Intervalo poético

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A poesia não nasceu para os «intervalos» da vida. Mas, se não criarmos intervalos para ela – como para o café, ou para uma volta ao quarteirão – quando chegaremos, muitos de nós, a ela? Pois então.

Seja, hoje, IVO MACHADO (Açores, 1958) e a sua última colectânea, Poemas Fora de Casa, de 2006 (edição da Exodus). Tem organização e ilustrações de Álamo Oliveira. Daí tiramos esta preciosidade.

TELEGRAMA

Filha: queres água ou nuvem?
Não penses, responde

– Água!

Eu sabia

Dentro de ti
o lago imenso da semente inicial.

Mais sobre o autor aqui.

6 thoughts on “Intervalo poético”

  1. O artigo 30º do Código Penal, configura legalmente o que em doutrina penal se entende por crime continuado. Ou seja, e de modo simples, situações em que a realização de um mesmo género de crime, várias vezes , pela mesma pessoa, pode ser julgado como tendo sido apenas um único crime e portanto com uma pena substancialmente reduzida.
    A versão deste artigo 30, antes desta recente reforma penal, era assim:

    Artigo 30.º
    Concurso de crimes e crime continuado
    1 – O número de crimes determina-se pelo número de tipos de crime efectivamente cometidos, ou pelo número de vezes que o mesmo tipo de crime for preenchido pela conduta do agente.
    2 – Constitui um só crime continuado a realização plúrima do mesmo tipo de crime ou de vários tipos de crime que fundamentalmente protejam o mesmo bem jurídico, executada por forma essencialmente homogénea e no quadro da solicitação de uma mesma situação exterior que diminua consideravelmente a culpa do agente.
    Redacção dada pelo seguinte diploma: Decreto-Lei n.º 48/95, de 15 de Março

    Agora, ficou assim:

    Artigo 30.º
    Concurso de crimes e crime continuado
    1 – O número de crimes determina-se pelo número de tipos de crime efectivamente cometidos, ou pelo número de vezes que o mesmo tipo de crime for preenchido pela conduta do agente.
    2 – Constitui um só crime continuado a realização plúrima do mesmo tipo de crime ou de vários tipos de crime que fundamentalmente protejam o mesmo bem jurídico, executada por forma essencialmente homogénea e no quadro da solicitação de uma mesma situação exterior que diminua consideravelmente a culpa do agente.
    3 – O disposto no número anterior não abrange os crimes praticados contra bens eminentemente pessoais, salvo tratando-se da mesma vítima.
    Por isso, a reforma acrescentou apenas um segmento que parece inócuo e que diz assim:

    Artigo 30.º
    […]
    1 – …
    2 – …
    3 – O disposto no número anterior não abrange os crimes praticados contra bens eminentemente pessoais, salvo tratando-se da mesma vítima.

    José António Barreiros, advogado, acaba de dizer na Sic Noticias que este pequeno acrescento é escandaloso. E mediu bem a palavra, antes de a dizer, a instâncias da entrevistadora que lhe perguntou expressamente se estas leis não tiveram por motivo principal o processo da Casa Pia.
    José António Barreiros, foi cuidadoso e referiu que se assim não for, a verdade é que o segmento da norma, agora acrescentado, conjuga-se às mil maravilhas com esta situação desse processo particular, porque os arguidos e acusados se forem condenados, só o poderão ser por um único crime, mesmo que tenham abusado repetidas vezes da mesma vítima. A lei nova é mais favorável.
    Citou ainda Costa Andrade, para dizer que este professor de Coimbra já o dissera antes: estas leis tiveram como inspiração directa o que se passou no processo Casa Pia.
    Há quem o tenha já admitido, procurando fugir para a frente da realidade oculta, mostrando que afinal esse processo mostrou o que estava mal e esta revisão serviu para isso mesmo. Mas não foi só isso, como se prova pelo pormenor do artigo 30º do C.Penal.

    Com esta norma, o gato fica todo à vista e já não é só o rabo.
    JAB ainda sugeriu que a responsabilidade por este escândalo deveria ser devidamente avaliada e denunciada por quem de direito. Direito?

  2. O rapaz tem imenso talento e é um ser humano de eleição. A sua casa deve ser um espaço de cultura de fazer inveja ao mais tosco dos mortais. É que ele não precisa de pôr um disco para ouvir a voz sublime da Teresa Salgueiro. A não ser quando ela esteja em digressão e ele queira matar saudades.

  3. Tó Bosta foi à costa
    Apanhar no culatim(1)
    Deu de cara c’uma rola
    À’panhar do Bakunin.

    (velha canção anarquista do Cerco)

    (1) antigo instrumento de percussão

  4. Venha essa bosta só para mim, que, por causa de toda a água que meti, não me falta com que me lavar. Pois não é que, sem explicação possivel, cometi o impensável pecado de, sem beliscar os seus atributos (que, aliás, servem muito bem aos dois irmãos), dei ao Ivo o que é do Rui?
    Mais uma coisa para acrescentar, envergonhado, à carta que lhe devo, em resposta a uma, deliciosa, que recebi um dia destes. E, se não fosse o Urbano Bettencourt a chamar-me a atenção para a asneira, ela ficava aí, a atestar a minha distracção palerma.

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