Vinte Linhas 531

Os bons, os maus e os vilões – tudo no mesmo dia

Parece de propósito mas tudo aconteceu depois de publicado no «aspirinab» um texto de memórias sobre o actor Lee Van Cleef. De manhã apanhei na Rua da Escola Politécnica um casalinho que fingia não ouvir a senhora da padaria a dizer «Venham pagar a garrafa de água!». Foram esconder-se atrás do caixote do lixo na Rua do Salitre e quando lhes falei fugiram pela rua acima. Aparentemente são pessoas normais mas na verdade não são nada normais. Quem rouba uma garrafa de água numa padaria é uma cavalgadura. A única boa pessoa é a senhora da padaria. Horas depois soube que, no prédio ao lado do meu, um indivíduo estrangeiro que exerce a profissão de professor em Portugal juntou um monte de cartas e só o entregou á dona da casa onde viveu estes meses no dia em que se foi embora. O grande palhaço não quis perceber que em Portugal as pessoas recebem cartas e não estamos no deserto do Norte de África. Aqui as notícias não vão de camelo; camelo é ele, o brutamontes chauvinista. Ao fim da tarde assisti a uma cena incrível: um gajo miserável dizia com um ar bastante empertigado ao recepcionista de um Hotel o seguinte – «Você garante-me que nos últimos dois anos não ficou nenhum gato neste quarto?». O rapaz respondeu o mais correctamente possível: «O nosso Hotel tem excelentes padrões de limpeza e desinfestação!». Mas o parvalhão não desistia: «Está provado que os pêlos dos gatinhos ficam dois anos e podem incomodar o cão…».

Cambada de trambolhos: o casalinho da manhã pareceu-me português, o estranho professor que amontoou correio é francês e o burro que incomodou o recepcionista do Hotel é espanhol. A CE está a enlouquecer aos poucos, é o que parece.

7 thoughts on “Vinte Linhas 531”

  1. Ó Zé,

    Vejo que o teu entusiasmo de vigilante dos princípios éticos do cidadão continua fogoso como sempre. Porque não marcas, sem que a tua mulher saiba, está-se a ver, um encontro com a “boa padeira” para ver se ela te amassa o papo-seco? Tenho a certeza que levantarás a “moral” da comunidade sem utilização de fermento.

    É que a ti, que conheces bancos por dentro e por fora, nunca te vi acender um fósforo para nos iluminares sobre as grandes falcatruas do peixe grosso da finança. E olha que isso era capaz de ser a tal mudança de ares que bem precisas. Fá-lo em verso, tanto faz.

  2. Giroflé,

    O que vale é que hoje trouxe fraldas, posso mijar-me a rir à vontade…Só não percebo muito bem essa ideía de pôr o Zé a falar de peixe grosso…É muito cherne para a caixa de sardinha dele, não?

  3. FV,

    Tens razão, ele parece que ainda não viu, e provavelmente nunca irá ver, que mais vale criticar dois ou três chernes que mil sardinhas. O “cherne” da questão, é isso.

  4. EHEHEHEH

    Amassar o papo-seco? ehehehe
    levantar a moral?

    Sem necessidade de fermento?

    Ó GIROFLÉ, diz logo o nome da coisa pá. Se não põe fermento, a moral não levanta, homem. Já lhe ouvi chamar muita coisa, mas «moral», «papo seco».

  5. Giroflé & Co – de que lado estão vocês? do casalinho que roubou a garrafa de água, do franciu que acumulou o correio do dono da casa ou do espanhol maluco que queria a garantia de que nenhum gatinho tinha estado naquele quarto nos ultimos três anos? Não se pode estar no meio: ou com eles ou do meu lado. Quanto à Banca nunca esqueço de uma história sórdida: um palhaço qualquer passou a informação de que o BPA estava a enviar divisas para o estrangeiro. Saiu em vários jornais de Lisboa; os jornalistas também nada sabiam do assunto. Tratava-se simplesmente de enviar para Zurich várias divisas sem cotação em Portugal compradas por nós ao balcão sob cotação arbitrada de Zurich tal como a dracma, a libra irlandesa, a libra de Malta, o dirham de Marrocos e outros. Claro que o dinheiro não saiu; pelo contrário entrou na nossa conta junto de um Banco Suíço mas como nós temos que sair à rua para ir ao Banco aquele pacote teve que ir para Zurich para o dinheiro entrar em francos suiços na conta do nosso Banco. Burros…

  6. Eu cá estou do meu lado, nunca ouvi, repito, chamar moral, papo-seco, caixa de sardinha ao «dito». Abono de família, caixa de previdência, pensão de alimentos, sardão, pau torto, sim.

    Não gosto de espanhóis, nem de franceses e não gosto de alguns portugueses. Os primeiros não falam, arranham as cordas vocais, os segundos são porcos, os terceiros são cagões.

  7. Toute a ber,

    Este é um blog de desliteratura, e desaprendição, tens que ir-te acostumando. Tira umas por outras que vais lá parar. Há que ter paciência…

    Zé,

    Obrigado por me teres informado sobre a célebre BRONCA que nunca foi. E noto em ti a esferográfica trémula do ser bem comportado que não quer prejudicar a reforma anticipada. Estarei louco, a ver “coisas”, ou tenho que encontrar uma padeira bem fornida que me faça esquecer isso?

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