Superimpotência

Os Estados Unidos não conseguiram evitar o 11 de Setembro, não conseguem apanhar Bin Laden, não conseguem derrotar grupos tribais no Afeganistão, não conseguem controlar a sua fronteira com o México, não conseguiram regular os operadores bancários, não conseguem resolver o problema do desemprego, não conseguiram nem conseguem impedir a Wikileaks de lhes sacar informação classificada e despejá-la à má-fila onde lhes dá na gana.

Assim se vê como a democracia, para além de ser a pior forma de governo, é também a mais fraca.

30 thoughts on “Superimpotência”

  1. Não é impotência os EUA forçarem o poder executivo de uma outra democracia a interferir no poder judicial para sustentar e esconder o seu próprio exercício de tortura, como os EUA fizeram com Espanha, como provam os telegramas entre o DoE e a embaixada americana em Madrid.
    Coisas como esta não devem ser menorizadas.
    Uma democracia não corrompe e destrói outras democracias.

  2. Estou com o Francisco. A democracia americana apodreceu no cesto ocidental da fruta fina e agora ameaça o resto com a degradação por contágio. Ou por arrastamento, tanto faz.

  3. Mantendo a tua ironia, Val, só me ocorre dizer o que respondi à comentadora Susana que, justamente, referiu o facto de nem sequer terem conseguido apanhar o Bin Laden: «São mesmo estúpidos, não são? »
    Há certos fenómenos com os quais é impossível acabar de vez – a imigração ilegal, a corrupção, as fugas de informação. Mas podem manter-se a níveis não «disruptive» e ser controlados. Já não é mau. Os americanos são uma grande potência, até agora a maior do mundo – dominam o espaço (o que é determinante) e a tecnologia bélica. E têm montes de massa cinzenta local e do resto do mundo a trabalhar para eles.
    Não gosto dos republicanos nem daquela multidão de gente do Middle West um tanto obtusa e religiosamente fanatizada e que elege representantes à sua imagem e semelhança. E temo pelo resultado das próximas eleições e pelo regresso à política internacional agressiva e de restauração do orgulho ameaçado. No entanto, são uma grande democracia e prefiro, sem qq sombra de dúvida, ter satélites americanos e europeus por cima da minha cabeça do que iranianos, norte-coreanos ou mesmo russos!
    O que a Wikileaks está agora a fazer com a divulgação de instalações críticas controladas ou protegidas pelos americanos é um jogo extremamente perigoso.

  4. Ninguém iria dar-se ao trabalho, pois seria irracional e estúpido, tanto por parte das elites terroristas organizadoras como das suas brigadas operacionais, de evitar aquilo (o derrube de edificios com torres de evidência sobre a identidade politica dos criminosos ) que com tanto cuidado intriguista se pensou e levou a cabo;
    Gente não perseguida nem procurada, como o Agente Bin das Arábias, nunca pode ser apanhada, mais ainda se já tiver uns bons palmos de terra sobre o lombo ou foi cremado à pressa ;

    As “tribos” do Afeganistão, como as de Israel, unidas como carne e osso e é nesta unidade que reside o segredo seja qual for o contexto ou motivações, já deram muita porrada noutros impérios, só para citar uma das menos complicadas razões, porque há outras, bem mais interessantes;

    O influxo de mexicanos não é “invasão caótica” de trabalhadores ilegais, ou recuperação dos territórios que lhes foram roubados, é, antes, importação bem organizada, de esperma e ova, ligeiramente em melhor estado, para esconder o desastre da depauperação da fertilidade das populações (fruto das filosofias eugénicas anti-humanidade que têm andado encobertas há mais de cem anos, longe das curiosidades e percepção de gente honesta da esquerda e direita de todo o lado) que se verifica não apenas nos US mas também na Europa;

    O australiano da Wikileaks, darling das media papagaias de todo o lado – possuidor de estranhos meios financeiros que o habilitam a mover-se pela Europa sem se incomodar de quanto será a próxima conta do cartão de crédito, que não se incomoda que lhe façam uma espera à noite – não gosta de muçulmanos. E gente que não gosta de muçulmanos não trabalha, não pode trabalhar efectivamente e em verdade contra governos americanos, isto é, sionistas e neoconistas.

    Há vários tipos de “democracia”, mas nem a melhor delas conseguiria evitar o que acontece nas piores, que são as que temos. Chamar Democracia ao que acontece politica, socialmente e em relações internacionais nos USA é não ter respeito ao significado das palavras. Tenha, antes que seja chamado a contas de consciência.

  5. valupi, que distorção. a democracia, por parecer boa forma de governo, não pode ser melhorada?

    como alguém me disse várias vezes, todos os acontecimentos são bondosos, porque o que acontece é o que tem lugar no decurso dos acontecimentos. assim, acontecido, importa o que fazemos dos acontecimentos. proponho uma leitura, que me parece rigorosa e lúcida:

    http://www.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=MAR20101206&articleId=22278

    penélope, a religião de maniqueu situava o bem e o mal em duas entidades distintas, provinda uma da luz, outra da escuridão. essa religião foi esmagada pela cristã, em parte pelo insight psicológico, implícito nas redacções da criação do mundo pelos seus escribas, de que uma mesma fonte era portadora dessa dicotomia, o que era humanamente mais credível.

  6. eu reconheci a ironia. por isso mesmo pensei que era uma resposta às críticas à democracia tipo “ok, mas é ou não o melhor modelo até agora?”. o que seria irrelevante para o debate presente, que se quer activador de progresso. :)

  7. Susana, de acordo. Infinitamente bom, só mesmo o tal Deus que, por acaso, sendo o criador do mundo, criou igualmente o mal (esta matéria é abundantemente debatida no Jugular). Mas adiante. Para mim, ocidental, ateia, democrata e livre, os aspectos positivos dos EUA excedem largamente os negativos. Mesmo como potência militar. Se, apesar do uso e abuso de posição dominante dos EUA, vejo neles (e nas sociedades ocidentais) a cor branca e a cor preta nos Estados islâmicos, ditatoriais, misóginos, estagnados, opressores e obscurantistas, sou completamente maniqueista, sim. Não hesito um segundo na defesa de um dos lados.

  8. ??? onde é que essa querela está aqui presente, não me explicas? a wikileaks é uma ferramenta criada pelo ‘teu’ mundo, para servir o ‘teu’ mundo democrático. os estados que referes são tão visados como o americano. sim, és maniqueísta. tanto que quando vês a américa ser ‘atacada’ imaginas logo os ‘obscurantistas’, etc. do lado de lá.

  9. Não, Susana, estás enganada. Não há qualquer obscurantisno no Julian Assange. Há é viseiras. O que interessaria aqui ponderar, ao criar essas ferramentas para, dizes tu, salvar o meu mundo democrático, são as consequências desse propósito e gesto nobre, que, hélas, segue a via picante, no lado mais perigoso do mundo – o que decidiu que tem de expandir e impor o islão a todo o planeta, nem que seja à bomba ou sobretudo à bomba.
    A América não pode deixar de ser atacada, como o império romano era atacado, como qualquer país que seja a maior potência será atacado. O mundo é um eterno desafio. Cometem abusos e ilegalidades? Denunciem-se, claro. Tenho é as maiores reservas quanto ao método escolhido e às motivações de quem decidiu apontar a carabina num só e determinado sentido. É tudo.

  10. Penelope,

    Quem tem que expandir “nem que seja à bomba e sobretudo à bomba” são os seus amigos dos EUA e os seus, deles, dos amerikanos, patrões em Telaviv. Leia as revistas da especialidade e use estatisticas, até daquelas fornecidas pelos seus amigos. Quanto ao “obscurantismo” do Assange, como é que uma obscurantista como você poderia ter uma opinião diferente, deixar de ser solidária?

    “A America não pode deixar de ser atacada” . Só que você não explica por que razão essa coisa linda cheia de dinheiro, tecnologia, dividas artificiais e filmes pacifistas tem de ser atacada. Ah, já sei, foi atacada na Europa, na Coreia, no Vietname, em Granada, no Panamá, no Iraque, no Afeganistão e em mais cerca de 100 intervenções armada até aos dentes por esse mundo fora, desde que os Britânicos foram de lá corridos. Quando a China passar a “maior potência” (já falta pouco) vamos todos ver se esse recorde será batido, como Vex fatalisticamente prediz, tipo desembarques de fuzileiros de Macau na costa Algarvia para ajuste dumas contas antigas.

  11. penélope, “Cometem abusos e ilegalidades? Denunciem-se, claro.” e então, não foi o que aconteceu? quanto ao resto, andas mal informada. a conversa não é possível, tamanha a disparidade. :)

  12. V. Kalimatanos: O curriculum da maior potência mundial não é imaculado. Neste momento, porém, nada me leva a dizer que são a maior ameaça à paz no mundo. A Europa é aliada dos Estados Unidos e isso não é porque sim, nem por deferência, mas porque partilhamos valores comuns: a democracia, a liberdade (de expressão, de culto, de negócio, etc.), o respeito pela vida humana, o respeito pelo estado de direito, o desenvolvimento intelectual e científico, inter alia. Historicamente, já que é para aí que V. puxa, há quem tenha as mãos incomparavelmente mais manchadas: o Adolfo, por exemplo, o José Estaline, outro exemplo, os fundamentalistas islâmicos, cujo respeito pela vida das suas próprias crianças e jovens nos deixa sempre embasbacados, são outro exemplo ainda.
    Os judeus ortodoxos que vivem em Israel também não são flores que se cheire, é certo. Em África, há mais uns tantos sanguinários. E daí, o que se conclui? Você conclui: abaixo os americanos, esses pulhas, prepotentes, assassinos. Eu não.

  13. atenta que tenho estado, ainda não percebi como é que difundir os pontos e infraestruturas de segurança dos EUA é um contributo para o progresso da democracia ocidental…

    Penélope, em relação a todos os exemplos que dás e considerando o tipo de interlocutores com que te “debates”, espera até te responderem que a culpa de tudo isso, no fundo, foi dos americanos :)

  14. Pen,

    Eu diria que o registo da tal potência nem sequer é limpo, quanto mais imaculado. E não estou a ver como é que você com tal tendencia para perdoar quem admira poderia encontrar algo que lhe provasse que essa descomunal potência cujo nome não interessa repetir é uma ameaça à paz mundial. Que alias nem foi bem isso que eu disse, como verificará se quizer dar-se ao trabalho de me ler mais devagar.

    Você é, pois que o confessa, uma irrecuperável entusiasta dos grandes valores Ocidentais, das coisas de democracia, de liberdade e, sobretudo, coisas do intelecto e da ciência, conforme o provam, todos os minutos da sua vida de acordada, o seu lap top e telemóvel. Até parece que acredita que o resto do mundo é tudo uma cambada de estúpidos, pois, tomara eles terem a sorte de serem ocidentais como você.

    E não se esqueça que foram os “misóginos” que lhe transmitiram praticamente as bases do conhecimento e soma dos totais. E foi tudo há tantos anos. Que o planeta é redondo e em forma de esfera descobriram, esses gajos, poetas e músicos sem respeito pelas mulheres nem pelos seus direitos, uns quatrocentos anitos antes de Galileu.

    Obviamente, você precisa de ler umas coisas. Ler de americanos honestos acerca de como vai a América é de certeza uma delas.

  15. Já te tinha posto o link lá atrás, Susana, noutro post(penso que no Perguntas Simples). Vai lá buscar, ou então procura na net. Já está em todo o lado…

  16. Claro que a culpa é dos americanos, só que este acha que é por falta de segurança e outros acham que é por segurança a mais. Seja por um motivo ou pelo seu contrário, a asserção original é mesmo uma superevidência…

  17. Ai, Kalimatanos, isso é que eram tempos, homem! Então, sim , descobriam-se coisas importantes! Agora, com as mulheres libertas e todas essas poucas vergonhas, é só máquinas de lavar, aviões e pouco mais, deixa ver, ah, sim, e tb a internet, aeronaves, GPS… Minudências. Nem sei porque estou a lê-lo! Não devia ter respondido por estafeta, ou, vá lá, pombo correio?

  18. sim, eu vi. mas pergunto-te que brechas de segurança lês ali. ou achas que informação tão disponível, nem sequer classificada, não constava já de qualquer rede de informação secreta e interessada?

  19. Se estás assim tão segura de que nada dessa informação era desconhecida das redes de informção secreta, lá saberás.Eu não estou suficientemente dentro desse circuito para te contrariar. os americanos é que escusavam de ter ficado tão chateados com tal fuga. Mas enfim, como toda a gente sabe, não só a culpa é dos americanos, como os americanos são todos estúpidos…:)

  20. não estou nada de acordo contigo, não considero os americanos estúpidos. nem nenhum outro povo, assim em conjunto, choca-me que faças tal afirmação. claro que há gente estúpida em todo o lado. parece-te que foi essa fuga a que chateou os americanos? eu diria que têm outras muito mais chateantes, como aquelas que revelam violações do direito internacional e dos direitos humanos. sempre me intrigou esse critério segundo o qual há uns que devem estar isentos de julgamento porque os crimes cometidos são “poucos”.

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