A Europa das nações – um muro em volta e estamos salvos

Quem diria que o desafio sério, interno, à “Europa” chegaria em força, não com as bandeiras da extrema-esquerda (sempre risonhas, mas utópicas, datadas ou descredibilizadas), mas com as da extrema-direita (e tirem o “risonho” da equação). Ou seja, com ideias mais extremadas à direita do que as da tradicionalmente “direitista” Alemanha e a sua CDU, por tantos odiada durante a última crise, e com bastas razões. A perplexidade actualmente é que os dois movimentos anti-Europa se aproximam, somando contestação à contestação, e portanto números e alarido, mas também criando maior confusão e indefinição, por, teoricamente, deverem ter motivos diferenciados.

Na prática, menos intromissão de “Bruxelas” (como se “Bruxelas” não fosse o Conselho dos chefes de Estado e de Governo eleitos dos diferentes países), menos controlo político e judicial, menos tratados orçamentais, menos controlo financeiro ou mesmo fim do euro, da União Europeia, mais independência são as reivindicações gritadas por uns e por outros! Ambos dizem “não querer esta Europa”. Por cá, sei que o PC não quer Europa nenhuma e nunca percebi se a Marisa Matias quer mais Europa ou menos Europa e, em Espanha,  não sei se o Vox quer mais ou quer menos ou ainda não pensou nisso. Tal como em França, as redes sociais materializadas em coletes amarelos não querem nada do que existe, querem tudo e o seu contrário, que é o mesmo que dizer que não sabem o que querem. Ou antes, há quem saiba: a Marine le Pen, por exemplo, quer chegar ao poder. E a Rússia acha que é uma óptima ideia.

A União tem vantagens de peso face ao histórico de conflitos no continente. Toda a gente que passou por uma escola sabe disso. As fronteiras, no mundo actual de enorme mobilidade e facilidade de transporte, são um anacronismo. Mas o novo dado da “islamização” da Europa devido à forte imigração muçulmana (a que já está instalada e a que pretende vir) veio suscitar um compreensível repúdio pelas políticas de abertura total e, queiramos ou não, tem sido um bom fantasma para se agitar a par do nacionalismo. No entanto, vemos nas televisões que a maior parte dos incendiários de automóveis e partidores de montras em Paris são jovens muçulmanos filhos dessa mesma imigração que buscava uma vida pacífica e melhor. Por fim, a crise recente e as consequentes austeridades ainda fazem sentir os seus efeitos nas classes média e média baixa em alguns países europeus. A juntar à confusão, penso que a Alemanha, tanto a mais como a menos extremista, quer ainda coisas muito distintas de todos os outros países em matéria europeia, dada a sua posição dominante. E depois há o euro, que tem que obedecer a regras. O euro, que nenhum país, nenhum povo, tem coragem de abandonar de tão prático e simbólico que é.

 

Mas sobre os dirigentes nacionalistas, que cavalgaram a crise migratória, leio (aqui) que Matteo Salvini, o populista/nacionalista líder da Liga do Norte italiana, agora vice-primeiro-ministro de Itália e ministro do Interior, se vai encontrar com o líder do partido do governo polaco para se aliarem e concertarem forças no ataque às instituições europeias já nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Ambos se dizem eurocépticos, mas, ao contrário dos “snobs” britânicos, não querem sair da UE (compreende-se: questão de fluxos de fundos). O que querem, aparentemente, é conquistar uma grande maioria no Parlamento Europeu e certos lugares-chave na Comissão para, alegadamente, alterarem as políticas actuais, consideradas demasiado impositivas. Salvini, o populista, tem até vontade de presidir à Comissão Europeia, para, presumo eu, ficar a cumprir as instruções de um bando de nações que se odiarão mutuamente e cortar com o que há de comum e mais conseguido actualmente, incluindo o ambiente e a livre circulação (já a agricultura, aguardo notícias do nacionalismo nesse ramo). Seria um “concerto de nações” lindo de se ver.

O polaco não gosta que a Europa o obrigue a respeitar o tratado de adesão que assinaram, que contém regras sobre o Estado de Direito, a democracia e outras, descaradamente violadas pelo seu governo, cada vez mais ditatorial e que está até a ser investigado por essas violações. Mas não existe euro na Polónia. Nem portos de entrada de migrantes. Pelo que o problema não é exactamente o mesmo que o da Itália. Existe um exemplar parecido na Hungria, surgem outros noutros países, mas desconheço se querem constituir um trio, um quarteto ou um quinteto de eurocépticos. Como as coisas estão, talvez nem haja necessidade de alianças. O italiano quer liberdade monetária e financeira, esquecendo-se que a sua moeda é o euro e que é o euro que a população quer e, não sabendo que volta dar ao país para o tirar da estagnação, se é que isso verdadeiramente o interessa, como populista que é, acusa as instituições europeias de serem a causa do fracasso nacional e quer ir para Bruxelas governar a Itália. Estamos mesmo a ver. O que o homem sabe é que não quer migrantes, e bem martelou essa tecla até conquistar o poder. Mas não querer migrantes não chega para definir melhores políticas monetárias e económicas a nível europeu que beneficiem o seu país.

 

Também há Putin, o potencial dinamitador da União, de quem Salvini gosta e de quem Kaczynski e os polacos em geral nem querem ouvir falar. Um ponto de discórdia, portanto.

 

Em suma, os cenários que se perspectivam não são risonhos para o projecto europeu. Irão os chamados “eurocépticos” conseguir dominar o Parlamento e as restantes instituições? Que raio de Europa teremos nesse caso e, se tal não vier a acontecer, que acontecerá se a própria direita europeísta, que tem dominado em França, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda, enfim, nos países fundadores, e também no PE, sair fragilizada do processo de estraçalhamento democrático em curso e se dessa fragilização não resultar um reforço da social-democracia europeísta?

 

Não sabemos. Será difícil voltar atrás na Europa sem um sério conflito. Será isso que gente como o Salvini ou a Le Pen procura, ou fechar as fronteiras e admitir regimes ditatoriais no espaço europeu fará toda a gente feliz e europeia?

36 thoughts on “A Europa das nações – um muro em volta e estamos salvos”

  1. Bom post. Bastaram 70 anos para isto voltar ao mesmo. A extrema direita sofreu um grande impulso com a eleição de Trump e o problema europeu só terá solução com a eleição de uma nova administração americana, como sempre. Até lá…

  2. Ainda agora – em pleno Sec. XXI – assistir via televisão ao regresso dos fascistas aos pulpitos da Varsóvia de má memória, em pleno coração da Europa, Salvini e Brudzinski acabarem de anunciar uma nova primavera europeia chega para arrepiar. Mais pelas memórias demoníacas colectivas que propriamente pelos dois broncos em causa. O problema de fundo é mais quem se seguirá. França? Alemanha? Devemos todos agradecer à UE.

  3. Strummer,

    Com uma nova administração americana ou com uma nova administração na UE? Com respostas rápidas e concretas para os problemas que nos afligem a todos. Do norte ao sul.

    Esta nova onda de fascismo na Europa foi despoletada muito antes de Trump chegar à casa branca. E mais uma vez nasce depois da resposta desadequada à crise. Aliás, nem é bom pensar se Hitler tem encontrado um irmão de armas na casa branca.

  4. P, a criação da CEE agora UE é uma parceria americana e europeia apesar de se reclamar como um bloco económico e politico autonomo e por vezes até anti atlantista, nao seria possivel sem o apoio americano nomeadamente na defesa militar sem esquecer o auxilio economico/financeiro no pos guerra e a partilha de ideais comuns resultantes das revoluções liberais francesa e americana.
    E a génese desta crise não tem que ver só com a péssima resposta à crise, essa grelha de analise é miope, nem é uma fractura esquerda/ direita, grande parte da esquerda é anti-europeia e alguns pro Putin e convivem bem, sem o dizer, com uma solução nacionalista. Só estavam à espera de uma oportunidade.Só terás liberdade na europa com a parceria americana. É a America que equilibra geopoliticamente a Europa e o Mediterraneo, com custos e injustiças terríveis, claro.

    Os polacos, por exemplo, não se atreveriam a falar tão alto com outra administração americana, fazem-no porque tem o apoio de Trump, maos livres e sem backseat driver.

  5. Cara Penépole:
    No seu excelente artigo fala uma vez em Putin e nenhuma em Trump. Verdade seja que Putin pertence à nossa casa, a Europa. Segundo o livro único de Geografia, do” insuspeito” dr. Oliveira Salazar, a Europa estende-se desde o Atlântico aos Urais,logo…
    Potencial dinamitador da própria casa? Terá essa tara,gostar do ronco da dinamite…porém outros há que nós conhecemos,há mais de sessenta anos bloqueadores de nações inteiras suas vizinhas!
    De qual gostaremos mais: do dinamite potencial ou do garrote efectivo?

  6. A Europa para mim está bem retratada em Paulo Rangel que sendo PSD está sentado na bancada do CDS. Segundo um apontamento que circula pelas redes sociais dos cerca de 750 Deputados 17 foram acusados de violência doméstica, 11 passaram cheques sem cobertura, 35 participaram em falências fraudulentas, 16 foram a Tribunal por delitos relevantes de âmbito criminal e 32 já foram presos por condução em estado em embriaguês e outros delitos. Quem pode ter confiança numa organização tão mal comportada? Houve um Golpe de Estado no Gana e logo a União Europeia vem condenar mas existiu um golpe de Estado na Ucrânia e a UE não só não condenou como apoiou e continua a apoiar. Bolsonaro é alguém sem qualidades mas a UE não condenou, ficou na expectativa para ver o que aquilo vai dar já na Venezuela pelo contrário, Maduro acusando-o de ditador. No meio disto tudo a questão principal é que a economia europeia já deu tudo o que tinha a dar. O único contribuinte líquido era e é a Alemanha que com maciços apoios financeiros foi comprando a consciência política da camada média dos europeus só que os franceses não são parvos e já estão a ver o caminho que as coisas levam e isto vai acabar mal porque as consciências estão adormecidas mas não estão mortas e os Governos não dormem sossegados. Entre nós até o gás de garrafa baixou assim de repente. Cuidado.

  7. A Uniao Europeia e um império pós-democrático. Que tem de ser combatido com democracia, ou seja, obviamente, a única alternativa e o Estado nacional, à condição necessária da democracia.

  8. @Joe Stummer,

    O meu amigo não costuma cair nestes comentarios em que se mistura tudo.

    A UE (ex CEE) não é a NATO, nem a EFTA, nem tão pouco uma criação americana. Trata-se de uma construção politica pensada e construida pelos paises mais afectados pela 2a guerra mundial, a que ulteriormente outros se juntaram, entre os quais o RU. Uma construção que aposta num espaço politico e economico europeu unificado, entre outras coisas, para prevenir conflitos armados. A unificação do mercado esta ai, com força suficiente para ser ja dificil revertê-la. Falta agora dar-lhe uma dimensão politica, baseada nos principios democraticos que foram afirmados desde o inicio, para a construção ser coerente. A direita, que tradicionalmente se preocupa pouco com liberdades e direitos politicos, a não ser que sejam meramente formais, contendando-se com uma situação propicia à concorrência e à chantagem para diminuir o peso das regras fiscais e sociais sobre o capital, esta satisfeita com a situação como esta, e so se vai mexer no dia em que tiver medo de uma crise social com consequências (e nem é certo que se mexa nessa altura). A esquerda, a quem caberia empurrar no bom sentido e trabalhar para concretizar o projecto com a implementação, progressiva e razoavel, de uma harmonização das regras fiscais e sociais, e um aprofundamento da democracia europeia (instituições representativas, facilitando a emergência de partidos europeus que discutem ao nivel em que as grandes decisões economicas são tomadas), esta estupida, sem soluções que não sejam espernear no vazio.

    Esta é que é a situação, triste : falta de comparência de uma esquerda europeia, por incompetência, estupidez, cedência a imperativos demagogicos de vistas curtas, numa palavra, por demissão.

    O resto é conversa.

    Boas

  9. E’ precisamente o contrario : o Estado nacional moderno nasceu em grande parte dos ideais da revolução francesa, que sobrepunha a soberania da nação ao particularismo dos territorios e a igualdade entre todos os cidadãos aos laços de dependências em relação aos poderes proximos, do fidalgo ou da igreja.

    Defender o nacionalismo como se ele fosse o guardião das ordens “micro” onde, supostamente, a democracia funcionaria de maneira mais efectiva é um contra-senso total. Em Portugal, não fosse a nossa proverbial incultura historica, politica e economica, tinhamos a obrigação de saber isso melhor do que ninguém, uma vez que vivemos durante 48 anos sob um regime que enaltecia a nação, com o resultado que conhecemos : ausência total de liberdades politicas e democraticas, fuga massiva da população pobre em direcção ao tal espaço europeu a que certos idiotas ainda acreditam que não pertencemos.

    Boas

  10. Jose Viegas
    A “proverbial incultura historica, politica e economia” portuguesa, a existir sera tao-so um reflexo no seu espelho.
    Todas as conquistas por parte das classes subalternas no pós‑guerra, ganhos relevantes, traduzidos numa certa incrustação social‑democrata de um capitalismo obrigado a concessões relevantes no campo regulatório e redistributivo, e na expansao de direitos e garantias sociais foram feitos no seio do Estado nacao.
    E ainda acrescento, aconselhava-lhe uma leitura cuidadosa das teses federalistas neoliberais de Friedrich Hayek, um dos pensadores do fundamentalismo de mercado e de uma “democracia limitada” no século xx. A apresentação das teses de Hayek serve para nos mostrar como a União Europeia é a expressão institucional mais acabada do neoliberalismo enquanto projeto de construção e expansão da disciplina de mercado, suportado por instituições sem escrutínio democrático – do Tribunal de Justiça Europeu ao Banco Central Europeu – e por regras do jogo que criam um colete‑de‑forças, o que apoda de “Estado de consolidação”, que prende os Estados‑nação e logo as democracias realmente existentes à austeridade permanente e a reformas estruturais de matriz neoliberal continuadas.

  11. João Viegas, poupa-me a liçoes de mestre escola, toda s gente sabe isso, a questao e que nada disso teria acontecido sem o auxílio americano, plano marshall e a segurança europeia assegurada pela nato em que os americanos são muito maioritariamente contribuintes. A américa foi o chapéu de chuva europeu. E ainda o é. Se os americanos retirarem totalmente como pretende Trump, diz adeus a segurança europeia e à UE, o problema não será a Crimeia mas talvez a ucrania e os estados bálticos, como já o são. Sem segurança não constrois nada, tenhas lá a esquerda ou quem quiseres.

    Portugal evoluíu mais durante o tempo que está na UE do que nas outras decadas e se calhar seculos anteriores, curiosamente as únicas áreas onde continua atrofiado sao os resquícios do chamado estado nação, a Justiça e o corporativismo. Falar sem olhar dá nisto, ok mas disse Hayek, va lá.

  12. e , se esses anti europa quiserem dar volta atrás e trazer a UE de volta ao que era há umas décadas , livre circulação de pessoas e mercadorias e mais nada de nada , nada de cortes de amostras de políticos imbecilizados , voto a favor : democracia a funcionar…

  13. Mais parvoices e tiros ao lado, tenho pena,

    1. “Todas as conquistas por parte das classes subalternas no pós‑guerra, ganhos relevantes, traduzidos numa certa incrustação social‑democrata de um capitalismo obrigado a concessões relevantes no campo regulatório e redistributivo, e na expansao de direitos e garantias sociais foram feitos no seio do Estado nacao”. Em primeiro lugar, isto é um puro paralogismo, uma vez que no pos-guerra a politica continuou, até hoje, a ser largamente dominada pelos Estados-nações (que, por sinal, foram e continuam a ser quem se comprometeu a construir uma UE e quem continua a ter poder de decisão nos orgãos da dita). Em segundo lugar, eu nunca disse o contrario, apenas sublinhei que estes avanços, e alias os avanços anteriores à guerra, não ocorreram a nivel “micro”, nem sequer nem sequer na Suiça…

    2. “a União Europeia é a expressão institucional mais acabada do neoliberalismo enquanto projeto de construção e expansão da disciplina de mercado”. Na sua cabeça talvez, mas não nos tratados, nem nos textos fundadores, nem nos outros alias. E’ certo que a UE pressupõe que os seus membros são essencialmente economias de mercado (como a nossa propria constituição pressupõe, alias), mas existem também regras sociais, e fiscais, e prevê-se a necessidade de preservar serviços publicos. Isto é debatido continuamente nas instâncias europeias, e sê-lo-ia provavelmente mais ainda se as pessoas se interessassem minimamente, em vez de andarem divertidas com fantasmas e teorias conspiracionistas bem ao estilo do seu comentario. A tal incultura historica, politica e economica, que apenas constato, por muito que isto lhe doa…

    3. Para que estas regras sejam aprofundadas, aperfeiçoadas, ou mesmo transformadas para corrigir os excessos da logica liberal que v. denuncia (e eu também), é indispensavel haver possibilidade de os cidadãos fazerem valer o seu ponto de vista, ou seja aprofundamento da democracia real a nivel europeu. Precisamente o inverso do que reclamam (e do que têm infelizmente obtido) as correntes nacionalistas…

    4. E finalmente, eu não nego que haja potencialidades nos mecanismos de democracia “micro”, ou coisas interessantes a fazer no sentido de aprofundar a participação politica em instituições ou iniciativas de proximidade. Digo é que estas possibilidades não têm mais possibilidade de se desenvolver no seio dos Estados-nações que existem hoje na Europa do que num espaço politico alargado a nivel europeu, antes pelo contrario. O local deve articular-se com o geral, seja ele regional, nacional, ou internacional (neste caso europeu). O que é estupido, porque ignora a historia, a logica economica e o funcionamento das instituições politicas, é afirmar-se que teremos mais democracia, mais progresso social, melhor redistribuição, e mais sustentabilidade a médio e longo prazo se nos fecharmos de novo atras de fronteiras nacionais, recusando adaptar-nos a uma dinâmica de integração progressiva com as unidades politicas que nos rodeiam, processo que foi claramente, até hoje, um dos vectores do desenvovimento e, no caso Europeu, da prosperidade relativa que atingimos e que muitos temem ver desaparecer.

    5. Não me esqueci de mencionar que isto é em grande parte devido à incultura historica, politica e economica que faz com que tantas pessoas comprem de maneira acritica as teorias perigosas do tipo “a UE é um complô judeo-maçonico e os Americanos estão por tras”, pois não ?

    Boas

  14. Addenda,

    O meu comentario foi publicado quando ainda não tinha lido os ultimos de Joe Strummer e de Yo, com os quais ja concordo mais…

    Boas

  15. 1) Sublinhou mal. Todas as conquistas do movimento progressista antes da guerra tambem foram sempre feitas no seio do Estado-nacao, simplesmente o processo acelerou-se no pos-guerra porque os Estado-nacao deste lado da cortina de ferro viram a sua soberania reforcada como forma instrumento de contrabalanco ao imperio Sovietico.

    2) Explique la aos Gregos, Cipriotas, Italianos e Portugueses ja agora como e que a austeridade permanente inscrita nos tratados orcamentais, nao sufragados democraticamente obviamente, lhes preservam os servicos publicos
    “A tal incultura historica, politica e economica, que apenas constato, por muito que isto lhe doa…” – contatamos os dois mas nao da forma que pensa.

    3) A democracia real so e possivel no seio do Estado-nacao. Tudo o resto e treta.

    4) Alias, V. implicitamente reforca o ponto 3 quando diz (e bem) que esse reforco democratico ao nivel nacional nao e possivel no actual quadro institucional. Pois claro que nao, num projecto federalista neoliberal de escala continental obviamente que o Estado-nacao tera sempre de ser cerceado dos instrumentos que realmente importam para projectar a sua soberania. Sob pena que por em causa a “democracia limititada”…

    5) Tentativas pueris de insulto. O ultimo recurso dos incompetentes…

    P.S. ainda em tempo:
    Sem povo nao ha demos.
    Onde esta o povo europeu que vai impulsionar esse ornitorrinco da democracia europeia?

  16. Mais do mesmo,

    1. V. não percebeu, ou não quis perceber, o que eu escrevi. Repare que “a nivel micro” não tem nada a ver com “a nivel nacional”, pelo menos se estivermos a falar dos Estados nacionais modernos. As duas coisas são opostas. O Estado-nação (moderno) nasceu, e fortaleceu-se, graças à sua capacidade de obter resultados que nunca teriam sido alcançados ao “nivel micro”. Como todos os neo-nacionalistas, v. ignora pura e simplemente o que esta na origem do sucesso do Esado-nação moderno.

    2. As regras a que v. alude, que valeram aos gregos, aos italianos, aos portugueses, etc. os dissabores que v. menciona foram instauradas… pelos Estados-nações, e mais concretamente pelos seus governos democraticamente eleitos, que são quem tem o poder de decisão hoje nas instâncias europeias. Se os povos tivessem tido oportunidade de se pronunciar democraticamente, as regras seriam diferentes, diz v. Concordo. Precisely my point.

    3. Mesma contradição : que eu saiba a UE não foi imposta pela força das armas, mas instaurada pelos responsaveis democraticamente eleitos dos Estados-nações, que v. afirma serem as unicas realidades onde a democracia é efectiva. Talvez seja, mas então, de acordo com a sua logica, o pleno exercicio da democracia pende para o abandono da democracia. Em que ficamos ?

    4. “num projecto federalista neoliberal de escala continental obviamente que o Estado-nacao tera sempre de ser cerceado dos instrumentos que realmente importam para projectar a sua soberania”. Hum. Vou antes querer bacalhau à braz…

    5 (+PS). Onde esta o povo europeu ? Todos os portugueses têm familiares emigrados noutros paises da Europa, muitas vezes em consequência da politica que sabemos “a bem na nação”. Estes familaires, ou os seus descendentes, casaram com Alemões, com Franceses, etc. O automovel que v. possui, o acesso ao consumo que tem, os proprios direitos sociais, ainda que incipientes, de que beneficia existem, economicamente, porque escolhemos integrar o espaço europeu, politicamente por referência às regras em vigor nos outros paises europeus, juridicamente são em grande parte salvaguardados hoje por tratados e regulamentos europeus. Se tiver filhos, e se eles quiserem estudar na universidade, vão provavelmente querer fazer Erasmus e se calhar vão procurar o primeiro emprego noutro pais europeu. Quer mais ? Saia à rua, se estiver em Lisboa, não vai demorar muito a encontrar o povo europeu, para melhor ou para pior, se estiver no interior, repare em quem ainda vai alugando ou comprando bens imobiliarios, conte os Ingleses, os Franceses, os Belgas e os Holandeses. Que isto tem custos por vezes problematicos ? Que a construção da Europa se faz muitas vezes à custa da atrofia dos paises mais pobres ? Que isto tudo devia ser acompanhado de regras equitativas e de redistribuição ? Inteiramente de acordo. Por isso mesmo é urgente a democratização das instituições europeias. Agora quanto a não haver hoje uma realidade social europeia, um “povo” europeu, vai-me desculpar, mas esta a bincar comigo. Quer comparar com o panorama que exstia ha 50 anos ?

    Boas

  17. bom , no ponto 5 não esqueça os outros europeus, pois a UE não é só Portugal , tem de incluir indianos árabes africanos turcos russos e tal , parece que é um povo mundial ;) uma massa informe de pessoas sem vínculos , além de Bruxelas, o povo europeu.

    e qual será o tipo de democracia que repete referendos até dar o resultado pretendido ou que evita referendos que possam por em causa os empregos políticos lá na Corte bruxelense ? assim uma espécie de ditadura de iluminados que sabem o que é melhor para mim , mas nem conseguem arranjar um cv sem falsificar títulos académicos ?

  18. 1) Eu nunca falei em micro nenhum. Sempre me cingi ao Estado-nacao. Como bom pseudo-letrados V. le nos meus comentarios aquilo que lhe apetece…
    2) Factualmente falso em relacao a forma como os tratados foram instaurados.
    3) Eu disse que o Estado-nacao e condicao necessaria para o desenvolvimento de uma democracia competente. Para bom entendedor deveria ser obvio que implicito “condicao necessaria mas nao suficiente” – mas para o meu interlocutor e torna-se necessaria fazer um boneco…
    4) Isso presume que consegue ler e perceber o cardapio, o que pela amostra anterior se revela deveras desafiante…
    5) Quanto ao ponto 5 o yo ate ja deu uma resposta suficiente. acrescento apenas que quando alguem usa a marca do automovel como estandarte do “povo europeu” ficamos conversados acerca da natureza fundamentalmente neoliberal deste “projecto europeu”…

    PS o meu carro e japones, sera que isso faz de mim parte daquele mitico povo da esfera de co-prosperidade da Grande Ásia Oriental (look it up na wikipedia)

  19. Convém não nos iludirmos a mais premente escolha neste momento na Europa não é entre mais ou menos democracia mas sim entre guerra e paz. Travar a ascensão do novo fascismo global.
    É importante ler e reler este texto do Rui Tavares que foi deputado europeu e cuja recente deslocação à América para falar com as forças mais progressistas pressupõe que partilhe da visão da necessidade um novo liberalismo transatlântico .

    https://www.publico.pt/2018/10/31/politica/opiniao/abram-olhos-sobra-europa-1849445

  20. Sejamos claros. Em política geoestratégica de interesse europeu, nos últimos 30 anos, a Rússia de Putin esteve sempre do lado certo, a Europa Ocidental, serventuária da inteligentsia neoconservadora militarista americana, esteve sempre do lado errado. Do Kosovo à Ucrânia, passando pelo Norte de África e pelo Médio Oriente, os idiotas geoestrategas ocidentais dinamitaram a cordilheira de estabilidade política e secularismo que protegia o perímetro da Europa, transformando-o no berçario de afliçao e desespero que a inunda. Enquanto não for feito um mea culpa dos erros, de um lado e do outro do Atlântico, com o devido colocar dos responsáveis no canto da sala, voltados para a parede, com orelhas de burro, a recuperação da salubridade democrática será prejudicada. E o sucesso eleitoral das representações populistas será mais provável.

  21. Caro Lawlander,

    1. O meu primeiro (ou antes segundo) comentario respondia ao comentario imediatamente anterior, que é o seguinte : “o único que disse alguma coisa de jeito foi Lowlander. a democracia só funciona a nível micro.” Como pode verificar, a palavra micro esta la, ainda que não seja da sua autoria.

    2. Factualmente o quê ? Os tratados foram impostos pela força das armas ? Claro que não. Foram assinados, aprovados e ratificados pelos Estados membros, atravês dos seus orgãos de soberania, ou seja dos seus governos e/ou parlamentos. Se tiver conhecimento de um tratado que não tenha sido aprovado desta forma, ou que tenha sido aprovado por uma autoridade sem legitimidade democratica, ou em violação das regras nacionais, aprovadas pelo parlamento nacional, instrua-nos, por favor.

    3. OK, portanto o meu amigo é como muitos “democratas” : exercicio da democracia sim, mas desde que seja no sentido que eu quero. Os Estados-nações são o paradigma do poder democratico, mas quando decidem, soberanamente, criar uma estrutura supranacional, então ja não são democraticos, nem soberanos… Admiro a sua logica.

    4. Não desconverse por favor. Ninguém falou na marca do seu carro. Digo apenas que, em Portugal, o acesso ao consumo, e também ao investimento massivo na modernização das infra-estruturas, fez-se atravês da adesão ao espaço economico europeu com tudo o que esta adesão acarretou. Entre estas coisas, o facto de nos diluirmos um pouco na população europeia, com as vantagens e os inconvenientes que isso tem. Este processo aconteceu e continua a acontecer, com as consequências que mencionei, que são visiveis e mensuraveis. Isto não faz da Europa um espaço completamente fechado, nem das suas fronteiras limites absolutos e definitivos. Apenas contribui para uma situação social, economica, cultural , etc., onde existem, como é hoje o caso, mais diferenças e desigualdades, entre os habitantes de Freixo-de-Espada-à-Cinta e os habitantes de Lisboa (intra-muros) do que entre estes ultimos e os habitantes de Bruxelas ou de Roma. Mas numa coisa v. tera provavelmente razão, isto não faz do povo europeu uma realidade solidaria, unica, messiânica, pronta a cantar em unissono e a marchar às ordens dum Caudilho a que esta disposta a dedicar-se corpo e alma. Ainda bem que não faz. Apesar disso, temos uma população suficientemente homogênea para se governar e para se identificar com instituições politicas supra-nacionais que traduzam as suas legitimas aspirações sobre as regras aplicaveis no espaço europeu. Tanto ou mais do que, por exemplo, o “povo” norte-americano em relação ao espaço dos EUA . E’ quanto basta.

    Boas

  22. Strummer, não precisa fazer aliança. Não hostilizar já seria um grande passo. Estabilidade e respeito na relação institucional e comercial, entre EUA, UE e Rússia, acabaria com muitas guerras incubadouros de sofrimento, miséria e refugiados. E levaria a um período de prosperidade e crescimento económico global harmonioso sem precedentes. Creio até que foi esse o programa que elegeu Trump. Quem perdeu as eleições, nos EUA, tem feito tudo para não o deixar crumprir. E o facto dele dizer à tarde algo diferente do que disse de manhã também não ajuda. Deveria, sim, ser uma bandeira a levar a consulta popular nas próximas eleições europeias, sem paranóias, fobias ou teorias de conspiração.

  23. Galuxo,isso depende mais da Rússia do que da Europa, o comportamento da Russia no Báltico, na Crimeia e em estados limitrofes europeus até à guerra do gás,não ajuda muito. Os assassinatos em solo estrangeiro tambem não assim como a interferencia em eleições. A Russia é uma potencia não democratica expansionista que visa desde ha muito desestabilzar a união europeia.
    ” E levaria a um período de prosperidade e crescimento económico global harmonioso sem precedentes.” Caramba parece uma frase maoísta!Fico a saber que priveligias o crescimento em detrimento de tudo o resto, uma visão muito neoliberal.

    Ainda pareces não perceber quem é Trump, e pior, o que é a politica.O objectivo é tomar poder por meios licitos e isso inclui não deixar governar o adversário, não deixa construir muros et… o teu único problema neste caso é que a oposição vem da propria equipa governamental o que diz bem da estupidez e falta de liderança do traste.
    “E o facto dele dizer à tarde algo diferente do que disse de manhã também não ajuda” Aqui esqueceste a parte da noite.
    A tua visão do problema europeu parece resumir-se a uma defesa dos inimigos do projecto europeu.

  24. Há quem mate aos milhões por esse Próximo.Médio,Extremo Oriente,prenda e torture meio mundo ,na ganância mais desenfreada, mas os finos comentadores falam do comportamento da Rússia no Báltico,na Crimeia,na guerra do gás,nos assassinatos em solo estrangeiro…
    Como é possível perder mais tempo a ler esta tropa?

  25. “A tua visão do problema europeu parece resumir-se a uma defesa dos inimigos do projecto europeu.”
    Strummer, os inimigos do projecto europeu são quem não partilha os nossos valores fundamentais, quem corta cabeças aos seus infiéis, quem faz execuções e punições em espectáculo público, quem defenestra gays, quem concede menos direitos às mulheres do que aos homens, quem esquarteja jornalistas, quem não tolera minorias religiosas, quem compra think tanks e lobistas em Washington. Quem se senta ao nosso lado na ópera, no bailado, no concerto, quem produziu algumas das maiores contribuições literárias, filosóficas e científicas, desportivas, da humanidade, quem, na linha da frente, oferece o seu sangue para combater terroristas desmiolados que se dirigem ao coração da Europa, não pode ser o nosso inimigo principal. Os que defendem as tuas ideias têm sido aliados dos primeiros.

  26. Pronto, ja estamos outra vez em plena batalha da palestina ou nas fantasticas guerras das estrelas, à mistura com Putin, Trump e Kim Jong-Un. Ainda não apareceram o Chavez, o Hitler e o King Kong, mas não ha de tardar muito…

    Alguém sabe, por acaso, com que base é que os tribunais franceses se recusaram, ha dois dias atras, a aplicar a lei (nacional) que limita a indemnização do trabalhador despedido sem justa causa, e se não tera a ver com convenções europeias (neste caso a Carta social, que não é de origem comunitaria, é certo, mas que faz parte do ordenamento da UE) ? Alguém se preocupou em saber o que esta em agenda na proxima reunião do conselho da união, ou nem vale a pena procurar saber, uma vez que é de certeza um rol de medidas sugeridas pelo Trump ?

    Quanto é melhor, quando ha bruma,
    Esperar por D. Sebastião
    Quer venha ou não !

    Boas

  27. Galuxo, és um projector. Apoias Trump e pedes-me ausencia de “fobias, paranoias ou teorias da conspiraçao” de seguida apresentas uma retorica oca e vazia infestada disso mesmo. Um bot não faria pior, qualquer dia ninguém te leva a sério.

  28. @Joao Viegas 10-01-2019 16:49

    1) Um pedido de desculpas seria cordial. A alternativa e que o meu interlocutor ou argumenta de ma-fe.
    2) Os tratados foram ao principio implementados com recurso a estulticia, seguida progressivamente de incremental imposicao e ingerencia economico-financeira. Ou os episodios rocambolescos da ratificacao dos tratados de Maastricht e Lisboa, so para citar os mais conhecidos, ja foram convenientemente esquecidos pela elite prenhe de cultura historica, politica e economica?
    3) Mais uma vez le aquilo que lhe apetece. E la consigo, mas nao conte comigo para defender coisas que nao disse.
    O meu ponto subjacente ao que disse la acima e que pensei que era obvio e simples (mas aparentemente para algumas cabecinhas e fisica quantica) e de uma forma mais elaborada este: historicamente e bastante claro que as democracias e as classes subalternas sempre tiveram maior vigor no seio do Estado-nacao. Sistemas imperiais, supra-nacionais sao sempre formas de democracia limitada porque implicam exercicio de poder de alguem sem o acordo mesmo que tacito de todos os povos constituintes. Logicamente, quem deseja reforco democratico na Europa tem de necessariamente compreender que o deficit democratico da UE nao e defeito, e feitio. Repito: O deficit democratico da UE nao e defeito, e feitio. Assim sendo quem quer reforcar a democracia na Europa tem de pugnar por um enfranquecimento do imperio europeu e um reforco da soberania das suas nacoes constituintes. Depois desse primeiro passo outros havera que dar, concerteza, agora o que lhe garanto e que essa idea de uma Uniao Europeia democratica e um delirio.
    4) Cito-o:
    “Digo apenas que, em Portugal, o acesso ao consumo, e também ao investimento massivo na modernização das infra-estruturas, fez-se atravês da adesão ao espaço economico europeu com tudo o que esta adesão acarretou.”
    Portanto a sua nocao de povo europeu esta profundamente vinculada ao acesso comum a mercadorias e movimento de capitais.
    Repito-me: ficamos conversados sobre a natureza fundamentalmente neoliberal do chamado “projecto europeu” e, ja agora, acerca da nocao que as elites (nao portuguesas) prenhes de cultura historica, politica e economica tem do mitico “povo europeu”…

  29. deveriam descer à terra e observar a realidade actual e a história… se nem um povo ibérico há , quanto mais um europeu ; e lá estão os homens a construir novas utopias partindo do pressuposto errado de que somos bons , conciliadores e cooperantes ,ignorando séculos e séculos de conflitualidade e traições . esperem que a alemanha entre em crise , que haja uma guerrita ou coisa que valha , depois falamos.
    e os “populismos” crescem na Europa dado a crescente felicidade do “povo europeu” com a governação do comité central , certo?

  30. Caro Lowlander,

    1/ Pedir desculpas de quê, ao certo ? O meu comentario critica um comentario, que existe, que faz a amalgama entre “nacionalismo” e protecção da democracia de proximidade em escala “micro”, e eu respondo, não a pessoas, mas ao argumento. Tenho por habito responder a argumentos com argumentos e não com achincalhamentos. Quanto a este ultimo ponto, admito que posso por vezes escorregar e que me pode acontecer, ao argumentar, involuntariamente, ferir as pessoas a quem respondo. Neste caso particular, não vejo de maneira nenhuma onde é que fiz tal coisa. Se estiver a falhar algo, diga-me, por obséquio…

    2/ Não ha mistério nenhum, nem estulticia, nem pressão. Os tratados foram assinados conforme as propostas politicas dos governantes em funções, e a seguir ratificados por parlamentos eleitos. E’ claro que é sempre possivel, e facil, dizer que as pessoas foram enganadas, ao longo de anos, apesar de os representantes eleitos se terem submetido mais de uma vez ao controlo das urnas. Mas quem argumenta desta forma mostra ao mesmo tempo o conceito peculiar que faz da democracia e do funcionamento das instituições democraticas. Mais uma vez, o seu ideal democratico é simples : democracia sim, mas desde que os resultados sejam de acordo com o que considero inteligente. Bonito.

    3/ Nem vou continuar a discutir o que v. diz, que é uma pura petição de principios e que é para além disso desmentido pelos factos (os EUA, o Canada, o Reino Unido, a Bélgica não são democracias ?). Mas ao menos v. podia tentar responder ao meu argumento, que é bastante simples de compreender : admitindo que a nação é a escala natural de exercicio do poder democratico (como v. defende), como é que v. explica que, na Europa, varias nações tenham decidido criar uma unidade politica supra-nacional ? Ao decidir fazer isto, deixaram de ser democraticas, é ? Então, afinal, se calhar, não são bem o paradigma do poder democratico…

    4/ Mantenho completamente o que disse. Um povo não é, a não ser para as ideologias fascizantes, uma entidade mistica com uma “alma” misteriosa. São pessoas que realidades concretas aproximam, realidades sociais, economicas, culturais. E também valores e aspirações comuns. E’ claramente o caso dos Europeus e nos, Portugueses, temos a obrigação de o saber melhor do que niguém, uma vez que uma larga parte da nossa população vive além fronteiras, imersa numa realidade social, economica e politica Luxemburguesa, Belga, Francesa ou Alemã. Ha portugueses eleitos locais nestes paises, e eles não consideram de forma alguma que deixaram de ser Portugueses por causa disso. A situação inversa, de cidadãos europeus a residir no nosso pais, é também uma realidade. Mas, acima de tudo, não se trata de poesia nem de metafisica. Estou-me borrifando para a questão de saber se faço parte ou não da gens lusitana, pelo menos a nivel politico. Falo a lingua, procuro cultivar as minhas origens, etc. Agora politicamente, o que decide quanto vou receber no fim dos mês, se vou ou não ter mais ou menos direitos sociais, se os meus filhos vão estudar, ou trabalhar neste sector ou naqueloutro, e tantas outras coisas, esta sujeito a factores que deixaram ha muito tempo de ser estritamente nacionais e que dependem do mercado em que, em 1985, escolhi integrar. Esta escolha não foi leviana e, lembro, niguém afirma hoje arrepender-se dela, com excepção do PCP. Logo, acho natural, e salutar, e democratico, que possa ter algo a dizer sobre as grandes escolhas que são feitas a nivel europeu. Diz-me v. que a melhor forma de o fazer é termos Estados nacionais virados de costas uns para os outros, mas que vivem em grande parte de termos um mercado comum. Obviamente que não é o caso. E’ utopico querer que a democracia funcione ao nivel da economia ? E’ inevitavel que a democracia seja reservada a questões de merda, tipo se me importo ou não com a construção de um minarete na minha aldeia, à maneira dos referendos populares na Suiça ? Claro que não e claro que não é utopico ter uma ideia mais elevada da democracia, a não ser que se considere a propria democracia como uma utopia…

    5/ E finalmente, para quem me acusa de ser neo-liberal ou de estar nas nuvens, aguardo resposta à pergunta que fiz no meu ultimo comentario : com que base é que os tribunais do trabalho franceses julgaram ilicitos os limites (inseridos na lei nacional) da indemnização dos trabalhadores despedidos sem justa causa, não foi com base no ordenamento juridico europeu ? Estamos a falar de decisões neo-liberais ? Não me lixe…

    Boas

  31. Joao Viegas,
    Nao me vou repetir nem gastar consigo mais tempo a explicar (outra vez) o que ja disse. Esta exposto la em cima. Para quem pode e quer perceber e relativamente simples. Deixo-o com a ultima palavra e dou por terminada a discussao.

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