O envelope ainda mexe

À viva força, lá continuam a tentar ressuscitar o nado-morto que é o “Caso Envelope 9”. Passado tanto tempo, ainda há quem esteja “sem saber o remetente deste envelope” (!) e estridentemente exija mais uma daquelas úteis e sempre produtivas comissões parlamentares.
Nunca entendi o mistério do famoso sobrescrito: um qualquer técnico menor da PT pega num ficheiro com as chamadas de um grupo de telefones atribuídos a servidores do Estado. Por preguiça ou inocência, limita-se a “filtrar” os números relevantes, sem cuidar de apagar os outros, e envia o documento para o tribunal. Alguém vê ali uma boa ocasião para lançar mais uma nuvem de pó sobre o processo Casa Pia e encomenda aos “jornalistas” do costume o servicinho. Depois, bastou a inépcia da PJ e o inacreditável Souto Moura para compor o ramalhete. Nascia mais um “caso” à medida deste país: sem substância, sem interesse, sem solução à vista. Mas sempre bom pretexto para mais uns gritos esganiçados.

11 thoughts on “O envelope ainda mexe”

  1. Certo! O único possível interesse do caso foi um pormenor totalmente esquecido: O procedimento normal é pedir (e enviar) as informações em suporte de papel. Neste caso especial, ao contrário do que é normal, foi expressamente pedido em suporte informático. Será que o especial pedido do suporte informático não faria prever a disponibilidade de informação dos outros números telefónicos?

  2. Na minha experiência recente, não é coisa rara, o envio de documentos excel. Facilita buscas por números específicos em listas longas.

  3. E assim, mais uma gota de pó… Como ficou distante o dia em que se soube que tinha sido cometido um crime, e em que se decidiu fazer uma investigação, e instruir um processo(s), e fazer um julgamento. Distante não só, nem principalmente,porque esta parte teve início em 2003 (os crimes vinham bem de trás), mas porque, quase, estão esquecidos os factos que geraram, e geram, tanta confusão.

  4. Meu caro!
    Você nunca percebeu porque NÃO QUER perceber.

    Admite-se uma afirmação dessas a quem não tem acesso à informação, nem capacidade ou conhecimentos para a compreender. No seu caso não se admite. O que você diz é o normal da campanha de mistificação dominante, que “impera” sobre este e outros temas.
    Não há justificação para falar sobre o tema sem se informar devidamente e exaustivamente.
    Por isso se impõe recapitular:
    – O jornalista que está na origem da denúncia, Jorge Van Krieken, desde há muito que vem fazendo denúncias semelhantes, sempre ignoradas e ou deturpadas pelos “media”.
    – Em consequência disso e também por ter a coragem que mais ninguém tem de dizer o que vê e o que pensa e de recusar “repetir a cassete”, esse mesmo jornalista enfrenta vários processos crimes (alguns deles com fundamentos bem caricatos, segundo me foi dado perceber por um caso de que tive conhecimento), tendenciosos, onde “os métodos” de investigação e produção de prova são idênticos aos usados no processo Casa Pia.
    – Esse jornalista, talvez confiando na sua razão e na consistência das suas conclusões, sempre achou óptimo ser chamado a tribunal porque, segundo afirmações públicas do próprio, talvez assim se fizesse investigação a sério.
    – Há a assinalar, também, o facto de as denúncias anónimas e a contra informação, para além das campanhas de mistificação e propaganda enganosas terem sido usadas e abusadas para crucificar, na Praça Pública, algumas pessoas… com o único propósito de sequestrar as instituições deste País e manter sobre chantagem emocional algumas individualidades… para além de afastar várias figuras incómodas, menos dóceis e sem carácter, do P.S.
    – Num país governado por gente idónea seria de esperar que nenhuma destas acções deixasse de ser esclarecida até ás últimas consequências.
    – Também é facto, amplamente verificável, que existiram uma enorme quantidade de escutas telefónicas sem qualquer fundamento, de que os próprios tinham conhecimento e que foram usadas para aterrorizar os escutados, nada mais. Eu conheço algumas pessoas que, embora não tendo nada a ver com o assunto, confirmaram estarem sob escuta, apenas porque contactavam com conhecidos de familiares de…
    – O envelope9, para além de fornecer uma série de “fundamentos” para montar “fugas de informação” selectivas e premeditadas, (como as conversas, pérfidas, de Adelino Salvado com um jornalista do C.M.), tem outra faceta que é a mais importante: a análise do seu conteúdo reforça a prova de inocência de alguns dos acusados e demonstra a falsidade duma parte das acusações, segundo afirmou publicamente o jornalista já referido (cujo trabalho me merece confiança, muito mais do que estas “opiniões”).
    Portanto, o conteúdo do envelope9, fornece várias pistas acerca dos crimes da investigação, entre os quais o de denegação de justiça, crime p.p. pelo Código do Processo penal.

    Claro que nesta bandalheira de País onde a impunidade é o pior cancro e o mais destrutivo dos “hábitos”, muito mais do que a corrupção, ninguém quer “compreender” ou abordar a questão do ponto de vista que realmente interessa à sociedade… tal e qual como tem acontecido com o próprio “Processo Casa Pia”. Por isso o que se ouve são as falácias e conjecturas ocas do costume.
    Ou seja, tal como o próprio processo Casa Pia, também o envelope9 é bom (foi bom) enquanto dura o escândalo que interessa aos mafiosos, mas deixa de ter interesse quando se trata de ir ao fundo da questão e identificar e punir os bandidos e os criminosos. E assim se perpetuam a bandalheira e as piores impunidades. Sejamos gente! Numa coisa destas há que ir até ao fim, para credibilizar as instituições e acabar com a desconfiança dos cidadãos, para segurança e bem-estar de todos. Se os mafiosos soubessem que seria assim nem se “arriscavam” a patifarias como as do próprio Processo Casa Pia; mas contam com a habitual e pérfida impunidade; e, para isso, apelam à “saturação” e ao esquecimento…

    Eu não conheço nem defendo Van Krieken, até porque o próprio não precisa… mas sobretudo porque, nalgumas coisas, revela uma sobredose de ingenuidade que não se justifica depois de todo este tempo a lidar com víboras. Está a pagar pela sua ingenuidade.

    Mas o “caso do envelope 9” deve ser esclarecido e levado até às últimas consequências sim; assim como o anterior PGR, Souto de Moura, deve ser investigado, julgado e responsabilizado por todos os abusos que cometeu, consentiu e/ou mandou cometer. Sim porque é óbvio que a “investigação” ao caso do envelope9 foi, não um fracasso, mas uma perversão. Foi SÓ mais uma perversão.
    Assim é que é democracia e assim é que se resolvem os nossos magnos problemas, inclusive o do desenvolvimento.
    É para acabar com este tipo de bandalheiras que eu defendo A VALORAÇÃO DA ABSTENÇÃO.
    Doutro modo não se vai lá, porque “eles” se encobrem uns aos outros.
    Os cidadãos eleitores têm de ter uma forma eficiente de responsabilizar toda essa gente e de correr com “eles”, lhes tirar o tacho, lhes puxar o tapete, desentulhar o lixo, para se poder “arrumar a casa”, para acabar com tanta bandalheira absurda e destruidora… como a nossa negra realidade evidencia!

  5. Biranta,

    Você fala, fala… mas não diz uma só coisa palpável acerca deste caso. Quer acreditar que o van Krieken não é uma pena de aluguer a soldo da defesa de Carlos Cruz? Está no seu direito.
    Mas não defenda o impossível: “a análise do seu conteúdo reforça a prova de inocência de alguns dos acusados e demonstra a falsidade duma parte das acusações”, escreve você. Mas como? Como é que uma lista das chamadas de quem quer que seja pode provar a inocência de alguém? A “ingenuidade” que você descobre no auto-intitulado “Repórter X” vive mas é na sua cabeça, garanto-lhe.
    E dê-me lá um argumento, um só, por magro que seja, para desmentir a minha descrição deste suposto “caso”…

  6. As conversas do director (ex) da PJ com um jornalista do CM foram roubadas a este e, abusivamente, publicadas e tornadas públicas (eis um caso). JVK devia, mas o não o faz, apresentar uma “declaração de interesses” neste caso, tal como devia ter feito o 24horas. Não a apresentaram, certamente por ingenuidade. Contra a noção de que “as coisas são o que parecem” – no caso, são o que o MP diz serem -, gostaria de ver alguém, por uma vez, dizer quem, como, onde, quando, em vez de mais uma mão cheia de vagas acusações, sem nome, sem data, nem motivo; apenas o “alguém”, o “sei de coisas”, a “conspiração”, o “posso dizer mas não digo”, sem mais nada, (a lembrar o saudoso Octávio Machado).

  7. Antes de mais, peço desculpa: no comentário anterior queria dizer:
    – manter SOB chantagem e
    – processos-CRIME

    Agora a sua resposta Luís.
    Sabe por que motivo eu acredito na isenção e idoneidade de Van Krieken?
    Porque também eu defendo a inocência de Carlos Cruz apenas porque, para mim, é ÓBVIO que ele está inocente. Aliás, neste processo não é só ele que está inocente, a julgar pelas evidências.
    Comecei por me interessar pelo processo como toda a gente. Mas, ao contrário de “toda a gente”, gosto de “ver para crer”, e indagar e me informar e avaliar e RACIOCINAR RESPEITANDO OS PRINCÍPIOS DA LÓGICA. O que vi e li e analisei foi-me demonstrando a monstruosidade daquilo tudo.
    Não conhecia Carlos Cruz a não ser da TV, como também não conhecia nenhum dos outros acusados… e até tenho um particular “odiosinho de estimação” por tudo quanto é político mas também defendi e defendo que Paulo Pedroso sempre esteve inocente…
    Assim como também já escrevi vários textos indignados acerca da condenação, absurda e sem provas, dos familiares da pequena Joana, a criança desaparecida duma aldeia do Algarve, porque, para mim, é óbvio e incontestável que estão inocentes…
    Assim como publiquei vários outros artigos sobre sentenças absurdas e sobre casos doutras pessoas também condenadas injustamente.
    Isto porque a nossa idoneidade social e intelectual não deve ter nada a ver com outras paixões (como o meu odiosinho pelos políticos); e também porque, no meu caso, não tenho sangue de barata, estas coisas indignam-me (e apavoram-me) e uso o meu direito de liberdade de expressão e de indignação.
    Quanto ao Processo Casa Pia, você pode também argumentar que, se calhar (há sempre um “se calhar” nestas coisas) Carlos Cruz e os outros, que são poderosos, me pagaram para defender que estão inocentes; mas não há como você manter essa afirmação em relação àqueles dois desgraçados do Algarve…
    Ou seja, concluindo:
    Cada um julga os outros por si. Como eu não vendo a minha idoneidade intelectual e social, me pauto por outros princípios e outros valores, admito e acredito que os outros procedem de igual modo; e por isso acredito em Van Krieken… Já quanto às suas suposições… conclua você mesmo.

    Agora quanto à questão em si, eu não tenho nada que lhe fornecer provas ou o que quer que seja. Ao contrário, segundo os princípios da decência, você é que não deve dizer o que diz sem provas… e não as tem, isso eu posso garantir.
    Os elementos que eu avalio estão aí, ao alcance de todos, para qualquer pessoa avaliar… mas acredito que as conclusões tenham muito a ver com o carácter de cada um…

  8. A bem da verdade, mais cedo acredito na inocência de Carlos Cruz do que na idoneidade de van Krieken. Mas estas minudências apenas relevam dos nossos pontos de vista; nada acrescentam à realidade do “envelope 9”. Como já dizia o bom irmão Occam, a hipótese mais simples é bem capaz de ser a verdadeira; e neste “caso”, o cenário que descrevi é verosímil, simples e credível. Aliás, nem se chega a perceber qual seria a sua (ou do van Krieken) explicação para a tal lista. Se você se julga presciente ao ponto de defender ou não “culpas” e “inocências” em casos opacos e longe do nosso conhecimento pleno, o problema é seu. Eu limito-me a operar no reino da realidade; e, até opinião contrária fundamentada e com sentido, não vejo porque iria aderir à histeria em redor deste pseudo-caso.

  9. Oh Luís… “Casos opacos e longe do nosso conhecimento pleno” é uma “dificuldade sua”; isto é: específica de quem analisa… para mim esses casos não têm nada de “opaco” e também não tiro conclusões ilegitimamente, EM NENHUM CASO. Portanto, se eu concluo é porque tenho elementos suficientes para o fazer, disso pode ter a certeza.
    Mas também não admira. Se você diz o que diz secundando “lógicas” que não passam de conjecturas… Não há forma de nos entendermos.
    Aplicando, com rigor, a lógica, é fácil separar o trigo do joio.

  10. Desculpe-me só mais uma coisinha que talvez possa ajudar.
    Para além de aprender a “separar o trigo do joio”, não podemos esquecer que, em pocessos crime, quem tem de PROVAR a culpa, “para além de qualquer dúvida razoável” é quem acusa. Falácias, conjecturas, processos de intenções e a repetição fraudulenta das mesmas notícias, mesmo depois de desmentidas, em forma de campanha, não são “prova”, são manipulação. Que foi o que mais aconteceu em qualquer dos casos que eu referi.
    Até para “protecção” de quem acusa, esses processos não devem ter nada de opaco porque a culpa, para ser aceite pela sociedade, não pode admitir dúvidas, qualquer dúvida. Muito menos pode coexistir com uma tão grande percentagem de convicção de inocência.
    Isto para explicar que quando os processos são “opacos” isso já é um mau indício.
    A justiça não é um assunto particular, é uma questão candente da sociedade e a sua eficiência e rigor interessam a todos.
    Mas olhe que também me insurgi contra “impunidades”… como a que foi garantida a Franclim Lobo, para citar só um exemplo…

  11. Precisamente, precisamente: para existirem culpas, devem existir PROVAS. para começar, de ter existido alguma malfeitoria. Coisas que, a propósito do pseudo-caso eem apreço, não vi nem pela pena do van Krieeken nem pela sua.

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