“Munique”: a polémica e o disparate

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A bronca já dá que falar: o último filme de Steven Spielberg, o muito discutido “Munique”, parece condenado a não poder ganhar qualquer prémio nos Bafta Awards, atribuídos pela academia britãnica de artes cinematográficas. Imagine-se que os DVDs entregues aos membros da dita academia foram codificados para a região norte-americana, o que impede a sua leitura nos aparelhos especiais — destinados ao visionamento de material de cópia interdita — distribuídos no Reino Unido. Pois; parece episódio português.
O filme de Spielberg, com argumento do dramaturgo Tony Kushner (Angels in America) recapitula a missão de um esquadrão de assassinos da Mossad em busca dos terroristas palestinianos que em 1972 raptaram e mataram atletas olímpicos israelitas. E já foi acusado de aceitar como equivalentes os dois actos: o ataque e a subsequente vingança. A ver vamos; o que é mais do que os membros da Bafta podem dizer.

11 thoughts on ““Munique”: a polémica e o disparate”

  1. Ó Luis: gostei particularmente dessa. Os da Mossad eram “assassinos”, os do Setembro negro eram “terroristas”. O teclado só disponibilizou quatro esses, gastos logo no primeiro adjectivo?

  2. Fmv,

    Não estou bem a ver onde parará o erro. Agora usar o termo “terroristas” também é desculpabilizá-los?
    Quanto ao esquadrão Caesarea, a unidade da Mossad criada para este efeito, a sua única missão foi eliminar os envolvidos no ataque de Munique. Assassínios selectivos, portanto.

  3. Ou muito me engano ou este post vai suscitar os broncos comentários do costume por parte dos comentadores habituais. Começa pelo fnv., que ganharia muito mais se mostrasse calma e guardasse as suas preocupações com os ésses para o fim. O Spielberg é um dos maiores defensores da apregoada causa judaica e é com os brutos milhões que vai fazer no film que melhor continuará a defendê-la. Bendito seja. Foi sempre assim. Os ingredientes necessários já andam por ai a escorrer pelos poros da media. Entre eles, um estranho: os zionistas americanos, coitados, não estão de acordo com a ADL sobre a mensagem do film. Que surpresa! – mas não quando se pensa que o importante é conservar toda a gente intrigada. Até parece que já estamos a ver os magotes apinhados às portas dos cinemas para irem tragar mais duas horas de propaganda politica e violência disfarçada de arte.

    Na Internet circula uma lista com sugestões de temas para vários filmes que o Spielberg nunca terá coragem nem conveniência para realizar. Uma dessas sugestões, o ataque bombista ao Hotel King David em Jerusalem, foi um dos actos de terrorismo mais ferozes do pós guerra e demonstra bem o tipo de argumento a que os defensores da permanência eterna do Estado de Israel recorrem para provarem diplomaticamente os seus pontos de vista. Não se pode dizer que os palestinianos não tiverem bons professores. O ataque ao “Liberty” , navio da Marinha dos USA, pela aviação israelita, para comprometer os árabes, com várias dezenas de marinheiros americanos mortos, é outra. Mas, claro, estes temas têm sido afogados por jornais e sido barrados pelos estúdios de cinema que fizeram do Spielberg a fada de virtudes que nos entretem com as suas fitinhas de celuloide.

  4. Ora bem, recapitulando:

    “esquadrão de assassinos da Mossad em busca dos terroristas palestinianos que em 1972 raptaram e mataram atletas olímpicos israelitas”

    Portanto temos assassinos israelitas que “assassinam” terroristas palestinianos, os quais apenas “mataram” (após o devido rapto, entenda-se) atletas israelitas.

    Mas é claro que isto é apenas devaneios meus, vá-se lá ter a soberba de pôr em causa a metalinguagem do políticamente correcto…

    Já agora, o cavalheiro é jornalista, não é? Se não é, finge bem… Pelo menos a cartilha da FCSH sabe-a toda.

  5. Surpreendeu-me a franqueza do Andronicus ao incluir o seu comentário na categoria dos “broncos”, pois que se seguiu ao post do Luis. Não era preciso exagerar, até porque não sou “comentador habitual” aqui da Aspirina.

  6. Sérgio,
    Essa reclamação não tem pés nem cabeça: os gajos do Setembro Negro eram ou não “terroristas”?
    E o Caesarea era ou não uma unidade dedicada exclusivamente ao assassinato selectivo?
    Será “raptar” e “matar” menos mau que “assassinar”? Safa, que já não sei para onde me virar!
    Só ficaria contente se eu repetisse escrupulosamente todos os adjectivos e verbos usados, não? Ficava linda, a prosa, sim senhor.
    Não terá por aí um dessses dicionários do “politicamente correcto”, a ver se eu não volto a enganar-me?

  7. O Luis Rainha sabe muito bem que há terroristas que não matam ( na Córsega julgo que só houve um caso). Por outro lado, existem formações ( ou special branches) supostamente “terroristas” que apenas executam e também selectivamente. É por isso evidente que não é necessário um dicionário do politicamente correcto.

  8. Quanta confusão nestas cabecinhas estouvadas ! Isto é assim, meus caros: Quem defende a pátria ocupada por nazi-sionistas, matando ocupantes NUNCA É TERRORISTA. Quem ocupa a terra dos outros e ainda por cima assassina os patriotas da resistência É SEMPRE TERRORISTA. Tá ?

    É o direito internacional, estúpidos !

  9. Vamos lá ver se acabamos com a discussão de uma vez por todas! Não há manuais disto, mas se pensarmos um bocado “terrorista” é aquele que usa técnicas/tacticas militares sobre populações indefesas (exactamente para perceberem a sua incapacidade na defesa) depois dentro desta categoria temos duas que se distinguem essencialmente apesar de uma delas – a segunda se dividir em outras que não interessa discutir – a primeira é o terrorismo de estado praticado pela GESTAPO, PIDE, Camisas Negras e se quisermos pelo Estado de Israel em alguns casos (compreendamos que não é fácil aturar uma situação em que desde que foram fundados ha 60 anos atrás tiveram 50 dias de Paz), o segundo tipo de terrorismo é o privado, onde a panoplia de tipologias se alarga e o qual é mais dificil distinguir por exemplo Terrorista de “freedom fighters” o que é para uns pode não ser para outros.

    PS: O direito internacional só existe para se saber o que se está a violar e quando… Na minha percepção desde o começo da política há porradão de anos atrás devem contar-se pelos dedos as vezes que isso conteve alguém.

  10. A diferença entre presumir ser da esquerda intelectual ou pensar, é que a segunda opção faz remexer os neurónios enquanto a primeira se limita a debitar o políticamente correcto.
    Terrorista = executor.
    Polícia, família ou compatriota do “executado” = assassino.
    Por acaso os bem pensantes sabem a história do ovo de Colombo? Sabem?
    Então, independentemente das vossas preferências sexo-intelectuais vão levar onde levam as galinhas a ver se teem ovo!

  11. A diferença entre presumir ser da esquerda intelectual ou pensar, é que a segunda opção faz remexer os neurónios enquanto a primeira se limita a debitar o políticamente correcto.
    Terrorista = executor.
    Polícia, família ou compatriota do “executado” = assassino.
    Por acaso os bem pensantes sabem a história do ovo de Colombo? Sabem?
    Então, independentemente das vossas preferências intelectuais vão levar onde levam as galinhas a ver se teem ovo!

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