Vinte Linhas 288

Marcelo Rebelo de Sousa está comigo nos «atirados ao chão»!

Na aeronave «Luís de Camões» da TAP num voo recente Lisboa-Paris lembrei-me do «Aspirinab». Muito. É fácil perceber porquê. Foi-me oferecido o jornal semanário «Sol» que na sua edição de 4-10-2008 publica um texto de Marcelo Rebelo de Sousa na página 55 no qual o «professor» explica a sua versão dos «levantados» e «atirados» ao chão: «Saramago – Mas há coisas que não entendo. Como pôde mudar em edição posterior a dedicatória feita numa primeira edição. É como apagar alguém de uma fotografia antiga!» Para mim foi muito reconfortante ver que o professor Martelo dos bonecos e o professor da Faculdade de Direito (Marcelo Rebelo de Sousa) concorda comigo na tese de que aquela dedicatória àquelas pessoas do Lavre nunca podia ter sido apagada – com espanhola ou sem espanhola. Porque contém no seu articulado a génese da sua impossível desaparição. Quando eu escrevi que o Nobel tinha feito o mesmo que os fotógrafos de Estaline houve mosquitos por cordas mas a verdade é que o professor Marcelo Rebelo de Sousa lembra os processos de Estaline ao referir expressamente «apagar alguém de uma fotografia antiga». Valeu a pena esperar. Quando reproduzi parcialmente uma carta de um dos «atirados» ao chão houve um comentador do «aspirinab» que viu uma coisa que não estava lá. Quando o senhor em causa afirma «também eu reparei» isso significa que além de mim e de muitas outras pessoas (nomeadamente familiares das pessoas que contaram ao autor as histórias do livro) ele também já tinha reparado. Mas não – o comentador viu nisso o contrário; que ele não teria reparado se eu não lhe tivesse escrito. Mentira. Agora com o Marcelo Rebelo de Sousa é caso para dizer que valeu a pena…

14 thoughts on “Vinte Linhas 288”

  1. Paratexto, não. Texto e tudo. Ele viveu lá cinco meses para recolher o texto. Por isso a dedicatória é o princípio do texto; não é um paratetxo dispensável, é uma dedicatória impossível de apagar. «Sem eles não teria sido escrito este livro» É o que lá está e é o que nós sabemos.

  2. Eu (Nikita Avramovitch Blogoff) concordo com o jcf em que foi feio o que Saramago fez. Assim a priori, ressalvando diferente opinião futura, porque não conheço os detalhes da história (nem o jcf conhece) e detestaria ser injusto ou falso moralista indignado.

    O povo do Lavre deixou de merecer a dedicatória de Saramago? Porquê? E mesmo que tenha acontecido qualquer coisa desse género, seria razão para apagar essas pessoas da fotografia, como o tio Zé dos Bigodes costumava fazer?

    Dito isto, porém, não acho justificável a insistência insólita e quase patológica com que jcf tem vindo aqui fazer a sua pequenina acusação a Saramago. Cheira a mesquinhez e sectarismo, como no folhetim interminável do ano de fundação do Benfica.

  3. É certo como o destino, Zé.

    De quatro em quatro meses, lá vem a história do Saramago e do Lavre. Algures a meio do período, vem o caso do centenário, ou isso, do Benfica.

    Diz, Zé: é trauma? É aposta? É falta de assunto? É outra coisa, indecifrável?

  4. Atenção meus amigos: não fui eu que levantei a questão do fotógrafo de Estaline. Foi o Marcelo Rebelo de Sousa. A minha prosa é bem explicadinha. Deram-me no avião da TAP o jornal «Sol» e lá vinha a observação do professor Martelo. A observação é dele; eu limitei-me a registar. Se eu não tivess ido a Paris nada disto tinha acontecido. Portanto e em conclusão: nem é trauma nem aposta nem falta de assunto. Por acaso o Saramago chamou-me «João» na dedicatória (um grande abraço) do dia 9-12-1999 do livro «Folhas Políticas». Foi um acto falhado mas dele, não meu.

  5. Diz o senhor José do Carmo Francisco que o Prof. Marcelo Rebêlo de Sousa escreveu a criticar o Saramago por este ter retirado a dedicatória à tal família do Lavre. Fiquei a pensar: terá o Prof. Marcelo tempo para reparar nestes pormenores de dedicatórias nos livros? Não acredito. Quem teria interesse que o Prof. Marcelo criticasse o Saramago sobre este assunto? A tal família não me parece, nem mais ninguém. Resta o senhor Carmo Francisco. Sem querer acusar ninguém, acho coincidência a mais. Vem mesmo a calhar ao senhor Carmo Francisco esta «ajuda» do Prof. Marcelo para lhe dar razão. É só uma suspeitazinha, longe de mim levantar falsos testemunhos. Com os afazeres do Prof. Marcelo, que se deve estar nas tintas para a dedicatória, não teria ele recebido um recadinho de alguém? É que vinha mesmo a jeito. E logo o senhor Carmo Francisco leu a notícia e veio logo aqui anunciá-la. Hum…cheira-me a «rabo escondido com gato de fora», lá isso é que cheira. Aquele fim de frase do poste «ele não teria reparado se eu não lhe tivesse escrito», dá que pensar, lá isso é que dá…

  6. Se não fosse cá por coisas, estava tentada a subscrever o comentário do “gato de fora”. Aquilo do “…se eu não lhe tivesse escrito”.
    Não sei em que contexto escreveu o Rebelo de Sousa sobre a dedicatória, mas que há coincidência…Tanta preocupação de um prof. tão ocupado por causa de um assunto que nem é actual! Ou será que o JCF quis acompanhamento, já que não o encontra por aqui há um ror de tempo?

  7. Se não acredita em mim peça para ver o «Sol» de 4-10-2008. A minha transcrição está correcta sem tirar nem pôr. Quanto à outra frase de um comentário maldoso de outra pessoa você não percebeu nada. Quando eu transcrevi um exceto de uma carta de um «atirado» ao chão que escreveu «também eu já tinha reparado» houve um «pobre» que insinuou que foi ao contrário isto é o dito senhor só tinha reparado depois de eu lhe ter escrito. A maldade humana não tem limites.

  8. Não se trata de ler o «Sol», disparate! Trata-se de saber se o Rebelo de Sousa foi ou não informado por si do «apagão». A inveja e o recalcamento humanos, diz bem,não têm limites.

  9. Disparate é não perceber o que se passou: nos dez anos do Nobel, Marcelo Rebelo de Sousa recorda o facto e lamenta o apagamento na dedicatória. É só isso, é isso tudo. Eu não tive nada a ver com isso e como não sou leitor de o Sol, se não tivesse ido a Paris não teria lido o seu texto. Eu apenas comentei o facto. Obviamente não tive nada a ver com a escrita do texto do Marcelo. É um completo disparate colocar em equação essa ideia. Tenho mais que fazer.

  10. Eu bem disse no comentário lá de cima: mais uma vez o JCF diz que foi a Paris. Ora, deixa cá ver quantas vezes, afinal, é que o JCF foi a Paris. Vou contar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.