Mesmo sentindo a sua liderança parlamentar fraca, o PS tem de falar do país em vez de inaugurar decretos ditatoriais

Sabe quem leu as notícias acerca da última reunião do GP que Zorrinho foi violentamente confrontado com vários pontos entre os quais estes: 1) um grande número de Deputados entendiam não haver disciplina de voto no CT pois aquele CT não constaria dos nossos “compromissos eleitorais”; 2) Estatutos.
Como muita gente, anunciei que entendia não estar preenchida a norma da disciplina de voto, pelo que votaria contra. Muitos se seguiram na mesma linha, com a única diferença de que eu votaria contra logo na votação na generalidade e os restantes na votação final global (todos pressupondo que o CT na versão final não seria o da nossa vontade).
Zorrinho defendeu a abstenção na generalidade e eventualmente o voto favorável na votação final.
Quando cada um foi dizendo que não havia disciplina de voto, discordando do líder, e que votaria assim ou assado, Zorrinho disse nada. Nunca, durante horas de reunião, mencionou a hipótese de sanções (de resto inéditas a sucederem).
Votei, pois, sossegada.
Com surpresa, leio no Expresso uma estratégia: só eu defendera a indisciplina, o voto contra, eu era a prova da união do grupo, havia que analisar o meu comportamento.
No mesmo dia, no Público, Vieira da Silva defende que na véspera não havia disciplina de voto.
Neste clima, sem nunca ser ouvida, sem nunca me defender, vivi num mundo virtual: as notícias.
Ontem vejo a Anabela Neves a ler isto.
Estava feito. Mais uma e perco a confiança da bancada.
Tenho pena desta inauguração.
E tenho dúvidas:
Por que é que só o meu comportamento foi “avaliado” e não o de outros que já furaram a disciplina ou anunciaram um furo futuro?
Esta ameaça é apenas dirigida à minha pessoa ou sou instrumento útil (sem peso no PS) para ameaçar todos os que juraram votar contra o CT na votação final?
O que quer dizer Zorrinho (SICN) com “ela é uma deputada recente”? Tenho menos direitos? Está instituido o sistema de castas? Ou sente-se assim tão fraco o líder que se atira à independente sem força para causar estrondo?
Como explica Seguro toda uma campanha a gritar pela liberdade de voto e um passado olímpico a furar a disciplina de voto (v.g. lei do financiamento dos partidos políticos ou tratado de lisboa), época em que invocava “objeção de consciência” sem consequências?
Por mim, podem continuar a usar-me como figura-tipo de tantos outros deputados, mas lembrem-se do que há dias uma pessoa disse: a “liderança conquista-se, não se decreta”.
E de caminho, virem-se para o país. As pessoas não percebem isto.

16 thoughts on “Mesmo sentindo a sua liderança parlamentar fraca, o PS tem de falar do país em vez de inaugurar decretos ditatoriais”

  1. Tem carradas de razão Isabel. Seguro tem, de facto, um passado de fura disciplina de voto a que chamou “objecção de consciência”. Nunca foi capaz de enfrentar Socrates de caras, por isso agora em dificuldade em tomar posições. Socrates nunca disse dele, enquanto deputado, o que ele agora diz do seu grupo parlamentar.
    Continue com a coluna vertebral direita Isabel,tal com até aqui, porque o futuro é seu e não daqueles que falam de mansinho com os poderosos e grosso com os fracos.
    Força Isabel, os militantes socialistas e quem votou PS confia em Si.

  2. “Como explica Seguro toda uma campanha a gritar pela liberdade de voto e um passado olímpico a furar a disciplina de voto”

    com a filha da putice de um sonso que se quis alcandorar em secretário geral. desta vez estou contigo, o gajo perde tempo demais na casa de banho e a gestão da bancada é uma bagunça, mas não justifica tudo.

    escusas de reler os títulos dos postes, basta encurtá-los por questões funcionais.

  3. Vá em frente, Senhora Deputada, de cabeça erguida e deixe os cães a ladrar atrás de si. O Mundo é dos ousados e a Isabel tem a razão do seu lado! O PS atravessa o momento mais torpe e mesquinho de toda a sua História – e pode bem estar perto do seu fim, tal como o conhecemos.

    Se a correrem da bancada, torne-se Deputada Independente e erga a sua voz com frontalidade e em plena Liberdade! Muitas a seguirão e o PS um dia há-de corar de vergonha, quando relembrar esta sua fase ignominiosa.

    Fortaleça-se e siga a sua consciência, mas cuidado, nunca se envaideça. É um conselho amigo de um seu admirador e que deposita neste momento confiança em si, como em pouquíssimos mais Deputados.

  4. (SIC) Com surpresa, leio no Expresso uma estratégia: só eu defendera a indisciplina, o voto contra, eu era a prova da união do grupo, havia que analisar o meu comportamento (SIC)

    Cara Isabel, o facto de ser a única voz discordante no meio desse agrupamento de borregos que se dizem de esquerda, pode até não parecer, mas é um sinal de favorável distinção.

    Eu agradeceria ao Expresso.

  5. Eu não votei em Lisboa e por isso não contribuí para a sua eleição como deputada.

    Mas deixe-me já agora dizer-lhe que a Senhora me representa melhor do que qualquer deputado do PS do meu distrito.

    Força e não desanime. O futuro é seu.

  6. Isabel, não nos conhecemos e só sei de si o que leio aqui e o que vejo na televisão. E só com isso já ganhou a minha confiança e admiração. Percebo que é uma pessoa inteligente, corajosa e vertical. Espero que nunca perca nenhuma das suas qualidades, em especial essa combatividade que é preciosa. Posto isto, parece-me que caminha rapidamente para uma encruzilhada, é mais ou menos inevitável que isso aconteça. O seu lugar de deputada é importante, dá-lhe um poder e uma visibilidade que nós, os que a elegemos, não temos. Portanto peço-lhe que pondere bem a forma como a sua actuação poderá ser mais eficaz, não só para defender aquilo em que acredita como também aqueles que acreditam em si. Na verdade o que eu espero é que não desista do seu ego mas não se centre unicamente nele. Porque do outro lado estamos nós. Como eleitora, é só isso que me interessa. Mas, como já disse, confio em si portanto, decida o que decidir, está bem.

  7. Não faltam é fala-baratos anódinos a cagar sentenças “soft-cool”… Não gostas de combustões internas, nem do cheiro a gasolina, mas ’tás aqui ’tás a apanhar um banho de “napalm” pelas ventas.

  8. oh ariane! ias tão bem lançada e deste cabo de tudo na última linha:

    “… confio em si portanto, decida o que decidir, está bem.”

  9. As pessoas percebem isto, pelo menos percebem que quem deveria estar a defender uma solução para elas, não só não defende como cala quem se atreve. Este PS é fascista ou quê? Como disse ali o Júlio de Matos, o PS atravessa a fase mais torpe da sua existência.
    E a cisão pode não ser patente na bancada, mas nas “bases”, vá-se lá perguntar o que pensam desta liderança, a ver…

  10. olha, nem de propósito, ainda ontem comentava por mail musicado que me sentia a voar sobre um ninho de cucos..

    (vocês têm de convir que estas cenas de bar em filme western que se instalam no estaminé(com carinho), por vezes têm a sua graça e dão uma certa animação: estão todos a discutir assuntos como gente adulta, de repente há um que salta da cadeira a dizer que o outro está a fazer batota e desata tudo numa batalha de palavras e música…e também isto faz do aspirina um sítio muito especial. Esta foi mais uma boca de balcão, sobre o qual desliza o copo de bourbon).

  11. «Votei, pois, sossegada»

    Mas porque não haveria de votar sossegada? E se a coartassem nos bastidores do PS, votaria «dasasossegada»?

    A sua afirmação ilustra, sem dúvida a ditadura do partido, aliás dos partidos. Uma democracia, portanto, deficitária, com a agravante de que «ou fazes como queremos ou levas com um processo disciplinar». Quem me convence que todos os partidos por «cá existentes» não são um ninho de ideias «encucadas» que devem ser seguidas – por uma questão de «sosseg» de quem se atreve no íntimo a discordar?

    «Por que é que só o meu comportamento foi “avaliado” e não o de outros que já furaram a disciplina ou anunciaram um furo futuro?»

    Pois não tem a resposta dos «classicos» do seu partido?!

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