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Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

A candidata presidencial ideal – dada a tragédia em curso

Ninguém se lembraria de tal. Ela não quer. Seria altamente improvável sequer passar à segunda volta. Mas é a melhor imaginável candidata presidencial possível no Portugal que somos.

Falo de Marina Costa Lobo. E não teria de alterar nada de nada de nadinha de nada na sua postura. Bastaria aparecer e dizer o que pensa. Declarar em que acredita. Revelar o que sonha.

À sua maneira. Sem um grama de artifício. Em nome da comunidade que não somos.

Drama existencial para a Europa: impedir a todo o custo que o empreiteiro de Washington caia de vez para o lado de Moscovo

Mas porque é que a Europa não manda o Trump passear? Esta é a pergunta que toda a gente faz, mas que nenhum líder europeu democrata e responsável quer ou pode concretizar.

Hostilizar Trump neste momento ao ponto de uma incompatibilização grave deixaria, por um lado, a Ucrânia sozinha e aniquilada e, por outro, a Europa encurralada entre dois blocos liderados por tiranos autocratas amigos e sem capacidade militar para se defender de um, quanto mais de dois. Demasiado mau, demasiado perigoso, dado o carácter vingativo dos personagens em causa. Trump não é um democrata nem um líder respeitador do direito (nacional e internacional). Não conhece nem quer saber desses conceitos. É um empreiteiro e pato-bravo, além de showman televisivo, sem conhecimento algum quer de política quer da História. Aprecia, porém, como é típico, a fidelidade cega.

As técnicas de liderança do ditador russo são-lhe, por isso, atractivas: exercício da liderança sem contestação, prisão para os adversários, silenciamento da oposição, falsificação das estatísticas, órgãos de comunicação social que apenas reproduzem a propaganda do governo, sentimento de superioridade (do próprio – infundadíssima – e do país), repressão sobre quem contraria os seus interesses, militarização do regime, perpetuação no poder, enriquecimento pessoal e partilha da riqueza só com quem o reverencia, etc., etc. Tudo o que Putin faz (excepto atirar adversários políticos de janelas abaixo e envenenamentos. Por enquanto). Porque haveria Trump de hostilizar Putin, se quer ser como ele? Aliás, quando está cada vez mais perto de o conseguir?

 

O drama de tudo isto não é só para os ucranianos. É-o em quase igual medida para os europeus, para a Europa democrática em particular (e resta saber se seria diferente com uma Europa não democrática, assunto para outro artigo). Perante esta situação inédita e assaz inesperada de entendimento entre a Rússia e os Estados Unidos com base em princípios ditatoriais, de agressão e imperialistas comuns e em amizades pessoais (ou poder de chantagem) entre malfeitores, temos visto a Europa, infelizmente, mas realisticamente, a fazer a única coisa possível: tentar a todo o custo “puxar” o empreiteiro de Washington para o seu lado, entre outras coisas chamando-lhe “aliado” e enfatizando o poder da NATO.

Sempre me perguntei se o chamado “agente laranja” dá sequer um “dime” por esta aliança. Ele não quer saber da Ucrânia para nada (a não ser para lhe dar o Nobel da Paz, ideia que me engasga) e, da Europa, apenas lhe interessam os campos de golfe que ainda cá tem, os empreendimentos do genro, o Papa por causa dos seus eleitores beatos e as decorações imponentes dos seus palácios e catedrais, que pretende copiar. De resto, é demasiada História, demasiada intelectualidade para a sua cabeça. Admirando Putin, o que é que a NATO lhe diz quando poderia fazer acordos bilaterais para bases militares e armamento? Quase nada.

Estamos então neste drama do artigo 5.º. Temos o nosso poder militar disperso e inferior ao dos Estados Unidos e da Rússia. O vizinho do flanco Leste tomou o gosto de mandar mísseis para os vizinhos sem o mínimo gesto hostil da maior potência militar do mundo, seu principal adversário de há décadas e nosso aliado. A ida dos líderes europeus a Washington é, sim, desesperada. Não vale a pena os comentadores de serviço mencionarem este facto como lamentável. É o que é. A cimeira do Alasca foi um erro tremendo do ponto de vista da segurança europeia. De cada vez que se encontra com Putin, Trump fica mais apaixonado e solidário. Agora há que reverter os estragos. Votos de bom sucesso. Mas a coisa está preta, como se constata pelo vídeo acima.

Revolution through evolution

Trapped in guilt and shame? Science explains why you can’t let go
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Global study reveals the surprising habit behind tough decisions
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Blood pressure cuff errors may be missing 30% of hypertension cases
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One small walking adjustment could delay knee surgery for years
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The 30-minute workout that could slash cancer cell growth by 30%
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Scientists just made vibrations so precise they can spot a single molecule
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Tiny chip could unlock gamma ray lasers, cure cancer, and explore the multiverse
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Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

Não, pá. Repara. Se precisares de um médico, para ti ou para os teus, não vais escolher o grunho. Queres é quem estudou, de preferência mais e melhor do que os outros. E se precisares de um advogado, para ti ou para os teus, não queres aquele que tem um entendimento grunho do Direito e das leis, e que se comporta como um grunho no tribunal. E se precisares de um mecânico, de um electricista ou de um canalizador, vais fugir dos que tiverem fama de grunhos e vais ficar piurso com os que te tratarem à grunho. Se isto é assim, e assim é, por que raio queres ter um grunho no Parlamento a chefiar uma bancada de grunhos? Por que caralho és cúmplice, por actos e/ou omissões, da crescente pestilência dos grunhos na democracia?

É porque, lá está, no fundo, a verdade verdadinha é a de que também tu és um grunho, pá.

Tragicomédia à portuguesa

«Marcelo faz lembrar o tipo de “pantomineiro” que o ator António Silva magistralmente sempre representou no palco e no cinema português. Só que o ator AS representava um modelo de carácter e não o seu carácter. E, no caso de Marcelo, este possui mesmo o tipo de carácter que AS representava exemplarmente. Tomando Portugal como palco, Marcelo não imita, pratica de sua natureza e condição idiossincrática na perfeição o estilo farsante e pantomineiro, agindo e perturbando desse modo destravado da ‘cuca’ a vida real dos portugueses.
Marcelo é o ‘cata-vento’ caracterizado por Passos Coelho e o ‘lacrau’ batizado por Balsemão; é o troca tinhas criador de factos políticos fictícios, o primeiro autor em Portugal de fake-news. Marcelo é um irreprimível narcisista que pretende concentrar todo o olhar sobre si, isso, explica a sua atitude de excursionista da selfie por feiras, mercados e praias. Tal como usou a Faculdade de Direito (professor), o jornalismo (Expresso), a TV (comentariado a granel) tem usado sempre o cadeirão da Presidência para com as suas traquinices de ‘sem-abrigo’ baralhar dados, argumentos, e políticas a seu belo prazer e gozo.
Digo “sem abrigo” porque Marcelo é um homem só. Cavaco tinha e tem ainda a sua Maria mas Marcelo não tem ninguém e até o seu filho enjeitou de uma forma que nenhum pai verdadeiro de filho e de palavra o faria. Rejeitou a mulher, o filho e o amigo dileto de casa e missas (Salgado) quando este estava caído e mesmo os PSD só o aturam como Presidente de fazer fretes ao partido.
Marcelo representa mais dez anos de patinhar no pântano e atraso para o país e uma eventual pantomina de subversão do regime ao imiscuir-se na governação, demitindo Ministros e Secretários de Estado e insinuando regimentalmente que o governo depende do Presidente e não da AdR
Marcelo que quis acabar com os sem-abrigo pobres, ironia do seu Deus, acaba, ele próprio, como sem-brigo rico.»

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Oferta do nosso amigo jose neves

Revolution through evolution

Music helps young children recognize emotions from an early age
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Losing weight but gaining weakness? What Ozempic might be doing to your muscles
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Does the Mediterranean diet hold the key to longevity?
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This common fruit has over 1,600 compounds that boost brain, heart, and gut health
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New research unveils vast influence of B vitamins on health and disease
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Seeing sick faces may prime the immune system to repel invaders
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Ancient viral DNA may play a key role in early human development, new study suggests

Dominguice

Que sabe cada aluno em Portugal acerca das origens, conteúdos e finalidades da Constituição e do conceito de Estado de direito democrático ao concluir a escolaridade obrigatória? Que sabe cada licenciado, incluindo os dos cursos de Direito? Se tentarmos falar destes assuntos com quem vota Chega e Montenegro, ou com quem votou Passos, o esforço será inútil. Têm aversão à matéria. Se tentarmos falar dos mesmos assuntos com quem vota CDU ou BE, PAN ou IL, o desinteresse será esmagador. Não existe motivação. Mas ainda mais curioso seria tentar o exercício com jornalistas, só para concluir que a excepção confirmaria fatalmente a regra: não perdem uma caloria com essas questões — a menos que as tenham de usar retoricamente para o gasto editorialista que faça o seu contexto laboral.

Há boas razões para este fenómeno. Uma delas, esta: a estupidez e a servidão são fáceis, podendo até parecer confortáveis no início; e mesmo durante um longo período na biografia destes infelizes.

Curiosidade(s)

 

  1. No Alasca, na próxima semana, teremos frente a frente um homem que ordenou a invasão militar de um país vizinho e outro homem que declarou, há apenas alguns meses, a sua intenção de anexar um país vizinho, o Canadá, e ainda a Gronelândia. Este segundo, alegadamente, a tentar pôr fim à guerra iniciada pelo primeiro só porque, enfim, só porque lhe disseram que seria o maior se o fizesse.

A minha curiosidade prende-se com o tipo de diálogo que poderá ter lugar. Vamos especular?

Então, Vladimir, vamos acabar com isto?

– Oh p´ra ele. Então já desististe do Canadá, pá?

– Vamos esquecer isso, pá. “Tariffs are great”. Chega de mortandade?

– Mas como é que tu ias conquistar o Canadá sem matar ninguém, ó seu grandessíssimo Nobel da Paz?

– Vladimir, “my man”, estou tão rico como tu. E olha que tenho mais força do que tu.

Ai tens? Queres apostar?

– Calma, pá. Queres deixar de vender petróleo?

– Agora digo eu, calma, pá. Eu dou-te o Nobel da paz se desmilitarizares o palhaço. Depois é cá comigo.

– Palhaço? Eh eh, boa! “You got it”. Vou tentar, pá. Mas só se concordares com um cessar-fogo. “You know, that’s what folks are expecting back home. And I could build so many beautiful, gorgeous towers in Moscow! So, deal?”

 

Não enveredei propositadamente por um tipo de diálogo mais picante, envolvendo vídeos ou fotos comprometedoras, porque nada se sabe sobre essa possibilidade de chantagem, embora seja sempre uma possibilidade (de modo nenhum a única) perante a bonomia e a camaradagem com que o tirano de Moscovo tem sido tratado.

2.

O major-general Agostinho Costa, um verdadeiro admirador, mais do que isso, um apaixonado pela pátria russa, pela estratégia do regime russo e pelas capacidades intelectuais dos seus dirigentes, sempre que exprime as suas opiniões fá-lo em nome de um “nós” assaz bizarro. Se repararem, diz sempre “Nós achamos”, “Nós entendemos que”, “Nós confirmámos”. A minha curiosidade é a seguinte: quem é “Nós”? Repito, ó Agostinho, estou intrigada, quem é “Nós”?

 

  1. Terceira curiosidade: há ou não militares nos Estados Unidos revoltados com o rumo que a democracia americana está a tomar e com a Kim Jong-un..nização do regime e da nação? Às tantas não há mesmo.

 

 

 

Perguntas simples

Tendo em conta os malefícios que certos estrangeiros nos estão a causar pelo simples facto de os vermos na rua e no TikTok dos fachos, aqueles estrangeiros nada louros e nada ricos, não seria melhor abolir o Tribunal Constitucional para que o Governo-à-sombra-do-Chega os trate como eles merecem?

Ser pago para despachar cagadas destas, o meu sonho

«É verdade que no vídeo que acompanha os cartazes, Sweeney explica que os genes são transmitidos dos pais para os filhos e podem determinar características como a cor do cabelo, a personalidade e a cor dos olhos. É mentira? A vossa discussão, chocados do costume, não é com Sydney Sweeney, é com a palavra que mais odeiam: “natureza”. O narrador do vídeo diz: “Sydney Sweeney has great jeans” ou “great genes”. E tem.»


Pedro Mexia

É virar os edifícios do avesso

Uma das recomendações que é feita ás pessoas cujas habitações calhem ficar na rota de um incêndio é que liguem os sistemas de rega. Ora, os únicos sistemas de rega que costumamos ver ligados, nessas circunstâncias, são as mangueiras e os baldes, usados à pressa por pessoas em pânico.

Vivemos numa época em que quase todas as tarefas estão automatizadas e a rega seja do que for não é excepção. Por que razão a tarefa de molhar as casas e terrenos circundantes não está também automatizada e, pelo contrário, continua a ser o mais manual e rudimentar que se consegue imaginar?

Não seria muito mais eficiente e seguro recomendar a instalação de aspersores nos telhados das habitações? Tal medida não facilitaria a evacuação das aldeias, uma vez que os que resistem o fazem para se certificarem que as casas estão molhadas? É ainda mais incompreensível se pensarmos que os aspersores são usados há décadas para prevenir e combater incêndios, mas apenas no interior dos edifícios, porque não no exterior?

Compreende-se que haja, e bem, leis que obriguem as construções a respeitarem regras anti-sísmicas, e nenhuma lei que obrigue casas isoladas e explorações pecuárias, no meio do mato, a terem sistemas de protecção contra incêndios? A lei apenas obriga a que se limpem os terrenos em volta, medida manifestamente insuficiente para travar incêndios cada vez intensos e velozes.

Se conseguimos levar água a todo o lado e regar hectares e hectares de culturas agrícolas com recurso a sistemas de rega cada vez mais sofisticados também conseguimos molhar aldeias minúsculas, de forma autónoma. Ou não?!

Governo d’Abranhos

Curso de ciência política

«Já então revelava o seu gosto pelo luxo, pelas largas habitações tapetadas, pelo serviço harmonico de lacaios disciplinados. A pobreza e os seus aspectos era-lhe odiosa. Quanta vez, mais tarde, quando elle subia o Chiado pelo meu braço, eu me vi forçado a afastar com dureza os pobres, que á porta do Baltresqui, ou da Casa Havaneza, vinham, sob o pretexto de filhos com fome ou de membros aleijados, reclamar esmola; o Conde, se os via muito perto, «ficava todo o dia enjoado». Todavia a sua caridade é bem conhecida, e o Asylo de S.Christovam, a que em parte deveu o seu titulo, ahi está como um attestado glorioso da sua magnanimidade.

Além d'isso, elle reconhecia que a caridade era a melhor instituição do Estado. Quanto ao pauperismo, tinha-o como uma fatalidade social: fôssem quaes fôssem as reformas sociais, dizia, haveria sempre pobres e ricos: a fortuna pública devia estar naturalmente toda nas mãos d'uma classe, da classe illustrada, educada, bem nascida. Só d'este modo se podem manter os Estados, formar as grandes industrias, ter uma classe dirigente forte, por possuir o ouro e ser a base da ordem social.

Isto fazia necessariamente que parte da população «tiritasse de frio e rabeasse de fome». Era certamente lamentavel, e elle, com o seu grande e vasto coração que palpitava a todo o soffrimento, lamentava-o. Mas a essa classe devia ser dada a esmola com methodo e discernimento: e ao Estado pertencia organizar a esmola. Porque o Conde censurava muito a caridade privada, sentimental, toda de expontaneidade. A caridade devia ser disciplinada, e, por amor dos desprotegidos, regulamentada: por isso queria o Asylo, o Recolhimento dos Desvalidos, onde os pobres, tendo provado com bons documentos a sua miseria, tendo apresentado bons attestados de moralidade, recebessem do Estado, sob a superintendência de homens praticos e despidos de vãs piedades, um tecto contra a chuva e um caldo contra a fome. O pobre devia viver alli, separado, isolado da sociedade, e não ser admittido a vir perturbar, com a expressão da sua face magra e com a narração exagerada das suas necessidades, as ruas da cidade. «Isole-se o pobre!» dizia elle um dia na Camara dos Deputados, synthetizando o seu magnífico projecto para a creação dos Recolhimentos do Trabalho. O Estado forneceria grandes casarões, com cellas providas d'uma enxerga, onde seriam acolhidos os miseraveis. Para conseguir a admissão, deveriam provar serem de maior edade, haverem cumprido os seus deveres religiosos, não terem sido condemnados pelos tribunaes (isto para evitar que operarios d'ideias subversivas que, pela grève e pelo deboche, tramam a destruição do Estado, viessem, em dias de miseria, pedir a esse mesmo Estado que os recolhesse). Deveriam ainda provar a sobriedade dos seus costumes, nunca terem vivido amancebados nem possuírem o hábito de praguejar e blasphemar. Reconhecidas estas qualidades elevadas com documentos dos parochos, dos regedores, etc., seria dada a cada miserável uma cella e uma ração de caldo igual á que têm os presos.

Mas, dir-se-ha, o Estado, então sustenta-os de graça? Não, — poderia exclamar triunphantemente o Conde, mostrando as paginas admiraveis do seu regulamento, em que se estabelecia, com um profundo sentimento dos deveres do cidadão para com a cidade, que todo o pobre admittido seria forçado a uma considerável somma de trabalho, segundo as suas aptidões. O mais útil paragrapho, a meu ver, é aquele que determina que grupos de pobres sejam forçados a calçar as ruas, collocar as canalizações de gaz, trabalhar em monumentos publicos, etc. Taes serviços, todos em favor da Camara Municipal, obrigá-la-ia a concorrer para a despesa d'esta instituição, alliviando assim o Estado d'uma grande parte dos gastos.

Uma vez admittidos, os recolhidos perderiam o direito de sahir — a não ser que provassem que iriam d'alli ser empregados, de tal sorte que não lhes fôsse possivel recahir nos acasos da miseria.»

O Conde d’Abranhos – Notas Biográficas de Z. Zagalo_Eça de Queiroz_1925 (póstumo)

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