Vinte Linhas 585

Breve dissertação para o livro verde de Marta (foto do Arquivo Pitoresco 1864)

Escrevo na esplanada da Pollux (Rua dos Fanqueiros) onde viemos descansar duas vezes com um refresco depois das compras antes da tua partida para Évora (em 2003) e antes do teu primeiro dia de trabalho (em 2008). O objecto procurado em 2008 era um «termus» para manter a comida quente. Os aviões em frente continuam a descer sobre a cidade no ritmo de dois em dois minutos – TAP, AIR FRANCE, SWISSAIR, KLM, ALITALIA. «Pombas de metal» lhe chama o poeta Armando Silva Carvalho. Chegam aqui ruídos próximos: autocarros e eléctricos na praça da Figueira. Chegam cheiros dos restaurantes vizinhos: feijão para o cozido semanal. É hoje o dia. Á esquerda o Tejo com o pórtico da Margueira a anunciar uma moldura para um quadro. À direita o alto do Parque Eduardo VII e o palácio da Justiça de Manuel Geraldo escrevia as suas crónicas para o «Diário de Lisboa». Em frente as ruínas do Carmo e a metálica eficiência do elevador de Santa Justa. Atrás das pedras vivas do Convento vê-se o Teatro da Trindade e ao lado o centro comercial nascido no Teatro do Ginásio. A seguir a igreja de S. Roque com o melhor miradouro da cidade e, logo ao lado, o antigo jardim de S. Pedro de Alcântara. As gaivotas gritam no ar desta manhã de Fevereiro uma espécie de vírgulas sonoras na paisagem cheia de luz que bate no castanho dos telhados. Os sons de S. Nicolau rompem a serenidade da manhã mas a horas certas. E eu fiquei feliz por ter descoberto o teu primeiro dicionário, o Francisco Torrinha, comprado para ti em 1991. Estava com prontuários, vocabulários, gramáticas e outros dicionários. Mas só to devolvi em 2011 ainda a tempo de te pedir desculpa pelo atraso. Só agora descobri.

40 thoughts on “Vinte Linhas 585”

  1. Belo texto, poeta, obrigado !
    O seu a seu dono, é a moral da história que, neste caso, é o seu a sua dona !
    Se bem avalio, está desculpado !
    Jnascimento

  2. Parece que sim meu Caro Joaquim do Nascimento, também conhecido por Joaquim Costa d´África. DE São Tomé ao Niassa está tudo por sua conta. Um abraço JCF

  3. tu diz-me, Zézinho, se o feijão é do verde porque mesmo assim não estou a ver onde é que entra no cozido (isto se o cozido é à portuguesa). fiquei confusa.:-)

  4. Não não era verde o feijão – na minha terra chamam a esse os «patarecos». Era mesmo feijão encarnado, daquele que junto com as couves, o nabo e a cenoura acompanha as carnes do cozido + as chouriças. Posso garantir, estive lá mais de 30 minutos entre as 11h e as 11h 35m. Um cheiro espectacular…

  5. Este tipo agora acha-se engracadinho! Pensa que tem laracha e que se faz notado pela vulgaridade das respostas reles. E ganda vai o namoro com a ave de mau-agoiro, que também não tem graça: só desgraça. Fazem um lindo par, sem dúvida! Também, só a passaroca para trocar mimos com este passarão! E quem mais teria o «poeta» para dialogar em penúria de cavaqueira, digam-me lá?

  6. Eu diria antes uma passarinha a bicar num morango que não está para dentro, ó Joca! Diálogos paupérrimos, muito estúpidos – nem sequer chegam a ser da treta. Só se forem da teta duma vaca que já deu leite!

  7. ai se eu pudesse, andré. se eu pudesse punha todas as vacas do mundo a dormir em edredons de penas e a serem escovadas e mimadas todos os dias. :-)

    (e punha-te a ti a apanhar os poios, ininterruptamente, de elas todas) :-D

  8. «…grandes javardos…estão bem um para o outro. Safa!» Como é que te saiu um «retrato» tão fiel de ti, chiquinho, e da tua passarinha?! Parabéns, pá!!! Finalmente, começas a saber escrever…

  9. Grande bandalho; eu chamei javardo ao outro e a ti. Não tentes fingir que não percebeste. Volta lá para o cano de esgoto de onde vieste. Rápido!

  10. Vira o disco, pá, vira o disco. Essas já são velhas! Falas tanto em cano de esgoto que deves conhecê-lo bem. Ainda lá moras? Rápido, pá, vai ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e lê o significado de bandalho: pessoa sem vergonha, sem brio, sem dignidade, cujo comportamento é desprezível. Gostaste? Ainda bem, pá. É sinal de que te vês ao espelho!

  11. Sim, tens razão: a pocilga também te fica a matar! Agora um «andor» numa pociga, já viste? Fica a destoar! Queres um conselho? Vai dormir que o teu mal é sono, ó raminho de salsa (bendita Maria!) do Bairro Alto ou do Príncipe Real – «para o caso tanto faz»!

  12. (intervalo: joca/andré, não tinhas já assumido que esses nicks dizem respeito à mesma pessoa, quando te enganaste no nick a certa altura, lembras-te? então, que jeito estares a fazer claque a ti próprio?)

  13. Òh Edie – boa malha!!! Embora seja um sem-abrigo informático já me tinha parecido que se tratava de um desdobramento. Safa!

  14. E que mal têm os nicks? Estão de acordo com os posts, nada de mais. Quero dizer: para o caso tanto faz, como escreve o chiquinho. E como tens aceso aos nicks, já agora? Olha, Joca, ou André, escolhe o que mais te agradar, «edi»! E tu, quantos nicks tens? Eu até tenho mais, mas não te digo. Agora que o chiquinho ficou radiante, lá isso ficou. Coitado, contenta-se com pouco…E essa da «inveja» gostava que me explicassem de quê?! É tão vulgar essa palavra na boca dos que nada têm que nos faça inveja! Inveja é o que se aplica ao chiquinho quando achincalha nomes como o do Saramago, do Drummond de Andrade e outros. Até breve!

  15. Embora este blogue seja “socrático”, fica mal a qualquer Edie ou Sinhã, dar a entender que são sempre os mesmos a criticar a prosápia de taberna do JCF, na resposta a comentários.

    Sócrates sempre que é contestado, diz sempre que são os “comunistas”, “os comedores de crianças”. Aqui fingem que é sempre o Joca André Maria.

    O JCF devia saber que são poucos os que conseguem cair em graça ao serem engraçados com as palavras.

    Mas como burro velho não aprende línguas, as suas palavras vão continuar a sair do tal esgoto que ele tanta fala e onde gosta de esfregar o ego.

  16. Sabe, Edie, é fácil de existir alguma solidariedade entre comentadores, quando o autor em causa se julga um “erudito” da poética, cuja obra está acima de qualquer critica.

    Normalmente vejo as pessoas manifestarem a sua opinião sobre os poemas ou a prosa e receberem (se ele não quer receber comentários negativos ao seu trabalho, feche a caixa ou faça moderação…) em troca insultos pessoais.

  17. Boa malha! Os coices dos outros são «manifestações de opinião» mas as minhas respostas já são «insultos». Vai tocar tangos para a tua rua!

  18. jcfrancisco e sinhã fazem um lindo par, embora a passarinha seja menos ofensiva; prefere as brejeirices picarescas. Uma questão de gosto, talvez um estilo pessoal. Agora o «poeta», torna-se verdadeiramente insuportável. Qualquer um perde as estribeiras e não pode deixar passar em claro tanta arrogância. Como diz o «advogado de defesa», «…quando o autor em causa se julga um «erudito» da poética, cuja obra está acima de qualquer crítica.» Os seus textos não têm qualidade e os comentadores limitam-se a confrontá-lo com essa realidade, nada mais. Os seus insultos, a sua falta de classe, são evidentes. Nenhuma pessoa educada se comporta desta maneira. Seja eu o André ou o Joca, não é importante. Vulgaridade reles não costuma ligar bem com aqueles que se intitulam «poetas, escritores, jornalistas ou mesmo bancários». A grosseria é aquela que pode ler-se na resposta de cima… E, quem sabe, se o Joca não é… irmão do André? Talvez o «edi» não se tenha lembrado disso…Mas não tem importância. Importante é fazer lembrar ao chiquinho que olhe menos para o seu umbigo e deixe de nos enjoar com tanta vaidade e cultura de almanaque…

  19. “Nenhuma pessoa educada se comporta desta maneira”. Concordo com isso, Joca das mil caras. E apesar de não ser um entusiasta do JCF (longe disso), julgo que mesmo uma pessoa educada acaba por mandar foder quem não lhe larga a barguilha com tanta ferocidade, quase como numa missão. E, que eu desse por isso, ele nunca foi tão directo como eu, pessoa mal educada, seria a exprimir a sua justificada ira.
    E digo mais, nenhuma pessoa com os parafusos todos se presta a falar consigo própria em público só para simular uma “multidão” de clones anti-JCF. Tu pareces conseguir coordenar esse desdobramento de personalidades com algum tino e até soas coerente e isso tudo, mas porra: é preciso ser mesmo melga para comprar a guerra com tanta fúria que um gajo até acaba quase a tomar partido pelo JCF que apesar de insuportável me parece um tipo com bom fundo.
    E a coisa só seria equilibrada se ele também pudesse ir largar umas bojardas a um blogue teu. Assim a luta é desigual, entre um gajo que dá de si perfeitamente identificado (leia quem quiser, ele não obriga ninguém) num espaço gratuito e um/a mascarado/a sem nada a perder que toca e foge.
    Soa cobarde, dês a volta que deres, se não equilibrares a parada…

  20. Este «tubarão» que eu conheço de outros Blogs é impecável – acerta sempre. Obrigado, boa malha! Já agora penso que achará engraçado saber que o meu neto (de 4 anos) chama «museu dos tubarões» ao «oceanário». E esta, hein?

  21. Shark, dizes «é preciso ser mesmo melga». Queres mais melga do que o jcfrancisco?! Porra, digo eu! Pensas também que «simulo uma multidão de clones anti-jcfrancisco»?! Ora põe tu «os parafusos no lugar» se fachavor. Lê bem, compara os comentários e vê menos filmes. Se tivesse um blog e escrevesse mal como escreve o jcfrancisco, ainda por cima um canganças, que remédio tinha senão o de aceitar os comentários pouco abonatórios que me fizessem. Ou achas que começava a insultar os comentadores? Se o jcfrancisco tivesse menos vaidade e mais qualidade na escrita os meus comentários seriam de apreço. «Leia quem quiser, ele não obriga ninguém». Mas se publica, é para que se leia! Mesmo num jornal, qualquer leitor tem o direito de opinar sobre aquilo que lê. Se o jcfrancisco não quer que lhe façam comentários pouco abonatórios, não publique, não se arme em grande, não se gabe, não nos fale de nomes que não lhe passam cartucho, nem de mestrados, nem de enciclopédias, nem do Saramago. Que não chateie! Principalmente, que comece a escrever textos a que se possa chamar poesia. Tu mesmo dizes que concordas quando afirmo que «nenhuma pessoa educada se comporta como ele»; que «não és um entusiasta do jcfrancisco, longe disso»; e que o «jcfrancisco, apesar de insuportável te parece um tipo com bom fundo». Bom fundo não me convence, dado o insulto e o desprezo quando trata por «lixo humano» a quem ele não conhece. Falas ainda em «ferocidade» e em «fúria» nos meus comentários. Por acaso não te enganaste e confundiste com as respostas do jcfrancisco aos seus comentadores, ou estás a brincar comigo?! Só podes! E pergunto-te: se eu assinar os meus comentários como André Filipe de Freitas, em vez de Joca ou apenas André, muda alguma coisa, pá? Pois. Se calhar, os dois até se conhecem, adivinha lá? Também posso dizer que te escondes atrás do nome shark. Quem é o shark? Se vamos ao teu «perfil público» ficamos na mesma: tens a foto, e mais? Não ficamos a saber quem és! Caras há muitas e parecidas! E falas que «soa a cobarde»?! Quantos pseudónimos encontras tu a assinar os comentários aos posts do aspirina? Conta-os primeiro e depois voltamos a falar… Quanto ao que chamas «missão», é mesmo impossível, pá, completamente! Enfim, com as tuas palavras puseste o chiquinho a bater palmas e a gritar, como de costume: «Boa malha!» Com o contentamento nem sequer reparou nos teus «contras»! Ó pá, não há pachorra, uma chatice…

  22. Pronto, ao menos fica a coisa bem explicada. E se invocas direitos (para mim) incontestáveis fico logo arredado de fincar o pé na argumentação só pela teimosia, pois também já tive a minha conta de comentadores antagónicos e lá me vou aguentando à bronca já vai para sete anos.
    Eu chamo-me Jorge, a foto é minha (embora já com uns anitos, sempre evita uma trabalheira com o photoshop…) e por todo o blogue espalho o sítio onde vivo, o meu ofício e mais uma vasta panóplia de elementos que bastam para quem queira chegar até mim sem bússola.
    Por outro lado, já conheço em pessoa dezenas de colegas que blogam e isso tira-me a mística do anonimato mas confere autenticidade à minha identificação.
    Quanto ao resto, mantenho que és um melga, pachorra não te falta e idem na motivação, tal como repito que não atino com a atitude, não aprecio o estilo e não reconheço mestria ao JCF na sua arte mas rendo homenagem à sua persistência e à sua escolha inequívoca da cultura como farol. É um mérito real, tangível, que não assiste a tantos assim.
    E assim sendo, nada mais me resta do que continuar a apreciar o vosso pingue-pongue admirando a energia mas lamentando a onda negativa (até porque o teor da tua resposta deixa entender que também não és má rês), porquanto justificada na perspectiva de ambos os lados da barricada…

  23. JCF: não acerto sempre, nem gostava pois isso ia privar-me de imensa aprendizagem ao longo do caminho. :)
    Já a do museu dos tubarões até me arrepiou, por em simultâneo me recordar da iminente extinção de várias espécies de esqualo que resultaram de milhões de anos de evolução e, por associação de ideias, da minha própria condição nesse contexto temporal.
    E espero que esse neto cresça feliz e saudável e te dê muitas alegrias nesta fase da tua vida que não tarda tou lá.

  24. Este palonço mal desdobrado (Joca/André) acaba por ter graça mesmo quando quer ofender. Pelos vistos este pobre nunca leu o «triplov» nem a Revista Ler nem a Gazeta das Caldas nem a Colóquio/Letras nem o Diário Insular nem a Voz de Alcobaça – por exemplo. Chegou agora de Marte ou coisa que o valha.

  25. Shark: ora vê lá se não é o que eu te digo! Não se encherga este gajo! Nem que lhe abrissem a mona entendia que a sua prosápia, como está provada mais uma vez na resposta de cima, faz dele uma pessoa tão ridícula quanto detestável. Chiça!!!

    Shark: gosto de ti, pá, pareces porreiro! A tua cara também não engana. Essa do «… não acerto sempre, nem gostava pois isso ia privar-me de imensa aprendizagem ao longo do caminho» é bonito de se ler. Assim, merece a pena perder um pouco de tempo, numa conversa adulta e amena – uma espécie de cavaqueira, embora virtual…

  26. Isto dá a razão à teoria de que da discussão nasce a luz. E esta, ao contrário de uma poia, não bóia mas também acaba sempre por emergir…
    Uma conversa, desde que atinada, nunca é uma perda de tempo (sobretudo na tal perspectiva de arranjarmos sempre um espaço para as lições uns dos outros).
    E o epílogo deste papo, incluindo a componente folclórica, não deixa margem para dúvidas de que não só valeu a pena como acabou por ser um prazer.
    Vamos ficar por aqui senão a malta vai temer que por ter sido dia dos namorados ainda acabemos aos chochos ou assim…
    :)

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