Uma agenda ibérica?

Puxo para aqui o curiosíssimo texto com que Orlando Braga comentou o meu post «Líricos, pobres e ibéricos», um texto que lança sobre o assunto uma luz desconhecida e incómoda. Existirá, então, uma ‘agenda ibérica’ comum a Zapatero e a Sócrates? Ou ela é só de Zapatero, mas Sócrates acha perfeito? Serão as declarações de «profundo iberismo» do ministro dos Transportes, afinal, menos anódinas do que pareceriam? Mantenhamo-nos atentos. E lúcidos. E críticos. Tanto mais que a nossa folclórica extrema-direita já anda cheirando a caça.

Li todos os comentários até agora e muita gente tem muita razão. Conheço muito bem Espanha, por imperativos profissionais; e quando digo que conheço, falo do conhecimento do país de lés a lés, das pessoas, de muita conversa com muita gente, desde o povo menos letrado até a intelectuais de renome.

É verdade que o “iberismo” em Espanha não existe (até há bem pouco tempo), porque o espanhol em termos gerais, ou é contra a Espanha das nacionalidades (integrismo espanhol, extensivo a Portugal), ou é a favor da independência da sua nação (separatismo); não existe, normalmente, meio-termo nesta escolha por parte dos espanhóis. Ora, o Iberismo pressupõe um compromisso entre estas duas hipóteses: resulta daí a ideia do Leviatão Ibérico.

O Integrismo espanhol é tanto de esquerda como de direita; de direita quando expressa no passado pelo “Império” celebrado pelos nacionalistas tradicionalistas (“nacionalismo tradicionalista” segundo o conceito de Fernando Pessoa) e de esquerda por via dos republicanos que sempre defenderam a anexação de Portugal. O separatismo existiu desde sempre. Não foi por acaso que durante séculos o centralismo de Madrid incentivou a “colonização” das nacionalidades peninsulares; hoje encontramos mais andaluzes, galegos, castelhanos etc. em Bilbau do que bascos. A língua galega é proibida nos organismos públicos galegos; o etnocídio galego continua.

Portanto, se a ideia da “união ibérica” das nacionalidades não existiu, é de facto “a novidade política” introduzida por Zapatero, naquilo a que os intelectuais espanhóis (integristas ou separatistas de direita e de esquerda) chamam de “deriva nacional-zapaterista”. O conceito de “união ibérica” segundo Zapatero, consiste no Leviatão Ibérico, independente — na sua dinâmica e ideário — do projecto europeu, embora se aproveite das suas sinergias políticas. É este o novo “iberismo”: a construção paulatina presentista de um supra-estado ibérico, um Leviatão que apague a memória histórica, e que a partir da Ibéria das Nacionalidades, contribua para a unificação ibérica sob uma bandeira e uma língua comum utilitária e civilizacional: o castelhano.

Depois disto, podemos compreender as “concessões” de Zapatero em relação às nacionalidades, podemos compreender os protestos da direita tradicionalista espanhola, e podemos entender que o que Mário Lino disse não foi consequência de uns copos a mais de bom Alvarinho. Teria dúvidas é se Sócrates está metido nesta mistela, mas em política, o que parece, é.

Orlando Braga tem um blogue.

44 thoughts on “Uma agenda ibérica?”

  1. Para quem conhece tão bem Espanha comete um erro de palmatória:

    O que está escrito:
    “A língua galega é proibida nos organismos públicos galegos; o etnocídio galego continua.” é pura mentira.

  2. Parece-me um pouco delirante e conspirativo. Como se hoje em dia, alguém estivesse tanto tempo no poder para ter planos deste género, e os PM’s andassem a telefonar uns aos outros na escuridão da noite a combinar estas coisas.

    Mas fiquemos atentos.

  3. Eu só alinhava numa coisa, mas acho que ninguém quer… Trocar o Algarve e o Alentejo pela Galiza, Asturias e Leão. Isso era a configuração cultural real de um País que devia ter acontecido, mas agora é tarde.

  4. “A língua galega é proibida nos organismos públicos galegos; o etnocídio galego continua.” é pura mentira

    É? No papel não, talvez (aquilo da “co-oficialidade”), mas so faça a prova de ir falando galego num organismo público galego… Experimentem, experimentem a tentar viver as 24 horas do dia em galego na Galiza. E por certo, galego numa norma imposta por “decreto lei”.
    É um asunto de etnosuicídio mais bem… :P

  5. Ainda há dias, uma juíza castelhana (de Madrid) em comissão de serviço em Santiago, recusou ouvir um arguido que falou em galego na sala de audiências. Se isto não faz parte de uma estratégia etnocida, não sei o que dizer…

  6. PÚBLICO, 18-Abril-2006:”A UNIÃO IBÉRICA E A UNIÃO EUROPEIA: REFUTANDO A
    TESE IBERISTA”

    “Não precisamos da integração política ibérica para nos desenvolvermos
    mais depressa, antes ela poderia levar a que se perpetuasse o nosso
    relativo atraso. A subsistência, passado quase século e meio sobre a
    unificação da Itália do desnível de desenvolvimento entre o Mezzogiorno
    e o
    resto do país mostra que a unidade política, mesmo quando acompanhada
    de mecanismos de compensação financeira, pode não bastar para se
    superar
    o atraso estrutural de uma fracção do território.”(texto introdutório)

    PAULO DE PITTA E CUNHA, Professor Catedrático da Faculdade de
    Direito da Universidade de Lisboa.
    (acompanha o artigo um pequeno mapa da Península Ibérica, com Portugal
    e Espanha separados, só com as capitais)
    1. Em recente entrevista concedida a um diário de Barcelona, José
    Saramago declarou-se atraído pela idéia de que Portugal se deveria
    integrar num novo “Estado Ibérico”.
    Ora, ao sustentar a tese iberista está a esquecer-se que os tempos
    não estão propícios para as uniões entre países contíguos. O que
    prevalece é, ao invés, a acentuação de tendências separatistas no
    interior de
    Estados plurinacionais, conduzindo por vezes à desagregação. O impulso
    integracionista existe, mas no âmbito muito mais vasto da junção de
    grande número de países em espaços multinacionais à escala continental,
    como é o caso da União Europeia.
    O Estatuto que foi recentemente votado pelo Parlamento de Barcelona
    não andava longe da independência – o que terá suscitado a reacção do
    tenente-general Mena Aguado, admitindo a intervenção das forças armadas
    espanholas em defesa da integridade territorial do país, se os limites
    constitucionais fossem ultrapassados. Foi de imediato demitido pelo seu
    Governo, mas o facto é revelador da inquietação que se verifica em face
    do ressurgir do espectro do nacionalismo catalão.
    2. Numa época em que a Jugoslávia se desagregou em cinco países e a
    Checoslováquia em dois, em que influentes forças políticas italianas
    advogam a separação radical entre a rica Padânia e a parte meridional
    do
    País e se volta a pôr a hipótese da saída de Espanha por parte do País
    Basco e da Catalunha (ou de repressão da mesma saída), preconizar a
    adesão de Portugal a uma União Ibérica seria remar contra a maré.
    Portugal é, em termos de definição de fronteiras, o mais antigo
    Estado da Europa, estando os limites territoriais consolidados desde o
    século XIII (limites que não sofreram alteração até hoje, salvo o caso
    não
    resolvido de Olivença). A Espanha, como tal, só se formou pela aliança
    matrimonial entre Castela e Aragão, próximo do final do século XV.
    3. O nosso país está unido em torno de uma língua comum, cuja
    presença na Europa coincide precisamente com o território nacional e
    que,
    sendo a língua própria de duzentos milhões de pessoas, rivaliza com os
    trezentos e cinquenta milhões que falam o castelhano. Precedendo a
    Espanha, Portugal lançou-se para a aventura dos Descobrimentos,
    deixando a sua
    indelével marca na História mundial. Não seria admissível o seu
    apagamento numa união a dois, com peso demográfico desigual e poder
    económico
    desnivelado.
    Melhor será conservar as prerrogativas de Estado soberano e
    manter-se integrado numa comunidade plurinacional muito mais vasta – a
    União
    Europeia (procurando evitar que esta, por seu turno, se transforme em
    estrutura federal, na qual, como ficou claro no projecto da Tratado
    Constitucional Europeu, havia fortes probabilidades de os grandes virem
    a
    sufocar os médios e os pequenos).
    4. Mas subsiste o quadro preocupante da “infiltração económica e
    financeira” que a Espanha vem praticando, num envolvimento de que,
    muitas
    vezes, nem nos apercebemos. Esta situação só poderá contrabalançar-se
    com a diversificação das fontes de investimento estrangeiro e dos laços
    comerciais, e por efeito do nosso próprio desenvolvimento. Mas não há
    qualquer factor atávico que nos impeça de alcançar o nível médio “per
    capita” da Europa, que a Espanha está muito perto de atingir e de que
    nos
    encontramos ainda afastados por uma diferença de 25 por cento.
    5. Temos de vencer esta diferença, mas confiando nas nossas forças e
    no poder de decisão das entidades políticas nacionais, não na utopia de
    uma união que já deu as suas (más) provas, quando, no final do século
    XVI e na primeira parte do século XVII, se correu o risco de perda de
    identidade nacional perante a crescente “castelhanização” – a qual se
    foi
    desenvolvendo a partir da situação inicial de união pessoal de duas
    coroas, a que se vieram sobrepor nítidos traços de anexação.
    A fábula do despegamento da península em relação ao resto da Europa,
    que Saramago desenvolve num dos seus livros, já tinha implícita uma
    visão iberista. Ora, a alegação de que Portugal está rodeado de Espanha
    por todos os lados não impressiona: acontece é que, talvez por, em
    rigor,
    só o estar por dois lados, Portugal definiu desde muito cedo uma
    vocação atlântica e marítima e afirmou a sua soberania, com o apoio
    histórico
    em relações directas com outras potências – sobretudo a Inglaterra.
    6. É nas fases prolongadas de desalento e descrença quanto às
    capacidades nacionais de recuperação que, dissipadas as utopias do tipo
    do
    Quinto Império, renascem as propostas de uma fusão ibérica. Ora, se é
    certo que na actualidade alguns dos sintomas daquela descrença se têm
    feito sentir, não é menos que se está, felizmente, bem longe do
    desespero.
    Não esqueçamos que na segunda parte da década de 80 Portugal e a
    Espanha formaram, um a par do outro, os casos de “success story” da
    Comunidade Europeia.
    O período da relativa estagnação dos indicadores económicos e
    sociais portugueses é ainda relativamente recente. As dificuldades não
    podem,
    claro está, ser minimizadas. Para o seu diagnóstico convergem factores
    como a crise do modelo social europeu e o abrandamento da actividade no
    continente; a indisponibilidade de instrumentos de política económica
    inerente à entrada para a zona do euro; o adiamento de reformas
    necessárias à melhoria da produtividade e à consolidação da posição
    competitiva
    do país perante o desafio da globalização.
    7. Não é de excluir que Portugal possa vir a igualar ou ultrapassar
    a Espanha em termos de capitação do produto, ou mesmo atingir, no
    futuro, o nível de outro país de 10 milhões de habitantes, a Bélgica. É
    uma
    questão de organização, de mudança de mentalidades e de reformas de
    estrutura.
    Não precisamos da integração política ibérica para isso, antes ela
    poderia levar a que se perpetuasse o nosso relativo atraso. A
    subsistência, passado quase século e meio sobre a unificação, do
    desnível de
    desenvolvimento entre o Mezzogiorno e o resto de Itália mostra que a
    unidade política, mesmo quando acompanhada de mecanismos de compensação
    financeira, pode não bastar para se superar o atraso estrutural de uma
    fracção do território.
    É de esperar que, deixados para trás alguns episódios e períodos
    históricos de crise e desconforto, o relacionamento entre os dois
    Estados
    soberanos que coexistem na Península Ibérica, e que há vinte anos
    participam no processo de integração europeia, se paute pelo propósito
    de
    conservar “a maior paz e mais concórdia e sossego”, expressos no
    documento de Tordesilhas.

    PAULO DE PITTA E CUNHA, Professor Catedrático da Faculdade de
    Direito da Universidade de Lisboa.

  7. Como é possível citarem aqui um weblog de extrema-direita, do autor ou co-autor ou missionário de abaixo-assinados estupidamente homofóbicos? Jesus, onde isto chegou! Delirante e conspirativo? Tem toda a razão quem o afirma.

  8. É incrível como a extrema-esquerda e a extrema-direita se tocam tão facilmente. Basta arranjar um inimigo comum e…

  9. Su Majestad Don Juan Carlos I es:

    Rey de España, de Castilla, de León, de Aragón, de las Dos Sicilias, de Jerusalén, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valencia, de Galicia, de Cerdeña, de Córdoba, de Sevilla, de Córcega, de Murcia, de Jaén, de los Algarves, de Algeciras, de Gibraltar, de las Islas Canarias, de las Indias Orientales y Occidentales y de las Islas y Tierra Firme del Mar Océano;
    Archiduque de Austria;
    Duque de Borgoña, Brabante, Milán, Atenas y Neopatria;
    Conde de Habsburgo, Flandes, el Tirol, el Rosellón, y Barcelona;
    Señor de Vizcaya, y Molina;

    Descanse, Fernando, Portugal não consta. Cá para mim, quem tem que se preocupar são os Napolitanos porque, se para dar razão ao insigne catedrático de História refutador de teses iberistas “as influentes forças políticas italianas que advogam a separação radical entre a rica Padânia e a parte meridional do País” alcançarem os seus propósitos, não lhes restará certamente outra saída para a orfandade italiana que o regresso à coroa de Aragão… e Israel e a Palestina porque se um dia o Pardo se resolve a reclamar os seus direitos temos o problema do médio-oriente resolvido. Afinal de contas, Jerusalém tem dono.

    Sugiro que enquanto aguardamos, vigilantes e preparados para despenharmos os novos Vasconcelos, lancemos uma subscrição para equipar a Armada para a reconquista de Ceuta, e se sobrarem uns trocos, porque não de Olivença, óbviamente com estes senhores na vanguarda.

  10. este blog bateu no fundo! a citar um blog, o letras com garfos, ASSOCIADO AO PNR!!!! UM DOS PROMOTORES DO ABAIXO-ASSINADO CONTRA O ESQUDRÃO G!! LOL seria ridículo se não fosse profundamente vergonhoso e triste.

    Fernando Venâncio faça-nos um favor e desapareça! olhe, inscreva-se no PNR por exemplo!

  11. Mas que raio de esquerda é esta? Cuja preocupação é Espanha!? Espanha o exemplo progressista! E até se alia a FASCISTAS para escrever sobre os seus medos infantis, credo!

    Quão patético, quão triste, quão podre? Mas que esquerda é esta porra!

  12. Esta caixa de comentários é um chorrilho de mentiras e birras mais ou menos pueris. Portanto, vou aproveitar para assinalar a única verdade que se aproveita:

    “Eu só alinhava numa coisa, mas acho que ninguém quer… Trocar o Algarve e o Alentejo pela Galiza, Asturias e Leão. Isso era a configuração cultural real de um País que devia ter acontecido, mas agora é tarde.”

    Gustavo, eu quero! Eu quero! Na certeza de que todos ganhávamos. E, aqui entre nós que ninguém nos lê, também descartava a Madeira; e se insistissem muito ainda ia mais qualquer coisita…

  13. Para acabar de vez com as ambiguidades

    (em resposta a este post e este comentário do seu autor em particular)

    Para acabar de vez com as ambiguidades.
    1 – Eu não defendo o iberismo que o Fernando Venâncio maiormente ataca e que é apresentado em forma de merecida caricatura em alguns comentários pelos seus próprios defensores.
    2 – Ninguém em Portugal com real peso político e cultural defende este tipo de iberismo.
    3 – Eu me espanto com a fragilidade da identidade nacional portuguesa actual que não é capaz de pensar de forma natural algum tipo de união, formal ou não, mais profunda entre dois países soberanos no contexto da União Europeia, sem que se caia no ridiculo de teses de anexação e no histerismo anti-espanholista primario. Por mais que Portugal viva em crise é país a suficiente tempo e de forma suficientemente vertebrada para que estes medos e esquizofrenias não devessem existir. Holanda não deixou de ser Holanda por um dia decidir fazer parte do Benelux. Nem França deixou de ser França por buscar uma aliança politica com a sua vizinha Alemanha.
    4 – As declarações do ministro são absolutamente normais, e só espantam os obcecados. Deixem-se de cegueiras e leiam o que ele disse sem preconceitos nem histerismos.
    5 – Me assombro sempre que se usa a mentira, o insulto, o ridiculo do outro, fantasiando-o, já que o ridiculo do outro nunca é ridiculo o suficiente, em discursos desesperados com causas absurdas, que revelam mais sobre o estado anímico de quem as defende (não me refiro ao FV em particular, nenhum dos contricantes em cada lado da discussão é, infelismente, caso particular em Portugal) do que sobre problemas reais de quem quer que seja.
    6 – Volto a repetir o meu interesse não é na discussão, bastante tonta em minha opinião, mas no que secretamente, ou nem tanto, a estimula. No que revela sobre quem a discute na forma em que é discutida.

    Como havia dito seria sem ambiguidades.

  14. Delirante e conspirativo,

    O blogue que citei – afora a homofobia, de facto, primária – não me parece, de momento, de uma direita assim tão cavernal. Além disso, foi correcto, apresentando, no atinente ao «iberismo», o meu post como fonte do aviso à navegação.

    Que blogues da direita radical citem Orlando Braga como fonte, ignorando-me, não me afecta nem um bocadinho. A minha guerra é outra.

    Fascistas/Estalinistas,
    Anonymous das 7:22 e 7:33 PM,

    Alguma identificação mais, e, já agora, alguma histeria menos, seria pedir muito?

  15. map,

    Se esses senhores reconquistarem Olivença, irei bater umas palmas ao Rossio.

    Já quanto a Ceuta, estarei na proa da primeira embarcação. No minuto seguinte à sua reconquista, hei-de oferecê-la ao seu dono: o meu muito amado povo de Marrocos. Só receio que não ma queiram. Por lá entram muitas divisas, lá tem bom trabalho muita gente. O mundo é complexo, Map.

  16. Caetera,

    Já falámos no post que refere. Já lhe respondi com alguma calma, já você replicou com exaltação, já eu lhe fiz perceber que assim não é conversa. Não vejo o motivo de você repetir aqui o comentário.

  17. repeti antes que respondesses (com calma relativa), e o fiz aqui porque era onde a dsicussão seguia como me dei conta em seguida, se queres podes borrar “calmo amigo”

  18. Caetera,

    «Borrar» em português diz-se «limpar», ou «apagar». Com «seguia» você quer dizer «continuava», com «em seguida» queria dizer «imediatamente».

    Afinal não era questão de brasileiro, como eu supunha, mas – desculpe a insipidez da graça – de ibérico… Você já fala o português do futuro.

  19. borrar: v. tr.,
    deitar borrões em;
    manchar com borrões;
    pintar grosseiramente;
    apagar (a escrita, riscando);
    sujar com excremento;

    seguir: . tr.,
    ir atrás de;
    acompanhar;
    tomar certa direcção;
    ser consequência de;
    acontecer depois de;
    estar próximo a;
    espiar;
    acompanhar em conjunto, com atenção;
    proceder de harmonia com;
    percorrer, andar por;
    tomar a doutrina de, o partido de;
    tomar o exemplo de;
    imitar, tomar por modelo;
    destinar-se à profissão de;
    v. int.,
    continuar, prosseguir, sobrevir;
    v. refl.,
    suceder;
    resultar;
    decorrer;
    vir depois.
    loc. adv.,
    a -: a eito, seguidamente.

    seguida
    s. f.,
    seguimento;
    loc. adv.,
    em -: depois, imediatamente;
    de -: logo após.

    (tp://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx)

  20. Fernando és “un listillo”… Por outra parte admito que na minha expressão em português ou espanhol, mesmo que relativamente correctas ambas (não posso chegar a dar lições de palmatória… erradas… como tu), estas se entrecruzam de uma forma que considero no limite do saudáuvel. Tu pelos vistos, ó guardião do templo, não. De qualquer forma o português do futuro será (na verdade já é o do presente para todos os efeitos) para tua desesperação precisamente o brasileiro que desprezastes no comentário que antes me havias dirigido.

  21. As motivações do senhor Fernando Venâncio são muito mais de ordem moral que metafísica. Ele define-se, antes de mais, pelo temor de um líder antropomórfico, obrigado por um determinismo intemporal e, por conseguinte, como o próprio Fernando, senhor a cada instante dos seus actos e das suas respostas. O senhor Fernando sofre, porque está disvirtuado pelo uso excessivo do verbo, e já não consegue obter a adesão dos leitores. O seu pensamento está constantemente voltado para uma exasperação moralista da noção de certo, levando-o a uma desconfiança profunda não só em relação ao mundo, como a si próprio. É, literalmente, um pobre de espírito!

  22. “saudáuvel” é uma gralha…
    “Por si acaso.”

    Um abraço Fernando, apesar da tua acidez trôpega sou obrigado a admitir que me divirto, como imagino que tu também o fazes, com semelhantes momentos.

  23. AHAH. Caro Renato C.

    Eu estava a brincar, embora veja unidade cultural, linguística e sobretudo paisagística entre Portugal, Galiza, Leão e Asturias, muito mais do que alguma influência árabe. Esta área representa a velha área de influência celta-romanizada da qual derivamos em grande parte, e que nos define em muitas práticas, hábitos e atitudes.

    Infelizmente, a extrema-direita e os ódios fascistas à cultura latina, apropriaram-se dessa evidência cultural (sobejamente desprezada pela esquerda mais radical) e hoje em dia é difícil passar o seu valor histórico sem cair imediatamente no confronto ideológico. É pena, porque se calhar faz falta remendar essa parte da nossa identidade sem nenhum receio ideológico. É pena que as pessoas funcionem por ódios hipócritas. Por mim, enquanto português, gosto tanto do nosso passado celta, como o latino, como o muçulmano (bastante empolado, diga-se, até porque os cantares alentejanos têm origem em cantares de Aragão e Navarra).

  24. Fernando Venâncio, não veja se não quer ver, mas o blog que cita está ligado ao PNR, tendo já apoiado várias iniciativas desse partido. Se quer continuar a citar a extrema-direita para defender as suas posições faça-o, só não se diga de esquerda!

  25. Arriba España! Viva Portugal! Unidos venceremos! De resto, como se alguém fosse ligar a esta discussão primária… os senhores do capital riem-se às despregadas.

  26. TOMO I

    Eu, um sujeito com predicado apartidário, fervorosamente militante da extrema esguelha e com as quotas em dia no repartido da crítica transversal, sou gajo para postular sem reservas que nem tudo o que a extrema direita diz é mau; que nem tudo o que a extrema esquerda diz é bom; nem tudo o que o centro diz é consensual; e nem tudo o que gravita entre a carne e o peixe é, necessariamente, enfadonho e sensaborão. Ademais, o senhor doutor recomendou-me uma alimentação variada.

    Caiam as bombas, mas a única altura em que permito que os rótulos me cerceiem o raciocínio e as escolhas é quando compro iogurtes. Às outras vias lácteas gosto de manter as órbitas desobstruídas. Por uma questão absurdamente inalienável de liberdade. E porque ando a economizar para numa destas vidas poder vir a fazer férias no espaço.

    E se tendo a duvidar dos lagares-comuns em que fermenta o mosto de frases batidas como “os extremos tocam-se”, o facto é que alguns dos comentários anteriores me infligem a quase-certeza dolorosa que preferiria afastar: isso é mesmo assim.

    Não me deturpem — não vou à bola, de todo, com cabeças rapadas. Mas assim como assim, dou por mim a ruminar que as rapadas por fora, porque visíveis, inequívocas e porventura até deveras inconsequentes, são menos malsãs e mais honestas que aqueloutras cujo descabelamento subjaz. Essas sim, assustam-me, por nelas caber a perfídia oculta, dissimulada, congeminante. E por, ao contrário das primeiras, estarem em toda a parte, e não contidas em hordas relativamente bem definidas e identificáveis. Assim passa despercebido, as mais das vezes, o crónico viveiro dos ditadores.

  27. TOMO II (…e já excedo o limite de alcoolemia)

    Num ancestral conto finlandês(?) que não saberei narrar com exactidão, um homem perdera uma mão ainda novo, a pescar sob o gelo fino, quando num repente um descomunal peixe lha arrancou com as mandíbulas. Os anos despenharam-se. Já envelhecido, mas sem que o ímpeto de vingança lhe esmorecesse, vivia obcecado pela captura do monstro. Todos os dias saía para pescar e, enquanto perscrutava com afinco o manto branco desejando vê-lo, mirava longamente o próprio reflexo no dealbar dos minutos; a cada dia que passava adensava-se em nitidez a impressão de ter visto o grande peixe vaguear no mar subjacente. Sabia a besta cada vez mais perto de si. Um dia chegou em que pressentiu a presença do arqui-inimigo sob os pés; e ao mesmo tempo que o avistou nas águas gélidas sentiu um puxão forte na cana de pesca. Quis sacar o animal, mas o impulso deste foi repentino e demasiado, fazendo com que o velho caísse no buraco aberto na camada de gelo e mergulhasse nas profundezas. Não foi, todavia, o peixe que o amputara que encontrou na imersão — mas a imagem de si próprio quando novo presa no fio. Então, abriu as mandíbulas de lés-a-lés e engoliu de uma só vez o reflexo de outrora. Depois, sacudiu freneticamente as barbatanas e desapareceu a nadar até aos confins…

    Não vou obviar os morais da estória — nenhum outro além da tenuidade que nos separa do que tememos, de como o julgado oposto pode estar no reflexo. Já são linhas a mais de generosidade. Acrescento apenas que a pluralidade não se coaduna com lobectomias. Nem a nação clama por trepanação à força de saca-rolhas. O oxigénio, se vier, há-de ter outra origem.

    Posto isso, a cada qual o seu clister, a cada um o seu toque rectal.

    Até já.

  28. Ó anónimo da 01:36 AM,

    Deixei-se de gritinhos e atente numa coisa. Eu não citei nenhum blogue, de extrema-direita ou o que for. Citei um comentário feito neste, neste, blogue que você está a ler. Como tenho feito mais vezes. Como poderia fazer a um seu, se você dissesse alguma coisa com tino. Ó estúpida, histérica Esquerda, que se imagina com o monopólio do discernimento. Apeteceria ser de Direita para fugir a esta cambada.

  29. Eu sou uma senhora e não gosto de me meter nestas coisas de gentinha, mas enfim, cada um é para o que nasce e uma mulher como eu tem obrigações. Tenho muita pena dos miúdos que fazem este Blog. Têm uma linguagem do Seixal, ainda parece que vão com a mãe vender fruta. Ó ricos, façam uma plástica, comprem roupinhas de marca, mas deixem essa linguagem de esquerda carroceira que é tão pobrezinha. E o pior queridos, não é ser pobre, é ser pobre e parecê-lo…

  30. União esq-dir,

    Obrigado. Dispenso-os a todos. À extrema-esquerda. À extrema-direita. E aos espanhóis. E não desejo a morte a ninguém. Só espero é que se deixem de parvoíces.

    Desculpe, se era solidariedade o que oferecia. Mas nada nos une.

  31. Renato,

    Rectal, anal, daqui a pouco vais esgotar todos os vocábulos da área dejectora. Quem é que denota, então, certas retenções suspeitas? Só ainda encontrei dois marmelos como tu nestas andanças pelos blogues. Ambos gostavam de vir depositar humores pre-cozinhados nas caixas de comentários, ainda por cima estranhos aos temas das conversas, e um deles, vim a descobrir mais tarde, tivera a infelicidade de ter nascido com uma aproctia do primeiro grau com complicações alargadas ao cego. O outro não tinha esse problema, mas o zuaque era oriforme. E um dia, como era de esperar, espalhou-se, isto é, cagou-se, e a sua oratória desceu imediatamente dois pontos no mercado. E não teve remédio senão regressar às bucólicas ossadas de ventos alentejanos em blogues pintados de preto. Por isso, porta-te com juizo, Elvira. Quem te escreve daqui admira muito a rica linguagem do Dragão mas tu és apenas uma libelinha que meteu na tola que não é mosca.

  32. Anonymous:

    Muito, muito obrigado pela devoção. Fizeste-me sentir realmente importante, mesmo que por breves instantes.

    Concluo duas coisas do teu imodesto comentário: que a fase anal alastrou num anómalo solipsismo; que finalmente temos de ti, apesar de timidamente, uma assinatura — Elvira soa-me muito bem, prazer em conhecer!

    Quanto ao resto, os dragões são-me indiferentes, mas gosto, admito-o, de libélulas. Porém, no meu pacemaker há ainda espaço para um luze-cu enternecedor como tu. Amigos?

    Aquele abraço!

    e

    Até já.

  33. Com franqueza! Porque é que esta malta não se fica pelo jardim constantino a jogar à bisca, em vez de andar por aí a debitar ruídos?

  34. o direito dos povos à sua autonomia é uma comquista muito importante.há alguns k ainda lutam por ele,vejam o caso dos Tibetanos. a luta pela liberdade, o direito a não ser subjugado por outro povo, não é uma questão de esquerda ou direita. tanto uns como outros têm interesses aí. o k acontece é que são por vezes parciais: defendem esse direito quanto a uns povos, e recusam-no a outros conforme os interesses geo estratégicos que defendem. eu, como portuguesa k sou e ciente de que mesmo ganhando mais, não estaria melhor dominada por castela, prefiro de longe, lutar para k o meu país, com todas as debilidades k tem, permaneça uma pátria livre.sabem como nos classificaram os romanos quando aqui entraram? como um povo de escravos k trabalhava para os castelhanos. escravos de castela…é isso k querem voltar a ser? a troco de quê? mais uns tostões no bolso? a dignidade e a liberdade não se vendem. e isto não é de direita ou de esquerda, é um valor humano. bascos, catalães e galegos ainda hoje lutam por isso…querem deitar fora aquilo porque outro estão dispostos a morrer? portugal é uma conquista de todos nós e um direito que legamos aos nossos filhos. escravos modernos, é isso k querem para eles? na galiza só é aceite o galego escrito e falado à espanhola, a norma linguística imposta por castela. aqui há uns anos uns professores de galego que ensinaram a norma que de raíz portuguesa ( a verdadeira, a do galaico-português) tiveram processos disciplinares e já nem sei se foram mesmo presos…eu própria – em tempos idos que não há muito- transportei para a galiza ( a pedido de amigos galegos ) livros sobre a galiza e portugal que eram proibidos lá.porquê ? porque eram sobre a independência da galiza,ou defendiam a norma linguística proibida!
    temos é de lutar por viver melhor neste país, não vendê-lo mais do que já está. não ficaremos melhor. isso é uma ilusão. olhem o k nos aconteceu com os filipes e olhem o que está a acontecer agora: não nos estão a ajudar em nada, colocam a todo o momento obstentrada das nossas empresas e entram tanto quanto podem aqui, para quê? deixam aqui o dinheiro? não, levam-no para a sua pátria e vão.nos deixando cada vez mais pobres a nós. já se esquceram do que nos tentaram fazer com o petroleiro que destruiu a costa galega? mandá-lo para aqui, só não entrou pk tinhamos um governo que o impediu ( e tb não interessa se era de direita ou esquerda, interessa k nos protegeu ).mas a galiza não escapou e castela não a protegeu. abandonou-os, lembram-se ? é isso k quereriam para nós? e não, não trocoo alentejo e o algarve pela galiza. algarvios e alentejanos, são portugueses, os galegos,…bem, são galegos…têm algo a ver connosco, mas não são portuguses. ao longo da história asim o foram provando. viram.se para nós quando lhes interessa para ” chatear” castela, mas depresa se voltam contra nós e nos traem a favor de castela quando têm algo a lucrar com isso. queiram ou não queiram, portugueses somos nós, e ou fazemos algo poreste país, ou estamos perdidos. ninguém vem cá dar-nos nada. só tirar se puderem. não tenham ilusões. nunca ouviram dizer que não há almoços grátis?

  35. gostava de saber se haveria tantas referencia e criticas à citação se ela fosse tirada do site do bloco…que fique bem claro que não m idetifico com nenhuma dessas idelogias(extremas) mas se respeitam a esquerda respetem a direita afinal vivemos em democracia e ao sensurarem aqueles a quem chamam “fascistas” esrão a se-lo tanto ou mais que eles …ms agr n interessa
    Metam na cabeça de uma vez por todas que é tudo uma questão psicológica, não percisamos dos epsanhóis para nos afirmar-mos basta que toda se todos os portugueses se disposessem a contribuir para o bem do país em vez de olharem so para o proprio umbigo conseguiamos ser tão bons ou melhores que os espanhóis… olhem para o exemplo da antiga união sovética(mais propriamente a rússia) em cerca de 2o anos deixou de ser um dos países mais atrasados do mundo para passar a ser potencia mundial e sabem porquê?
    Porque todos os russos estavam empenhados nessa tarefa.
    fascistas comunistas….isso so serve para limitar ainda mais a ja atrofiada mentalidade colectiva dos portugueses…..

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