Foucault e os fundamentalistas

“O Acidental” vem lembrar-nos que Foucault cometeu o erro de apoiar a revolução iraniana. Com efeito, em 1978 ele escreveu, como correspondente do Corriere della Sera, artigos em que dava conta do seu entusiasmo com a subida ao poder de Khomeini. Manifestando a sua fé total nas garantias do clero triunfante no que tocava aos direitos das minorias e das mulheres. Asneira.
Henrique Raposo, depois de esclarecer a situação de Foucault como “guru de Negri”, não resiste a uma semi-generalização já banal: “talvez seja por isso que muitos ficaram satisfeitos com o 9/11”. Esquece-se é de reconhecer que o autor da “História da Sexualidade” esteve sozinho naquela sua posição. E que um historiador marxista como Maxime Rodinson não teve então problemas em discordar publicamente dele, afirmando que o Irão se encaminhava para um “fascismo semi-arcaico”.
Mas, mesmo no engano, Foucault foi presciente em alguns aspectos. Escreveu ele: “o movimento islâmico pode pegar fogo a toda a região, derrubar os regimes mais instáveis e perturbar os mais sólidos. O Islão — que não é simplesmente uma religião, mas sim toda uma forma de vida, uma aderência a uma história e uma civilização — tem boas hipóteses de se tornar num gigantesco barril de pólvora, ao nível de centenas de milhões de homens” (mais sobre este affaire aqui).
Tomara que muitos do que ainda há pouco se equivocaram no apoio à invasão do Iraque tivessem acertado em qualquer coisa. Ou ao menos que já tivessem tido a honestidade de reconhecer o erro.

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