Branco é, galinha o põe

O bispo de Angra deu directrizes de voto aos católicos:

O bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, divulgou uma nota pastoral onde destaca a importância do voto, apelando aos católicos que votem “segundo os princípios da doutrina social da Igreja” nas eleições regionais de Outubro nos Açores. […] D. António de Sousa Braga salienta que “não há partidos de Igreja ou da Igreja”, mas refere que “o Magistério assinala critérios e directrizes para cada um votar, em consciência, segundo os princípios da doutrina social da Igreja”. […] A promoção dos direitos humanos e a defesa e proteção da instituição familiar, “fundada na complementaridade homem-mulher”, assim como o “respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas e a proteção dos mais débeis” são alguns dos critérios que os eleitores cristãos devem ter em consideração.

(Açoriano Oriental, 29 de Agosto de 2012).

Os católicos açorianos devem pois votar nos partidos que defendem a família fundada na complementaridade homem-mulher e que condenam a interrupção voluntária da gravidez. Ou seja, os católicos açorianos devem votar nos partidos da direita.

Os bispos do Continente costumam dizer algo muito semelhante, pelo mesmo modo sinuoso e divinatório.

Mas porque será que a Igreja Católica se põe sempre com estas fosquinhas, com estes ademanes, com estas adivinhas de cacaracá, e não diz abertamente aos católicos para votarem na direita?

20 thoughts on “Branco é, galinha o põe”

  1. é para estas pulhices” catolicas apostolicas romanas”, que o governo trabalha! ao dar o privilegio às ipss ligadas à igreja catolica.Esta igreja, está para os governos de direita,como a cgtp está para o dito partido comunista. sempre e sempre , ao lado dos trabalhadores….

  2. A promoção dos direitos humanos…
    defesa e proteção da instituição familiar…
    respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas…
    proteção dos mais débeis…

    Cá para mim o bispo de Angra está a apelar ao voto no PCP!

  3. “Cá para mim o bispo de Angra está a apelar ao voto no PCP!”

    e porque não? ambos têm os mesmos preconceitos conservadores, acreditam em coisas parecidas, têm o mesmo tipo de organização e imagem corporativa, apresentam logótipos idênticos, uns cruzam paus e os outros foices com martelos.

  4. “porque será que a Igreja Católica se põe sempre com estas fosquinhas, com estes ademanes, com estas adivinhas de cacaracá, e não diz abertamente aos católicos para votarem na direita?”

    Faz isso nos EUA. E os principais responsáveis são os religiófobos que o Júlio tão bem parece ilustrar.

  5. Galuxo, os únicos responsáveis pelas decisões da Igreja Católica são os bispos e em última análise o papa.

    Os maiores religiófobos que conheço são religiosos com fobia das religiões concorrentes.

  6. “Os maiores religiófobos que conheço são religiosos com fobia das religiões concorrentes.”

    Conhece pouco, o Júlio. A candidatura republicana, por exemplo, juntou os diferentes líderes das maiores confissões religiosas do país num objectivo político comum. É trágico, é verdade. Mas se não andassem mundo fora hordas de neoateístas que do xingar a religião fizeram a sua actividade favorita nada disso faria sentido.

  7. Ó Galuxo, não me diga que á ateistófobo, que lhe fica mal. Falar de “hordas” também denota fobia religiosa. No melhor pano cai a nódoa. Bem prega Frei Tomás.

    Por que teologia lê vocemecê? Olhe que os papas já não falam da “lepra” da irreligião, como no séc. XIX.

    Que é isso de “neoateístas”, Galuxo? É moda nova? Obama será um, por acaso, para se juntarem assim contra ele tantos líderes religiosos americanos?

    Ó Galuxo, você que sabe a potes destas coisas, explique-me: desde quando é que existe nos States a chamada ‘direita religiosa’? É coisa recente? E explica-se pelo fenómeno do “neoateísmo”? Ganda confusão que por aí vai, Galuxo.

    E como explica, já agora, o ódio mortal e crescente que os fundamentalistas e tradicionalistas cristãos têm ao Islão (e vice-versa)?

    São perguntas retóricas, Galuxo, não se dê ao trabalho de responder a um “religiófobo” que não merece a sua clarividência.

  8. Júlio,
    “Ó Galuxo, não me diga que á ateistófobo,”

    Não sou ateístófobo. Sou neoateístófobo. Ateísmo sempre existiu e existirá. Esta moda nova de zombar da fé dos outros com fervor e insistência dura enquanto os filhos de Dawkins e Hitchens não se derem conta da esparrela.
    Cada um amanhe a sua vida religiosa como quiser que ninguém tem nada a ver com isso. O que me irrita é esta atitude peçonhenta de andar à cata de uma palavra ou de um gesto de um clérigo para lançar uns foguetes.

    “Obama será um, por acaso, para se juntarem assim contra ele tantos líderes religiosos americanos?”
    Não é. Por isso disse que o assunto é trágico.

    “E como explica, já agora, o ódio mortal e crescente que os fundamentalistas e tradicionalistas cristãos têm ao Islão (e vice-versa)?”

    Ódio mortal e crescente existe entre todos os fundamentalistas, sejam religiosos ou ateístas. Quem ler os blogues dos membros da Associação Ateísta Portuguesa e disser que não vê ali ódio mente.

  9. “Não sou ateístófobo. Sou neoateístófobo.” (Lucas Galuxo)

    Essa faz-me lembrar os que já não tem estômago para ser anti-capitalistas e se dizem contra o “neoliberalismo”. Também navega nessas águas?

    Dawkins e Hitchens? Muito bem, caro Galuxo, sou leitor deles e admiro-os. É pecado? Você confessa incréus? É que já não me confesso desde os 13 anos.

    Criticar a tortuosa posição política de um bispo é uma atitude “peçonhenta” de “catar” clérigos? Ora sebo, Galuxo.

    Regozijo-me do seu alegado anti-fundamentalismo, mas olhe que você se calhar confunde o conceito, como Monsieur Jourdain, que não sabia que fazia prosa…

    Se sou ateu ou não, “ninguém tem nada a ver com isso” – como você preconiza, e bem. Então porquê essa sanha contra quem não quer deus? Será que afinal você sempre quer ter alguma coisa a ver com isso?

  10. Se sou ateu ou não, “ninguém tem nada a ver com isso” – como você preconiza, e bem. Então porquê essa sanha contra quem não quer deus?”

    Você não entendeu, Júlio.
    Não é sanha nenhuma contra quem não quer deus. Eu nem lhe disse se o quero muito ou pouco. É aversão a quem descobriu modo de vida em escarnecer de quem o quer de uma maneira diferente da sua. Há disso em todo o lado, atrasadamente era mais fácil observar em religiosos, nos nossos dias em ateus. Desde que entrou nesta casa, reparei você que gosta de molhar o bico. Como diz Michael Shermer, outro dos seus gurus, isso com o tempo passa.

  11. Esta história do bispo de Angra, da ‘complementaridade homem-mulher’, é curiosa e actual.
    Lembram-se das manifestações de há poucos dias, na Tunísia, contra a intenção dos islamistas, em maioria no parlamento, de não considerar incluir na nova Constotuição, a ‘igualdade homen-mulher’ mas sim a sua ‘complementaridade’?
    Les bons esprits se rencontrent.

  12. Obviamente, Galuxo, que Michael Shermer é outro espírito crítico que muito admiro. Poderia juntar-lhe Carl Sagan, grande cientista agnóstico que reconhecia o papel positivo da religião, principalmente como fonte de consolo para muitos seres humanos que dele necessitam, e admitia a possível grande utilidade das suas funções comunitárias e sociais.

    Não sei o que você pensa, Galuxo, mas o seu frasear displicente sobre os infiéis, os seus estereótipos sobre os ateus e o ateísmo não auguram nada de bom. Você não sabe falar da irreligião e da descrença senão com invectivas e caricaturas. Aprenda, ao menos, com Carl Sagan a aceitar e valorizar aquilo com que não concorda.

    Aprenda a distinguir entre religião e aquilo que alguns dos seus supostos representantes por vezes fazem e dizem, que não merece senão o escárneo.

    E aprenda a compreender a crítica, o cepticismo e (com um pequeno esforço) a ironia como fontes de sapiência.

  13. “Você não sabe falar da irreligião e da descrença senão com invectivas e caricaturas. Aprenda, ao menos, com Carl Sagan a aceitar e valorizar aquilo com que não concorda.”

    Eh eh eh, lá ironia como fonte de sapiência não lhe falta, Júlio. Troque as palavras irreligião e descrença pelos seus opostos e verá como a sua frase se aplica abundandantemente aos seus profetas. É até o que os define.

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