Vinte Linhas 766

Sobre uma foto de David de Abreu na Rua D. Antão de Almada

O ano de 1908 teve grandes convulsões políticas, sociais e económicas. Um golpe em Janeiro, um regicídio em Fevereiro, eleições municipais em Novembro e outro governo que cai em Dezembro. Mais de cem anos depois de 1908 a ideia original permanece, afirma-se e continua: transformar produtos em mercadorias e trazer ao balcão todo o Mundo resumido. Fazer do longe perto. Se o comércio ideal não existe, façamos o comércio possível. Não há lojas para vender a peso aos clientes o prazer, a felicidade e a esperança; é possível juntar a terra e o mar nos metros quadrados de uma loja. Do mar vem o bacalhau, o atum, as conservas, o sal e o peixe seco. Da terra vem o azeite, o vinho, o queijo, o presunto, os licores, as especiarias e os frutos da época. Cesário Verde passou por aqui a caminho da loja de ferragens do pai na Rua dos Fanqueiros. Fernando pessoa vinha da Rua dos Douradores a caminho do café Nicola, José Rodrigues Miguéis vinha visitar o passado aqui muito perto, num certo hotel de Galegos. Na poesia, seja ela em prosa ou em verso, existe, tal como no comércio, a mesma ideia central: juntar de novo o que a distância separou. A «Escola do Paraíso» sai da capa de um livro e existe, afinal, numa rua daqui, perto desta loja antiga e, ao mesmo tempo, moderna.

Eles são os herdeiros dos mercadores da Idade Média que andavam em carroças lentas de feira em feira a vender mercadorias e a levar notícias. Eles são os herdeiros dos modernos comerciantes que trouxeram o cravo das Molucas, a prata do México, a banana-pão de África, a madeira das Ardenas, o chá da Índia ou de Ceilão e o bacalhau da Islândia. Eles são os herdeiros dos sonhadores de 1908 que quiseram juntar todo o mar e toda a terra no balcão onde o Mundo se encontra resumido.

17 thoughts on “Vinte Linhas 766”

  1. «… modernos comerciantes que trouxeram o cravo…». Referes-te aos cravos do 25 de Abril, naturalmente. Como estamos em cima de outro aniversário, é provável, pois.

  2. se o cesário, o miguéis e o pessoa tivessem trabalhado no bpa, hoje eram reconhecidos como tu, assim são uns merdas que tu fazes o favor de recordar no corner literário que tens aqui no blogue.

  3. ignatz, darling, estava de saída e dou contigo já aqui na peixeirada. A culpa foi minha, que chamei a atenção, mas deixa lá essa cena do daffy duck, tavas tão bem de dj…Bom: goodnight sleep tight.

  4. “Do mar vem o bacalhau, o atum, as conservas, o sal e o peixe seco.”

    um primor de eufrásia e eufrasiando o poste seguinte, eu diria: e o caralho tamém.

  5. “Sobre uma foto de David de Abreu na Rua D. Antão de Almada”

    suponho que o título adequado era

    “como chulei um bacalhau ao josé branco para fazer publicidade à manteigaria silva”

    e deve ter sido no dia em que almoçaste por conta do otário dos corvos.

  6. Cum catano,o bronco da benedita, vulgo, JOSE CARMO FRANCISCO, decidiu escrever sobre bacalhaus, calinando, como sempre, na bosta que caga pela madrugada.
    Má apresentação, fotografia publicitária, pastilhando as palavras, como se estas fossem merda resultado do junk food. o bronco da benedita lá arranjou um pacóvio disposto a deixar-se mirar no blogue com um bacalhau miudo, com contrapartida, pois está claro.
    Debes ter lebado algumas postinhas de bacalhau pra cumeres com batatas lá da terra. Tamém tensa cara de quem gosta de caras de bacalhau, e debes ter ido com atreta de que és escritor, foste jornalista, e o catano. Não dizes é que CHUMBASTE na 3º classe, foste à escola comercial aprender a pôr mangas de alpaca e foste despedido do sportem, tamém não dizes que te cunhecem das feiras, onde entras sem pagar, e comes á conta dos outros fregueses.
    Cumo ése um mutante, e conheces cabeleiras louras, mas nem um baton chanel te consegue disfarçar essa barba mal parida, pra poupares na espuma do supermercado, debes tar aí com um desejo cualquer de outro bacalhau. Só pra ti, ó morcaõe, a ler pla secuência seguinte (quando escrebo pra ti, é um ragalu)
    O debaicho é uma adaptassãoe, meu, só pra tie

    Eu quero denunciar este crime ambiental
    que lentamente devassa
    o maior bronco bloguista de portugal
    Na quinta da pentelheira
    havia um frontoso jardim
    Agora está tudo rapado
    nem uma rosa nem jasmim
    (2*)
    Recordo o jardim á antiga
    que lá vinha do lumbigo
    descia a fraga do amor
    e perdia-se para lá do rego do trigo
    O gajo passeia a mão com saudade
    naquela quinta estranha
    Aqui ali nascia mato
    que picava até arranha
    (2*)
    O jardim foi destruido
    não conserba a natureza
    rapado nao tem graça
    sem flores é uma tristeza
    (4*)

    Quero cheirar teu bacalhau, maria
    Quero cheirar teu bacalhau,
    Mariazinha deixa-me ir à cozinha
    Deixa-me ir à cozinha
    Pra cheirar teu bacalhau
    Quero cheirar teu bacalhau, maria
    Quero cheirar teu bacalhau,
    Mariazinha deixa-me ir à cozinha
    Deixa-me ir à cozinha
    Pra cheirar teu bacalhau
    Teu bacalhau é mesmo uma beleza
    És a portuguesa com teu prato especial
    Se o cheiro é bom, mais gostoso é o cozido
    É o prato preferido do povo de portugal
    Refrão
    Teu bacalhau, demolhadinho
    Diz-mo se é da noruéga ou aqui de portugal
    Mariazinha deixa-mo cheirar
    Que coisa tão gostosa
    Nunca cheirei nada igual
    Refrão – solo 4x
    Quero cheirar teu bacalhau, maria
    Quero cheirar teu bacalhau,
    Mariazinha deixa-me ir à cozinha
    Deixa-me ir à cozinha
    Pra cheirar teu bacalhau
    Quero cheirar teu bacalhau, maria
    Quero cheirar teu bacalhau,
    Mariazinha deixa-me ir à cozinha
    Deixa-me ir à cozinha
    Pra cheirar teu bacalhau
    Teu bacalhau é mesmo uma beleza
    És a portuguesa com teu prato especial
    Se o cheiro é bom, mais gostoso é o cozido
    É o prato preferido do povo de portugal
    Refrão
    Teu bacalhau, demolhadinho
    Diz-mo se é da noruéga ou aqui de portugal
    Mariazinha deixa-mo cheirar
    Que coisa tão gostosa
    Nunca cheirei nada igual

  7. Bem! Agora falando a sério.
    Não se entende patavina do que aqui está escrito. Não sei o que o autor desta merda quereria dizer.
    Se o Pessoa ia à mercearia comprar bacalhau, se o Cesário Verde ia comer um pastel de bacalhau à Tendinha, enfim tretas para encher chouriços.
    O que é que este gajo tem a ver com 1908 se ainda não era nascido, andava nos colhões do pai a bailar dum lado para o outro e não conhecia Lisboa dessa época.
    Falar do que não se conhece pode dar buraco.
    Vejam que a crónica é tão foleira que nem a Olinda (grande Pernambuco) nem o Evaristo (tens cá disto) desceram a terreiro para defender o xico.

  8. a OLINDA debe andare a semear nabos de grelo, já que só lhe sai grelo espigado na rifa.
    O EVARISTO (tens ca disto), debe andar pelas portas de lisboa à procura de mais um sítio pra cumere á custa do contribuinte.

    Ó do citrohein, ó das ágoas fortadas, debias fazer uma crónica sobre a Irina ronalda pá, e saber quantos golos a mulher já tebe ou então sobre a Kátia Abeiro, que tamém tem um feissebuque cumo a ti, é feia como a cabala, e já anuncioue ao mundo que se diborcioue. Aquilo agora debe lembrare a rua do aresenale, pá, ali prós lados dos passos da camara.
    tamém podes fazer uma ode á anca do rei da ispanha, paá, e aos tiros nos animais, e ao calcio que o tipo semeou na testa da rainha, coutada, oube, assim chegas depressa ás limhas mil.
    que axas, hein?

  9. Caros comentadores,

    Ao longo dos anos tenho lido a “escrita” do JCFrancisco, bem como os vossos comentários, e parece-me que a maioria ainda não percebeu as razões que levaram um antigo “bloguista” do Aspirina a convidar o nosso poeta a escrever aqui.

    Por um lado, ajudou-o a aumentar a sua auto-estima que, depois de ter sido dispensado de escrever textos que ninguém lia para alguns jornais, andava um bocado em baixo.

    Por outro, os escritos que ele aqui vai deixando – sendo, como quase todos já perceberam, involuntárias manifestações humorísticas (com muito “non-sense” à mistura) -, servem de válvula de escape, enquanto intervalamos de outras leituras, mais sérias.

    Não gozem com o homem; já basta a EMEL para lhe dar cabo da cabeça (ontem lá vinha mais uma carta dele no DN a falar pela enésima vez do muro que tem espaço para 8 citroens, mas onde é proíbido estacionar).

    Depois admirem-se se ele destemperar e voltar às origens, ofendendo-vos a todos. Não se esqueçam que ele saiu de Santa Catarina (até estudou na Patrício Prazeres, foi groom no BPA e tudo), mas Santa Catarina nunca saiu dele.

    É um bocado como o Cavaco e o Poço do Boliqueime.

    Deixem-no escrever os seus poemas de pé quebrado e rima duvidosa, em paz, que, se não provocarem, ele é calmo e não faz mal a ninguém.

  10. ó, ó amigo carlos madorno, tá bem, pois, já se perceveu que o homem tem um problema com lui-même. bamos ajudá-lo, hein? bamos pô-lo a andar a pé que o gajo ainda acelera no citroheim e atrupela alguém. ele é juíz suciale na terra de noubódi e num pode ter atras de sie um atropelamento bulontário, pois o homem, chama trambolhos a todos e tem espriência em avrir as tripas aos porcos na Benedita e pô-las ao sol.
    recumendo taobém, bibamente, que o gajo seja interditado pela academia de letras de purtugal, ou pela pilar saramago, em prole da defesa das letras lusíadas.
    recumendo bibamente que seja numeada uma cumisãoe para por um cabresto no homem, pra quele tenha tento na língua e nas mãose.
    pode o gajo bir aqui debitare na cólidade de leitore cundicionado, assinando sob handicaped, pra que nós outros, dõtores de pestanas queimadas puçamos augentare com as iscritas sobre a pessoa do bronco da benedita, vulgo jose francisco carmo.
    finalemente eu opinu que o gaju não é pueta, mas ainda tá em idade de aprender a iscrebere cum rima. acunselho-o a ler a antolugia pimba do quim barreiros e de outros puetas cantantes pimba, treinando assim a inspiraçãoe e quem save chigando ao pulitzer da bimbalhada em purtugal, com direito à cumenda dada pelo passus cuelho, o timuneiro de purtugal. creio que se o bronco for á assemvleia ou ao palacio da maria cabacu, recever qualquer cousa, terá a sua selfistime aumentada. gustaba de ôvire os meus camaradas da porradaria ssoubre este cuncreto tema «medidas pra ajudar o gajo que chumbou na 3ª classe».
    Diçe.

  11. Ó pá a rebista ler é mais uma póia onde tu debitas cagalhões sobre a forma de escrita, meu, cum caraçass. tu precisas mesmo de ser interditado, pá, ou posto no curral da benedita. Irra.

  12. “Ó companheiro Carlos – e a Revista Ler não conta?”
    Oh pá, atáo na conta. Conta pois. Nunca ouvi falar nessa rebista. Será a chamada rebista à portuguesa, assim a modos como as corridas à portuguesa?
    Eça rebista (Percebes o trocadilho, oh xico! Eça… de Queiroz. Tás a ber?) debia serbir depois de terem quase acabado as listas telefónicas para embrulhar castanhas. Com a crise já nem para isso serve pois as castanhas desapareceram. E agora nem para limpar o cu servem porque o olho do cu é cego e não pode ler a rebista.
    Peço encarecidamente ao xico para transcrever aqui no blog parte da rebista, excluindo os anúncios, claro.
    O sr. Carlos Madorno também me saiu cá gozão do caraças. Atão o sr. consegue parecendo falar a sério ser mais contundente do que nós e o parvo do xico cai na armadilha e ainda lhe responde com termos educados o que é muito para admirar pois os termos mais usados por ele são trambolho, cabresto, etc., etc. Oh sr. Madorno vá gozar com o caraças e deixe o xico descansado. Já lhe basta a EMEL e a sua amiga Judite + a oh linda para lhe fazerem a cabeça em água.

  13. Óh da benedita, meu, da proxima, faz algo do género «bacalhau com nhanha» epuvlica na rebista ler, aquela gaita há-de ter uma seção de CUlinária, não é? acompanha com um das caldas, em barro, of claro.

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