Vinte Linhas 635

«Morangos com veneno» – a propósito da segunda morte

Entra pela televisão pequena da cozinha a segunda morte daquilo a que eu chamo a geração «Morangos com veneno». Outros lhe chamam «Morangos com açúcar» mas eu sempre chamei «Morangos com veneno». Outra coisa não posso chamar a uma gentinha que vê na televisão um miúdo com uma prancha de surf na mão esquerda e um copo de gin tónico na mão direita E pensa que a vida real é isso. Um gentinha que dá um beijo ao fim de dois minutos de ter sido apresentada a outra gentinha num bar de uma praia. E pensa que a realidade é isso, esse beijo dado dois minutos depois da apresentação, sem esquecer a prancha de surf e o copo de gin tónico. E pensa que a realidade real é isso, essa mistura de aventura e de imponderabilidade num lugar onde ninguém é responsável por nada mas onde tudo pode acontecer. A felicidade pode acontecer sem motivos, sem encontro, sem esforço, sem generosidade, apenas por acaso, apenas porque o filme é assim. Uma geração que já empurrou a professora porque não percebe que o telemóvel tem que estar desligado durante uma aula, é uma geração que nunca ouvirá o grito das meninas do Jô Soares «Não ponha o insecticida na salada!» porque eles não ouvem nada. A não ser os seus telemóveis. Eles continuam a pensar que os morangos que a televisão lhes serve todos os dias são acompanhados com açúcar mas na verdade são morangos com veneno. Tudo aquilo é venenoso. Jô Soares no programa «Viva o Gordo! Abaixo o regime!» quer colocar insecticida na salada porque descobre que o que dizem na TV é uma mentira. Os meninos que empurram as professoras por causa dos telemóveis não percebem que a TV é uma mentira e o mal é que já não vão a tempo de perceber.

21 thoughts on “Vinte Linhas 635”

  1. Tanto quanto consegui perceber, aquilo é mais morangos com merda, ou merda com morangos. Merda colorida, coberta de lantejoulas e adereços, mas merda “quand-même”. Serve para formatar não gerações à rasca, ou gerações rasca, mas antes gerações de merda, ou merda de gerações, que saboreiam gulosamente como açúcar a merda que lhes deitam pela goela abaixo ou lhes empurram pelo cu acima. Comem merda, cagam idem, poupam trabalho ao aparelho digestivo, é fácil, é barato e dá milhões aos monizes e outros figurões!

  2. um cagalhão seco que reclama conteúdos de diarreia ou a consistência do sólido vs inconsistência do semi-liquído. deixa-lá, é tudo merda, quando são novos é tudo mais maleável mas vão endurecendo com a idade.

  3. ó pá, ó zeca galhão, pá, agora dás em psicólogo, pá, então essa merda que escreveste meu é uma dissertação à porra da morangada pá? ouve lá, aquilo é uma grande merda, meu, mas a tua abordagem é outra merda pela forma e conteúdo que lhe dás, pá, atão, nunca ouviste falar no coup de foudre pá? oi, não me digas que pra ti a virgindade é uma obrigação do pirilau e da pucizinha, ehehhe, toma juízo meu, aquela merda reflecte os dias de hoje, e se assim é, é porque há gajos que não sabem educar, gajos que chamam nomes a todos, que vendem a vaidade, a autopromoção e o caraças, se a geração é rasca, pá, alguém a pôs assim, tás a ver, ou achas que dantes o pirilau não ia à procura da coisa no palheiro, pá? só que a merda andava escondida, percebes pá, agora é tudo ás claras, pá, até os paneleiros são pais, ó cagamelo, e comunicam a felicidade na lux pá, com o aplauso dos gajos que adoram fazer tudo á borliu, e ir á televisão e bater palminhas ao som do cavalo que manda batê-las, quem faz a televisão são os gajos como tu, que escreves as bacoradas que escreves sem qualquer sensibilidade ou tacto prá coisa, eh pá, vai pró caraças que já me irritaste outra vez, fogo.conta lá qual é a segunda morte, pá, fazes um título e não o desenvolves, deves pensar que escreves para animais, ó pá, chamas charoleses aos outros, mas olha que atua escrita é de besta com pedigree, meu, toma, embrulha e deita pró saco, esta deve ser do teu tempo, quando os gajos apalpavam as mulheres na rua, se achavam que as mesmas tinham um rabinho jeitoso, havia ordinários que lhe chamavam peida, fogo, mede lá as distâncias ó cagamelo.

  4. Os meus parabéns pelo post. Muito bom, também pelo conteúdo, já que pela escrita são normalmente bons.

  5. pois, pois… a televisão é venenosa. deve ser por isso que tens uma pequena na cozinha e talvez outra grande na sala de jantar. assim sobra pouco tempo para desfrutar a hoover.

  6. a questão aqui, Zézinho, é que a essência daquilo é mesmo a mentira que é a realidade: os joventalóides, e até os adultalóides desajustados da idade, andam mesmo de prancha e de copo na mão; e beijam-se minutos depois de se conhecerem; a questão é que se trata de um reforço da realidade. e não penso que são os meios de comunicação social, versão entretenimento, que terão de preocupar-se com a conduta e boa formação da sociedade – para isso servem a família e a escola, em primeira instância, e a auto-conduta e auto-formação na vida. não vamos culpar elencos televisivos, que ainda por cima são, sim, inspirados na realidade podre, mas realidade, da sociedade pelas acções dos elencos diários na vida de cada um. vamos é tentar reeducar para a auto-consciência e análise e crítica de cada um; vamos, antes de fazer filhos, pensar se estamos aptos a indicar-lhes o caminho e, depois, garantir que, pelo menos, lhes demos todas as ferramentas para eles fazerem o navio e navegarem na vida.

    o que não me toca, não me toca – e até pode não parar de tocar o dia todo.

    de resto, foi um texto diferente: intervencionista. parabéns por isso.:-)

  7. ó pá, ó pra eles, os teus acólitos acorrem ao apito da tua caganeira meu,há quem goste de merda, como assanhada, ó pá, até as mulas e burros olham prá lado, mas tu deves ser daqueles que só lê o record qando estás no trono a arriar o calhau, meu, a ver a cor do cagalhão que largas, fica sabendo que são os portugas como tu que fazem a merda de país que temos, ó dissertador de verrugas, atão se tu perdes tempo a dissertar sobre sinais na tromba, achas que a juventalha, pá com as hormonas aos saltos, meu, perdem tempo a ler a merda que escreves, pa?tu podes esplurare pá a verruga que pra ti é a bandeira da ternura, e o jovem e a jovem não podem perder tempo em actividades piscatórias, meu, e de apalpação de terrenos, ó pá tu cala-te, tu cala-me essa bicanca, poe um açaimo nesse cerebro, meu, não deves ter grande marca de tv em casa, quando não já tinhas amandado com a porra cá pra fora, ó pa, só escreves merda, carassas, como é que tu podes exigir pá, educação aos outros se tu não a tens, ó cagamelo? tás xumbado pá, a gaja do beckam tamém diz que é cantora, mas a besta não dá duas pra caixa, e tu és igual, a solo, és o trauma do ponto final, carago. vai dissertar pá sobre a saia da mulher do cavaco, pá, quando veio cá o papa,cum catano.

  8. Percebo Sinhã, a ti não vai ninguém dizer como ao outro no programa do Jô Soares na TV «Não ponha insecticida na salada!»

  9. olhá merda de programas cu gajo vê, eheheheh, deves ver o goucha todos os dias e ficas invejoso por não teres sapatos e calças culuridas comó gajo, ehehhe

  10. :-) sabes, Zézinho, as novas tecnologias têm o peso que lhes queremos dar e somos nós que temos de dominá-las – não o contrário. dos insecticidas e das saladas são lições que têm de sair de dentro para fora como, aliás, tudo o que é importante na vida.

  11. Bom, eu acho que numa era em que tudo é espectáculo, fico um bocado surpreendido com a leviandade com que se critíca o comportamento dos burros e dos labregos (coitadinhos deles, pá!). Não percebo francamente a cassete do discurso de ódio, ao mesmo tempo que nem se tenta sequer perceber a dinâmica cultural que domina esta merda toda. Qual é o objectivo?

    Insultam as vítimas de uma cultura decadente, insinuando que os vossos hábitos culturais são mais dignos e por aí adiante.
    Numa época em que os mass-media têm mais influência perante o indíviduo do que a família e a escola, têm ainda o desplante de críticar o indíviduo? Têm a certeza de que querem ir por aí?

    Mas isto são só ironias das trágicas.
    Aqui há certo tempo, fulano tal, veio, indignado, relatar-me um episódio que viu numa sapataria. Estava um casal entusiasmado em comprar sapatos com a sua criança, com, passo a citar, um entusiasmo extraodinário; ao que parece, reparem bem, cometeram o ultraje de lhe comprar 3 pares de sapatos, umas socas de verão ou coisa parecida. A indignação resultava do facto de a criança ser muito nova, 3 aninhos, pelo que nunca poderia usufruir devidamente das tais socas: a criança cresce muito depressa e depois aquilo já não vai servir. Meu Deus: consumismo desenfreado – eis a sentença final. Termina aqui a história, que não vos quero massar.

    Não me passa pela cabeça a verdadeira razão do sentido da compra, mas sei o que a motiva: o incentivo ao consumo, matriz da modernidade sem o qual seguramente não estavamos aqui a teclar em portáteis todos supimpas, mas também o amor que os pregenitores, especialmente os mamíferos, tendem a ter para com o seus descendentes. O que no fundo quero dizer é isto: os pais fazem o melhor que sabem, influenciados pela cultura onde vivem , mas apesar disso não passam de montes de merda consumistas.

    Veio esta história a lume porque o inquisidor é da mesma raça. Insulta sem perceber; e mais grave do que não perceber, sem *intenção* de perceber.

    O que motiva a identificação das pessoas com aquilo que vêm na imagem em movimento, pelo menos para este caso concreto, são duas coisas muito simples de enumerar.
    A primeira, é que aquela série está feita para que haja identificação entre o espectador e os valores morais de quem os produz. A propaganda burguesa está tão bem montada que em vez de os supostos iluminados a denunciarem, afirmam com uma certa exposição primária que os outros é que são parvos.
    A segunda, é de caractér biológico: faz parte do crescimento do indíviduo a identificação com modelos que em sentido subjectivo identificam como dominantes. “O discurso dominante é aquele, é aquele que eu vou ser.” Somos todos humanos e estamos TODOS, neste momento, a consumir toneladas de merda. Se eu vasculhasse o vosso baú cultural, encontrava esqueletos daqueles mesmo jeitosos. Tipo um Correio da Manhã, uma Caras assim escondida debaixo das facturas da ZON (que tem canais cheios de cultura); quem sabe um bilhete do último benfica-porto, ou, permitam-me a ousadia, um DVD de um belo filme dos Óscars que vem com o jornal de domingo.
    A alternativa a esta pintura seria uma escola e uma educação no seio familiar com pujança, mas é evidente que essas alternativas estão minadas. O sistema está bem montado: não é por acaso que a Europa está de pantanas e etc etc etc. Não sei se repararam que temos o Cavaco como presidente, e o PPC, etc etc. É por acaso?

    O Bloco, que aqui invoco enquanto exemplo hipotético de política combativa e de crítica aguda, fodeu-se para todo o sempre e perdeu metade dos deputados. Fodeu-se porque não percebe a dinâmica cultural onde se insere e porque por tabela faz uma crítica rísivel (chumbo ao pec; recusa em falar com a troika).

    As críticas que movem o texto do José do Carmo Francisco também estão muito mal amanhadas: não só não eliminam o problema em questão (porque está mal enunciado); mas contribuem ainda para a sua manutenção, ao exibir um pensamento critico primitivo. Ironias, pá.

    O Derrida tem um livros porreiros que esgravatam esta merda toda, mas é preciso ter pedalada para os ler. Eu só oiço rumores, mas fica o recado.

    A ironia trágica está, pois, na acusação que é aqui feita: acusamos os outros por serem burros e por terem hábitos culturais da trampa, mas depois usamos a argumentação que o Marcelo Rebelo de Soura utilizaria se fizesse o comentário do costume competamente bebâdo.
    Faço o convite surrealista: leiam o texto deste post como se fossem o Marcelo Rebelo de Sousa, mas já bem enfrascados. É do melhor, ó se é.

    Despeço-me com um belo texto do António Guerreiro, que juntamente com o João Lopes, é dos poucos que já viu o rabo ao gato.

    http://aindanaocomecamos.blogspot.com/2011/06/como-reconhecer-esquerda-antonio.html

  12. Errata:

    Onde se lê:
    O que no fundo quero dizer é isto: os pais fazem o melhor que sabem, influenciados pela cultura onde vivem , mas apesar disso não passam de montes de merda consumistas.

    Ficava mais bonito se tivesse ficado assim:

    O que no fundo quero dizer é isto: de acordo com fulano tal, os pais fazem o melhor que sabem, influenciados pela cultura onde vivem, mas apesar disso não passam de montes de merda consumistas.

  13. ó cientista, pá, estiveste mesmo bem, claro, pá, é isso, mas olha, o zeca galhão não vai perceber a tua mensagem, sabes porquê, porque o gajo é um consumista e pior que isso, o gajo publica o que compra, tás a ver. ele tem uma hoover e um email e recebe as mensagens dos amigos de amesterdão, e de londres, pá,e tem um cartão do catano que lhe permite ira não sei onde comprar não sei o quê, e chama nomes aos outros, ora pá, o gajo já pariu filhos e netos, vê bem se o gajo aplica à famelga os nomes que aplica aqui aos leitores, imagina o gajo o chamar bandalho ao neto ou cabrão ao genro, sei lá, pá, tás a ver? os gajos cresceram no ambiente de palavrão, e de vaidade e o caraças e já viste o que saíu, chegámos á morangada cu gajo critica tás a morder? e o gajo ainda se apresenta na internete como juiz social nos açores, ouve pá, é isto que se diz educador e traze práqui meu, o parlapiê do velho do restelo, meu, não sei se alcanças o que debito pa, depois aparece a assanhada, a lóvare pá, o discurso do cavalo, que ainda pro cima diz mal do salazare pa, purque nos afastou do mundo, ó pa, tu já viste a contardissão, pois é, ó zeca, ó zeca galhão, conho, vai pró alentejo cavar vinha, pá, e cumer assorda, leva a sinhã contigo, pá, e fiquem pur lá adiscutir o metro da eletrónica muderna meus, cum carassas, já tou com o ataque ôtravez na língua, mas não bebo limonada cumo tu, ó bandalho, eu bebo bem pá, a minha gorge, calimero, é um canal bem oleado pelos prazeres do monte, lebras-te, o monte, ó torto.ó pá, vê lá se dizes mais uns nomes, pra eu variar, pá, que já me fartei de tar sempre a chamar-te os mesmos nomes, ó palhaço, bandido.

  14. Realmente, é tarde, estou sozinho, mas farto de rir. Ó antipassos, isso é que é inspiração, pá! O zézinho não mia, mas imagino a vontadinha… Ou será que o gajo tamém dá umas risadas? Até arrisco que sim. Mais post, menos post, e lá virão as bacoradas. Se não vierem, os próprios posts servem perfeitamente. Ainda não estou em mim com o da verruga! O outro, dos pulmões com olhos, inda malembro. Foi boa! A da hoover, e mais os mails de Amesterdão, são preciosidades! Também gosto que vá dando na ave depenada. Essa sim, tenho a certezinha que se farta de rir! Abraço!

  15. Ri-me às bandeiras despregadas.

    (Isto parece-me é que anda aqui clonagem que até mete impreççção.)

  16. brigado, pás, brigado. o zeca nesta altura já enrolou os intestinos no cérebro e o que vem aí só pode ser bosta gourmet pás, os pulmões com olhos, meus, já nem malembrava deça imagem literária, estilo personalizado, que só o atlas do corpo do zeca galhão cunhesse, pás, ó zeca pá, se os teus pulmões vêm, nesta altura devem estar impedidos meu, com tanta cousa que botas pró exteriore pá, os gajus prálem de se isforssarem a dubrare pá, ainda têm que apanhar com a circulação disvairada que anda no atlas do teu corpo, pá. cum catano, e a ave depenada, ora publica lá essa coisa na revista «ler», ouve só falas nesta, se me diceres outra, pá, tamém a indicu, tás a morder, oi, mas armas-te em saco lá de baixo, e tu vais a ver se eu não me apuro e não mando um discurso pá, nota bem, um discurso, não um discurço, com recurso a um dicionário dos teus, eheheh,depois é que ficas transpirado, com ús pés a pezare tuneladas, a gaja , a da cuzinha, aquela em quem tu vês o monte,vai ter de aplicar-se na siência da cuzedura das batatas com couves pá, pra te cuntentar, ouve se cagas cagalhões escuros, só podes cumer batatas cum cõves pá, senão cagavas de forma mais elegante, tás aver, com outra cor. cum catano, o tempo que percu cuntigo, pá, tenho aqui tanta burduada pra dar, fogo, e eis-me aqui em plena hora de produtividade, a iscrever-te. tamém, pá, com as novas do cabron do cuelho e do portas, o remorso não maborda, pá,tás a ver, mas olha, aviso-te, manda lá as tuas messages em forma de poema ou de textos redacionados, pá, atenta no quiscreves, pá. ó pá, já ouvistes que as verrugas tamém se tiram pá, olha eu tenho um sinal bem assim da nádega, pá, deus nosso senhor fê-lo com perfeição e fica-m emesmo bem, cum caraças, é pena é que aquela gaita tá pur traz, e apanho turssicolo sempre que á tua semelhança me ponho a admirare pá, os meus dotes curporais, tás a ver, ça quizeres mandu-te uma futugrafia do meu bleque berri, que não tenho mas fica bem dizer que tenho, mas deixa tar que amerda que tenho tamém futugrafa, e garanto-te que faz fotos bué da boas, pergunta á minha médica dermatulogista, tás a ver é uma sinhora, pá e não pudia mustrar-lhe a emorróda no rabo, parecia male, atão, futugrafei a porra e mustrei-lha via telemovel, o prublema pá, é qui à môlhé érrá curriosa, viu, e lá tive quê móstrarr aquela porra que existe no atlas do meu corpo, pá, fogo. ça quizeres dissertare sobre o tema, pá, avisa-me, queu ajudo-te e até te fasso a capa do livro, pá, eu escolho o título – ensaio em émorródas. fogo, ó zeca galhão, aí ficas famoso.

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