Doença

Mais dum ano já tinha então passado
Do nosso último adeus neste jardim
Ainda o arvoredo não fora derrubado
Só a nossa tarde triste chegava ao fim

Não havia ainda lágrimas escondidas
Entre os táxis e os longos corredores
Batas brancas, decisões, as nossas vidas
Enquanto olhas a chaminé e os vapores

Mas há um bar que não fecha mais além
A vida continua porque não foi suspensa
Quem passa por mim não vê ninguém
A pressa não pode ser só a indiferença

No hospital um corpo vive na solidão
Perto do calor do grupo da enfermaria
Sai para a luz do sol com uma razão
A dar passos na direcção da alegria

3 thoughts on “Doença”

  1. Não havia ainda lágrimas invertidas
    Dentro de táxis, em tristes corredores,
    Sobre peitos de batas encardidas
    Pelos bafos de preto sujo de vapores

  2. E uma vez no hospital
    no meio da brancura das batas,
    apercebi-me realmente de vez
    que nunca mais lá poria as patas.

    Um original, eheheheheheh

    O que interessa é rimar! Dê para onde der! Há que meter a colher.

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