A assombração

A promessa ominosa já tinha ficado, logo no congresso que o apeou: “eu vou andar por aí”. Agora, a profecia cumpre-se, embora ainda de forma mitigada e pouco incomodativa.
Por enquanto, este regresso de Santana Lopes restringiu-se a meia página do “Expresso”. Num artigo de opinião desvairada, ele entreteve-se a proclamar ao mundo a irremediável distância a que dele se exilou. O homem ainda não percebeu mesmo nada. Não reparou no resultado das eleições legislativas. Não deu pelo seu ex-parceiro de coligação a admitir que a maioria de direita estava condenada desde a fuga de Durão: “Hoje podemos dizê-lo: eu creio que o contrato de confiança entre o povo e a maioria caducou nesse dia”. Não acordou para o facto de ninguém querer saber dele para nada.
Esta versão lusa dos fantasmas do “Sexto Sentido” emigrou mesmo para um universo alternativo. Ele vive num país que chora a prosperidade perdida com o fim do seu governo, numa nação indignada com a prepotência de Sampaio, num sítio estranho que ainda lhe liga. Não que este divórcio seja coisa nova; logo quando primeiro se viu na iminência de perder o tacho para que se julgava predestinado, ele lançou o lamento: “porquê agora, quando há sinais de retoma económica e de avanços nas reformas estruturais?” E até Cavaco Silva pode começar a tremer: Santana ainda não sabe se o vai apoiar ou não!
Fico sem perceber se a figura deste has-been é cómica ou apenas triste e patética.

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