A política é uma arte

Não podendo dar-se ao luxo de abrir mais uma crise política aqui na ponta ocidental da Europa por motivo de uns trocos e por embirração ideológica descarada, o que faz Merkel? Aceita o desfecho das negociações sobre o orçamento português e… elogia Passos.

“O antecessor de António Costa conseguiu coisas impressionantes”, disse Angela Merkel à imprensa, depois de um almoço com António Costa na sede do governo alemão.

“Os últimos anos em Portugal não foram fáceis. Mas foram bem-sucedidos”, prosseguiu a chanceler, dizendo ainda que importa “continuar o caminho bem-sucedido”, mas agora com “mais investimento e mais emprego”.

Ora, todos sabemos o quão «mal sucedidos» foram os últimos anos em Portugal, ao contrário do que diz a alemã. Todas as metas do défice falharam e a dívida pública aumentou. A gestão dos problemas da banca e as suas consequências foram desastrosas. A economia está de rastos. Não há investimento produtivo e centenas de milhares de pessoas tiveram de abandonar o país. No entanto, para não desmoralizar os caniches do governo de Passos, seus correligionários, passar uma imagem de sucesso da política europeia para os países em dificuldades, ditada pelos alemães, e abrir caminho a uma alternativa sem o dizer, porque há o cansaço do combate grego, declara que o governo de Passos conseguiu coisas impressionantes. Ou seja, só devido a essas coisas impressionantes foi possível uma mudança, uma abertura. Não lhe perguntaram quais foram as coisas impressionantes, mas isso também não interessava: o orçamento português estava aprovado. Mas que nós, portugueses, estamos “impressionados” de outra maneira com a matilha que saiu de cena, lá isso estamos. Siga. É o jogo político. Há que ser hábil, por cá.

9 thoughts on “A política é uma arte”

  1. Costa com a bola, passa Seguro, finta o PS, serve o César, revianga no Passos, passa por Jerónimo que escorrega, de cabeça para a Catarina, que fica zonza, de calcanhar para César,passa por entre as pernas de Bruxelas e Merkel nem viu passar o esférico…. GOOOOOOOOL! do Costa!

  2. Olinda, há talento e técnica.
    Mas é bom que para nós, a vaselina seja de boa qualidade e não fiquemos a cheirar muito a borracha.
    ´Cheiram a borracha, Passos, o PS e Seguro e não sei se Jerónimo está a cheirar ou não.

  3. chego à conclusão que a UE é um lugar pouco recomendável.as declaraçoes de merkel mostram a europa que temos e que tanto agrada à direita.de quem é culpa? nossa.do povo de esquerda que sendo maioritario, por varias razoes, deixa estes grande filhos da puta ganhar eleiçoes nos varios paises que a ela aderiram.

  4. merkel,quer fazer de passos coelho aquilo que ele não é nem foi.não pagou impostos nem cumpriu promessas.a única que cumpriu foi ao ir para alem da troika com a austeridade.o diario de um sobrevivente está demais.

  5. Com engenho e arte vamos a qualquer parte! Até agora, e contrariando
    algumas vozes do contra, António Costa tem mostrado capacidade de
    negociador político melhor, tem cumprido o que havia prometido apesar
    de algumas surpresas desagradáveis no legado dos estarolas!
    Claro que a comunicação social está nas mãos da oligarquia que, começa
    a sentir-se atingida por algumas das medidas agora integrantes no O.E.,
    por isso não é de admirar que o Macedo do DN continue a carregar com
    o andor do Láparo bem como, o palhaço da economia da SIC que acha
    que o acordo alcançado na reversão da TAP, mais dia menos dia vai dar
    problema só porque, ainda não percebeu como será a gestão da empresa!!!

  6. Para Merkel afirmar aquilo que afirmou, não restam dúvidas de que existiu e existe uma impressionante desinformação sobre o que se passou nos últimos quatro anos. Se não é desinformação , então a Europa dos 28 ou dos 18 está bem pior do que a pintam aqueles que dizem que está a cair aos pedaços.
    Se as declarações de Merkel são fruto da informação que temos e lhe passam, então é tempo de começar a pensar se é possivel ir a algum lado, com os meios de comunicação social totalmente na posse da direita capitalista e neoliberal, que lhe permite forjar a verdade que muito bem entender.
    Se a esquerda continuar a fazer de conta de que existe comunicação social isenta e democrática, está a preparar o seu enterro. Se nada fizer de relevante e decisivo, merece morrer às mãos do neoliberalismo capitalista. Se isto acontecer, as coisas ficarão esclarecidas e talvez possamos assistir a uma realidade diferente destas esquerdas e destas direitas.
    Até lá, vamos continuar a ouvir enormidades como esta de Merkel sobre o legado positivo impressionante de Passos & Portas.

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