Aí vamos nós

Apesar do novo governo, dos seus propósitos “bom aluno”de cumprir o défice e até, ansioso por aplicar a ciência dos manuais de neo-liberalismo, de o fazer mais rapidamente “indo mais além” das medidas acordadas com a Troika, a nossa dívida acaba de ser considerada lixo, com ameaça de nova descida, talvez para esterco. Sócrates já não está, para servir de bode expiatório. O governo diz-se colhido de surpresa e decepcionado. Entrámos, portanto, na via, não romana infelizmente, mas grega! A da tragédia.
Acho tudo isto extraordinário.

O governo, apesar do ar pesado de Gaspar, uma “mente brilhante”, deve achar que assim é que está bem. Parece confortável com o destino miserável do país.

Sabemos o que se vai seguir: cortes atrás de cortes, encerramento de serviços e organismos públicos, privatizações, despedimentos, inclusive na função pública, dado que é inútil reduzir e fundir serviços se não se dispensar pessoal e com isso poupar salários. Menos poder de compra, logo, menos consumo e mais recessão. Mas nenhuma daquelas medidas vai chegar. Não vai chegar nunca! Toda a gente sabe disso e não se faz nada. Tamanha subserviência perante uma Europa indiferente, implacável e arrogante devia ser inaceitável. Há pouco estava um senhor a perorar na SIC-N que o Brasil também já passara por situações de bancarrota no passado e acabou por recuperar. Portanto, a gravidade da situação seria relativa. Por favor! Nós não somos o Brasil nem temos moeda própria que possamos desvalorizar.
O que se passa com esta Europa? Parece-me tudo uma gigantesca hipocrisia.

10 thoughts on “Aí vamos nós”

  1. São as agências de rating a embirrar com o novo governo que vejam lá, até tomou medidas além do estabelecido com troika…

  2. “Roma não paga a traidores”
    Os Laranjinhas andaram meses a ajudar os especuladores (Moody’s incluida) no ataque ao Euro para derrubar o governo.
    Agora têm a merecida recompensa…

    A propósito de Moody’s e recompensa, nem tudo são más notícias:
    Anteontem a Moody’s cometeu um erro fatal: meteu-se com quem não devia e, parafraseando Jorge Coelho, quem se mete com esses, leva… pela medida grande!!!

    Leram aqui em 1ª mão

    Não percam os próximos episódios!

  3. Ola,

    Qual era mesmo o prazo que eu previa que iria mediar entre as eleições legislativas e o dia em que vocês cairiam de novo na real e voltariam a dizer coisa com coisa ? Três, quatro semanas ?

    Ora ai esta !

    A solução vira da Europa. Não tenhamos duvidas a este respeito. Mas não vai cair de madura. Vai ser necessario organizar as forças progressistas, de esquerda, e realistas. A nivel europeu.

    Essas forças estão hoje completamente derrotadas. Por culpa nossa, que deixamos que se instalasse uma situação em que ninguém pode falar de politica. Mandam “os mercados” (?) e nos estamos reduzidos a especular sobre se Strauss-Kahn violou ou não, sobre se o ministro alemão é ou não doutor, sobre se Berlusconi telefonou ou não para proteger uma prostituta…

    Culpar os adversarios é estupido. Quem, mais do que eles, tem interesse em manter a situação actual por muitos anos ?

    Circo sem pão, é o que eles querem, e é exactamente aquilo em que eles acreditam…

    Europa democratica, é o que se precisa. Ora isso so se obtém ao traçar limites e ao dizer, meus amigos, so estamos à venda até um certo ponto.

    E acreditem que quem escreve isto é um europeu convicto (ou mais precisamente um Português europeista), talvez mais do que muitos Europeistas de circunstância que por ai andam.

    Boas !

  4. Addenda :

    Eu ainda hei de ver, neste blogue de admiradores de Socrates, posts a agradecer àqueles que, como eu, não votaram PS nas ultimas legislativas, poupando assim ao querido lider o sujeitar-se a fazer a triste figura que esta a fazer o Passos neste momento. O seu a seu dono…

  5. ó pá, despois do zeca galhão, há uma gaja que mirrita sulenemente pás, é a sinhã, ó pá fexa essa boca, minha, tens umapetencia pra dizer merda qué imprecionante pá, bem que pudias ser um persunagem das redassões do zeca, pá. que sabes tu de estados unidos da europa e de união europeia, pá, ó pazinha quando leio as tretas que escreves pá, á, armada em humorista de classe pá lembro-me logo do sr. FMI – o fodas com meios invisiveis, vulgo, virtuais. cum carassas, pá. xiba-se.

  6. João Viegas, o Sócrates estava obviamente de acordo em passar a pasta a quem tanta questão fazia de fazer essa triste figura que referes… Não era o caso dele. Sabendo como funciona a Europa neste momento, deve até ter-se sentido agradecido que alguém, que nunca ele, se dispusesse estusiasticamente a prostrar-se perante estas “eminências”, em posições humilhantes.

  7. João Viegas, a tua estratégia a longo prazo deve ter tido o Hitler: mais uns aninhos, obtinha a bomba atómica, lançava-a sobre Estalinegrado e Moscovo e derrotava Estaline! Só que a curto prazo perdeu Berlim e foi a grande estratégia para o galheiro. A Esquerda precisa é de Homens de visão como tu, que não se importam de sacrificar o que têm (Sócrates) em prol de algo que ainda não têm (nem sequer sabem o que é), mas que será, seguramente, muito melhor. Diz-me lá, tu tens namorada?

  8. Eh la, eh la, caro odysseus, estamos equivocados.

    O meu voto não foi o resultado de nenhuma “estratégia”, mas apenas das minhas convicções sobre os programas que foram apresentados. Tivesse Socrates mostrado que estava disposto a ouvir aqueles que diziam que o programa da troika não iria resolver nada, o mais certo teria sido eu votar nele, como votei em 2009.

    A rabula sobre o agradecimento é boca. Talvez foleira, talvez com piada, como quiseres. Mas boca.

    O problema de fundo permanece inteiro : não vai ser cortando ainda mais nos serviços publicos e acentuando a recessão que vamos melhorar a situação, e também não é por ai que vamos melhorar o crédito, que se baseia unica e exclusivamente nas perspectivas reais de ver a nossa economia tornar-se mais “competitiva”.

    A recente diminuição da nota dada pelas agências vem demonstrar isso mesmo.

    Boas

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