Vinte Linhas 502

Segunda dissertação para Marieta sobre a foto de 1966

Todos dizem que se lembram mas só alguns recordam. Lembrar não é recordar. Nesse dia nenhuma das oito raparigas tinha a bata vestida. O baile de finalistas estava perto e havia no ar um misto de alegria convocada e amargura em pré-anúncio. Um dos colegas da turma era do Bairro da Mata, tinha acabado de dar o nome e o serviço militar estava próximo. Eu tinha 15 anos mas o problema da guerra colonial para mim já existia. Os primeiros caixões tinham começado a chegar á minha terra natal.

Na tua voz, Marieta, havia a frescura das Águas Férreas e o timbre do vento no Senhor da Boa Morte. Eras sempre a primeira a rasgar o marasmo. Quem sabe se a iniciativa desta fotografia não terá sido tua, juntando na «foto à la minuta» o que a nossa Escola separava fazendo entrar as raparigas pela porta principal e os rapazes pelas traseiras, do lado do CASI. Lembras-te, Marieta, quando puseste a música da Rita Pavone no aniversário da Dra. Gabriela? Se fosse hoje escolherias outras músicas, talvez Ennio Morricone e por exemplo «La resa dei conti», «Addio colonello», «Marcetta» ou «Il vizio di Uccidere». Lembras-te do senhor Nicolau que estava sempre disponível para se deixar fotografar quando não havia professores ali perto? À noite servia à mesa do Zé dos Frangos. Lembras-te do senhor Moreira que dispensava a gente da Mocidade Portuguesa, era só pedir? Lembras-te, Marieta, do último café que bebemos no Bossa Nova, perto do teu primeiro emprego? Lembras-te dos penteados das meninas no baile de finalistas nuns armazéns de trigo? Nada mudou, Marieta, nada mudou, talvez apenas tenham mudado os preços do café no Bossa Nova.

22 thoughts on “Vinte Linhas 502”

  1. lol. Todas de saínha pelo joelho e tão bem comportadinhas. Aqueles sorrisinhos de patetas a preto e branco.

  2. Vês como consegues fazer um post interessante? Mas aqui vai a pergunta: porque razão não o fizeste logo à primeira?! Baralhaste o texto, trocaste a foto, uma autêntica desgraça, como as muitas desgraceiras que te saem da «inspiração». Deve ser a pressa que tens em publicar, publicar, publicar. Pá, tem calma, ninguém corre atrás de ti – penso eu. Não queiras competir com o Valupi. Não consegues e fica-te mal. Não escrevas também em cima do joelho, costuma dar erro. E esses erros são visíveis nos teus posts. E sê mais modesto, gaba-te menos; os outros que o façam por ti, tás a perceber? Já viste que estou hoje de «bonzinho». Mas é assim: não acredito que sigas os meus conselhos. «O quê?! Tu que não és ninguém a dar-me conselhos?! Era o que faltava! Vai mas é dar conselhos à tua avó torta, parvalhão!». Deve ser isto que te vai passar pela mona ao ler o meu comentário. Sinceramente, penso que não tens remédio. Todavia, há quem fale em milagres! Quem sabe…

    Mas não te iludas: quando for necessário, cá terás a crítica do costume. Falo de crítica a sério (não à séria, como se ouve por aí). Isto é, não aquela crítica literária que tu costumas fazeri. Isso é um jeito que fazes às editoras e aos autores para te tornares simpático e, quem sabe, ganhares alguns favores. Trancreves partes do livro, intercalas com uma frase ou outra, e está pronto. Nunca te pronuncias sobre a qualidade da obra. Não arriscas. Quer seja um bom livro ou um mau book.

    Outra geração:

    Daqui por uns bons anos vê uma fotografia tua e das tuas amigas. Ai, que vontade de rir! Todas de mini-saia, esqueléticas, com aqueles sorrisinhos de patetas a mostrar a brancura dos emplantes. Foto a cores, evidentemente!

  3. Tiha prometido que não voltava à tua caixa de comentários. Quebro a promessa. Aqui está um bom post “colega da Universidade do Carmo”. Quanta à “outra geração” assino por baixo do comentário de FC. É isso, é outra geração. Felizmente que nem toda igual a esta “outra geração”

  4. Já tinha ido, mas voltei!!!! Não resisti à tentação…
    Não sei porque é que as pessoas se escondem atrás de símbolos, petits nons e quejandos.
    O meu nome é MARIETA DA SILVA SABINO BENITO.
    Cá está ela em todo o seu esplendor!!!!
    Para o (a???) SIGMA – décima oitava letra do alfabeto grego ou com um valor de 200 no sistema de numerais gregos ou ainda símbolo de soma e outras coisas que mais… – não
    há por que pedir desculpas. Nem percebo a razão de pedi-las.
    O José António do Carmo continua a fazer o favor de me mencionar. Certamente fui uma pessoa importante para ele naquela altura, pelo que ainda perduro na sua memória.
    “Na tua voz, Marieta, havia a frescura das Águas Férreas e o timbre do vento no Senhor da Boa Morte. Eras sempre a primeira a rasgar o marasmo.”
    Esta citação é por demais elucidativa. E que bonito ver-me descrita assim….
    Sinceramente que não fazia a mais pequena ideia.
    Agradeço por isso.
    Aos quase 60 anos, apercebo-me que para ele e outras pessoas, era especial. QUE BOM!!!!
    Fico muito contente que a minha pessoa seja recordada pelo melhor de mim. Pela minha frescura na voz (de fresca no bom ou no mais atrevido sentido) e pelo meu timbre de vento (“espalha-brasas” ou por dizer alto e bom-som o que me apetecia)
    Era rebelde, alegre, bem disposta e “gira”, ainda por cima.
    Segundo hoje sei, havia muitos rapazes “caidinhos” por mim.
    Só é pena saber tão tarde, porque de certeza teria aproveitado os namoricos…
    Como sempre fui franca e desabrida, nem tinha espaço para pensar o que ajuizavam de e sobre mim, nem isso me preocupava. AINDA SOU ASSIM!!!!
    Também era distraída, daí que notasse pouco o que me rodeava, a não ser o que me preocupava. AINDA SOU ASSIM!!!!
    Obrigada Zé do Carmo!!!
    Só mais uma coisinha: gente dos blogues vejam lá se descobrem na foto quem eu sou!!!
    Está lançado o desafio e quem se vai rir sou eu…
    Não vale para quem me conhece e só se aceitam apostas de quem escrever o nome completo (ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! – risinho cínico!)

  5. Senhor JFK,

    Ora gaita! Um homem com esse «sentir» tão apaixonado, um coração tão sentimental e deixa passar-lhe à frente a hipótese da sensação, do que nos leva às nuvens.
    Estou com zanga consigo! Não podia. Mas sabe? Quando li a «sua» Marieta, lembro-me de algumas coisinhas más que fiz e continuo a fazer. Isto é, é como ela diz: quando se é franca e desabrida, e ainda por cima«engraçada», o mundo é tão pequeno, que o «homem» é apenas mais um. Por isso, é preciso saber resolver a equação, que é puramente matemática. A solução existe.

    Cara Marieta,
    É verdade! Que pena, às vezes saber-se tarde, não é? Eles mereciam umas boas palmadas por isso, só pelo facto de falarem tardiamente. Ainda está a tempo.

    Não será a segunda da esquerda?

  6. Vale a pena tudo o resto mas é pelas pequenas coisas que não são coisas pequenas – como este encontro feliz com a Marieta tantos anos depois da nossa turma de 1966. Passaram 44 anos num instante, parece que foi ontem. Obrigado!

  7. Não sou a segunda da esquerda.
    Sou de esquerda e nunca sou 2ª. fico sempre em 1º. lugar.
    Isto não é uma pista!!!
    Continua-se a aceitar apostas!!!

  8. Para tudo isto ter mais piada (que anda por aqui falta de humor), a pista está na 1ª. dissertação do Zé do Carmo, sobre esta matéria.
    É só para obrigar os curiosos, que não vão conseguir deixar de espreitar, a ler o texto outra vez!!!

    ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! ih! (continuo em maré de risinho cínico, será do calor???)

  9. Eu queria dizer a segunda da direita.

    Senhora Marieta, pois já percebi porque é que lhe falam tardiamente. O JFK era timído.

    Mas também com um «furacão» à frente, que podia ele fazer???!

    Só pode ser a segunda da direita!

    Responda logo, «ke estou me rascando de curiosodade», carago.

  10. O rapazito engraçado altito lá atrás é o “Broa”. GANDA BROA!! Grande amigo!!!
    Escrevia umas coisas e uns versos. Até me dedicou um, sabe-se lá porquê.
    PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!! Não acertou. Não sou a 2ª.
    É só continuar a tentar que as tantas há-de lá chegar…. Somos só 8…..
    Além do mais eu já disse: a pista está na 1ª. dissertação do Zé do Carmo, sobre esta matéria.

  11. Marieta é terrivelmente simpática.

    é a terceira da esquerda. Agora acertei. O broa era borracho!

    Não me diga porque não sabe porque lhe faziam versos. Ó Marieta!

  12. toute a ber,

    a menina, para chegar à chave do enigma, tem de investigar as pistas. Como a sua inteligência intuitiva falha sistematicamente, deve recorrer à dedutiva. Elementar.

  13. Pois é “HOLMES” (o??? a???) seguiu as pistas e descobriu!!! Estava tudo no texto do Zé do Carmo. Era só ler outra vez o primeiro texto sobre a foto.
    Parabéns!!! Ganhou o alguidar de plástico.

  14. Ó HOLMES, quem lhe disse que soue manina? Issu já ma está a xatiare!

    Marieta, não lhe dê um alguidar de plástico. Dê-lhe um vaso de quarto em plástico chinês, se faz favor.

    Parabéns, muito bonita. Com a sua personalidade, tinha mesmo que estar no centro. Agora é mais do que óbvio porque lhe fazem poemas!
    JFK, o nunca não existe e o tarde é sempre agora. Percebeu?

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