Um livro por semana 197

«Histórias de poucas palavras» de Maria Eulália de Macedo

A autora deste livro publicou também «As moradas terrestres» e inscreve-se numa certa linhagem literária (Raul Brandão, Irene Lisboa, Agustina, Ondina Braga) cujas referências são o contrário da cidade: «AMARANTE Uma terra de poucos turistas, sem notícias nos jornais, sem ranchos de folclore, sem arte regional. Não há Casa do Povo e muitas vezes o povo não tem casa». A propósito do quadro de Amadeo O homem da guerra de 14 a autora adverte («Tinham-se perdido os que morreram. E os que não morreram tinham perdido abrigos e certezas») para concluir: «Quem não acreditar na perenidade do efémero e nas flores de água no pensamento, não venha nunca a Amarante nem venha ver os quadros de Amadeo». Em Amarante era possível um «graxa» dizer a um juiz: «Eu pertenço à família de Pascoaes». Havia de um lado as mulheres: «Nós, mulheres é que tudo sabemos da vida e da morte. Uma imensa, uma invencível força sustenta os nossos ombros onde a cabeça de cada homem descansa e adormece». Do outro lado os homens: «As mulheres só gostam de conversar e ver dinheiro na mão». No meio a solução: «O único remédio é amar. Amar as coisas e amara as pessoas, amar as cores, as mutações da hora, o ciclo das estações, amar o tempo de ser, de lembrar, de colher.»

Depois das viagens na Europa (Milão, Madrid, Roma, Granada, Galiza) e no país (Porto, Praia da Torreira, Viana do Castelo) o livro volta à origem, à terra e à poesia: «Para mim a Poesia é estar atento e aberto ao que somos e nos ultrapassa. É uma espécie de fugidio sacramento, a exigente voz das coisas que são verdade – para além da verdade das coisas.»

(Editora: Ática, Apresentação: Jacinto do Prado Coelho)

8 thoughts on “Um livro por semana 197”

  1. Em Maio a Companhia de Caçadores 3341, – à qual pertenci – que esteve em Angola de 1971 a 1973, fez a concentração – almoço – na cidade de Amarante. No roteiro constava a visita ao Museu Amadeo Sousa Cardoso, com uma guia da Câmara Municipal de Amarante, que nos pôs ao corrente do Museu e do próprio Sousa Cardoso, assim como do S. Gonçalo, padroeiro de Amarante. Nas conversas foram ditos uns versos entre os quais este: S. Gonçalo de Amarante / Casai-me que bem podeis / Já estou a ganhar teias de aranha / Naquilo que vós sabeis. Estes versos eram feitos em louvor ao S. Gonçalo pelas mulheres de certa idade (velhas) a quem S. Gonçalo arranjava casamento.
    Para mim nada era novidade uma vez que conheço relativamente Amarante, – desde os meus 14 anos quando comecei a jogar futebol – para os meus colegas sim, ficaram com um certo conhecimento e fomos bem servidos no repasto, além de constatarem que Amarante é uma cidade de turistas.
    Foi um dia passado em cheio, além do que relato que faço, tivemos oportunidade de rever colegas.

  2. Sr. JFK,

    POR FAVOR MAIS POESIA. Não me interessam os dias «em cheio» do seu comentador Manuel Pacheco. Redacções, quem não as sabe fazer?

  3. Sem dúvida Senhor Manuel Pacheco, mas sabe, o estulto volta sempre ao seu vómito. Porque o estulto pensa que doutrina. Não seguiu o seu «dito», devia ler, simplesmente ler e não discutir, o que não tem discussão.

    Senhor JFK,
    tem publicado as minhas «brincadeiras», sendo certo que quando lhe peço poesia, o peço de forma séria e sentida.

    Agradeço-lhe a sua gentileza.

  4. Não é preciso tentar molestar o nosso amigo Pacheco, ele é muito forte perante estas pequenas tentativas. Cada um canta o que sabe mas sem empurrar os outros; todos são livres de se afirmarem mas não de chatear.

  5. Pacheco,

    Não reparei que tinhas largado aqui mais uma das das páginas do teu diário de tarimba. E folgo saber que foste bem servido no “repasto” . Não me admiro, com o inferno de larica que andavas a sofrer na vida de paisano, feijão frade com chouriço mouro e uma sagres, é de facto um bom repasto. E bananas, claro, conheceste-as na África.

    E não resulta leres aqui versos pornográficos como esses atirados a S. Gonçalo. É que toda a gente sabe que foste sacristão quando eras miudo, porque não gostavas de mini-saia e foste reprovado em canto gregoriano. Faz parte da originalidade politica dum ou outro gajo mais linguareiro do PS.

  6. JCf:
    Que gozo me dá saber que lêem o meu blog e para mais por críticos tão acutilantes.
    “Falem bem, falem mal, mas falem de mim.”

  7. Sr. JFK, molestar? Ora faça o exercício ao contrario. Naturalmente, cada um canta o que sabe, mas há quem pense que sabe cantar, que sabe e o seu «saber», não passa do seu «saber», sem direito a ser imposto.

    Mantenho o meu dito: aos estultos não s erespinde. Deixai-os pensar ou crer que pensam. ~

    Não me vendam é «informação» pessoal de pacotilha!

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