Veneza o Primeiro poema – Entre pedra e água (foto Humberto Lopes)

As ruas de Veneza são iguais às veias e artérias que percorrem os caminhos líquidos da alegria. O mesmo é dizer: não há ruas em Veneza, apenas travessas, becos e praças no intervalo das pedras e da água.

As ruas de Veneza não existem como as outras ruas de outras cidades: com fumo e ruído e a ânsia metálica de chegar numa pressa para nada. A água dá aos grandes passeios o ritmo de uma vida que nasceu num líquido anterior, num sono descansado, na paz de não haver conflitos porque a placenta os dilui e aniquila. A pedra dá às viagens a força dum passado sempre a resistir à erosão da chuva, do vento e da morte.

Entre pedra e água, as ruas de Veneza não existem mas são verdade.

14 thoughts on “Veneza o Primeiro poema – Entre pedra e água (foto Humberto Lopes)”

  1. Grande bandalho! Fui duas vezes em Setembro de 1998 e Julho de 1999. Tu, ignorante, alucinado e miserável, é que nunca foste a lado nenhum. Nem irás; nunca vais sair do cano de esgoto onde pertences.

  2. não conheço veneza e dei agora por mim a pensar se gostava de lá viver e tenho a certeza que não: gosto de ruas de calçada portuguesa e do conflito, não da pressa, do salto com o chão que é duro e permanente. e também gosto de ver as ervas que crescem vadias por entre os meios despidos de pedra. e não sei bem mas as águas paradas das verdades que não são ruas devem ser de malina. mas assim de repente, sem racionalizar, a imagem é bonita. :-)

  3. É isso mesmo Olinda, não há ruas – apenas passeios e praças. Todo o espaço foi conquistado à água da laguna e do canal.

  4. Ola,

    So para dizer que a fotografia mostra Burano, e não propriamente Veneza (embora a ilha seja proxima e faça parte do circuito turistico habitual para quem passa uns dias em V.).

    Talvez o JCF pudesse indica-lo no post, poupando-se assim aos sarcasmos anonimos que também não me parecem ser o fim do mundo. Afinal, se os escritores apenas escrevessem sobre aquilo que conhecem, não teriamos muita literatura (nem provavelmente ciência economica, mas esta faz pouca falta…).

    Boas

  5. “A água dá aos grandes passeios o ritmo de uma vida que nasceu num líquido anterior, num sono descansado, na paz de não haver conflitos porque a placenta os dilui e aniquila.”

    esta deve ser dedicada ao saneamento básico de veneza e deves lá ter ido várias vezes no âmbito do programa “lá vai água”, partilhar os teus conhecimentos de penico céptico adquiridos na benedita e com estágio na catedral do mijo alfacinha.

  6. Gostei muito do seu poema, poeta, eu que não conheço Veneza, pobre de mim.
    Se calhar por isso, enquanto acompanhava a notável recuperação da Praça do Comércio, cheguei a pensar que ela havia de ter um grande espelho de rio que, ali em frente, é quase mar.
    Obrigado
    Jnascimento

  7. Meu Caro João Viegas – obrigado mas não percebi pela foto e apesar de ter lá passado 10 dias em duas vezes a mim pareceu-me Dorsoduro. Aceito a sua razão, OK.

  8. pois é, oh da benedita, tirando a arquitectura e as cores, as semelhanças são artroses, falam todos italiano e que mais faz ser murano, burano ou mesmo nitrofurano se o mundo é redondo e achatado na tua cabeça. cá pra mim estiveste na costa nova e mandaste um postal de burano ao teu amigo algarvio para ele pensar que tinhas ido a itália, à pala duma instituição qualquer, numa de divulgação da tua vasta obra.

  9. Pois é anónimo do cano de esgoto, maluco, miserável, alucinado – fui como enviado-especial ao jogo da Taça UEFA Bologna-Sporting de Setembro de 1998 e depois em férias pagas por mim em Julho de 1999. Mas tu nem sabes o que é um enviado-especial…

  10. oh bronco da benedita! por mim eras enviado-espacial. com essa propensão daltónica deves ter baralhado as camisolas do sportém com os macarroneiros.

  11. Ó «anonimo» essa do «enviado-espacial» foi uma das melhores brincadeiras que li, de si, até hoje! É preciso ter humor, saber escrever com graça e ser oportuno. Parabéns, porque me fez rir. Geralmente, venho aqui para ler os seus imperdíveis comentários e não para ler as «postas de pescada» do da Benedita! Continue por aqui se fáxavor, ok?

  12. Ó sua porca, eu não sou da Benedita! Além do mais se o seu anónimo tivesse humor, soubesse escrever e fosse oportuno já tinha feito alguma coisa – mas não. Só tem chafurdado no esgoto de onde é original.

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