Vinte Linhas 728

Uma saudação breve para Marta em Madrid

Na terra onde olhaste o Mundo pela primeira vez há, nas estradas à noite, gente altiva que faz alto aos Deuses. E os Deuses param, na sua viagem eterna e sem destino marcado. São altivos os azeitoneiros andaluzes que trabalham por turnos nos grandes lagares. No seu olhar flutua a luz finíssima do azeite que descansa nas tarefas escuras por cima da água ruça. Existe no azeite e no seu mistério uma metáfora do Mundo: o bem e o mal, a luz e a sombra, a vida e a morte, a alegria e o desespero. O mestre do lagar tem uma mão certeira na separação da água ruça que se perde no escuro do ladrão da cave do lagar.

Lá em Madrid ou em Alcalá de Henares, os teus sonhos de menina permanecem no horizonte de todos os dias. Entre aulas e traduções, poemas e conversas nos corredores da sabedoria e do encontro, os sonhos da infância não se apagam nem entram no silêncio da noite. Hoje é um dia a meio caminho entre a festa e a meditação. Trago nestas palavras, gostaria de trazer, um ramo de flores ainda fresco da terra e do orvalho desta noite fria de 31 de Janeiro. Mas a distância não permite essa entrega directa e emocionada. Madrid fica longe do meu poema em prosa. Forma humilde de te saudar neste 1 de Fevereiro de 2012, dia do teu aniversário. Junto palavras como quem junta tijolos numa casa ainda só de paredes. O tecto será feito da luz do azeite da tua terra original, a Andaluzia.

O mesmo é dizer: seu horizonte e sua infinita estrada de silêncio onde a altivez dos homens e das mulheres se mistura com o negro do asfalto e dos toiros breves quando se aproximam do silencioso rancho de gente a caminho da herdade nesta madrugada feliz e angustiada do dia em que nasceste. Parabéns Marta!

3 thoughts on “Vinte Linhas 728”

  1. Que seja feliz Marta, em Madrid ou Marte. Parabens !
    Não conheço Marta mas conheço a faina dos lagares de azeite, havia um ao lado da minha casa, era da “confraria” e foi desmantelado pelo progresso.
    Nestes dias frios de Inverno ainda me apetece aquecer-me à “fornalha” e torrar nas brasas um pedaço de pão centeio para fazer a “tiborna” que muito queria comer.
    Bom dia.
    Jnascimento

  2. Um grande abraço caro Amigo – com tiborna ou sem tiborna e a memória de uma frase que ainda hoje me emociona «Ó menino batatas com azeite já é comer!»

  3. oh xico! manda mazé as compotas e volta lá para o teu ideal maçon de assentar tijolo.
    em portugal existe televisão a cores desde 1980.

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