Gineceu (2)

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Aqui há uns dias, chegou de Angola uma notícia alarmante: a miss angolana, a belíssima Stiviandra Oliveira — que encima estas linhas — seria impedida de participar num concurso internacional de beleza por «ser muito clara para os gostos da maioria negra».
Tal campainha bastou para levar saliva a algumas bocas. Curiosamente, a direita civilizada e a “outra” coincidiram quase ipsis verbis numa análise: «Imagine-se a reacção dos media e dos arautos do politicamente correcto (a nível nacional e internacional) se se tratasse de um caso inverso, intitulado por exemplo “Miss Portugal é muito escura”…» teve como contraponto «Agora imagine-se que em Portugal, ou em qualquer outro país europeu, sucedia o mesmo (eleição duma negra como miss) e havia alguém a usar o argumento racial… caía o Carmo e a Trindade e a súcia anti-racista militante vinha para a rua protestar…»
A grande diferença acabou por ser que o Insurgente tratou de afixar um desmentido a atribuir as dificuldades de inscrição da jovem ao regulamento sobre as idades das concorrentes. Os “outros” ainda por lá andam a discutir a notícia inexistente.
Indesmentível é que parece crescer em Angola um clima de hostilidade para com os mestiços. Basta colocar um olho nos comentários que a eleição de Stiviandra suscitou para confirmar que, em nome do regresso a uma supostamente autêntica “negritude”, muitos julgam mesmo que esta miss não deveria representar o seu país. No meio da discussão, lê-se de tudo: do bruto «Para já os latons e as latonas africanos (as) deveriam é maritar com os senegalés, puros negros. A mulher mais linda é a mulher de natureza negra e sem nenhuma melanjerias» ao elaborado «Nos, os negros Angolanos, temos que passar a valorizar a nossa cultura. Nisto, teremos mesmo que por os mulatos e brancos de lado; eles teem a sua própria agenda, que é subjugar-nos permanentemente. Vejam só a volubilidade com quem os latoes e pulas, nesse comentários, estão a celebrar a vitoria desta latona como Miss Angola! O pais é nosso, agora muitos de nos passamos a ter muito dinheiro; deixemos esses apatridas de lado».
O preconceito, por muito pensado que seja, é sempre espectáculo feio. Mas os “separatistas raciais” portugueses esmeram-se na arte: «é a primeira vez que vejo um macaco maquilhado»; «Pretos racistas contra pretos? Estarão a evoluir?»; «Os pretos são mesmo feios, como é possivel haver lá “misses”?!!»; «Pelos vistos fazes parte daquela camada que foi “socializada” – (leia-se sujeita a lavagem cerebral) e que agora acha muito giro ver uma rapariga branca acompanhada por um preto, dar à luz uma baratita…». A não esquecer: é disto que falamos quando falamos da nossa extrema-direita.

Mas vamos ao que interessa: não sei se a Stiviandra vai mesmo ser candidata ao tal título “universal”. Certo é que parece ser mulher para dar “dez a zero” à desengraçada miss lusa

13 thoughts on “Gineceu (2)”

  1. Tanto paleio para tapar o Sol com uma peneira…

    O que se passa, realmente, é que a formosa moçoila tem um nome capaz de pôr a nu o fenómeno de iliteracia funcional de muita gente. Já estou a adivinhar — perante as fortes probabilidades de ela vir a conquistar um lugar cimeiro no concurso de Miss Universo — os líderes políticos da Lusofonia a exercerem a sua influência junto dos congéneres angolanos.

    By the way, o meu voto vai para a Miss Trinidad & Tobago.

    Até já.

  2. Mas era para o Concurso Internacional de Beleza Símia e a Stiviandra não correspondia ao regulamento: ter cara de macaca!

  3. o numero de telefone dela niguem tem?

    e os racistas… os racistas que se lixem. vejam pelo lado positivo, menor é a competição.

  4. Bolas! isto é conversa de gente civilizada! a rapariga é mas é bonita que se farta e os angolanos só evidenciaram um estranho racismo, bem ao nível dos portugas paralos que aqui evidenciaram o mesmo!

  5. Com fotógrafos assim não se conseguem ver as raparigas direito. Não é justo, os maus fotógrafos deviam ter uma cor diferente para eu poder ser racista.

  6. Nestaquestão das raças, estou como uma personagem de um dos romances de Beckett que diz, mais ou menos, não tenho o livro aqui à mão:”é curioso, nunca ma tinha apercebido que havia diferentes raças de cães”. Para não ser mal interpretado, o que disse, que nesta questão, o Beckett, está acima de qualquer suspeita, para os que não saibam.

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