Treme governo, vem aí a Alternativa

“Quero, com os portugueses, fazer uma nova aliança”, promovendo “a construção de uma alternativa” ao actual governo, afirmou ontem António José Seguro. Essa alternativa, explicou, deverá congregar “progressistas, humanistas, democratas-cristãos, social-democratas e socialistas”. Aparentemente, só ficam de fora os vegetarianos, as testemunhas de Jeová e os tipos da revolução branca.

Trocado por miúdos, Seguro quer congregar marxistas e eco-marxistas (não confundir com o PCP e o Bloco), filantropos sem rótulo, democratas-cristãos (não confundir com o CDS), sociais-democratas (não confundir com o PSD) e, para rematar com chave d’ouro, socialistas (não confundir com o PS).

A Alternativa será uma coligação apartidária ou um movimento ecuménico contra os partidos? Ó António José, o que é que tu queres, homem? Queres uma União Nacional de todas as pessoas de boa vontade? Estarás bem da pinha?

Parece que os comunistas e os bloquistas enfiaram o barrete de “progressistas”, mas ambos apareceram a dar para trás na Alternativa do Seguro.

O genial Semedo, cujas medidas cefálicas dificilmente suportam qualquer carapuça existente no mercado, veio dizer que mais importante do que “com quem se governa”, é existir um “programa comum”. Primeiro, tem que haver um programa comum (comum de quem, carago?), depois logo se vê. E insistiu, para não haver dúvidas:

“Com quem se governa, resolve-se depois de haver um programa comum, uma base de entendimento muito amplo, que, provavelmente, ultrapassará as fronteiras partidárias. Nós não defendemos um governo em que estejam apenas os partidos representados, tem de ser um governo assente num programa”.

Explica lá como é isso, camarada Semedo. Esgalha-se um “programa comum”, talvez cozinhado entre anónimos na internet, e depois adere-se a ele no facebook? Em que nuvem moras, ó Semedo?

O Jerónimo da cassete referiu-se hoje tacitamente à Alternativa do Seguro considerando-a um fingimento, uma encenação. Para ele, o PS encena ser uma força da oposição para assim “manter vivo um Governo que politicamente está moribundo”. Para ele, o PS está a pensar apenas “como pode capitalizar o mal e o sofrimento que está a ser imposto ao país”. No melhor estilo estalinista, Jerónimo pretende que quem não é comunista está feito com o governo e quer viver à pala do sofrimento do povo. Camarada Jerónimo, mais valia estares calado. Não dás uma prá caixa.

Com estes Seguros, estes Semedos e estes Jerónimos, o governo do Coelho pode dormir descansado. Já se percebeu que nunca existirá Alternativa, nem sequer alternativa.

19 thoughts on “Treme governo, vem aí a Alternativa”

  1. “Com estes Seguros, estes Semedos e estes Jerónimos, o governo do Coelho pode dormir descansado. Já se percebeu que nunca existirá Alternativa, nem sequer alternativa”. E não é que estás coberto de razão, Júlio. Apenas te esqueceste de incluir o Venerando Chefe do Estado, o “Residente” de Belém.

  2. Até poderia ter sido má sorte vivermos com um PM e um líder da posição que são de uma vulgaridade e nulidade desesperantes mas não, foi mesmo escolha solene e democrática.
    No caso de Seguro reafirmada por 97% dos sócios socialistas…
    Em quem devo confiar a minha esperança?

  3. o problema está na chapelada que são as eleições internas dos partidos, o seguro directo fica por 25.000 votos do aparelho, o passos por 27.000 cotas pagas no multibanco, o portas em 6.000 capelos rego, o casal semedo foi nomeado pelo louceiro e o jerómino saiu numa rifa da quermesse central. é óbvio que estes gajos representam-se a si próprios e quando chegam ao poder é a desgraça completa para o condóminos pagarem. atão para presidente da nacinha, nem se fala, qualquer parolo de boliqueime e um papel com 7.500 gatafunhos reconhecidos pelo vale azevedo, pode candidatar-se e se tiver um bpn que lhe pague a campanha pode ganhar e repetir a dose passados 5 anos. enquanto não houver um método de selecção transparente destes cromos, eleições primárias ou cena do género, andaremos a pagar para gozarem connosco.

  4. O estroncio do Júlio quer uma aliança do Sócrates com o MRPP . isso é que era para derrubar o Passos.

    Vai dar sangue ó néscio.

  5. Qual é o interesse em estar, nesta altura, a alinhar com as direcções do BE, do PCP, do CDS e do PSD, contra o PS? Francamente, não entendo. O PS não é só o António José Seguro, mas Seguro, presentemente, é o secretário-geral do PS, e desacreditando-o, goste-se ou não dele, desacredita-se o PS. Qual é o interesse, a finalidade, a utilidade? Desde que não se seja, naturalmente, direitola, esquerdista ou comunista.

  6. Não li tudo, mas há um momento de lucidez:

    “para rematar com chave d’ouro, socialistas (não confundir com o PS).”

    Não iria tão longe, há alguns por lá e bem mais próximos do Seguro que de um passado recente, mas é isso.

  7. Manojas, o post não pretende ter utilidade nem servir nenhum interesse. Ao abrigo da liberdade de expressão vigente, visa exprimir a perplexidade de um cidadão da esquerda não sectária perante a total inépcia e desorientação do secretário-geral socialista. O Seguro é que se desacredita com estas propostas tolas.

    Bento, a agressividade e a má educação podem ser combatidas, consulta um especialista. Para o sectarismo já muito enraizado é que não há remédio, precisavas de formatar o disco e recomeçar do zero.

  8. Post indigente.

    Não tomei conhecimento das propostas de Seguro, nem das reacções de Semedo, mas gostava que me apontassem onde, neste texto, ha alguma coisa que se pareça com uma postura de “esquerda não sectaria”.

    O Julio deve ter no bolso um programa simples que vai permitir imediatamente a construção de uma alternativa de esquerda credivel e capaz de remediar à crise, assim como aos males do pais. Deixa-me ca adivinhar, não tera alguma coisa a ver com Alquacer Quibir e com um lider cujo nome começa por S. ?

    Porque não mostras o teu plano à gente ? Desta forma, ser-nos-ia mas facil acharmos ridiculas as palavras de Seguro, não achas ?

    Boas

  9. Desculpe lá Manojas mas é o PS que desacredita o PS.
    O PS de Seguro é uma especie de sopa instantanea, sem passado, sem presente e sem futuro.

  10. Programa Comum , meu caro, existiu em França e levou o Mitterrand ao poder.

    Programa Comum, pode-se chamar, ao que Sampaio elaborou, na sua primeira candidatura á Camara de Lisboa.

    Para que possa haver uma aliança de esquerda, é necessário que haja um programa, que possa ter um largo consenso, e que seja apresentado ao eleitorado como alternativa á actual situação.

    Isto é básico para qualquer cidadão com um minimo de conhecimentos da actuação politica.

  11. Os programas comuns, Augusto, negoceiam-se geralmente entre partidos que querem governar e, para isso, tirar do poder os partidos que lá estão. Os programas são comuns, porque resultam da negociação entre vários partidos sinceramente empenhados nisso mesmo. E convém muito que haja de antemão algo em comum na posição desses partidos, para além da comum vontade de tirar de lá os outros. Estás a ver algo de semelhante em Portugal?

    Seguro propôs uma aliança a toda a gente, incluindo humanistas, pessoas bonzinhas, amantes do progresso, sociais-democratas e democratas-cristãos. Se não me engano, estes últimos estão no poder. Imaginas algum programa comum que consiga “congregar” toda esta gente? Eu não.

    A propósito, não me lembro que Mitterrand tenha proposto um programa comum à direita francesa.

  12. deixem-se de merdas, se o pcp e o bloco não permitiram um acordo para as autárquicas de caminha indo contra a vontade dos dirigentes locais, queriam que se entendessem com o ps para governar o país? tá bem abelha, o pcp anda há 90 anos a dizer mal dos socialistas e o louçã há 12 anos a tentar destruir o ps, acham que estão interessados em alianças? só se for com a direita para ver se acabam com o partido socialista.

  13. Começo por não perceber porque se fala em Caminha, e não no Funchal, talvez não convenha .

    A unidade é dificil ninguém o nega,mas não é impossivel .ao contrario do que se tenta passar como um facto, incontestável, a verdade é que como já escrevi noutro comentário:

    Soares teve o voto de TODA a esquerda para derrotar Freitas do Amaral.

    E Sampaio negociou com toda esquerda para derrotar Marcelo Rebelo de Sousa na Camara de Lisboa.

    E para derrotar Cavaco Silva na Presidência da Republica.

    E na situação actual, é mais que urgente um programa comum das esquerdas, para que seja possivel um governo REALMENTE de ESQUERDA.

  14. mas a esquerda PC não vê o PS como esquerda, vê-o como direita, com a qual tem rejeitado qualquer entendimento. Mesmo nos tempos longínquos do “entendimento”, a coisa foi sentida como um grande sapo a engolir e a cobrar para a posteridade. “Programa” comum de consenso alargado é o que o Bagão propõe. Outro programa comum de consenso alargado à esquerda é o do PC com o BE (???). Nem aí se entendem. Como é que neste ninho de víboras se concebe um governo REALMENTE DE ESQUERDA? O que seria esse governo, Augusto?Em que bases de entendimento se sustentaria?

  15. A coligação no Funchal é possivel, porque o PS não ganhará nada com isso…DIZ O INTELIGENTE.

    E eu a pensar que a coligação no Funchal , tinha como principal objectivo, derrotar a direita, e aplicar nessa camara um programa alternativo, aos desastres levados a cabo pelo Polvo Jardinista…….

    Ninho de viboras….o mesmo que Bagão propõe, e outros dislates do mesmo tipo.

    A Unidade das forças DITAS de esquerda, é sempre dificil, a esquerda tem uma base ideologica forte,tem divergências históricas, tem métodos e prespectivas diferentes, e ninguem deve ignorar essas divergências , agora no momento actual, como deve reagir essa esquerda?

    Ficar cada um na sua capelinha, á espera que o governo da direita destrua ainda mais o país, ou procurar pontos de contacto.

    É claro que numa parte do PS, as alianças com o PSD e o CDS são sempre as mais desejadas, e para as fazer todos os pretextos são bons.

    Mas na base , e nalguns sectores que ainda não esqueceram que o Partido se chama SOCIALISTA , e há quem queira que se forme um governo REALMENTE DE ESQUERDA, com uma politica alternativa a este desastre, veremos qual é a parte que vence, se a que quer alianças com a direita mesmo a mais trauliteira, ou aquela que quer alianças com a ESQUERDA.

  16. Augusto,

    a Esquerda de que falas não existe, pá. Morreu no frente-a-frente Soares-Cunhal em 1975.

    O que tu tens é a Direita, a Esquerda e o Centro, representado em Portugal pelo PS, mas que ninguém quer reconhecer como tal, nem os próprios socialistas. Sò que é a realidade.

    E o Centro também combate a Direita, tanto (ou mais do que) a Esquerda, só que por MOTIVOS DIFERENTES! Diferentes e bons.

    O problema é que, ao contrário, a Esquerda combate o Centro aliada à Direita!

    Por isso é que, ao contrário do que dizes, a alternativa não é o Centro juntar-se à Esquerda para combater a Direita (ou não se aliar à Direita para combater a Esquerda) e, sim, afirmar-se finalmente como alternativa de Centro!

    Sem ignorar os eleitores de Esquerda, mas se negociar nada com os dirigentes das forças de Esquerda. Não há alternativas de Governo, muito menos de Sociedade, com os atuais PCP e BE. Talvez haja para governar Vila e Concelhos, até Cidades, como Lisboa (e, sei lá, até Regiões, atuais ou as futuras), mas não o País.

    Lamento, mas não muito, porque ainda me lembro bem de 75. Embora me lembre ainda mais do Fascismo. Mas há algo do Fascismo que foi herdado pela Extrema-esquerda portuguesa e isso impediu-a, até hoje, de aceitar a Democracia, hipocrisias à parte.

    Não tenhamos ilusões: a alternativa à Direita não pode construír-se com base no “pensamento” e na acção política de Jerónimos e Semedos. Felizmente…

  17. Augusto,

    a Esquerda de que falas não existe, pá. Morreu no frente-a-frente Soares-Cunhal em 1975.

    O que tu tens é a Direita, a Esquerda e o Centro, representado em Portugal pelo PS, mas que ninguém quer reconhecer como tal, nem os próprios socialistas. Só que é a realidade.

    E o Centro também combate a Direita, tanto (ou mais do que) a Esquerda, só que por MOTIVOS DIFERENTES! Diferentes e bons.

    O problema é que, ao contrário, a Esquerda combate o Centro… aliada à Direita!

    Por isso é que, ao contrário do que dizes, a alternativa não é o Centro juntar-se à Esquerda para combater a Direita (ou não se aliar à Direita para combater a Esquerda) e, sim, afirmar-se finalmente como alternativa de Centro!

    Sem ignorar os eleitores de Esquerda, mas sem negociar nada com os atuais dirigentes das forças de Esquerda. Não há alternativas de Governo, muito menos de Sociedade, com os atuais PCP e BE! Talvez haja para governar Vilas e Concelhos, até Cidades, como Lisboa (e, sei lá, até Regiões, atuais ou as futuras…), mas não o País.

    Lamento, mas não muito, porque ainda me lembro bem de 1975. Embora me lembre ainda mais do Fascismo. Mas há algo do Fascismo que foi herdado pela Extrema-esquerda portuguesa e isso impediu-a, até hoje, de aceitar a Democracia, hipocrisias à parte.

    Não tenhamos ilusões: a alternativa à Direita não pode construír-se com base no “pensamento” e na acção política de Jerónimos e Semedos. Felizmente…

  18. “E eu a pensar que a coligação no Funchal , tinha como principal objectivo, derrotar a direita,”

    pois, tásse mesmo a ver que a vanguarda da classe operária vai derrotar a direita com 7% dos votos e que uma coligação nos termos do pdf acima sirva para qualquer coisa que não seja insuflar o ego da escardalha, híbridos e resíduos democráticos à custa do partido socialista. até parece que já tou a ver o partido dos cães a ganir mais um canil na assembleia municipal do funchal ou o padre edgar a apresentar um número de coelho amestrado. podem até reforçar com palhaços do continente tipo mário nogueira e contadores de histórias tipo louceiro.

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