Um livro por semana 237

«Nos trilhos da Pedagogia» de Joaquim Carreira Tapadinhas

A partir dos 50 anos da Escola Industrial e Comercial do Montijo (hoje Escola Jorge Peixinho) o autor revisita a história da educação no concelho e, como indica o subtítulo do livro, a época abrangida vai de 1772 a 2008. São quatro os segmentos temporais do trabalho: 1772-1910 (do Marquês de Pombal à Monarquia), 1910-1926 (República), 1926-1974 (Ditadura Militar e Estado Novo) e 1974-2008 (do 25 de Abril a 2008).

Em 1772 as primeiras escolas públicas criadas pelo Marquês de Pombal nesta zona (Aldeia Galega, Canha e Alcochete) eram pagas pelo Subsídio Literário – 1 real por cada canada de vinho. As dificuldades são óbvias neste período: em 1909 uma acta da vereação do município refere que «a instrução oficial é deficientíssima e a percentagem de analfabetos é pavorosa e formidável».

Com a República, numa terra já com dez mil habitantes, surgem algumas alterações e no final do ano lectivo de 1910 -1911 os exames do 2º grau já puderam ser realizados na sede do concelho. Em 1926 uma das primeiras medidas do Governo é extinguir as escolas primárias superiores passando a escolaridade obrigatória para três classes. O «Livro único» dizia: «Na família o chefe é o Pai, na escola o chefe é o Mestre; no Estado o chefe é o governo». Apoiado pelos presidentes dos municípios de Alcochete e da Moita, José da Silva Leite pede ao ministro da Educação Nacional a criação da Escola Comercial e Industrial do Montijo que nasce em 1957. De 6 professores, 3 administrativos e 4 auxiliares no início, tem hoje 168 professores, 2 psicólogas, 14 administrativos e 39 auxiliares. De 106 alunos em 1957 passou para 1633 em 2008.

Fecho este livro indispensável ao conhecimento da história do Montijo com uma nota comovida: a minha escola de 1957 a 1960 está na página 255 deste livro.

(Edição: Câmara Municipal do Montijo, Capa: Eduardo Martins, Prefácio: Luís Graça, Nota: Maria Amélia Antunes, Comentário: António Castel-Branco)

13 thoughts on “Um livro por semana 237”

  1. Que desgraza, ter que cambiar um nome tão lindo como o de “Aldeia Galega” pelo de Montijo. Na pronunzia portuguesa ainda soa bem embora dito na fala de extremadura espanhola, MOntijo soa à meter medo às crianças e deixa-te a gorja escaralhada. En los jardines de MOntijo hay jeranios en botijos.

    Craro agora chamaram-se cidade de Montijo, assim ja não são aldeia. Agora ja não são aldeanos galegos são aldeanos montijanos.

  2. Aceitam-se apostas acerca de quem é que o anonimo quer compar ao jcfrancisco.
    O meu palpite vai para a Dionne Warwick, pois está vestida de vermelho.

  3. Eu julgava que este espaço era de gente educada. Errei, mais uma vez, pela vida fora, como disse o poeta. Podia ser comunista e ter lutado contra o fascismo. Lutei e luto contra o autoritarismo, que não aceito, seja de esquerda ou de direita. Sou pela liberdade consciente. Escrevi o livro por amor à minha profissão e à minha terra. Não usufruí qualquer proveito monetário, antes paguei todas as despesas para as pesquisas necessárias. Foi a escola que concertou com a Câmara a edição, pois eu nunca a proporia.
    A ignorância e a má-fé proliferam na nossa terra e o resultado está à vista. Abençoado país que tem gente tão esclarecida e bem intencionada. Que sejam felizes mesmo embalados nos lençóis da maldicência. É o que temos e cada um dá os frutos que pode.

  4. oh tapadinhas! se não és ou nunca foste comuna, sindicalista, professor, vice-presidente do sindep e se não foi a camara do montijo que pagou a edição do livro, peço desculpa pela minha má-fé, ignorância, malidecência e falta de educação (não vejo motivo, mas admito). quanto a fruta oferecida, normalmente é podre ou em vias de.

  5. Não adianta muito querer reformar o mundo. Se Cristo não foi ouvido e era um ser superior, como é possível um pobre diabo, como eu, ter audiência. Como ser humano, e porque todo o homem é meu irmão, compreendo e desculpo as incorrrecções. Fui sindicalista e julgo que isso não é crime. Não sou comunista, por acaso, pois tenho muitos amigos que são e eu respeito a sua identidade. É mais fácil destruir que construir. Para construir é necessário capacidade, para destruir basta a brutalidade.

  6. obrigadinho pela absolvição. eu disse comuna e não comunista, para o caso tanto faz que ambas as actividades são legais. a evangelização da coisa é argumento recorrente dessas seitas moralmente superiores.

  7. Este «anónimo» é o burro que derruba um muro com um coice mas sem saber que só um pedreiro competente pode construir um muro. Vai morrer longe, ó charolês!!!

  8. pois, mas não pode ser um pedreiro livre, tem de ser sindicalizado, com as cotas em dia e estágio em berlin, do lado de lá do tempo e do muro.

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