Vinte Linhas 738

50 anos depois do primeiro livro – o poeta em Alcoutim

Em 1962 o poeta Fernando Grade estreou-se em livro com «Sangria», uma edição da Guimarães Editores. O seu 29º livro de poemas celebra essa «maratona» com um conjunto do qual, na anterior oportunidade, não houve espaço para nomear esta «Canção de campo e desgraça ao sabor do Guadiana». Ainda a tempo, aqui fica um excerto:

«Correm as brisas sangrentas

No que resta de olivais

Cabelos são como lendas

Presos nas águas do cais.

Ó Alcoutim, Alcoutim

Que vês o rio a correr

Como um pénis ternurento

Nas mamas de uma mulher.

San Lucar fica defronte

Tem casas brancas com gatos

A noite não sabe a uvas

E os beijos são desacatos.

Cruzamos ventos com facas

Baile de sombras e medos

O meu amor por mulatas

Sabe a vinho e a bruxedos».

3 thoughts on “Vinte Linhas 738”

  1. Ó Alcoutim, Alcoutim
    Que vês o rio a correr
    Como um pénis ternurento
    Nas mamas de uma mulher

    Alcoutim tem um rio baril, trunfo turístico a explorar.

  2. Cinquenta anos de poesia não é para todos – é apenas para os que podem. Parabéns poeta Fernando Grade em 2012 lembrando 1962, ano do 1º livro!

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