Vinte Linhas 510

Cristiano Ronaldo – deveres de quem sabe e de quem não sabe

Depois de ter sido colaborador (Agosto 1988 – Dezembro 1996) passei a ser redactor do Jornal «Sporting» de Janeiro de 1997 a Novembro de 2006. Nessa circunstância muitas vezes entrevistei Cristiano Ronaldo. Porque conheço um pouco da sua história, revolta-me ainda mais o conteúdo de muitas afirmações que alguns comentadores despejam na imprensa, na rádio e na TV sobre o jovem madeirense. Mesmo depois de se ter transferido para o Manchester United falei com ele várias vezes em Alvalade, em Odivelas e em Barroca de Alva. Revoltam-me os comentários de quem afirma ser uma violência criar uma criança sem mãe quando o próprio jogador viveu a situação de ter um pai ausente nos tempos em que com ele convivi. Não por acaso a sua transferência do Nacional para o Sporting foi tratada pelo seu padrinho, o senhor Fernão, e pelo magistrado Dr. Marques de Freitas. Não por acaso nos primeiros tempos nos infantis do Sporting ele teve grandes amigos como Aurélio Pereira, Isabel Trigo de Mira, Osvaldo Silva, Paulo Cardoso e Leonel Pontes. Os dois últimos eram responsáveis pelo Lar do Jogador no Estádio José Alvalade. Leonel Pontes muitas vezes se levantou à meia-noite para o ir buscar ao Aeroporto da Portela, tratando-o com especial amizade pois também é Madeirense e conhece bem as circunstâncias da vida do jovem jogador. Para mim a trajectória do Cristiano é um milagre e eu admiro-o por ter atingido este ponto apesar de todas as contrariedades. Estive a seu lado em 1999 quando uma taquicardia lhe poderia ter destruído os sonhos num jogo com o Casa-Pia. Por isso considero que ele merece respeito tanto de quem o conhece como (ainda mais) de quem nada sabe da sua vida.

5 thoughts on “Vinte Linhas 510”

  1. (Para os portugueses, em especial) é muito fácil julgar as atitudes dos outros mesmo (e sobretudo) desconhecendo as circunstâncias em que aconteceram. Sobretudo tratando-se de figuras públicas com dinheiro, notoriedade ou poder.
    Num país onde muita gente com responsabilidades (mas nem sempre “responsável”) comete toda a espécie de atropelos e desrespeito pelas leis e património do país – e no fim todos “estão de consciência tranquila” e raros são os que não ficam impunes – “julgam-se” situações da vida pessoal de um cidadão que não dizem respeito senão a ele próprio (e, eventualmente, aos familiares mais chegados).
    Entretanto, os verdadeiros problemas que afectam todos e cada um de nós, ficam relegados para segundo plano…

  2. José Carmo Francisco, como é tão fácil escrever da vida das pessoas que do anonimato sairam e que são vencedoras! Concordo consigo a 100% quando diz ” admiro-o por ter atingido este ponto apesar de todas as contrariedades”, pois Cristiano foi um menino que sempre teve grande vontade de vencer e sempre foi um lutador. Estive muitas vezes com ele e ficava impressionada com a força que aquela criança/jovem tinha, e como ele sabia o que queria da vida. Só a jogar futebol é que ele estava bem. Lembro-me da 1ª vez que o conheci com 11 anos, na Madeira,e que lhe perguntei em que lugar ele gostava de jogar e, sem hesitar, disse-me “a avançado para marcar golos”. No dia em que foi eleito o melhor jogador do Mundo, eu e a D. Dolores estivemos a chorar ao telefone e só dizíamos “o nosso menino”… Se ele é o que é hoje, tem todo o mérito e só com a sua força de vontade e muito trabalho, é que conseguiu chegar a onde chegou! Deixem-no em Paz e tenham é Orgulho de um Português estar no topo do Mundo! Obrigada JCF por me ter referido como uma das pessoas que olhava pelo CR, pois infelizmente, agora que ele é tão “badalado”, todos são amigos dele….até quem nunca o conheceu. Saudações Leoninas ITM

  3. Ehehehehhehehehehhhheheh.

    Pois é! Mas há uma coisa que não foi aqui dita e debia tê-lo sido. Ninguém falou da irmã, a Ronalda. Canta que nem um lírio. Algum espectáculo qui pró Contnente?

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