Vinte Linhas 326

«Colchetes de ouro» não é de Alfredo Marceneiro

Durante umas horas valentes este Blog foi um espojadouro. A propósito da «balada do coletinho» e dos seus dois versos iniciais o Nik deu o mote com a frase infeliz «prefiro a letra do Marceneiro» e o Gandaenjôo atirou-se ao chão, rebolou-se e levantou pó com aquela da «falta de respeito pelo Alfredo Marceneiro». O Nik ficou-se pela ignorância mas o outro foi agressivo. Parecia um solípede nervoso, deitando espuma pela boca e expelindo pelas narinas um som aflitivo e desorientado. Deixei que o pó assentasse e fui confirmar ao livro sobre a vida do Alfredo Marceneiro (que me foi oferecido pelo seu neto Vítor Duarte) aquilo que já sabia. O autor dos versos conhecidos como «Colchetes de ouro» é o poeta Henrique Rego a quem muitos chamavam o príncipe dos poetas do fado. Príncipe porque o rei dos poetas do fado era, para muitos, Linhares Barbosa. A importância da amizade entre Alfredo Marceneiro e Henrique Rego era tanta que há um capítulo especial na Fotobiografia do primeiro sobre os versos do segundo. A moral da história é esta: não se deve acreditar em tudo o que aparece na Net. Só porque o Nik escreveu não pode o outro atirar-se para a frente e dar este espectáculo triste. Parecido com isto só a história da Alice Vieira que foi a uma escola e quando ouviu um aluno a dizer que ia ler um texto sobre ela não percebeu como era possível o miúdo dizer que ela tinha nascido em Braga, era invisual, tinha sido mãe solteira e outras mentiras. Afinal o miúdo tinha ido à Internet e copiado a biografia da primeira Alice Vieira que lhe apareceu. E nem mesmo o facto de estar à frente da escritora o impediu de dizer aqueles disparates copiados na Net. E a professora não fez nada…

22 thoughts on “Vinte Linhas 326”

  1. Tomei atenção à última parte do seu texto! Quando refere Alice Vieira! Isto aconteceu mesmo? A minha opinião é que o acto de copiar envolve alguma arte! Há miúdos que são muito expeditos no copianço, esse facto revela logo à partida que o aluno não quer estudar, é certo, mas ainda assim pode demonstrar que é inteligente, se o fizer bem, isto é, se foi capaz de sintetizar a matéria e de a relacionar, no fundo acabam por fazer um trabalho de pesquisa sem disso terem consciência! Talvez por isso há professores, que de certo modo e até certo ponto, não condenam o acto de cabular! Há outros alunos que neste aspecto são uma tristeza, pois são completamente incapazes de fazer esse trabalho, copiam na íntegra e não conseguem relacionar os assuntos entre si, foi o caso deste miúdo, nem copiar soube! O que vale é que estes casos são raros!

  2. A tua pesporrência de vaidosão auto-suficiente não tem limites. Se, como agora afirmas, já sabias que o autor da letra do fado de Marceneiro era o Henrique Rego(o que eu duvido), porque não assinalaste isso quando publicaste aqui o poema com os versos “emprestados”? O problema é exactamente o mesmo: não fizeste a devida vénia à autoria. Tentas agora safares-te, transpondo a questão para outro plano, para poderes apontar mais “ignorância”, como é teu vício. Não passas dum totó peneiroso e presumido, que nunca dá o braço a torcer, mas está sempre pronto a atirar pedras aos telhados alheios. Tem vergonha.

  3. Zé Carmo: lamento dizer isso, mas estás a faltar à verdade. O Vítor Duarte não é, nem nunca foi, neto do Alfredo Merceneiro. Espero que tal erro resulte apenas de uma momentânea confusão tua, pois todos os amantes do fado sabem que o Vítor Duarte era neto de um IRMÃO do Alfredo (o Vasco, primo da Clotilde). É esta falta de rigor que por vezes mina os teus belos textos.

  4. Pois desde sempre pensei que o Vitó era neto do Alfredo Marceneiro. Mais me convenci quando o referido senhor me ofereceu o livro que tem dentro um «CD». Fico surpreendido mas aceito a informação de quem sabe mais do que eu. Sendo assim trata-se de um sobrinho-neto e eu por diversas vezes o escrevi como neto mas convencido que estava a escrever a verdade. Foi ignorância – não maldade. Peço desculpa aos visados e a todos os leitores do «aspirinab».

  5. Estás desculpado, Zé. Eu sempre te achei um ser humano com muito jeitinho para a rima, bastante educado, realizado, com uma família inteligente e bem tratado pelo teu médico.

    E quem é que não gosta de dar uma de pavão de vez em quando? Umas vezes topa-se, outras não. É a putana da vida.

  6. Esta última é que eu não percebi… Parecia que estava tudo bem esclarecido: eu errei, o João Pedro esclareceu-me, eu pedi desculpa a todos pelo meu lapso e agora este exclamativo. Que quer isto dizer???

  7. Quer dizer que estás a ser gozado por esses malandrões aí a cima, pá. Mas como mereces isso e mais, está tudo certo.

    A minha avó ainda conheceu a Clotilde, prima do Vasco, irmão do Alfredo. O que o JPC não diz, mas é plenamente verdade, é que a Clotilde não só era prima do Vasco, mas também era prima do irmão do Vasco, do Alfredo. O que não é muito frequente.

  8. Não quer nada dizer isso. Gozado só se fosse como aquela história do contínuo do jornal O SECULO. Diziam assim os jovens jornalistas: «Boa tarde senhor pederasta!» Respondia o contínuo: «Sou pederasta mas sou pequenino; o Salazar é que é um grande pederasta!» Risota geral até que meses depois quando regressaram de uma Volta a Portugal em bicicleta os jornalistas voltaram a dizer «Boa tarde senhor pederasta!» e o homem respondeu: «Acabou o pederasta, um senhor já me explicou o que isso quer dizer» Ele pensava que era o mesmo que patriota…

  9. (ainda não percebi quem fez aquele poema aos saltinhos ali em baixo que gostei tanto, mas acho que isto agora é: afinal foram muitos :)

  10. Não percebeste não; finges que não queres perceber. Os dois primerios versos de Henrique Rego são glosados nos outros que se seguem que são meus. Vai pregar o teu sermão para outra freguesia. Andor, andor…

  11. O JCF já mandou embora daqui, deste blogue, a mais comentadores. Mas ao Z !?

    Que ele não se aperceba do triste espectáculo frente ao Nik, e até ao Estaca (olá, Britain!), pronto, é a vida. Mas o Z, que é da casa bem antes dele… Por amor de Deus.

  12. Ó z
    A miúda aqui, está numa boa! Finalmente de bem com o mundo. Ontem recebi um balão de oxigénio. AhAh! Aleluia! A minha prestação mensal desceu 95,00 euros e, estou desconfiada que, pelo andar da carruagem, daqui a três meses há mais! A vida é bela!!! Quem é que nos manda dar cabo dela?

  13. Fernando não mistures as coisas – não se trata de mandar embora em geral mas sim de mandar embora do comentário pois o que ele está a fazer é demagogia. Não me digas que não percebeste a marosca e estás a fazer uma «cena». O Nik ainda vá que não vá mas o outro é insuportável; desconfio que é um que junta três em um – é velho, é burro e é rapaz – mas não tenho a certeza. Olha comprei um livro teu à bocado na feira dos alfarrabistas na Rua Anchieta – «José Saramago – a luz e o sombreado». Como vês o Mundo é pequeno e o acaso é grande…

  14. não é nada demagogia, realmente as coisas são de muitos (o primeiro de muitos é três) e o que um gajo faz é a composição final e deve dar o seu a seu dono, é o que te aconselho para não teres de cá voltar para tratar desse assunto depois.

    Fernando: és mesmo tu? Com essa expressão do por amor de Deus não diria. Não tarda muito as tulipas vuuum,

    Milu: ainda bem, nesta fase da minha vida as v. alegrias são as minhas alegrias, no entanto há que aprender com a crise para ser mais selectivo nos gastos dá-me idéia, pelo menos comigo foi assim que entendi.

  15. E quem é que disse que as coisas não são dos seus autores??? Finges não saber o que é o «mote» e a «glosa» ??? Finges não saber o que disse Aragon «Car j´imite, tout le monde imite» ??? Finges não saber que toda a literatura é uma homengem à literatuta???

  16. não fui eu que disse, eu só li a confusão autoral que vai aí por cima, com famílias à mistura, e salvava-te ao dizer que era de muitos, o que te incluía, e era a verdade, como aliás decorre desse processo mimético geral que referes.

    Obstinado vieste usar a lógica de exclusão para demarcar território e agora ficas sob vigilância cerrada. Quando te libertares da propriedade autoral serás mais livre, é quando já não se busca isso que mais acontece. E tem ali em cima um à que é um há.

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