Filigrana

Na filigrana do momento inicial
Do rosto juvenil fixei as linhas
Tinhas acabado o tempo liceal
Sem horas vazias nem sozinhas

Trinta e sete anos depois da visão
Entre casa e jardim numa colina
O teu rosto organiza uma paixão
Continuas hoje a ser essa menina

No momento de chegar a Lisboa
Voltando as suas costas ao passado
Para construir o perfil duma pessoa
E deixar saudades em todo o lado

Seja em lojas, bancos ou hospitais
Caminhos dum percurso cada dia
A tua voz sem limites nem sinais
Desenha em filigrana uma alegria

10 thoughts on “Filigrana”

  1. Não será filigrama? De gramar os versos coxos do poeta? Aqui e ali, ainda vai, mas depois, depois é uma desgraça…

  2. Não, por acaso, até que está bem. Custa-me a acreditar que isto tenha saído da cabeça dele de tão bem que aparentemente está. Enfim, é um golpe de sorte. No próximo post, teremos outra banalidade.

  3. Quarenta e sete anos de embevecimento e orgulho em quatro quadras de puro e desinfectado entulho, dirão os de coração empedrenido, mas nunca o diria eu, essa agora!, nem uma senhora algarvia que há um ror de tempo não via. Vi-a hoje, e azar: estava toda torriscada do sol e com uma cara que metia noje!

  4. Oh jcfrancisco, o senhor é um anfitrião, carago, num me roube o protagunismo.Atão agora põe-se a chamar nomes aos sues leitores? Comporte-se homem, porra, aki é só palabrões, nunca assim bi. Uma pessoa até se sente mal. Atão bocê é um poeta laureado e tudo, e responde assim. Carraio da coisa é essa. Acalme-se homem.

  5. Já lhe chamei ‘poetastro’. Ao ler esta arrependi-me. «Desenha em filigrana uma alegria»…é belo.

  6. És um pitosga, Zé. Mas tu julgas que os 47 não foram propositados? A minha preocupação de indivíduo com um mínimo de princípios era: como passar-te a mão pelo pêlo e ao mesmo tempo poupar o objecto do teu poema – há que haver respeito por estas coisas sentimentais ou sentimentalistas. Mas preferiste voltar à carga, seguindo os conselhos do teu dicionário de insultos de bolso.

    Ma loio vamos falar outra vez, não te esqueças…

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