O partido consciente e insubstituível

Para “libertar Portugal do desastre”, o PCP, “consciente das suas responsabilidades e do seu papel insubstituível para uma alternativa política”, acaba de propor solenemente uns tantos pontos. Destacam-se os principais:

– a nacionalização dos “sectores básicos e estratégicos da economia, a começar pela banca”.

– a renegociação da dívida pública, envolvendo sobretudo a “rejeição da componente ilegítima da dívida pública” (sabendo-se que todas as dívidas são ilegítimas, excepto as da banca e as dos monopólios).

– aumento do SMN, dos salários em geral, das pensões e dos apoios sociais.

– agravamento de impostos para os bancos e monopólios (se restar algum depois das nacionalizações).

– alívio da carga fiscal sobre os trabalhadores.

– descida do IVA.

– realização de eleições antecipadas.

É isto o que o PCP oferece ao país e aos outros partidos da oposição, com vista a uma alternativa política ao governo Coelho-Portas. Não tinha lembrado a ninguém, mas é genial.

21 thoughts on “O partido consciente e insubstituível”

  1. Julio

    Só faltou um ponto que deve ter sido esquecimento:

    – imposição do Carlos do Carmo como nosso representante ao próximo festival da Eurovisão;

  2. Caro Júlio

    Presos no seu labirinto, sem saída, incapazes de produzir soluções para a saída da crise capitalista, os apoiantes da troika, declarados ou não, ficam espantados com a genial simplicidade do que é obvio.
    É próprio dos que querem manter o stato quo, pois não fazem parte dos atingidos pela devastação, pela crueldade do sistema capitalista.

    João Pedro

  3. a esquerda do delirio!isto é uma especie de candidatura aos oscares do filme bye bye lenine.não está escrito, mas querem a saida da europa.palavras para quê? é o partido comunista portugues.aquelas medidas a favor dos trabalhadores foram plagiadas do programa de fidel e da coreia e que deu os resultados que todos conhecemos.

  4. Caro João Pedro, às tantas acreditas no que dizes, o que é grave.

    O que o PCP propõe é um conjunto de votos pios e passes de varinha mágica, aliás altamente contraditórios (primeiro mata-se a vaca capitalista, depois ordenha-se) e que poriam o país em guerra aberta contra um governo revolucionário que sonhasse com um verão quente para os levar à prática.

    O PCP sabe muito bem que tudo o que propõe é verborreia irrealizável (melhorias de salários e prestações sociais no curto/médio prazo). Na sua absoluta irrazoabilidade e irresponsabilidade, os sete pontos são, porém, a plataforma em que o PCP finca os seus pés e a partir da qual manda as suas “insubstituíveis” postas de pescada e rejeita qualquer proposta alheia.

    A “alternativa” do PCP a qualquer política socialista é essa açorda de delírios que aí está, com as eleições antecipadas a servir de cereja. Se a direita fosse derrotada, que teria o PCP a dizer a um governo do PS? Mais do mesmo. Daqui a três meses estava a propor moções de censura e a pedir novas eleições, como os viciados na raspadinha.

  5. pronto, já têm pugrama para o próximo quinquénio. a melhor forma de lutar por nada é querer tudo e de preferência grátis.

  6. Mesmo assim aquém do que os perigosos comunistas Islandeses decidiram.

    A reacção destes “socialistas” neo liberais modernaços a estas medidas é semelhante ao das velhas beatas.

    Estão definitivamente estragados.

  7. Numa situação de saída impreparada da Zona Euro, o que antes era absurdo torna-se a única saída. A nacionalização do sector bancário decorreria da fuga de capitais, corrida aos depósitos, falta de liquidez dos bancos, fuga dos administradores, etc. Há precedente histórico: essa mesma receita foi aplicada em 1975, por Vasco Gonçalves. Os aumentos de salários decorrerão da inflação, provocada pela desvalorização da moeda própria. A substituição da importações por produção própria decorre da desvalorização da moeda. A economia (em particular o mercado interno) pode crescer imenso porque parte de uma situação muito deprimida. A maior redistribuição de rendimentos decorre (politicamente) de o governo poder cavalgar uma onda populista de esquerda; mas — feito com conta peso e medida — também faz sentido (economicamente) pois numa economia pouco aberta ao exterior isso estimula o mercado interno e cria um mecanismo de feedback para o aumento da produção própria (isto é teoria de Keynes).

    Do lado negativo. As importações serão muito difíceis. Teremos que nos contentar a consumir muitos produtos nacionais, que podem ser insuficientes ou de qualidade inferior às importações. O acesso aos mercados de capitais ocidentais será impossível.

    A alternativa a isto seria uma saída preparada da Zona Euro (mantendo-nos na UE). Com estas forças políticas, isso não parece estar no horizonte.

  8. Meu caro Júlio

    O que está subjacente ao teu discurso é que não há alternativas a irmos alegremente para o matadouro, com exclusão, naturalmente, dos escolhidos (alguns seriam da aspirina B ?), seja pela mão do PSD ou do PS…Et voilá !
    Não, meu caro, não nos resignamos, queremos um Mundo melhor, pese embora os novos seguidores de Torquemada ameacem com novas fogueiras os novos heréticos.
    Dramatizemos: De um lado estão os que cantam Grândola; do outro lado, estão os que trauteiam, entre dentes, o Deutschland Uber Ales…
    A propósito, estás nalgum daqueles lados ?

    Cumprimentos

    João Pedro

  9. Caro João Pedro

    claro que tem que haver alternativa, mas não é essa açorda pra papalvos apresentada pelo camarada Vasco Cardoso, o jovem e prometedor careca do biurô político.

    Lamento que o PCP seja o que é e sempre foi, mas não tem emenda possível. Só desaparecendo, como tem acontecido por todo o mundo, com a excepção, até agora, de Portugal, Coreia do Norte, Cuba e… não me lembro de mais. Os da China são mais capitalistas que o Borges da Goldman.

    A esquerda portuguesa, que seria imbecilidade reduzir à seita do PCP, não vai a lado nenhum com os comunistas. O PCP é uma corrente minoritária da esquerda portuguesa, se ainda não percebeste.

    Os comunistas nem sequer com o Bloco marxista se entendem, quanto mais com os socialistas. O PCP é um caso arrumado, à espera do enterro. Cadáveres adiados, como dizia o outro.

    Cativam 7% dos votos dos portugueses para ajudar a direita. É o que se tem visto no parlamento desde 1976: quatro vezes ajudaram decisivamente a direita a chegar ao poder. O resto são tretas.

    Nunca ouviste conversas entre gente de direita sobre o PCP? Adoram-no. mas só enquanto contribuir para derrubar governos PS, claro. Devias alargar o teu círculo de relações, é instrutivo.

    E com esse teu espírito maniqueísta, a teres visões de nazismo em todo o lado, também tu não vais a lado nenhum. É pena, porque se calhar lá muito no fundo és um idealista bem intencionado.

    Com os meus mais cordiais cumprimentos,
    Júlio

  10. joão pedro,não lhe reconheço autoridade moral nem politica,para ter o monopolio da grandola.só os que defendem uma sociedade onde a liberdade impere pode ser herdeiro do legado do zeca .voçê é um oportunista,que no poder nos impedia de a trautear.vivi o ano de 1975 e vi de que massa são feitos os afonsos os pedros e os joãos deste pais.

  11. Estão atrapalhados.
    Entalados entre as propostas de esquerda e o descontentamento popular e a assinatura do memorandum da Tróika, nao sabem o que fazer.

    Temem ir agora paro governo pois sabem que iam fazer o mesmo que esta quadrilha, esperam por uma cisão na direita para englobarem um bloco central.

    Pânico e mais uma vez traição aos trabalhadores , aos desempregados aos pensionistas.

    Se nao fosse o frete que mais uma vez fazem ao capital e aos bancos eram um estropício .

  12. bento,? se estamos atrapalhados,porque razao pedem eleiçoes? isto so confirma a estrategia “do quanto pior melhor” é que é bom.Pede eleiçoes,para pores novamente a direita no poder.a vossa sorte,e sereis o abono de familia da direita e por isso ele retribui,com reverencia,pois sabem que na luta contra o ps, tem um aliado há 38 anos sempre disponivel como o pcp.

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