As responsabilidades do PCP e do Bloco

A primeira e última vez que o PS e o PCP celebraram uma espécie de acordo foi em Setembro de 1973, em Paris. Chamava-se “Comunicado conjunto” e preconizava a unidade na acção de comunistas e socialistas em prol de três grandes objectivos políticos: a “liquidação da ditadura fascista e a conquista das liberdades democráticas”; o “fim da guerra colonial e o início de negociações” com vista à independência das colónias; enfim, “a libertação de Portugal do domínio dos monopólios” – o que, nesta matéria, sugeria a adopção pelos socialistas do jargão leninista do PCP. O inspirador do acordo terá sido o socialista Mitterrand, que no ano anterior tinha acordado num “Programa comum” do PS francês com o PCF e os Radicais de Esquerda.

Com a queda de Caetano em Abril de 1974, a aproximação esboçada em Paris entre o PS e o PCP entraria brevemente a definhar, vindo à tona tudo quanto profundamente os separava política e ideologicamente. A ruptura total entre socialistas e comunistas, consumada em 1975, manteve-se praticamente durante os últimos quarenta anos, recheada de episódios assassinos, gerando uma perene divisão da esquerda que se foi revelando uma eficaz apólice de seguro para a direita. Notáveis excepções foram o apoio decisivo de toda a esquerda, incluindo os comunistas, a Soares na segunda volta das presidenciais de 1985 e a recusa do PCP em inviabilizar a formação de vários governos minoritários do PS, para o que teria bastado apresentar uma moção de rejeição do programa de governo, que a direita teria aproveitado para votar, ou alinhar numa moção apresentada pela direita. O PCP foi obrigado a actuar assim, de tal modo era óbvio para os eleitores comunistas que, se o PCP não procedesse desse modo, a direita governaria ou Freitas do Amaral seria eleito presidente. No poder autárquico, porém, houve uma aliança notável entre PS e PCP, em Lisboa, de 1989 a 2001, que em 2009 António Costa considerou “inspiradora”.

Estamos agora numa situação só parcialmente idêntica àquelas em que, no passado, o PCP contribuiu para derrotar a direita. O Bloco tem agora mais deputados do que o PCP, mas isso não retira aos comunistas o poder de decidir. Diferença mais notável está em que, caso o PCP não contribua eficazmente para um governo de Costa, a composição do parlamento eleito manter-se-á a mesma, tornando a vida difícil ou impossível a um governo de direita que queira continuar na mesma senda que o anterior. Mas, nesse caso, o PCP deve saber que estará a empurrar o PS para negociar com o PSD a viabilização do governo da coligação – ou, caso isso não resulte, a encorajar Cavaco e os golpistas da direita a tentarem outras soluções.

Se o PCP e o Bloco quiserem contribuir eficazmente para um governo chefiado por Costa, vão mesmo ter que se empenhar nisso a fundo. O PCP não pode limitar-se a afirmar que não votará moções de rejeição ou de censura ou a declarar da plateia que “o PS só não será governo se não quiser”. Costa não quer ser primeiro-ministro a todo o custo e recusará certamente governar com um apoio precário e condicional no parlamento, que o tornaria presa das chantagens do PCP ou do Bloco e o forçaria a demitir-se na primeira situação de impasse. A verdade, neste momento, é que o PS só não será governo se o PCP e o Bloco não quiserem.

25 thoughts on “As responsabilidades do PCP e do Bloco”

  1. Esperemos que sem ESQUERDALHA, meu caro. Caramba, não me ponham Charros e ténis a governar nem bostas teimosas e ditadoras…( se bem que o ex44 anda a tratar da cama de alguém…ele até faz monólogos e tem os direitos políticos intatos…)

  2. PROF. MARCELLO CAETANO. Grande PROFESSOR. GRANDE JURISTA. Um génio. Como Salazar. Caramba, já não há gente assim…não há. E o pior é que estes COMUNAS ESQUERDALHAS que discutem CRP´s e etc´s vão todos BEBER ( não é vinho, ó acrobatas de aldeia) à doutrina de tão ilustre professor…Mas nada dizem…o homem foi ostracizado…tão a ver e parece mal falar bem dele…MAS MOI, MOI JE PARLE bien de cet homme…Desculpem lá o français de la Sorbonne…pago por mim…sem amigos generosos, ok?

  3. Espere pelo fim das negociações. Por enquanto não vale a pena dizer muito senão que Catarina Martins precisa de saber ter mais calma e ser menos “Paulo Portas” nestas negociações.

  4. ò joãozinho, a moçinha está a roubar protagonismo ao avôzinho? paciência… decidam-se, é capaz de não haver próxima tão cedo e quando houver, já não há pcp. e não se esqueçam do papelinho assinado, essa coisa da palavra dum comunista valer tanto como um papel assinado é para acabar com os notários de vez.

  5. Carlos César, pá, vais voltar a ter chauffeur na Avenida de Roma…pá, olha que a insularidade não era lá muito …desejada, mas enfim, era o emprego…caramba que INÚTIL! MEDONHAMENTE IGNORANTE e PATÉTICO. O voto dos gajos San Diego e alentours não voltas a XUXAR!

  6. Mais um idiota consumado, este césar aqui da caixa, que não sabe o que é um acordo político feito com lealdade entre as partes precisamente para ser consistente e duradouro. Tentar sacar protagonismo para o seu partido em cima dos demais não parece ser o melhor caminho para cimentar confiança – felizmente, no entanto, que nem todas as partes são burrinhos como o cagarolas do césar aqui da caixa e como a precipitada Catarina e conseguem resistir a entabular um conflito público de protagonismos quiçá capaz de dar moral a Cavaco para nomear um governo de gestão. Há dois adultos na sala, o PS e o PCP e há um adolescente.

  7. joãozinho, toma nota, vou repetir:

    decidam-se, é capaz de não haver próxima tão cedo e quando houver, já não há pcp. não esqueçam o papelinho assinado para o cavaquinho não alegar falta de garantias.

    agora escreve isto 200 vezes no caderninho antes de voltares a bolçar palermices que te injectaram atrás da orelha.

  8. João.
    3 DE NOVEMBRO DE 2015 ÀS 21:51Há dois adultos na sala, o PS e o PCP e há um adolescente.»

    Portanto, estamos feitos. Aqueles adultos são de ideias fixas e não pretendem mudar. Quando assim é, estamos perante adultos burros, e burro velho não aprende línguas…

  9. Burro, tu não sabes o que está em curso nas negociações, não sabes em que ponto estão, nem sabes ainda que exigências poderá colocar Cavaco para indigitar Costa e portanto sequer sabes os vários cenários que podem ter que ser acordados em vista dessa incógnita antes de assinar alguma coisa. O César líder parlamentar não está a falar para dentro das negociações – a não ser que tenha perdido o tino – ele está a falar para os assisistas do PS. Capisce?

  10. Já percebi de onde vem este tolo do césar aqui da caixa, ele vem do título no DN “PS avisa PCP e BE: sem acordo não há moção de rejeição. O papalvo ainda não entendeu que é um título não de César contra o PCP e o BE mas do DN contra o acordo das esquerdas. Tem um anzol espetado na boca e nem percebe.

  11. olha joãozinho, se não houver papelinho esta semana, não há chumbinho prá semana. já perceste ou levas para casa e escreves 400x no caderninho. vê lá se o senhor césar te põe a contemplar um ângulo recto da sala com umas extensões auditivas tipo zé rodrigues dos santos.

  12. Quem se está a opor ao acordo e ao papelinho, para além da vasta maioria da malta chamada à comunicação social e da qual o césar aqui da caixa é um idiota útil, é o pif e uns leitões do PS. O resto e a descrição dos negociadores para não precipitar uma debate que terá de ser posterior ao, ou pelo menos em conjunto com, o debate do programa do puf.

    Faz assim, tem calma. O PCP e o BE estão a negociar com a direcção do PS e não com o Assis e o seu grupo. Precipitações só servem aos opositores do acordo.

  13. tá bem joãozinho. esperemos que o espresso da próxima semana não revele que o pcp andou a negociar ao mesmo tempo com ps e páfuncios.

  14. Foi pena António Costa não ter ganho mesmo que fosse por “poucochinho”.

    É que as têvês estão sempre a mostrar as “pombinhas da Catrina” e secundarizando António Costa, o que não é bom para ninguém.

  15. Eu gostei foi do período composto

    o PS só não será governo se o PCP e o Bloco não quiserem.

    Composto por Subordinação: ocorre quando é constituído de um conjunto de pelo menos duas orações, em que uma delas (Subordinada) depende sintaticamente da outra (Principal).

    Por Exemplo:

    Não fui à aula porque estava doente.
    Oração Principal Oração Subordinada

    No caso do Júlio fica assim :

    Não fui à aula, porque não estava doente .

    A forma correcta

    o PS só não será governo se o PCP e o Bloco quiserem ( subentende-se, quiserem que não seja governo )

    Desculpem o preciosismo mas a Educação é o maior matrimônio de uma Nação, para mais uma que tem a capital em Luiz Boa ?

  16. Rolando,

    Estou em desacordo. Trata-se do uso de uma dupla negativa para efeito de ênfase e nesse sentido correcto e até previsto formalmente.

  17. Rolando Cais da Rocha,
    Não me convences com esse preciosismo. A forma que tu consideras correcta é ambígua e difícil de entender.
    Considero que a minha frase está correcta, dado aquilo que deixo implícito (entre parênteses):

    o PS só não será governo se o PCP e o Bloco não quiserem (que ele seja)

    Aliás, limitei-me a fazer uma frase nova a partir da frase dita por Jerónimo de Sousa, como se pode depreender do post. Pode ser que o Jerónimo não seja um barra em português, mas neste caso percebe-se perfeitamente o que ele quis dizer.

  18. A gramática, a gramática, caramba, é cada erro de gramática…Ó meu caro aceite a correção. Caramba isto faz-me lembrar os «tipos que metem o nunca e o não e o nem na mesma panela»….

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