Vinte Linhas 655

Vila Franca de Xira – Marieta e as outras miúdas da nossa turma

Esta fotografia a preto e branco explica bem como o tempo passou por nós – destruidor de sonhos, relógio de horas que nos ferem, lugar onde nunca mais vamos estar de novo juntos. Em 1966 a Marieta era, na nossa turma da Escola Comercial e Industrial de Vila Franca, uma voz sempre alta, diferente, feliz. A fotografia, como é óbvio, não regista sons mas eu tenho essa memória, de alegria nos corredores da nossa Escola, guardada num recanto da alma. Era um som puro, inesperado, motivador para todos os parceiros dessa fotografia hoje histórica. Lembro bem o Arnaldo, o Paplikas, a Gui, a Edite, uma moça cujo nome não recordo mas a mãe tinha discos gravados que passavam na Rádio, era a fadista Maria Passos.

Tenho todas as memórias de todos os rostos e de todos os sorrisos mas não recordo todos os nomes: chamava-se Ângela a mocinha do lado esquerdo, chamava-se Rosa a jovem ao lado direito da Marieta? O pai da Gui tinha uma papelaria no Bairro do Bom Retiro frente ao Colégio Sousa Martins e vendia também pastilhas elásticas aos alunos que fugiam à frente do terrível director Carreira.

Um dia a professora Gabriela fez anos e a Marieta trouxe um disco da Rita Pavone. Um dos rapazes trouxe o gira-discos e a professora agradeceu. Pelo menos ouviu um pouco de italiano e as palmas foram mesmo calorosas. Em 1966 aos domingos à noite eu ficava à espera dos jornais de Lisboa que chegavam de comboio a Vila Franca. Quando chovia, o Rogério colocava um oleado na pequena carroça que vinha da estação da CP até à venda ali ao lado da Câmara. Aprendi a gostar ainda mais de jornais com esse Diário Popular onde Santos Fernando todos os doningos escrevia «Os grilos não cantam ao Domingo». Lembras-te, Marieta?

27 thoughts on “Vinte Linhas 655”

  1. nova série “eu e as gajas” ou “como um ardina chegou a jornalista e mais tarde poeta”.
    será que a dona francisca atura este bardina ou já terá vindo escada a baixo com cuecas pela janela?

  2. http://www.youtube.com/watch?v=lGIXrziSLCQ

    deve ter sido este êxito da rita pavoni que martelou o teu subconsciente para comuna, adicionaste uma foice e 1/2 lt de filha da putice e voilá um intelectual d’ esquerda saído directamente da ecivf para o bpa/s. nicolau a ganhar 900 paus. lindo de morrer e partir corações com tanta precocidade.

  3. Afinal, poeta, era mais uma turma de miudas !
    Lindas, sereno o riso, suficiente laca no cabelo.
    Não se enganou na porta, poeta ?
    Jnascimento

  4. Amigo Zé,

    Afinal você, vejo eu, era um rapaz muito feliz no tempo do fascismo. Coisas que a saudade tece sem ajuda de guitarra. E não lhe apetece a si, não sei porquê, falar na sorte do humilde bifinho com batatas fritas e um a cavalo no fim de semana ou nos bailaricos ao som de discos do Elvis e da Petula, porque senão tínhamos aqui revisionismo da pior qualidade. Cuidado com essa memória.

  5. e é bem mais importante recordares da expressividade do que dos nomes. os nomes são, assim, como a laca depois de todo o trabalho do corte e arranjo do cabelo. ou como a salsa e o limão cortado às rodelas por cima da carne assada. :-)

    e era uma espécie de crónica isso dos grilos? sobre o que escrevia o tal Santos Fernando?

  6. Ó pá Edie, tá tudo bem, tens razão. Eu é que já não me lembrava que tinha pedido ao Valupi para colocar esta foto nessa altura. Primeiro foi outra só do jardim sem pessoas, só com o coreto. Mas há um princípio de Direito que eu aprendi em 1966 e nunca mais esqueci: «O que abunda não anula!». E há outra coisa: a malta que leu nessa altura não é a mesma de hoje. Lembram-se do Zeca Diabo, por exemplo? Era assíduo leitor e comentador ao tempo. Depois a crónica é outra, já passou um ano, eu falava em 44 e agora já são 45! Como diz o poeta: «Todos se lembram mas poucos recordam…»

  7. Falhou uma coisa no meu texto – uma das miúdas era a Salomé, a mais estrelicadinha, muito elegante, parecia que era do Ciclo Preparatório. A Edite Correia, por exemplo, ao pé dela já era uma senhora, uma mulher linda, maravilhosa, deslumbrante.

  8. Afinal, havia outra! Pois, as Marietas eram duas, de certeza, gémeas! Pá, não te trates, não… Agora por «mulher linda, maravilhosa, deslumbrante», não achas epítetos demasiados «pesados» para descrever uma jovenzita estudante? Não há dúvida, trata-se do olhar cobiçoso dessa altura que não te largou apesar dos anos. Sempre foste assim, sem poder ver uma burra de saias? Porra, já estou como o anonimo: «será que a dona francisca» atura as tuas baboseiras? Se calhar é por isso que a excluis do grupo das avós do teu neto…

  9. Sinhã olha «os grilos não cantam ao Domingo» era o título da coluna do Santos Fernando mas não era sobre grilos, era sobre um tema surgido na sua banca de trabalho. Um dia na Revista Ler fiz um apanhado dos seus prefácios. Grande amigo de Luiz Pacheco e de Ferro Rodrigues (pai), Santos Fernando nasceu em 1927 e morreu em 1975. Esse conjunto de crónicas que saía no Diário Popular deu origem a um livro com o mesmo título.

  10. Ó charolês nem sabes ler, grande animal. Não há duas Marietas e as referências são sobre a Edite que, obviamente, não é a Marieta e por isso não há outra, como dizes. Grande paspalhão…

  11. Tu é que não sabes ler. Mas eu repito: são duas Marietas porque são dois os posts que lhe dedicas. O primeiro com o título «Segunda dissertação para Marieta sobre foto de 1966», que o edie fez o favor de lembrar. O segundo, acabadinho de publicar, com o título «Vila Franca de Xira – Marieta e as outras miúdas da nossa turma». A foto é a mesma, pá! Nem ao menos tens sentido de humor, caramba, para saber onde está a (des)graça. E, repara: escreves no título «miúdas da nossa turma» e depois vais rotular a Edite de «uma mulher linda, maravilhosa, deslumbrante»! Repito: não te trates não, ó da Benedita!

  12. Com essa fixação na Benedita provas que és um pobre ser humano totalmente irrecuperável como louco. Já expliquei ao Branco qual a página do «Dicionário de Literatura Jacinto do Prado Coelho» com os meus dados biográficos, não sou da Benedita, tu é que deves ter um delírio qualquer a propósito dessa freguesia do concelho de Alcobaça.

  13. Como é teu costume, tens a esperteza de deixar as perguntas dos comentadores sem resposta e pegas nos assuntos que te convém. Porque razão chamas a «uma miúda da tua turma», como escreves, «uma mulher linda, maravilhosa, deslumbrante»? É pá, responde, se fores capaz! Não estrilhes repetidamente que vá ver o Coelho no Prado do Jacinto, camandro! Já agora, e o «atributo» de dr. josé do carmo francisco, não pias? Tem vergonha e vê se te internas rapidamente. Pobre ser humano e louco és tu, que não tens remédio, pá. Se perco tempo contigo é porque me distrais, porra. Ainda não entendeste que és um cromo da repetição? Eu (e os outros) vamos dando as «deixas» e tu, palonço brutamontes, nem notas que é no gozo só para te ouvir falar do «Coelho no Prato», como escreveu alguém. Vá, na próxima resposta, volta a falar do Prado e no Coelho do Jacinto, eu deixo… Mas lembra-te da tua doença: complexo de superioridade. Tem juizo, ó da Benedita!

  14. A tua louca fixação na Benedita, terra que com Turquel, teve grandes tradições de garraiadas, só pode ter uma razão: foi lá que foste embolado.

  15. E continuas sem responder ao que importa. Fazes orelhas de mouco, mas não nos iludes. Falta-te estaleca para justificares as tuas constantes asneiradas. E assumes-te tu como escritor/poeta e jornalista… Basófias, pá. Pelos teus escritos adivinha-se que deixas muito a desejar como pessoa. A crítica que aqui te fazem, na maioria, é construtiva. Chama a atenção para os teus erros, e incongruências. As pessoas inteligentes aceitam-na. Mas tu agrides, insultas, vociferas. Julgaste o dono da intelectualidade portuguesa. Coitado de ti. Só mostras que não passas de um pobre diabo já passado dos carretos. «Foi lá que foste embolado»! Ganda tirada! Naturalmente, lidas diariamente com essas situações, daí a familiariedade com que articulas esse tipo de provocação. A tua cultura, meu, é ires a correr aos dicionários para poderes dar resposta aos assuntos que te são postos- e mesmo assim, surjem duvidas. Deves andar sempre com o Coelho do Prado do Jacinto debaixo do braço, é ou não verdade? Teimas em não querer ver a figura triste que fazes…

  16. «Importa» o quê? Quem é tu julgas que és, julgas que és alguém? Isso do «importa» é assim: «há os que se exportam, os que se importam e os que não se importam». Olha que o senhor embolador está à tua espera, isso já cresceu e precisa de ser serrado de novo. Depois leva a cobertura de cabedal.

  17. Vê-se que percebes bué do assunto, pá. Foi o que te aconteceu, tralmente. A ti devem crescer-te regularmente, né? Com cobertura de cabedal deves tu andar sempre. A não ser quando crescem e lá vais tu ao embolador. Finalmente, falas com acerto duma coisa que sabes. Trata-se da tua experiência pessoal e desta vez acertaste, pá! Pois, ao que importa não respondes tu. O gato comeu-te a língua, meu? Ou devo tratar-te por senhor dr. josé do carmo francisco? Querias, não? Mas a verdade é que deixaste e continuas a deixar a pergunta sem resposta. Não respondes ao importante e depois, como um alarve, respondes com a ordinaríce do costume. Mas olha que essa dos cornos já passou de moda, pá. Vê-se que estás desactualizado. Cornudos é para os tipos do teu género e da tua idade. Tás velho e fora de moda. Ó da Benedita, muda de estilo, pá! E atão, já apanhaste o Coelho do Prado do Jacinto? Podes fazê-lo com arroz. É o mais vulgar, mas ainda é o melhor. Depois avisa se há piquenique lá no prado. Eu faço questão de estar presente, tá, minha florinha do campo?

  18. Faltou-me dizer uma coisa. Dizes que «há os que não se importam». Pois há. Tu és o exemplo disso. E não tens vergonha. Uma pessoa de bem evita fazer más figuras. Tu não. És tão ordinário, que fazes gala nisso. E olha que não sabes com quem estás a falar, ó da Benedita! Essa de «julgas que és alguém?» – e se fosse, meu? Se estivesses enganado? Pensa bem, meu. Se não pensares com a massa encefálica, pensa com os cornos. Uso apenas a linguagem a que estás habituado. Outra já vi que não entendes…

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