Vinte Linhas 584

Tipos lisboetas de Eduarda Cary na Fábula Urbis

Por um daqueles meros acasos de Lisboa (há quem diga que o acaso não existe…) descobri um livro de Celestino Gomes no mesmo dia em que visitei a exposição de 12 quadros de Eduarda Cary na livraria Fabula Urbis.

O livro tem por título «Jornadas de borda de água» e o seu subtítulo é «Parábolas – homens – terras». No capítulo das «terras» surge um texto sobre a cidade de Lisboa: «Foi aqui que Baudelaire-Poeta, ele também embarcadiço de retorno, com suas malas de caixeiro, à volta da Ilha Maurícia aonde foi aprender a morbidez mestiça de certas «flores do mal», anotou que «le peuple y a une tel haine du végétal qu´il arrache tous les arbes». Parece que o ódio às árvores (ainda agora expresso no Príncipe Real pela quadrilha selvagem da CML) tem a ver com a herança recebida dos árabes do Norte de África porque para eles uma árvore podia sempre esconder um inimigo.

Mas Lisboa não é só (e apenas) árvores mortas, continua a ter «tipos» ou memórias de tipos e é dessas memórias que são feitos os 12 quadros da exposição de Eduarda Cary na Fábula Urbis, ali atrás da Sé.

Como convite aqui vos deixo a figura do «Padeiro» e a memória justificativa dessa figura: «O Padeiro saía manhãzinha cedo das padarias, transportando grandes cestos de verga cheios de pão, tapados com panos brancos para, a pé ou de bicicleta, o levar aos fregueses certos da zona, a troco de uma percentagem sobre o preço fixo. Os fregueses, muitas vezes, deixavam à porta de suas casas um saco de pano onde o padeiro colocava o pão encomendado». Fim de citação. A não perder.

18 thoughts on “Vinte Linhas 584”

  1. (cá está um dos irmãos Zézinho. meeeeedo) :-D

    ouve, nem posso ouvir disso do ódio às árvores. árabes que os pariu. e também não gosto do homem do cesto, é muito cabeçudo e tem os botões apertados até ao caroço. :-)

  2. Sim, cada árvore pode esconder um inimigo… Uma das pessoas que se interessou pelo tema foi Raul Lino pois já naquele tempo (anos 50) havia quadrilhas selvagens na CML…

  3. JCF,

    Fora de brincadeiras e muito a medo, ponho-te esta questão: onde é que foste descobrir árabes na África do Norte? Antes de aplicares esse rótulo, muito discutível, deverias perguntar a ti mesmo se um gajo da Guatemala a falar a língua oficial do seu país pode considerar-se espanhol.

    Quanto a cortarem árvores, bom, não vás mais longe, um gajo anda kms e kms em Moscovo e não vê uma única palmeira. É de presumir que os gajos as tenham cortado todas, pior ainda que a CML no PR.

  4. Não fui eu foi o Baudelaire; pelo menos é essa a citação do Dr. Celestino Gomes no livro «Jornadas de borda de água».

  5. Vem no nosso querido «Moraes», página 305 – homem grosseiro, brutamontes, nojento, imundo. Ainda não tinha calhado mas veio e saltou no momento certo.

  6. Um autêntico nojo estes comentários entre o bloguista – principalmente – e a ave de arribação. Conheço muitos blogs mas em nenhum encontro maior penúria, quer na escrita deste autor, quer no baixo nível dos comentários. Lamentável e vergonhoso, considerando os excelentes textos de Valupi. jcFrancisco devia ser proibido de escrever no AspirinaB. Não passa de um pobre bobo da corte!

    Não vou voltar, podem ficar descansados. Fiquei tão enjoado que vomitei…

  7. Óh Sinhã este javardo diz que eu devia ser proibido mas não diz (nem pode dizer) por quem. Nem explica a memória justificativa dessa hipotética proibição. Pronto…voltou para o cano de esgoto de onde saiu por momentos.

  8. Que horror… digo horror não por mim (sei que estou a prazo) mas por ti. Ninguém te vai matar aqui, foi uma imagem. Fazes falta!

  9. Olha o chiquinho a dizer que a passarinha «faz falta»! Pudera! É só ela que diz bem da poesia dele! Fosse eu o patrão do Aspirina B iam os dois para o olho da rua. Ou para o outro olho que ambos conhecem bem…

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