Cuidado com o Natal!

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Em Santiago do Cacém, foi hoje preso um assaltante que usava uma técnica no mínimo original. Ele estava disfarçado de Pai Natal; mas não de um Pai Natal comum, em carne, osso e barbas. O meliante conseguiu, durante horas, passar por um daqueles bonecos em tamanho humano que agora todos pregam às suas paredes e nas chaminés. Sempre que via a rua desimpedida, o inventivo ladrão subia mais um pouco, até alcançar uma varanda. Quando passavam transeuntes, imobilizava-se na melhor tradição dos homens-estátuas.
Este esquema genial só falhou porque uma patrulha da GNR não se deixou convencer pela quietude da festiva figura com um televisor já meio enfiado no seu carro. A perseguição que se seguiu terminou apenas quando os soldados chegaram a um consenso entre si: não é pecado disparar sobre os pneus do Pai Natal. Ao ser por fim caçado, já ele tinha a mala cheio de electrodomésticos de porte médio, artigos de ourivesaria e whiskies de boa marca.
Ainda mais estranho que o modus operandi empregue foi a reacção de uma testemunha, que nem depois de observar de sua casa uma escalada de meia-hora deste falso adereço natalício achou aquilo estranho: “pensei que era uma modernice dos vizinhos. Eles têm sempre a mania que são mais que os outros… se calhar, tinham comprado um Pai Natal automático”.
Já sabem: se virem um deste bonecos agarrado à parede do vosso prédio, tranquem as portas. E não se esqueçam de avisar os vossos amigos.


PS: Claro está que se me começarem a pedir links dignos de confiança para esta história ou se não a enviarem para 10 amigos nos próximos 6 minutos, condenam as vossas orelhas a apanhar fungos odoríferos. Além de que os pinguins órfãos do Zoo de Harare irão ficar sem bolo-rei neste Natal.

11 thoughts on “Cuidado com o Natal!”

  1. Inacreditável!

    Ainda anteontem tinha visto um desses foleiríssimos bonecos pendurado de uma varanda e tinha pensado cá com os meus botões que um ladrão que aproveitasse a onda era bem capaz de ter sorte.

    Este teve azar. Ou foi parvo. Se calhar se se tivesse limitado aos brincos, colares e anéis ninguém tinha achado nada de estranho.

  2. Desculpa, Luís, o abuso (if any). Mas há um texto que não pode perder-se. Vem do blogue do João Camilo (blueeverest.blogspot.com) e diz o seguinte:

    A culpa é do português

    O filósofo José Gil há tempos, Eduardo Prado Coelho recentemente, encontraram o culpado de todos os males portugueses: sem surpresa, o culpado é o português: o cidadão, o ser humano nascido no canteirinho de flores à beira-mar plantado. Não entendo o que há de reconfortante em encontrar tal explicação para a desgraça em que se transformou o nosso país. Mas para contradizer tais crenças metafísicas na existência de uma personalidade determinada pela nacionalidade basta ter em conta que quando transplantados para fora de Portugal os mesmos cidadãos portugueses culpados de tantos vícios enquanto estão submetidos à ordem portuguesa se revelam pelo menos iguais no talento, nos empreendimentos, no sentido das responsabilidades e no carácter, aos cidadãos dos países em que vivem. O que parece provar que o cidadão enquanto indivíduo mais não é do que um produto do sistema. Não é ele que pensa, fala e age; é o sistema que nele age, fala e pensa. Conclusão: os nossos políticos, os nossos intelectuais ou educadores, as nossas instituições são de facto responsáveis pela situação em que vivemos e temos vivido. Querer outra coisa é romantismo de intelectuais.

  3. Este pai natal é igual aos esquerdalhos, pareçe que dão mas só tiram. Prometem ao povo que dão a liberdade e a felicidade e, depois, quando governam metem o povo na cadeia e dão-lhes grandes cargas de porrada.

  4. Fernando,

    Não existe qualquer abuso. E trata-se de discussão bastante interessante essa que propões. Mas eivada de perigos vários. Por exemplo, é um facto que os trabalhaddores portugueses “transplantados” para o Luxemburgo formam parte significativa de uma das forças laborais mais produtivas do mundo. Aplausos e perplexidade.
    Mas, como soubemos aquando da recente visita de Sampaio àquele país, também a “nossa” comunidade ali se destaca das outras pelo fortíssimo insucesso escolar. Resta apenas a perplexidade: porquê?

  5. Luís,

    Sugestão provisória para diminuição da perplexidade:

    somos muito bons em conduzir músculos (e táxis, no Luxemburgo…), mas desconfiamos da vantagem de actividades cerebrais.

  6. Ah, Fernando… dás então razão aos que atribuem a culpa da nossa lamentável situação ao nosso património genético?

    MAs espera, que vou tratar de passar esta conversa a post. Assim mo permita a constipação.

  7. Obrigada Luís,

    À semanas que eu comentava entre gente, que me é próxima. Estes malditos pais natais “assaltantes”, merecem um post num blog. Algum dos bloguers da nossa praça, tem que pegar neste assunto!
    E eis que surge o tão desejado post.
    Estes pais natais são tão kitsch, tão rasca e de profundo mau gosto. Mas o pior, é que parecem mesmo assaltantes. Costumo dizer, em ano de contenção até o Pai Natal tem que andar a roubar, para poder ofrecer os presente todos, usando para tal uma horda de sósias de todos os tamanhos.
    Mais uma vez, obrigada.

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