Vinte Linhas 634

Dissertação breve para um sinal no rosto

Os dermatologistas usam os termos da sua especialidade (papiloma séssil) mas eu aplico as palavras dos leigos – sinal, verruga, cravo. Vejo no teu rosto uma projecção do relevo e do clima. Os cabelos, soltos pelo vento, são prenúncio de tempestade. Os olhos, focos de luz e de escuridão, produzem em certas condições de pressão e humidade, breves aguaceiros de lágrimas. Ou na mágoa sufocada ou no júbilo a explodir. Uma especial meteorologia, sem boletins, expectativas ou valores. Vejo no teu sinal no rosto uma bandeira de ternura. Como se numa batalha, avançasse entre tambores e clarins, uma companhia de soldados invisíveis e silenciosos. Há no sinal no rosto um apelo de romaria e de oração. Vejo à volta do seu perímetro uma filarmónica rural, o pó nos sapatos dos músicos, o sol a rasgar tiros de luz nos instrumentos de metal, a procissão a acabar num cortejo de oferendas. No poema, como na oração, procura-se juntar de novo dois mundos separados pela distância, pela noite e pela morte. O teu sinal no rosto liga a geografia à emoção e inscreve, num quotidiano cinzento, uma ruptura de cores vivas, sons harmoniosos, caminhos abertos, horizontes rasgados até ao azul do mar. No poema ouve-se a música das ondas do mar, de sete em sete, na sua caligrafia de espuma, no seu ritmo de Natureza. Que é muito diferente da Cultura, com seus códigos e sinais, suas técnicas e segredos. Um sinal no rosto é uma consequência da Natureza que nenhum Atlas do Corpo pode explicar. A ternura traduzida em palavras frágeis numa elegia de poucas linhas, é já questão de Cultura. Entre a Natureza e a Cultura, um sinal no rosto convoca toda a alegria escondida na cidade e invoca o mais puro som do mar.

13 thoughts on “Vinte Linhas 634”

  1. eheheheehehheeh, cum carassas, pá, eheheheheheh, pera aí que me tremo de tanta risada, olha lá, atão tu falas em locatários pá, que é um termo específico e vens-me com esta de que és leigo em dermatologia, pá, eheheheheh, verruga, ó cagamelo, e aquela, pá, aquela dos olhos, focos de luz e de escuridão, produzem em certas condições de pressão e humidade, breves aguaceiros de lágrimas, eheheheheh, a metereologia chegou aos olhos da cara com a verruga, até Deus se dobra de tanto rir, ó pá, a sensibilidade não se compra, meu, nasce-se com ela, pá, depois misturas a paz do rosto com a batalha dos homens invisiveis, ó cagamelo, e esta, ai esta, ai santinho, Um sinal no rosto é uma consequência da Natureza que nenhum Atlas do Corpo pode explicar, ó pá, se um cirugião vê a tua escrita antes dóperar, tá feito, as mão cumeçam-lhe a tremer de tanto riso, e lá se vai o corpo, olha lá, paças da meteriolojia pá prá cultura, ai e a elegia de poucas palavras ai esta, ai esta, dói, ó meu, vou-me embora, pá, vou rapar as pernas, queu preciso de me distraír cum algu original, fogo, fogo.não aguento meu, tu traumatizas, pá.

  2. ó zeca galhão, pá, já iscrevi sobre a trampa que publicastes, pá, e nada daparesser aqui. tábém, ó cagamelo, olha lá, meu trambolho, o vinagre e o azeite pá não se misturam, pá, é como as linhas paralelas, ó safado, nunca sencontram, carassas.vé bem o título que dás á cousa escrita, pá, ainda se fizesses uma dissertação sobre um sinal no olho do cú, pá, o pessual, vinha aqui e até mandava uns bitaites pra compor o panorama, agora assim, falas sobre verrugas na cara, mas não dizes em que lado da cara, pá, tá aporra do sinal, pá, tu que falas do lado esquerdo da árvore e o carassas, pá, que falas em geografia pá, cumo é que queres ca gente imagine a gaja que tem o sinal, ó bandido? ainda pur sima falas quês leigo, olhá lá ó palhaço, atão andas praí a falar da locatárias das tarefas quotidianas, fogo, e agora dizes quês leigo, tu já viste se os dermatolojistas dissertassem todos sobre os sinais que o atlas do corpo não conhece, ó pa, távamos feitos, era o prinúncio, como tu dizes de qualquer merda, e esta pá, e esta que tu dizes pa, Os olhos, focos de luz e de escuridão, produzem em certas condições de pressão e humidade, breves aguaceiros de lágrimas, ouve lá, que me dobro de rir, até me veio a soltura, pá, fogo, pá só te falta dizer quais são as condições de pressão, meu, e ahumidade, cum catano, olha que tas enganado, á quem não tenha sacu lacrimal, carassas, cumo é que tu fazes com esses, pa?porra, já me chatiei com esta merda, pá, ainda purcima misturas ternura com soldados e guerra, ó pá, tas xumbado, pá. a literatura pá não é a sopa da pedra, ó bandido. safa.e depois falas de cultura e de elegia de palavras, ó pá, poe algemas nessas mãos, chama a sinhã quela sabe como fazer isso, tás a ver, falas-lhe em pirilau, e a gaja aparece cu rabão a dar a dar, e traz xicote e tudo, pra te dar com ele no lombo pá, que tu mereces umas boas cassetadas, andaste a chamar nomes ao maralhal, fogo, charolês, pá.safa.

  3. ó zeca galhão, pá, olha, os teus rabiscos das verrrugas e sobre os montes tão prós sentidos dos inteligentes como está a mulherzinha du dizenho pra estrada, pá, a gaja anda a passear o cão na linha do elétrico, pá, já vistes, e a varina, que tá pur cima do carro, a gaja assim não consegue vender a sardinha pá. perssebes, ó zeca, fogo, pá, á coisas que não se misturam, e já que voltas atras no tempo, meu, esqueceste-te do cureto e do miradoiro, ó trambolho, ehehehehe.

  4. um sinal como bandeira de ternura. que imagem tão doce. todo o texto é doce, aliás. :-)

    mas a imagem é repetida porque eu lembro-me do gato, de rabo enrolado, lá em cima.:-)

  5. Sinhã tens razão mas não tinha outra imagem à mão. Este texto tem a ver com o eléctrico 28, foi inevitável o recurso…

  6. Sinhã – Já agora ali ao lado são as Portas do Sol, bom sítio para tomar uma limonada e ver a paisagem.

  7. eheeheheheheh, cada cromo, ó pá, hei-de aparecer por lá, espera aí que menganei a escrevere, eide aparesser pur lá pra ver as trombas de ambos, pra assanhada levo repelente, que a dita vê pirilaus na cara de todos e cumessa logo a magicare o pecado, ó zeca galhão, contigo pá, vou-me assentare ao pé de ti pá, e vou cumessar a gritar, este é o gajo que xama torto ao meu avô e me chama bandalho e trambolho e bandido, espera aí, a outra a fuleira da sinhã, é a que me chama filho da puta, oi, meus, vai ser cá um chavascal, bem, tás a ver não tás, e depois digo ao pessual que tu és juíz social do tribunal de menores nos açores,ai o catano, quando eu disser isso, ó pa, a comissão de proteção de jovens e menores vai alegar que a geração futura está em perigo, e olha que eu provo o fel que te corre nas entranhas, nessas veias que nenhum atlas do corpo conhece e os teus olhos, expressão da raiva contida num coração de calhau, nestas condições de pressão e de humidade, farão ribombar trovoadas ensurdecedoras de lágrimas, com o som do motor de um avião, ó pá, este avião é o mesmo do poema da treta que tu amandaste cá pra fora há dias, ehehehehhe, limonada pá, fogo, logo vi que tu não aguentas uma bejeca daquelas que faz arrotar a merda ruidosa, e ca sabe tão bem, com caracoletas, caracóis e tremossos, oi, cumessa aolhar por cima, eu vou aparesser, ó palhasso. charolais, ó pá, tás a ver não se aprende só franssé na iscola de vila franca pá, hein,ó nobel do nada.

  8. ó zeca, pá, procura ai no teu dissionário como é que se diz pirilau em linguaje de dermatologista, ouve, faz aí uma dissertação ao pénis da Sinhã, a assanhada.

  9. Já te foste meter por caminhos duvidosos, zézinho. Gabei-te o texto anterior e olha o resultado: escreves este, e metes as mãos pelos pés. Uma verruga, pá, até uma verruga te aguça a inspiração para escrever um post?! Raio de gosto, meu. Ao ler, imaginamos logo aqueles horríveis sinais de carne, que metem aflição. E dizes tu que a verruga «é uma bandeira de ternura»???! Que «à volta do perímetro da verruga vês uma filarmónica rural, o pó nos sapatos dos músicos, a procissão e o cortejo de oferendas»??? Larga dessa, pá! Ninguém aguenta um texto de Cultura onde a personagem principal é uma verruga!!! No próximo post, diz-nos, pelo menos, quem é a dona da verruga a quem dedicas este pesadelo rústico e verrugoso… É o mínimo que podes fazer pelos teus leitores, pá!

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