Uma terra sem blogues (de novo)

Ainda algumas anotações, para os amantes da estatística, sobre a blogosfera holandesa.

1. O título do post original, «Uma terra sem blogues», era uma alusão cultural (porventura demasiado subtil), não um dado estatístico.

2. A cada nova estatística, estes dias aqui aduzida, sobre os blogues em neerlandês, mais nítido se me tornou que, na Holanda, a blogosfera NÃO VIVE. Há imensos blogues? Seiscentos mil? Será a realidade subestimada, e são um milhão? Seja. E todavia, comparando com o nosso estremecido Portugal, É COMO SE NÃO EXISTISSEM. Quase não têm significado social, cultural. Mesmo gente culturalmente empenhada tem dificuldade em perceber o que possa ser isso de um «blog» ou um «weblog». O termo, de momento, não se lhes agarra a nada na mente.

3. É, talvez, significativo que o termo «blogosfeer», que nada impede de funcionar em correntio neerlandês, quase só aparece em contextos de… marketing.

4. No arquivo do diário NRC (digamos, o «Público» holandês) aparecem as seguintes referências à blogosfera:

Blogosfeer, 20-04-2006
Elke seconde komt er een weblog bij, 06-08-2005
De nieuwe Orwell, 27-05-2005
Het slagveld van de waarheid, 24-12-2004
‘Rathergate’ en de oude media, 07-10-2004
Veel te verliezen, 07-10-2004

Isto é, em dois anos e meio, o termo (não só o tema, mas o termo, a palavrinha) apareceu apenas seis vezes: três em 2004, duas em 2005 e uma neste corrente 2006. E esta última vem na secção de… Economia.

Moral: não se criou ainda, na Holanda, qualquer noção da blogosfera como comunidade cultural. Um «Aspirina B» (ou um Barnabé, ou um Abrupto, ou um Blasfémias, ou um Da literatura, até mesmo um Esplanar) seria, de momento, coisa impensável. Mas, sobretudo, não sei como se tornaria ela realidade. Necessitaria de uma dinâmica. Que não vejo desenhar-se nem sei que caminhos seguiria.

Sobre isto, e sobre a viva blogosfera portuguesa, reflecti um pouco no post original. E a minha perplexidade foi, aí, compartilhada por vários comentadores (inclusive blogueiros), que também conhecem o meio holandês. A perplexidade continua.

48 thoughts on “Uma terra sem blogues (de novo)”

  1. Luís Oliveira,

    Suponho que pretendeu dizer «think tanks». Resposta rápida (depois virá, talvez, outra): a Holanda inteira é um grande «think tank». Fisicamente, todo o Oeste deste país é uma grande obra de engenharia. Só se a consegue quando há uma grande reflexão nacional, com debate e estabelecimento, ou aceitação, de prioridades.

    Mais concretamente: um deputado municipal do Leste, aonde o mar nunca chegará, tem de concordar em que se gastem biliões para que o seu colega do Oeste, abaixo do nível do mar, mantenha os pés secos. Solidariedade nacional? Decerto. Mas essa faz-se com um longo e aturado debate em que todos pensam. E isto já de há séculos.

  2. O serviço de pesquisa no arquivo electrónico do Público (digamos, o “NRC” holandês) reporta o termo blogosfera 7 vezes, no período iniciado em 7 de Outubro de 2004:

    – 10 sítios na nova Web, 2006-04-16
    – Criada agência de blogues para fornecer conteúdos para jornais, 2006-04-11
    – Estudo indica que a blogosfera é lida por uma minoria de cibernautas, 2006-02-28
    – Tribunal absolve autor de blogue acusado de divulgar matérias do processo Casa Pia, 2005-11-14
    – Publicidade quer conquistar consumidores através dos blogues, 2005-11-05
    – Dicionário de campanha a três semanas do fim, 2005-02-03
    – Jornalista do “Expresso” lança estudo sobre notícias na Internet, 2004-11-29

    O Google, esse grande promíscuo que vai com todos e todas, não é mais generoso do que isto.

  3. Ex-marido,

    Um leitor do «Mil Folhas», e, particularmente, de Isabel Coutinho sabe que das duas uma: ou o arquivo do «Público» não comporta aquele suplemento, ou Isabel Coutinho combinou consigo mesma (coisa perfeitamente admissível) nunca falar em «blogosfera».

    P.S. E ainda estamos só nas estatísticas, já reparou?

  4. A sua questão, que é inteligente, está a levá-lo por bom caminho. Agora é só fazer como a moleirinha.

  5. Por acaso tinha a ideia contrária, a de que os blogues se encontravam em expansão por vários sitios. Mas se pensarmos bem, a nossa blogosfera também não tem (ainda) tanta força quanto isso. Continua a ser um comunidade, sim, mas ainda bem fechada, com apenas alguns salpicos. Sempre em crescendo, sim, mas muito devagar.

  6. Olá !
    Ó Venâncio, você é teimoso…não quer dar-se por vencido, não é? Tem razão, eu também não gosto, e vai daí voltamos à estaca zero.
    Aos que agora chegaram e que ainda hão-de chegar (ao menos estamos a fazer audiência, com esta desgarrada acesa, ora agora cantas tu, ora agora canto eu) aconselho, insistentemente, o poste anterior que dá pelo título “um país sem blogues” mas o mais substancial está nos comentários e no último comentário, que lá está, que foi a minha pessoa, com o meu amaldiçoado nick e inimitável avatar, que o lá pôs com todas as letras e números.
    Agora este novo post, para nos dizer que se tratava de uma “alusão (porventura demasiado subtil) e não um dado estatístico”, que superior subtilidade, realmente, não estamos à altura, é só pérolas a porcos, mas remetía-nos para uns vagas apreciações que necessitavam do esclarecimento dos números, porque ocupar posts, sem saber do que se está a falar, é como o que fazem os jornalistas deste país, que dizem por vezes não importa o quê, sem investigação, nem se dão ao trabalho de fazer verificações (há excepções, mas são as excepções que fazem as regras, e, isso, o sr. professor sabe).
    Podia ter dito que os holandeses não se interessam muito por blogues porque andam muito de bicicleta, plausível, mas nas estatísticas que já estão no outro post, sabe-se que os holandeses são dos europeus que mais utilizam a teia (WWW), só na Europa estão em segundo lugar depois da Finlândia. E blogues, ontem dei-me ao trabalho de consultar os das listas dos aderentes ao movimento liderado por Loïc Lemeur. Há coisas muito interessantes.
    Mas aonde tem razão, é que blogues como os que citou, só em Portugal, em contra partida, os leitores destes blogues são sempre os mesmos, e todos se citam e se enviam flores e se tratam como comadres e compadres. Aqui impera a opinião, noutos lugares imperam os factos. Eu prefiro os factos para poder formar a minha própria opinião.

  7. Ó e-konoklasta,

    Então eu digo, para quem não tivesse reparado, que o TÍTULO do post, «Um país sem blogues», era uma alusão cultural e não um dado estatístico, e vem você agora fazer-me de parvo, e sugerir que eu o teria afirmado do CONTEÚDO do post? Você sabe realmente ler?

    E depois, o «esclarecimento dos números», e-konoklasta? Você continua a pensar que, na existência cultural holandesa (que é do que se tratou sempre aqui), a blogosfera tem algum peso?

    Se você acha que tem, diga-o, para nós sabermos de uma vez. «Eu prefiro os factos para poder formar a minha própria opinião», escreve você. Mas que opinião, senhor? Diga-nos o que é que você sabe da vida cultural e social holandesa, real, de hoje, e da relevância da blogosfera nela. Caso contrário, a minha conversa consigo acaba aqui.

  8. Os holandeses nunca foram um país de grandes letras, nem os escritores tidos como seres imortais. E portanto haver um milhão de ávidos leitores, escritores, aspirantes, críticos, jornalistas delirantes e coisas do género, não é coisa que passe naquelas cabeças amarelas, muito mais dados a tudo o que é “visual”, por tradição e por indústria.

  9. Plem,

    «Os holandeses nunca foram um país de grandes letras», escreve você.

    Bom, o que é que você achou do que leu de Mulish, de Reve, de Hermans, de Komrij, de Van Dis, de Grunberg, de Bernlef, só para falar de alguns consagrados recentes?

    Ou outros que conheça, claro.

  10. Tenho seguido esta discussão com bastante interesse já que sou uma estudante que vive na Holanda. Como tal, posso apenas falar acerca da minha realidade. E essa diz-me que cada vez que menciono a palavra “blog”, os meus colegas ficam a olhar para mim como se um palavrão tivesse saído da minha boca. Ora, de facto eles são um dos povos que mais utilizam a internet (e que têm um sistema bastante desenvolvido), mas, com certeza, será para outras coisas que não os blogs.

  11. MJ,

    Boa tarde. Já somos quatro. Agora só falta o e-konoklasta.

    [Escrevo isto, enquanto vou traduzindo – aqui ao lado, se num computador houver ‘lado’ – alguns belíssimos poemas neerlandeses. Ah, esta vida de tradutor! E está lá fora o excelente tempo que se sabe, não é, MJ?]

  12. Será apenas impressão minha ou na Holanda lê-se, e compra-se, jornais? Falo, claro, de jornais a sério e não de pasquins e folhetins macacóides, que disso também cá temos a rodos.

    Se a resposta a esta minha questão é afirmativa, então creio que não será alheia à pretensa escassez de blogues. Haverá porventura mais espaços condignos, e com visibilidade, para quem quer vender e comprar opinião, para quem quer vender e comprar informação.

    Mas não afirmo nada — pergunto.

    Até já.

  13. A questão dos blogues é inequivocamente uma das mais interessantes da sociologia moderna.

    Tão perto da realidade como da pura e simples ficção, vivem em literal não viver: não são tocáveis mas estão lá; não são palpáveis mas mexem; são, na verdade, um mistério nascido para não ser resolvido.

    Eu, pessoalmente,confesso-me viciado neles – porque contêm letras, porque contêm divagações, porque contêm sapiência; mas acima de tudo porque têm pessoas dentro. E eu, queira ou não, ainda gosto de pessoas.

  14. Plem,

    Você não precisa de conhecer nenhum escritor holandês. Mas convinha, nesse caso, não afirmar, como fez, «Os holandeses nunca foram um país de grandes letras».

    E sobretudo: não venha com perguntas retóricas, e até algo parvas, como «Porque será que não conheço nenhum?», sugerindo, suponho, que eles lhe são inacessíveis (se é que não sugeria que eles eram, pura e simplesmente, dispensáveis). Em boas, e mesmo em razoáveis, livrarias portuguesas encontrará obras deles. Uma ou outra até traduzida cá pelo Degas.

  15. Parece, então, acertada a sugestão original de FV: a blogosfera holandesa não tem um peso importante na vida deles (comparando com a nossa), embora discutam muito e cultivem a opinião.
    Mas fica por averiguar a questão original: “Será a blogosfera, então, um índice de subdesenvolvimento?
    FV. responde que se acha ‘longe de supô-lo’.
    Eu não seria tão lesto. Lembraria que os últimos vinte anos trouxeram à grande parte da sociedade portuguesa, pelo simples favor de ignotos deuses, um nível de consumo, uma disponibilidade de meios e horizontes, e um conjunto de benesses materiais de que a esmagadora maioria nunca dispôs. E nós pudemos acompanhar a evolução rapidíssima que ao mesmo tempo se deu nestas tecnologias. Ora, quem chega a um mundo onde já há bicicletas, não se põe a inventar a roda! Monta-se numa delas… e é só progresso!
    Mas livros, entre nós, não se lêem, uma mísera percentagem de nós sabe que existem!
    A febre dos telemóveis é um sinal de progresso?
    A electrónica a comandar à distância os bilhetes de autocarro é uma decisiva prova de civilização?
    Creio que uma coisa é o desenvolvimento, a cultura, o grau de civilização que um povo constrói e atinge. Outra bem diferente é o maravilhamento perante a novidade tecnológica, o ar basbaque perante um conceito de ‘progresso’.
    “Ó patego, olha o balão!” ouve-se desde há séculos.

  16. Caro Fernando,

    As estatísticas não metem, apesar de algumas vezes induzirem os analistas em erro, contudo, como aluno, faço uma pergunta ao professor:

    Imagine-se a morar em Amesterdão, lá paras os lados do Singel por exemplo. Se puder ir à Bimhuis as terças, ao De baile à quinta e passear de barco pelos canais ao Sábado… acha que precisa de bloques para alguma coisa?

    Ou por outra, quem dimensão acha que a proliferação de bloques poderia mudar a já por si altamente bem educada, formada, esclarecida e conservdora sociedade holandesa?

    Filipe

  17. – As motivações do senhor Fernando Venâncio são muito mais de ordem moral que metafísica. Ele define-se, antes de mais, pelo temor de um líder antropomórfico, obrigado por um determinismo intemporal e, por conseguinte, como o próprio Fernando, senhor a cada instante dos seus actos e das suas respostas. O senhor Fernando sofre, porque está disvirtuado pelo uso excessivo do verbo, e já não consegue obter a adesão dos leitores. O seu pensamento está constantemente voltado para uma exasperação moralista da noção de certo, levando-o a uma desconfiança profunda não só em relação ao mundo, como a si próprio. É, literalmente, um pobre de espírito!

  18. Caro Fernando,

    Por outro lado caro parece-me que quando se fala em bloques como o Aspirina, Blasfémias, Semiramis ( que Deus a tenha)… estamos a falar de bloques de opinião , certo? Comentar aqui e ali o facto tal, ensair, criar polémicas…
    É disso que estamos a falar, certo?

    O problema é que nos bloques somos uns desbocados em frente das teclas… aqui ( na holanda ) fala-se olhos no olhos… , e discute-se muita coisa, dentro e fora das aulas… raro é o Dutch que não tem um opinião formada sobre a maioria dos assuntos correntes, e estão bem informados, felizmente ou não, não há muito o chamado jornalismo de antecipação que ainda hoje irritou o Freitas do Amaral…
    Mais, dada a quantidade de blogues que proliferam em Portugal, está na hora de exigir qualidade…
    De diários, então falemos do da Ann Frank… ou o de Zlata…

    Filipe

  19. Caro Fernando,

    Quem está ligado a uma cultura particular, por algum motivo, tem obviamente uma visão mais detalhada de um país, mas não me venha dizer que a Holanda é um país tão nitidamente “de letras” como são outros, porque não é. Para quem os observa como observa outros, é nítido que não é.

    Não estava a insuniar que as letras holandesas são irrelevantes. Concerteza não serão, mas pode apostar que são grandemente desconhecidas, ao contrário das Arte, Arquitectura e Design, que são produtos sobejamente conhecidos. Foi isto que eu quis dizer, e mostrar que por estas razões não estranhava a inexistência de uma blogosfera.

    A minha pergunta era não era de retórica. Quanto a parvoíce, admito que seja, mas acrescento que o seu tom não abona muito a seu favor.

    Se calhar os holandeses têm poucos blogues, porque não precisam de se armar em críticos e grandes intelectuais. Ao contrário do que sucede por cá.

    E traduza lá umas quantas obras-primas flamengas. Pode ter a certeza que leio.

    Passe bem.

  20. Aliás, gabe-se o bom senso holandês.

    Quando temos blogues como o Da Literatura, Mundo Pessoa, e centenas de outros do género que opinam sobre tudo o que mexe, desde futebol, política interna, bombas no iraque, diplomacia, arquitectura, política externa, economia, arte, fotografia, ofícios da segurança social, gestão pública, broncas do poder local, a lusofonia, a homossexualidade, o aborto, a energia nuclear, os sapos do Graça-Moura, gajas, prémios e coisas assim, o que se deve pensar?

    Que estamos perante malta que sobretudo quer ser ouvida. Por algum motivo. Sinceramente não estou a ver um holandês (a maioria dos que conheço são pouco expansivos), a gostar deste Carnaval intelectualóide.

  21. Estive sem net, e não pude intervir mais cedo, mas vejo que “PLEM” já chegou à mesma conclusão que eu… arrogância não lhe falta Venâncio, nem aos intelectualoides portugueses.

  22. mas o que é que estes caralhos querem?

    O Venâncio faz um post em que se interroga acerca da escassez de blogues na Holanda em comparação com o que se passa por cá e estes tipos dão em cascar-lhe sem explicarem o motivo.

    Qual é o azar ó palhaços? Se ele dissesse que havia mais blogues na Holanda ficavam contentes?

    Se dissesse que somos os maiores à custa de merdas como vocês batiam palmas?

    que raio de trampa há nesta terra que só sabem desconversar e chamar estúpidos aos outros…

    Querem mostrar as vossas habilidades, já agora, para compararmos todos as pilinhas? ora mostrem lá as merdas que vocês escrevem para a gente ver se não têm mais razão os outros em não perder tempo com isto.

  23. mas se ele não fosse intelectualóide e fizesse postes para vocês intervirem o que é que faziam? intervinham nas vossas merdas? alguém conhece as vossas merdas para querer intervir?

    caralhos de uma pôrra

  24. Ora perguntai lá ao Venâncio se não é assim. Os holandeses quando não estão a cavar ou enxertar túlipas estão a fazer barragens! E nos intervalos fazem literatura e arte! Podem ir ao fundo mas vão cultos. Não é como a merda destes tugas que só fazem merda porque vivem acima do nível do mar.

  25. Plem,

    Desculpe lá isso da parvoíce. Agora compreendo o seu ponto de vista. Queria você dizer que não é nas letras que os holandeses mais brilham. Mas ao exprimi-lo nos termos em que o fez – «Os holandeses nunca foram um país de grandes letras» – você também não facilitou as coisas.

    Quanto ao «Carnaval intelectualóide» que você vê na blogosfera portuguesa, tranquilize-se. Enquanto houver opiniões, estamos num mundo muito aceitável. Garanto-lhe que a Universidade portuguesa é pior, em auto-suficiência, em vénias (exteriores, endenda-se) aos mestres, em alergia a ousadias. Viu algum apoio de algum universitário a JPGeorge vs MRP? Se viu, diga-me, porque quero publicitá-lo aqui.

    Benjamim, Mestre André,

    Eu usaria outros termos. Mas percebo a sintonia.

    Filipe,

    Eu não moro para os lados do Singel [um dos canais concêntricos de Amsterdão, e o mais interior], mas é como se morasse. Vejo-o todos os dias do meu gabinete. Será por isso, e cem outras coisas boas, que os numerosíssimos blogues holandeses não têm qualquer relevância na vida cultural do país? Talvez. Facto é que, se falo (e já nem falo) aos meus colegas no que, neste exacto momento, estou a fazer, eles me acharão – porque são simpáticos – uma espécie de tolinho da aldeia. Não sou. Julgo que não sou. Mas não existem referências comuns para lho explicar, a eles, devidamente.

    Gato Félix,

    Quanto aos holandeses, diz bem. Mas viver acima do nível do mar não é nenhuma condenação. Admiro os holandeses, certo. Mas do que eu me orgulho é dos tugas. Só sou é muito exigente com eles. E isso em Portugal parece, eu sei, arrogância. Aceitarei o preço.

  26. Dos ‘tugas’ o importante não é viverem acima do nível do mar, mas sim acima das possibilidades.

    De resto, apenas parte da Holanda está abaixo do nível do mar. Os Holandeses fizeram diques (“God made the the World and the Dutch made Holland”); nós, nem por isso — somos é uns dicks do caraças…

    Até já.

  27. Fernando,

    Peço desculpa também se o meu tom não foi apropriado também (sobretudo sobre a nossa blogosfera; irritei-me um bocado).

    Mas era isso que eu queria dizer, de facto. Sou franco: depois do seu post foi dar umas voltas pelo google à procura de uma história da literatura holandesa e, por exemplo no artigo da Wikipedia, percebe-se talvez o porquê de se ouvir falar pouco das letras holandesas: ao longo da sua história, os tipos tiveram um problemão dos diabos por causa da língua, anexações daqui e dali, disputas com os alemães por causa das obras fundadoras, etc, etc. Tudo isso atrapalhou o desenvolvimento das letras nos Países Baixos. Só relativamente tarde se desenvolveu alguma escola literária, ao contrário das Artes que se desenvolveram (e sabemos bem a que formidável nível) relativamente cedo. Não sou eu que afirmo: são as enciclopédias.

    O que eu queria dizer é que a tradição cultural determina um pouco, se calhar, o tipo de blogosfera ou de pessoas à volta de uma comunidade qualquer.

    Paz!

    Boa noite!

  28. Plem,
    Tem mais “atenção” do Fernando, com as suas desculpas, do que eu. Esse senhor permitiu-se “olhar-me de alto” dizer-me não só que não sabia ler, como, que dizia parvoíces e outras do género. É muito triste este espectáculo de alguém, que antes de não respeitar o contraditório, não respeitar antes de tudo o outro, os outros. Deixarei de comentar os artigos do Fernando, porque não só não têm grande interese e são algo confusos, como este senhor se pensa dono duma verdade que é a sua e não respeita quem aqui vem para participar no debate e fazer avançar a discussão. Tenho mais que fazer, com outros participantes aos posts deste blog, como de outros blogs e acima de tudo dos meus próprios blogues.

  29. Pois… isso não sei.

    Calhou passar pelo Blog, ver o post e comentar. Não estou por dentro do que se passa neste blogue, que posição têm as pessoas, mas que de facto há assim um tom meio ríspido há.

    Enfim. Também me vou embora. A blogosfera não me convence. Embora a ideia seja porreira, dá azo a irritações. A mim tem dado e não estou para isso.

    A minha cachimónia não foi feita para tanta informação. Eu gosto de ter os meus pobres 10% limpinhos. São os únicos que tenho disponíveis.

    Adeus a todos e passem bem.

  30. oh. enganei-me… o comentário anterior é meu. escrevi “e-ko” no nome por engano. Queria dirigir-me ao e-konolasta.

    Mil perdões!

    Bye Bye.

  31. ora assim mesmo é que é-não há nada como comentar com os próprios blogues.

    Assim cuidassem outros da poda e já não se desculpavam com a falta dos diques

  32. A única maneira de evitar estas irritações blogosferas é fechar-se no seu blogue, não o publicitar na net, retirar os comentários e depois enviar mails para si próprio a felicitar as postas.

    Há quem o faça e se dê por muito contente.

  33. Do ácido – que já se sabia que era – o tom passou a a boçal e malcriado nalguns comentários! Não acha necessário fazer alguma moderação nos ditos? O estilo dos comentários na blogosfera também merece reflexão, sobretudo pela diferença em relação ao dia-a-dia? O mistério continua…

  34. Politikos,

    Tenho alguma dificuldade em «fazer moderação» (simpatia sua para dizer «apagar») no que respeita a comentários. Pessoalmente, apago sem hesitar o «spam» mesmo «spam». Já hesito quando o «spam» reage com alguma inventividade. Também hesito perante comentários pré-cozinhados, quase sempre ofensivos, quase sempre pacóvios, e vou-os deixando estar (é, parece-me, também a política dos meus amigos e colegas aqui).

    Mas respeito tudo o que seja reacção ou comentário ao post, por mais que me desagrade, por mais que seja um puro desconversar, por mais que seja nítida provocação. Tudo isso pode ser importante para a História. Talvez mais importante do que o meu próprio post. E há um tom «boçal» e «malcriado» (termos seus) que é terapêutico para o autor (e quem sou eu para interferir nesses processos), e julgo até que para a comunidade.

    Já quanto à «reflexão» sobre o «estilo dos comentários da blogosfera», de que você parece sentir falta, porque não a inicia você mesmo? A «fauna» de JPP pode ser um começo. Ele deixou muitas pontas soltas.

    P.S. Veja, para exemplo, o comentário seguinte. Se estiver noutros posts, apago-o. Mas aqui fica. Não é uma delícia? É obra de um indignado profissional, coisa que costuma dar a malta que se diz de Esquerda. Mas ele há, vê-se, mais casos.

    P.S. 2. Esteve, de facto, em outros posts.

    P.S. 3 (16.05 PM). Pois é, acabaram por limpá-lo, a esse, também. Falava duma execução na Somália, em que o filho (de 16 anos) do assassinado matava à facada, e em público, o condenado. Tudo se perde.

  35. Ó gato félix (caso ainda não tenha mudado de telhado):

    O que se passa neste blog é uma coisa portuguesa. Vê-se bem. Mas não é sórdida!

  36. Fernando: estive fora pelo fim de semana (desde sexta feira, vantagens dos dias livres – pelo menos para alguns) e não me manifestei. Não me pareceu necessário. A/O MJ e o filipe participaram de forma interessante e mesmo a discussão com o plem ficou esclarecida (creio) a contento.

    Fico só com a adenda sobre as letras holandesas. Se perguntar a holandeses sobre autores portugueses e terei uma única resposta – Saramago. E será necessária alguma sorte. Com alguns conhecimentos extra salta o nome de Pessoa. No mainstream perguntar-me-ão se Paulo Coelho é português. Nunca ouvi referência a Lobo Antunes, Eugénio de Andrade, Eça ou sequer um simples Camões. É verdade que ando na esfera das ciências, mas faz lembrar que o desconhecimento de autores portugueses por parte de habitantes de outros países não implica um fraca presença da literatura. Por outro lado concordo que a arquitectura ou pintura assumiram um lado mais forte entre os holandeses.

    Já em relação à existência da net, tudo foi dito acima. Está não só presente mas quase omnipresente. Mas sempre de um ponto de vista prático. A discussão assume um lado mais físico, usando salas (e pausas) de café, cafés, ruas ou os clubes “pós-laborais” pelos quais os holandeses se pelam. A blogosfera seria uma redundância.

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