O país partido

Portugal teve um estado antes de ser uma nação. Teve um esqueleto, antes de ganhar corpo. E quando começava a ganhá-lo, deslocalizaram-no para a Índia. Desacertou o passo e agora é o que se vê. Um país partido em dois países.
Um ficou com a história, mas perdeu o futuro. Arqueja debaixo dela. O outro é o país do sucesso, alheado do passado, bêbado de ilusões. Um esbraceja para escapar à penúria. O outro agita-se sem destino, como as formigas doidas. Nenhum entende o outro, e ambos mutuamente se desprezam.
O enterro dos dois será no mesmo dia. Até lá, há quem ganhe com isso.

Jorge Carvalheira

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