Estupidologia

Três psicólogos húngaros, pioneiros no estudo dos comportamentos estúpidos e dos juízos que deles fazemos, pediram a duas centenas de pessoas para apreciarem cerca de 180 acções ou comportamentos rotulados como estúpidos, recolhidos nomeadamente na blogosfera. Segundo os investigadores, a estupidez humana é um domínio surpreendentemente pouco explorado pela ciência. Desta genial constatação partiram para uma investigação fascinante que o Washington Post deu agora a conhecer.

“A coisa mais estúpida que uma pessoa pode fazer é sobrestimar-se” – é uma das conclusões do estudo, baseada na valoração que os inquiridos fizeram dos tais comportamentos estúpidos numa escala de 1 a 10. É a chamada “autoconfiança desproporcionada” ou “ignorância confiante” – que nós portugueses há muito conhecemos, desde que dizemos que “a ignorância é muito atrevida”. Sublinham os investigadores que uma pessoa inteligente também tem comportamentos estúpidos, ainda que estes sejam descritos como “acções não inteligentes”. Não é, assim, necessário (nem suficiente, como se verá) ter um QI baixo ou pouca cultura para agir estupidamente. Basta, sim, “ter uma má percepção das suas próprias capacidades” – concluíram os investigadores. Isto fez-me lembrar uma velha frase que certas pessoas às vezes dizem: “Eu posso ser burro, mas não sou estúpido”. Ou seja, a burrice, a ignorância e a incultura não geram necessariamente comportamentos estúpidos.

Seguem-se, na opinião dos inquiridos, os “comportamentos obsessivos, compulsivos ou de toxicodependência”, que impedem as pessoas de agir correcta ou lucidamente. Eu acrescentaria certos vícios mentais, nomeadamente compulsões ideológicas, que toldam o espírito de muitas pessoas inteligentes e as levam a cometer sucessivamente os mesmos erros crassos. Também nisto, como é sabido, o QI das pessoas representa um fraco obstáculo à estupidez.

Há ainda as estupidezes, muito vulgares, que geralmente se cometem por distracção, desatenção ou falta de sentido prático. Novamente a inteligência parece impotente perante a ocorrência de tais fiascos, pois são amplamente conhecidas as distracções de cientistas e de outras pessoas muito inteligentes, capazes de fazerem as maiores idiotices quando estão com a cabeça noutro sítio ou quando flagrantemente lhes falha o sentido prático.

Pior do que isso, um outro investigador, o prémio Nobel  Daniel Kahneman, já tinha chegado à conclusão de que a inteligência pode fazer com que seja mais difícil encontrar respostas simples para certos problemas… de aritmética. Entre outras coisas, uma excessiva autoconfiança pode ser a causa de asneiras infantis cometidas pelos inteligentes na resolução desses problemas.

Dá que pensar.

7 thoughts on “Estupidologia”

  1. Afinal o PS está safo, o Bloco já tem a solução para nos reformarmos aos 50 anos.

    O PS e o PSD a governar tantos anos e nunca tinham descoberto a pólvora.

    Em dois dias de governo o Bloco já arranjou a solução.

    O PS teve muita sorte com sócios tão inteligentes.

    Ouvi há momentos na SIC Notícias.

  2. A propósito… ou a despropósito, tanto faz:

    Aleluia! Viva o Património Imaterial da Humanidade! De Alcáçovas, hoje, o chocalho! Das Caldas, amanhã, o caralho!

  3. afinal havia outra solução para o bes, mas o governo não esteve interessado. espero que a pasquinada falida e ressabiada com a falta de solidariedade dos pafúncios bote a boca no trombone e revele as cenas que andaram a esconder para a marilú pintar o quadro “sem custos para o contribuinte”. se não for pedir muito, tamém podem contar o arranjinho de última hora entre o massamólas e o primo bonzinho que agora aparece com coleira da haitanga internacional.
    http://ionline.pt/artigo/482881/vinte-fundos-de-investimento-do-bes-estavam-dispostos-a-recapitalizar-o-banco-?seccao=Dinheiro_i#close

  4. de facto, two cents, qi p’ra cá e qi p’ra lá, psicometria, e faltam as outras todas do Gardner. então acrescento que falta, igualmente, uma definição objectiva de inteligência. estado da arte, quero ver o estado da arte do estudo. :-)

  5. Antonio Costa em permanentes surpresas.
    Para explicar o inexplicável já recorreu até a um exemplo da “boa” governação. doutor Salazar.

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