Ai, Catalunha

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Graças a um sempre atento Portal Galego da Língua, soube-se que a escritora e jornalista catalã Isabel-Clara Simó escreveu a crónica que aqui se reproduz em «traduçom galega». O original catalão é do diário Avui.

Admiro os portugueses. Admiro-os porque, perante a poderosa maquinaria do exército castelhano, tenhem sabido safar-se; porque soubérom ganhar a independência; porque encontrárom aliados eficazes e constantes. Mas também os admiro porque tenhem demonstrado que tenhem imaginaçom. Há pouco mais de umha década, diversos movimentos culturais soubérom convencer a classe política que a cultura é umha arma formidável de propaganda e que é necessária como embaixadora de um país. Entom, o governo português destinou umha boa quantia de dinheiro – e nom se trata de um país rico! – para promover a sua literatura. O resultado é que nós, vocês e eu, lemos autores portugueses que dantes desconhecíamos, e que ainda por cima tenhem um Nobel.

Agora, som uns quantos empresários, políticos, economistas e pessoas preocupadas polo devir português que estám a montar umha agrupaçom de cerca de 600 pessoas com o nome Compromisso Portugal para tirarem, dizem, Portugal da sua mediocridade. Entom a minha admiraçom torna-se inveja. Porque será que os catalans nom podem fazer qualquer cousa do género? Como conseguem entom os portugueses, sem a tutela de nenhum partido político? O motivo é apenas Portugal. E ninguém os acusará nunca de fechados nem de pouco cosmopolitas porque, como tenhem Estado, é-lhes permitido serem patriotas.

Nom consigo imaginar isto nos Países Cataláns, apesar dos esforços neste sentido de Eliseu Climent e de outros beneméritos patriotas. A mania do espanholismo do ‘conmigo o contra mí’ penetrou em nós demasiado fundo. Ora bem: toda a gente tem sempre Catalunha na boca. Mas ninguém vai nunca mais longe. Nem que fossem uns metros. Ai!

40 thoughts on “Ai, Catalunha”

  1. Que isto sirva de licao a todos a todos os arautos da miseria e do maldizer.

    A unica razao de Portugal estar como esta e por vossa culpa, pela falta de auto-estima e amor proprio. Ja chega de dizer mal…

  2. Hum… isto se calhar precisa de um certo enquadramento.

    Não é de hoje nem de ontem que os povos não castelhanos de Espanha, ou pelo menos os seus sectores nacionalistas, olham para Portugal com admiração, por ter sido a única nação da Península a ter conseguido resistir a Castela e preservado a sua independência. Eles têm, por isso, uma certa tendência a serem mais entusiásticos a nosso respeito do que nós talvez mereçamos. Convém ter isto em mente ao ler coisas destas para evitar embandeirar em arco. Porque tão prejudicial como a cultura da choldra é embandeirar em arco sem motivo. Quando as duas atitudes se juntam no mesmo povo, então, temos uma doença bipolar colectiva que tem uma certa tendência para estragar tudo aquilo em que toca.

  3. “para evitar embandeirar em arco…”
    Eu nao digo….
    Estou neste momento a residir na Australia um pais classificado em terceiro no indice de desenvolvimento humano.
    O que vi por aqui no entanto deixa-me perplexo, a desorganizacao em tudo o que e Administracao (publica e privada), desde perderem o meu processo na universidade por duas vezes(!!!), receber cartas a avisar que tenho que pagar as taxas da faculdade quando estas ja se encontram pagas, cartas absurdas do departamento dos impostos,etc… burocracia aos montes, para tratar dum assunto com a minha seguradora fui enviado numa missao que me custou uma visita a tudo o que e reparticao publica do ministerio da saude, Sistema de educacao um pouco duvidoso(embora com recursos excepcionais) em que observo diariamente os professores a baixarem os requisitos para nao chumbarem o desgracadinho que se “esforca”. Terrivel sistema de saude, 10 horas para enfiar uma bota de gesso no pe, e tardes perdidas para as consultas de acompanhamento…no meu Amadora Sintra nunca esperei mais de 4 horas para o que quer que fosse, a ver pessoas a passarem-me a frente na mesmissima situacao que eu…e poderia continuar…agora o que eu nao vejo e um Australiano a dizer mal do sistema, para eles a Australia e o Oasis do mundo inteiro, e e uma questao de Orgulho bradar aos ceus “Aussie Aussie Aussie”…e isto a meu ver e que faz a diferenca. Por aqui o copo esta meio cheio, para o Portugues estara sempre meio vazio.

    Ah..ja agora no meio academico os Portugueses sao reconhecidos como excelentes, nao so aqui mas tambem, em outros paises por onde ja passei.

  4. Afinal, de que nos queixamos?

    1 – Somos o país mais antigo da europa
    2 – Temos a maior área marítima da europa
    3 – O português é a quinta língua mais falada no mundo
    4 – Temos uma história ímpar e universal incluída em todos os manuais no mundo
    5 – Temos a Espanha como as traseiras de Portugal
    6 – Somos a porta da europa
    7 – Somos o centro do mundo se planificarmos o mapa mundi
    8 – Temos os aliados mais poderosos do mundo
    9 – Temos dos climas mais temperados do mundo
    10 – Somos uma potência no turismo, e um potêncial enorme na inovação, tecnologia e ciência

    Conclusão:
    Já dizia a minha mãe, temos é mimo, muita conversa e pouco trabalho.

  5. O atavismo é a maior praga dos portugueses logo a seguir à praga dos funcionários públicos e dos seus “justíssimos” e “digníssimos” direitos adquiridos.

  6. Anónimo:

    A questão óbviamente não é o império, é o potêncial tremendo que possuimos, à vista de todos, mas parecemos sempre mais preocupados em espezinhar e recalcar os nossos problemas, do que aproveitar, trabalhar e rentabilizar as oportunidades decorrentes do “fértil” país que somos.

  7. Anónimo:

    …ou tu és daqueles que acordas às 4 da tarde depois da noitada, e ainda vives à custa das reformas milionárias dos papás funcionários públicos, e os outros que trabalhem!

  8. … é mesmo verdade, tomando uma base per capita_1500 dC, ou a área geográfica, nós somos os maiores expansionistas do mundo, mas é mais numa de f*dilhões!; basta ver a cara triste, mesmo pesada, dos aborígenes na Austrália, menos em Sidney, imenso em Darwin. Uma das coisas mais conseguidas é o “eh pá”, já vi cenas de catanada a acabarem com um bom “eh pá!”.

    E além disso demos 3 a 0 ao Azerbeijão.

    Aposto que quem andou a tramar esta coisa de nos dar cabo da auto-estima foram os anglófonos, sempre invejosos da nossa performance – eles que aprendam a dizer desempenho.

    Foi muito nítido, na ressaca da 1ª Guerra, a velha e gorda monarquia tutelada pelos Saxe de Hannover, arrastou a jovem I República primeiro para a guerra e depois para a falência. O Alves Reis lá deu um jeito com as notas do Vasco da Gama, mas do trauma vieram 50 anos de salazarismo enquistado.

    The Portuguese diamond: a fatal blue stone

    Mas agora é que vão ver

  9. py:

    é mesmo de gajos ou gajas como tu que precisamos para melhorar a nossa “performance” cínica de sermos uma merda!..

    …ou também acordas às 4 da tarde e sobra-te pouco tempo para trabalhares!

  10. “basta ver a cara triste, mesmo pesada, dos aborígenes na Austrália, menos em Sidney, imenso em Darwin. Uma das coisas mais conseguidas é o “eh pá”, já vi cenas de catanada a acabarem com um bom “eh pá!”.

    De que aborigenes fala? dos que andam pela rua entregues ao alcool e a droga? Ja foi ao interior, a algumas comunidades onde ainda se respira a vida tradicional Aborigene?

    1-O aborigene recebe mensalmente uma mesada do estado pelo direito a terra e que nao e tao baixa como isso.

    2-O aborigene tem o poder de decisao em locais tradicionalmente aborigenes, Actualmente estao a impedir a abertura de uma mina de uranio que renderia milhoes ao governo por esta se localizar em solo sagrado.

    3-O aborigene nao paga um centimo em educacao. Um curso superior de 3 anos custa em media a um cidadao Australiano 10.000 euros

    4-O aborigene tem direiro a tutores privados patrocinados pelo governo sem pagar um centimo por isso.

    A lista continua….

    A imagem de uma Australia racista e colonizadora pertence ao passado…embora o estigma se encontre ainda bem presente.

  11. (… o estigma está presente na cara dos aborígenes das cidades, alcoolizados, como diz. Em Darwin é muito evidente.

    Acho bem todas essas medidas integracionistas, no entanto isso não erradica o genocídio passado.

  12. Se eles querem o pessoal do “compromisso”, a gente aluga. Mas olhem que imaginá-los isentos de serventias políticas é obra, mesmo à distância.

  13. Ó py, vê-lá se vais na enxurrada da ribeira, e depois queres bazar e já não dá, né!

    LR:

    já não há pachorra para a eterna desconfiança atávica dos comunas encaputados!

  14. Observador, tudo bem, mas eu sou português há anos suficientes para saber que por cá é tudo oito ou oitenta. Num momento és (somos) uma besta para no momento seguinte de besta se passar a bestial.

    É por isso que eu não gosto lá muito quando se apresentam só defeitos ou só qualidades. Podem estar todos muito certos, mas uns sem as outras (e vice-versa) geram um retrato distorcido da realidade e não contribuem para melhorar o país. Geralmente não alinho no discurso da choldra, mas quando me aparecem elogios demasiado rasgados lembro-me sempre dos meus conhecidos ucranianos que estão cá (e sem grande vontade de se irem embora) porque temos um clima social e económico muitíssimo melhor do que o país deles, mas têm os putos na terrinha, com os avós, porque acham o nosso sistema de ensino uma absoluta porcaria.

  15. “Ó py, vê-lá se vais na enxurrada da ribeira, e depois queres bazar e já não dá, né!” – resposta sublime!

  16. O que o LR gostava mesmo era de um “Compromisso Comunal”, do género, todos diferentes e todos iguais: o justo e o injusto, o trabalhador e o absentista, o sério e o corrupto, o cívico e o energúmeno, o autor e o pirata, o empreendedor e o parasita, o culto e o demagogo… A ideia única, o valor único… os carneiros e o líder!

    Todo o resto é de estranhar e de rejeitar. Obviamente!

  17. Jorge,

    Concordo contigo quanto a moderacao.

    O problema e que me entristece ver em Portugal esta atitude derrotista, do tudo o que e Portugues e mau. Esta mentalidade geradora de reformas consecutivas, em vez de melhorar o que temos, o do comecar do zero constantemente, falar de tudo sempre com tom de escarnio…

    Ainda outro dia li aqui numa caixa de comentarios qualquer coisa como “Portugal o aterro literario”, comentario muito elogiado por alguns anfitrioes deste blog. Isto irrita-me…e nao e so aqui, e por todo lado sempre esta mesma atitude auto-flageladora.

    E tempo de mudar e de perceber que nem tudo e mau, e mesmo que seja mau ha sempre um lado positivo.

  18. Gosto muito do LR (os seus textos pois claro…) mas atentem no que digo quando falo de tom de escarnio:

    “Se eles querem o pessoal do “compromisso”, a gente aluga”.

  19. Sr. Parasita,

    Se faz mesmo fé no seu nick, podia ir chupar largura de banda para outras paragens.

    Observador,

    Não é bem escrárnio. É antes desconfiança dos objectivos do Compromisso. E bastante desgosto ante os seus métodos para assegurar eco: usar o seu “músculo” face à nossa patética imprensa económica.
    A cantilena da “auto-estima” lembra-me sempre o que o Vasco Pulido Valente gfez há uns poucos anos: convidado pelo “Portugal Positivo” (mudam os nomes e pouco mais) resolveu partir a loiça da unanimidade e clamar que auto-estima temos nós a mais, com a nossa mania de atribuir todas as culpas a entidades exteriores. Não; segundo VPV, o nosso verdadeiro problema é mesmo a falta de dinheiro. Chegue a prosperidade e logo verão como a alegria de viver lusitana regressa num ápice.

  20. LR:

    Um belo argumentário o seu. Reconheço que fiquei prontamente desarmado à eloquência sábia de suas palavras justas.

    Parabéns, estou rendido!

  21. “o nosso verdadeiro problema é mesmo a falta de dinheiro”

    Pois claro que sim. Agora sem omoletes nao ha ovos.

    Uma sociedade em que tudo e mau, em que tudo nao vale a pena porque a corrupcao isto, a politica aquilo, a burocracia aqueloutro,etc…vai atrair ou gerar dinheiro como? vai cair dos ceus por milagre?

  22. “Chegue a prosperidade e logo verão como a alegria de viver lusitana regressa num ápice.”

    Sem palavras, este homem é um Génio!

  23. …PS: LR, você é tão previsível, que já imaginava que me responderia por “Sr. Parasita”. O que só confirma o seu discurso redondo e mimético. Evolua homem, não tenha medo!

  24. oh meu, podias it tratar do carrapatoso, honravas o teu nick e olha que a conta bancária dele deve ser um apetite…

    almoçei pica-pau e agora vou aproveitar e vou na enxurrada, à falta de skate

    gosto de galinhas, de ovos de ouro em particular, toca a pôr ovos de ouro para dar um exemplo de produtividade

  25. Como queria que o tratasse, se é você que usa esse substanttivo à laia de patronímico? Queixe-se do progenitor, não de mim.

  26. py:

    Vai em paz e não te afogues rapaz!.. e com sorte até pode ser que ainda almoçes lá pelo esgoto…

  27. Caro Luis:

    Vamos falar sério. Não acha importante debater ideiais, venham elas dos capitalistas ou dos trabalhadores, enfim da sociedade civil. Porque sempre essa desconfiança à priori. Sairam boas ideias do compromisso, outras nem por isso, mas o mais importante foi a reflexão de um país melhor, e esse mérito é de saudar.

    Ou são todos uns lobos papões que só querem destruir o país!..

  28. Ou podemos prescindir dos capitalistas, dos empreendedores, dos empresários, dos professores universitários, etc?..

  29. Não tenho qualquer desconfiança a priori. Aliás, para seu governo, até sou empresário. Mas não lobrigo grandes ideias nem reflexões inovadoras por aqueles lados, a bem da verdade. Só isso.

  30. Meus senhores/as, tanta azáfama em guerrearem-se mútuamente!…Acreditem ou não, toda essa agressão verbal, até é uma forma inconsciente de valorizar a nossa auto estima. O que mais nos afecta não é a “auto estima”, mas sim a frustração indelével dum “império” ido, duma história que foi e não pode nem deve repetir-se, dum futuro que receamos porque nos sabemos isolados dos “gigantes” invejosos…Mas…
    Alguns de vós duvida que, a repetir-se uma Aljubarrota, sairíamos novamente vitoriosos!?
    Eu não!
    Viva Portugal!

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