Pois é

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Pois é, há três anos que EDUARDO GUERRA CARNEIRO morreu. Hoje, como há três anos, o blogueiro Xatoo podia, num poemazinho meritório, chamar-lhe «o poeta / de que ninguém ouviu falar».

Pois é, as histórias da poesia portuguesa contemporânea citavam-no pouco. Ou nada. Ele não alinhava, o parvo. Era só um bom jornalista, só «um bom poeta», como Francisco José Viegas dele disse, lembrando aos desatentos que não são «bons» todos os poetas que desaparecem.

Aqui há mais a seu respeito. E vai um poema. Este, que é um espanto.

CLARA

Disse que se chamava Clara
e sentou-se na mesa, chamando
o criado para pedir um uísque irlandês.
Eles abriram mais espaços, cruzaram
as pernas, perguntaram se os charutos
a incomodavam. Clara disse: «Não!»
Pediu mesmo se lhe ofereciam um.
«Claro!», ofereceu o mais jovem,
emprestando-lhe a tesourinha
niquelada. Disseram banalidades,
Vieram mais bebidas. Clara traçava
o rumo da conversa, entre baforadas
azuladas. Quando ela saiu, descruzaram
as pernas e ficaram sem saber o que dizer.

Eduardo Guerra Carneiro

11 thoughts on “Pois é”

  1. Pois é. Em Portugal é assim. Vivi em Vila Franca de Xira e mesmo entre pessoas de esquerda davam mais importância à irmã do Alves Redol que tinha um pequeno colégio do que ao Alves Redol, ele mesmo. Um escritor é, sempre, «outra coisa». E, como vem num título do Guerra Carneiro, «Isto anda tudo ligado».

  2. Ana,

    Não se percebe a sua intervenção. Ninguém afirmou aqui «faz hoje três anos»… Ou não acha, também, que, para uma boa lembrança, qualquer oportunidade é boa?

  3. A falha foi minha pois no meu texto referi «um ano» e são 3. Mas é só isso.Porque o tempo passa tão depressa…

  4. O Fernando tem sempre pressa em arranjar culpados para os actos dos seus amigos . Os seus discursos nunca revelam uma motivação, mas sim uma frustração, devido ao meio em que nasceu. Tem pudor da sua história, está rodeado de fantasmas, anda de pijama à procura de cães e gatos. Está num pico de esquizofrenia, com alucinações persecutórias, sem consciência da sua ilicitude, da sua culpa. Sofre de psicose esquizoafectiva, com debilidade mental e alterações do comportamento. Vê o mal em todos os sítios, é um perigo para os que o rodeiam. A alteração da percepção da realidade é agora absoluta, acha que está a agir em defesa de todas as xungosas.
    O Venâncio está em delírio recorrente em que a criminosa lhe confidencia que deve ter relações sexuais com rapazinhos, para espalhar a sua mensagem.

  5. Os “Senhores do Aspirina” têm medo que lhes descubram o frágil domínio do saber, da qual resultam muitas das intuições erradas, às vezes adjectivamente, às vezes grosseiramente, às vezes com um aflitivo demasiado decoro. Se um dia, em breve, a “Censura do Venâncio” for levantada, como desejo, talvez possa voltar a este local para o discutir com muito maior pormenor que exige. Apague, mas com pouco sangue derramado!

  6. Essa da «censura» também nos é conhecida. Mas de que se queixam os pulhas da Riapa que conspurcam esta caixa de comentários?

  7. “Porque é que Deus, que aconselhou o Eusébio a continuar a jogar no Benfica, e não o Salazar, como os comunas gostam de contar, não disse ao Fernando Venâncio para deixar de escrever?”

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