5 thoughts on “Vamos ser sérios”

  1. Citação do vídeo: «Ou seja, resumindo, as crianças que são criadas em lares duma família homossexual, dum casal homossexual, têm exactamente o mesmo futuro, ou o mesmo presente e o mesmo futuro, do que duma família heterossexual. No fundo, as sua capacidades cognitivas, a sua performance na escola, a sua felicidade, o seu entrosamento social é exactamente o mesmo».

    Interessante resumo: «no fundo exctamente o mesmo» e «capacidades cognitivas, performance escolar, felicidade, entrosamento social», tudo no seu sítio… mas de sexualidade infantil, nada.

    É o que se chama a evaporação progressiva (progressista?) dos modelos sexuados paternal e maternal, pelos vistos substituídos com vantagem pelo «pólo adrenalínico» e «pólo endorfínico». Bem dizia eu

    Este pedocientista (ah, o impacto da palavra «Ciência» junto das massas letradas pouco dadas às exactas!) tem bom aspecto, mas ao nível das certidões não será como os daquela escola «científica» pedopsiquiátrica que foram para as televisões armar aos poligrafos humanos e garantir que as crianças não mentem, contribuindo fortemente para meter não sei quantos inocentes na cadeia?

    É que «ciência» é uma coisa, mas «ciências», é como os chapéus do Vasco Santana… há muitas.

  2. [Citações entre aspas]

    Fico sempre impressionado com as conclusões da ciência «que está provada».

    Às tantas o pedocientista do vídeo até cita um anúncio de dentífrico: «eu acredito na ciência!». E insiste até á exaustão, não vá alguém ficar com dúvidas anti-científicas: «são estudos científicos, não estou a falar da minha posição pessoal que pouco conta para este assunto».

    Portanto «as capacidades cognitivas, a performance na escola, a felicidade, o entrosamento social é exactamente o mesmo», mas, por outro lado, «as crianças filhas de casais de lésbicas têm, por exemplo, e isto são os estudos que dizem, uma interacção social muito menos agressiva e violenta do que — por exemplo, na escola, em termos de bullying e outras coisas assim — do que, por exemplo, a população em geral».

    Exactamente o mesmo, mas muito melhor, diz ele. Acho que as regras da lógica ainda não foram incorporadas no corpus científico. Mas o que mais me intriga são «as outras coisas assim». Serão os tipo de namoricos que as crianças educadas por «puzzles-pai» e «puzzles-mãe» tendem a favorecer?

    Isto é um bocado como no fascismo natural da aldeia dos macacos: aparece um macacão alfa e põe-se logo a tribo toda de rabo para o ar em estranhas danças rituais, passe o possível homofobismo involuntário. Entre os humanos também é um bocado assim: aparece um pedocientista a dizer que os cavernícolas não percebem nada de ciência e «que é preciso sermos científicos senão ainda estaremos na idade das cavernas» e pronto, é só escolher os alvos à disposição. Acho que é por isso que se tem verificado tanta marinhofobia nas hostes do progresso.

  3. Mais subtil ainda, a forma como o pai e a mãe desaparecem para dar lugar aos «puzzle-pai e puzzle-mãe» em torno dos «pólos adrenalínico e endorfínico». De facto tanta ciência junta impressiona, especialmente quando usada para parametrizar — com exactidão, recorde-se — coisas como a «felicidade».

    Mas o mais curioso é que logo a seguir ao reconhecimento dos tais dois pólos, esses mesmos pólos, para não se cair em estereótipos homófobos, pffft, passam ao estado gasoso. Umas coisas que andam por aí a flutuar, e de tal modo importantes que precisam de ser referidas para tranquilizar a comunidade social que fornece os espermatozóides e/ou óvulos a recibos verdes, mas não tão importantes — horror dos horrores — que possam desterrar um ser parental para o pólo paterno e outro para o pólo materno. Senão estamos aqui estamos a falar em géneros masculino e feminino, e sexismos é que nunca, quando não qualquer dia lá voltamos aos cavernícolas com a reprodução à mocada e arraste pelos cabelos rumo à caverna, como provam as pinturas rupestres.

    Ainda mais fascinante — sim, é possível — aquele argumento de que «se uma família é um filho, um pai e uma mãe, então nessa altura vamos acabar com o divórcio». Porquê? De que modo é que o divórcio numa família heteroparental cancela a figura do pai ou da mãe a ponto de ter de ser impedido por coerência, e o divórcio numa família homoparental não cancela a figura do primeiro ser parental ou do segundo ser parental nessa mesma medida? Será que há menos referências de parentalidade em cada um dos seres parentais? Ou mais seres parentais a entrar e a sair da família consoante as necessidades?

    O que o pedocientista deve ter querido dizer é «se uma família é um filho, um pai e uma mãe, com os pais a dormir na mesma cama, então nessa altura vamos acabar com o divórcio», mas quem é que alguma vez aceitou essa definição?

    Note-se a subtileza: para efeitos de comparação, a família hetero deve ser medida pela bitola dos seus possíveis riscos, mas a família homo pode ser medida pela bitola dos seus possíveis sucessos.

  4. Matos, quando não há resposta ao argumento, o melhor é fazer de conta que não há argumento, mas o pior é que toda gente percebe…

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