Ainda bem que José Manuel Fernandes escreve no Público

Se não escrevesse, uma grande parte da população nunca saberia a sorte que tem em ter Passos Coelho como primeiro-ministro. Os leitores podiam ficar-se apenas pelo título, que já iriam bem aviados: “Ainda bem que nos saiu Passos Coelho”, chama ele ao seu artigo.

Mas vejamos o que nos diz:
No cenário de o PS ter ganhado as eleições em Junho “… há meses que Portugal andaria, como a Grécia andou, a dizer que não era possível cumprir o acordo – e, de facto, não teria sido [mas eles sim, eles cumprem, sabemos a que preço. Quando já não houver país, cumpri-lo-ão mesmo até ao fim]. Em 2011 teríamos falhado as metas do défice e em 2012 iríamos pelo mesmo caminho. Estaríamos hoje na mesma situação que a Grécia estava um ano depois de ter assinado o seu memorando [sim, porque agora estamos muito melhor], ou seja, de novo de mão estendida e ainda em piores condições para ter qualquer política de “crescimento e emprego”.” [Neste registo, o céu é o limite]

E acrescenta: “Já passou um ano, já passaram quatro avaliações, já passaram muitas previsões de que seria da próxima que Portugal ia ficar mal, e tudo continua a correr conforme o previsto. [ou seja, Portugal está a ficar bem] Ainda bem. Parece pouco, mas é muito: é o que nos aproxima da Irlanda e afasta da Grécia [a Irlanda não sai da cepa torta, as suas contas continuam péssimas]. Tudo tem corrido, no essencial, bem [em que sentido? O “bem” depende do ponto de vista do observador e do recheio da respetiva carteira] porque este Governo acredita nas metas que tem de cumprir e nas reformas que tem de fazer. É isso que o diferencia do anterior executivo, que preferia tentar não cumprir mascarando as contas. [I beg your pardon? Alberto João, o subtrativo, à cabina de som!] E é isso que o diferencia dos sucessivos governos gregos.” [Tudo aponta para um caso de sucesso, como toda a gente vê]

“Muitas das ideias que o PSD assumiu, contra ventos e marés, no seu programa são as que estão a ser aplicadas e representam uma viragem profunda na forma como em Portugal sempre se colocou a dependência do Estado, do subsídio e da cunha, no centro de tudo. Há séculos que é assim e Passos Coelho quis e quer mudar isso. Não é hiperliberalismo, é apenas um bocadinho de liberalismo numa sociedade asfixiada que sempre se virou para o Estado como solução de todos os problemas.” [Não, era só solucionar o problema do pote; para ele, querer o Estado é algo de mais seletivo]

E termina, depois de uns gentis reparos (em que prova, aliás, que este governo pouco fez em termos de redução da despesa, como apregoava que faria imediatamente e com grande simplicidade) para que não lhe chamem engraxador: “Mas, na hora do balanço, tenho de ser justo: o mais importante era tentar um novo caminho para Portugal, com tudo o que implica de dor e de risco, e isso está a ser feito [que bom!]. Por isso repito: ainda bem que nos saiu Pedro Passos Coelho [Que injustiça. Então e o Relvas?]. Algo de realmente diferente e novo, até para o PSD.” [muitos ainda não acreditam no que veem]

JMF está contente. Mas delira em quatro colunas. Com todos os indicadores a piorar, a dívida a aumentar quase para 120% do PIB e sem qualquer perspetiva de descida no horizonte, a redução do défice apenas conseguida, se a conseguirem, graças aos fundos de pensões da banca, as receitas a diminuir mais do que o esperado, o desemprego galopante, a economia agonizante, a debandada dos mais capazes, a EDP e a REN nas mãos dos chineses (mas com os mesmos CEOs) por 2000 M€ sem que o consumidor tenha disso retirado qualquer benefício, os transportes num caos – mais caros, com pior oferta e, apesar disso, a somarem aos défices, défices ao quadrado, a saúde afunilada e o ensino a retroceder 70 anos, só mesmo um José Manuel Fernandes para nos mostrar como devemos agradecer a deus a sorte que nos coube.

14 thoughts on “Ainda bem que José Manuel Fernandes escreve no Público”

  1. O comentário de João Lisboa remete para um link, com um post sem ponta de seriedade inteletual:
    confundir convições pessoais sobre assuntos em debate, com ilícitos crimininais provados em tribunal é próprio de alguém sem argumentos.

    (os desvio de milhões, os muitos mil milhões desbaratados, rendimentos tipo dona branca de 10% ao mês, etc – tudo devidamente provado..enfim sigam a sigla—PSD)

  2. O esforço que estes “fernandes” e outros protagonistas da direita salazarenga e fedorenta tentam fazer passar é que Portugal precisaria MESMO de ajuda INTERVENCIONADA. Se olharmos para Espanha e nos recordarmos do incomodo da Merkel quando Sócrates caiu será um bom motivo para questionar estas “verdades da treta”. Mais: o memorando da troika foi pedido APENAS pelo PS ainda eles não eram nascidos e o Catroga dos Pintelhos a quando da discussão das conduções estava no mesmo quarto do hospício com o Medina Carreira. A Catherine Deneuve andava longe do Parque Eduado VII e tinha desistido de aliciar meninos quanto mais “troikadas”
    Ontem o janota da Sonae que julgo ter ouvido ou lido vai ser condecorado no 10 de Junho pelo Cavaco, fez na Quadratura do Círculo um exercício patético de desculpabilização e ilusionismo de merda sobre o estado a que O PMC (Primeiro Mentiroso Compulsivo) o Coelho, conduziu o país.

    Eu se fosse a estes bandalhos haveria de proteger bem a retaguarda. É que se um dia isto vira, MAS VIRA MESMO, eles vão estar em muito, mas mesmo em muito maus lençóis.
    Ai vão…vão….

  3. Há muito que deu para ver que a partidocracia vive para os seus próprios interesses
    que, só por mera coincidência podem convergir com os do Povo português!
    O comportamento e a prosa do estipêndiado há muito que é conhecida, ela faz jus à
    teoria do M.E.Cardoso do chamado CULAMBISMO, isto é, alcançar o patamar mais ele-
    vado da graxa, chafurdar na maior indigência intelectual possível na expectativa de vir
    a ser reconhecido com uma comenda num qualquer 10 de Junho, para além das pre-
    bendas que vão recebendo!!!

  4. oh da benedita! tu é que andas perdido por aqui. porque é que não vais comentar para a tua caixa. inventa outra que essa dos passos perdidos já tá gasta, os malabarismos que este cromo faz para tentar passar uma imagem de esquerda, sem comprometer.

  5. A medida da sabujice deste indivíduo aumenta na razão directa da sua ânsia desmesurada por um capacho (se possível generosamente remunerado) que lhe caia em sorte da esfera governamental (e que, pelos visto, tarda).
    Vai uma aposta em como na próxima vai para a lista de deputados elegíveis, para fazer companhia ao servo Amorim?

  6. Acho ,até, que devemos mandar rezar uma missa de acção de graças no género da que um actual ministro, há um tempo atrás, mandou rezar. Agradecer também ao divino, termos ‘jornalistas’ tão leais ao patrão e tão coerentes com os poderes em vigência.

  7. Perdoai-lhe senhor… porque ele sabe o que faz.O 14. governante a seguir a antonio borges,apresentou o balanço de 1 ano do governo sem um unico numero que se veja.Esse trabalho deixou para penople, que foi muito acertiva ao apresentar pontos “fortes” de passos coelho. A falta de rigor e honestidade de JMF, é confrangedora.

  8. O título do Zé Manel deveria este: Ainda bem que nos saiu este Coelho [da Cartola]. Quanto a mim o Zé Manel ainda anda por aí à espera de chegar ao “pote”. O rapaz, que foi um dos “bravos” a apoiar o Bush no “Caminho para Bagdade”, e um fervoroso aluno do Billy Kristol e demais neo-conservadores que ajudaram Bush a fazer a guerra pelo petróleo, já teve diversas funções em part-time, incumbido pelo Relvas e amigos, mas ainda não chegou ao “pote”. Neste momento, alem dumas palrações aqui e ali, ocupa-se na mercearia do Pingo Doce, assessorando o assarapantado António Barreto. Tambem vai continuando a conspurcar o Público, com as suas análises sebáceas e apologéticas, sem nada dizer sobre o caso Maria José Oliveira, ameaçada por Relvas. Claro que este caso é mais escabroso do que o guião da “asfixia democrática” ou da esparrela montada com o e-mail das “escutas a Belém”. Por isso o Zé Manel assobia para o lado, enquanto não é nomeado para “Director de Comunicação” deste Governo. O facto dele escrevinhar no Público, e tambem pela saída de sendeiro da Direcção perante o caso das ameaças a MJO, levam-me a não ler jornais impressos. São todos controlados pelo poder económico, que defende este Governo, o Coelho e o Relvas.

  9. Vamos lá a ver se é desta que o “coiso” Fernandes tem direito a umas labuzadelas no pote. Caraças, o rapaz está fartinho de trabalhar e pote, até agora, nada. Está mal. Mas não desesperes Zé Manel, a malta está contigo. Eu então comprometo-me desde já a ir para a porta da Assembleia, mais o meu primo José Jacinto, com um cartaz de 2×1 m a dizer “O Zé Manel ao Pote. Já!

  10. A verdade é que não sabemos o que seria se o PS tivesse ganho as eleições . O conhecimento do futuro é-nos vedado á partida e qualquer prosa que o tente descrever é um exercicio de futilidade.
    O presente lida com factos , não teorias de bola de cristal.
    E o que os factos nos dizem é que este governo têm sido pior em toda a linha, tanto em relação ao anterior como em relação ao que o próprio prometeu antes de ser governo.
    Factos são factos e são indesmentiveis.
    Por muito que isso custe aos culambistas desta vida, como o jmf , cujo unico objectivo nas prosas que escrevem é ver se lhes calha uma colherada do pote.

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