Um livro por semana 90



«No vértice da noite» de Adalberto Alves

Nascido no Ocidente, Adalberto Alves desde sempre se deixou fascinar pelo Oriente. Não por acaso o título de um dos seus livros é «O meu coração é árabe».

O seu ponto de partida são as palavras: «há palavras / impossíveis de ser ditas / como corações / que nenhum peito comporta / são palavras sem nome / mudas / noites sem lua».

O seu ponto de chegada é o amor: «mesquinho é quem não soube amar / nem provou jamais a embriaguez do amor / ó tu que nunca amaste, como dás valor / ao ofuscante sol e à luz do luar?»

Pelo meio uma viagem pelos mitos do nosso tempo; sejam eles do mundo da literatura como Lorca («Granada são meninos mouros / que o absurdo crescente devora / buraco de sete balas acordadas / um touro triste brame e espanta / o bando das bandarilhas ilegítimas») ou do mundo do futebol como Matateu: «deste cor azul à alegria / que há na finta e cada golo tem / no campo ergueste alto cada dia / o nome português e de Belém / chegaste de um terra quente / e foste acabar em terra fria / vives agora no coração da gente / que contigo aos domingos renascia / há um desafio que nunca finda / há corações batendo em sobressalto / no coro que se ouve e que te chama / está o jogo no momento alto / prá frente Matateu! um golo ainda! / todo um estádio se ergue e te aclama.»

(Editora: Argusnauta, Capa: Figueiredo Sobral, Retrato do autor: Luís Veiga Leitão)

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