”. Como se fosse o caso. Que, olhando para o globo e em particular para a América e para o continente europeu, afirmações como esta, mais quem as profere, não sejam de imediato pontapeadas para o lago mais próximo e ridicularizadas, eis uma coisa que não entendo.

Mas eis que na Alemanha também já há quem perceba os riscos e a inutilidade do esforço de salvar o que não tem salvação possível e proponha a saída do país do euro, ou a constituição de um novo clube, desta feita mais restrito. Estará na forja um novo partido – Alternativa para a Alemanha – que avançará provavelmente para as próximas eleições. Para já, o seu programa tem um único ponto, o que, não sendo muito, também não é pouco. A revista “Der Spiegel” fala sobre isso.

«Anti-euro political parties in Europe in recent years have so far tended to be either well to the right of center or, as evidenced by the recent vote in Italy, anything but staid. But in Germany, change may be afoot. A new party is forming this spring, intent on abandoning European efforts to prop up the common currency. And its founders are a collection of some of the country’s top economists and academics.
Named Alternative für Deutschland (Alternative for Germany), the group has a clear goal: “the dissolution of the euro in favor of national currencies or smaller currency unions.” The party also demands an end to aid payments and the dismantling of the European Stability Mechanism bailout fund
.» (Ler mais)

As preocupações destes senhores, na sua maioria de direita, são também a erosão da democracia (nem sabem como estão certos), a falta de representatividade e de legitimidade das decisões, a visão de curto prazo das medidas tomadas a nível europeu, que visam apenas resolver os problemas da banca, e enfim, claro, as dificuldades crescentes em fazer passar no Parlamento alemão os sucessivos resgates e contribuições para os fundos e mecanismos europeus. Aparentemente tudo coisas sensatas. O único entrave a um possível sucesso deste grupo é o facto de a economia alemã não se estar a dar nada mal com o mal dos outros. Nada mesmo.

8 thoughts on “Alternativas a montante”

  1. A geração que nos atirou de “barriga” e de “olhos fechados” para este mergulho na europa, deve ser um dia julgado por facilitismo e falta de cultura.

    Com a europa sim, mas com a irresponsabilidade como se processou tudo, jamais.

    «Chicos espertos»

  2. não há novidade naquilo de o SME ter por base um modelo de cooperação assimétrica no sentido de um dos países membros afirmar a sua preponderância face aos demais. ademais, já antes disso a alemanha afinava a sua política económica global, e em particular a monetária, pelo diapasão de luta apertadíssima contra os malefícios da inflação – desiderato reforçado com a adesão dos EM ao SME. ora vista desde sempre como um modelo a seguir na óptica de correcta afectação de recursos para assim colocar as sinergias nacionais ao serviço do maior crescimento e desenvolvimento, o próprio, nada me admira nisso do estar bem com o mal dos outros. isto a montante. a jusante, o que me choca é que quem está mal continue a apalpar a teta grande e gorda de quem só injecta silicone a crédito na sua.

  3. @ Reaça: Chafurdaste em tudo aquilo que a Europa te deu, a erradicação da pobreza extrema, das barracas, barragens, pontes, Saude, Cultura, Educação. Fizeste fila ali na Av Republica para ires pela primeira vez ao MacDonalds e o acontecimento do teu fim de semana era encomendar uma Telepizza. Que bem que te soube.

    E agora vens aqui dizer que quem conduziu o país por essa abundância toda “atirou de “barriga” e de “olhos fechados” para este mergulho na europa, deve ser um dia julgado por facilitismo e falta de cultura.”
    O que tinhas tu afinal para nos propor? É melhor que expliques bem explicadinho como seria esse teu universo alternativo senão julgado ficarás tu, ó chico-esperto!

  4. Ó Zeca Diabo se gostas de andar de joelhos a pedir uns trocadinhos aos alemães para um hamburger e uma cocacola, bom proveito.

    Eu não tenho apetite!

  5. Zeca Diabo, antes as barracas de Casalventoso que oa milhares de casas com dinheiro emprestado, e que não portugueses para habitar.

    Só serviu para encher os bancos e os patos bravos.

  6. Ó Zeca Diabo, melhor que pizas e estudar até aos 30 anos, um casqueiro do alentejo ou uma brôa de milho, azeitonas e um copo de tinto, e ganhar calos na horta, aos 18 anos.

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