François Hollande – o melhor da sua vitória tão evidente num outro discurso: o da derrota

“Eu sou o Presidente de todos” – é a frase usual, mas que se impõe, é a frase democrática, republicana, a frase que rejeita ser-se Chefe de Estado só de alguns.
É a frase usual, sim, felizmente usual, porque apela à unidade após o tumulto de uma campanha; chega o momento do silêncio, de dar voz definitiva à democracia e o vencedor, o Presidente, deve dizer sempre, sempre, que a partir de aquele “agora” ele é o Chefe de Estado de todos. De Todos.
Da mesma forma, quem perde deve ter a dignidade de assumir a derrota e de endereçar os parabéns ao vencedor, ao que será o novo Presidente, no caso de hoje um sucessor.
Ouvi comentadores na televisão durante uma hora. Salientaram que Sarkozy, no cargo até 16 de Maio, assumiu a vitória, deu os parabéns ao vitorioso, o que “llhe ficou bem” e notaram a sua “emocionalidade”, elemento “interessante”.
Não devem ter ouvido o mesmo discurso que eu: Sarkozy mostrou-se num discurso perigoso, que só pode emocionar adeptos do sectarismo ou nacionalistas nostálgcos. Sim, deu os “parabéns” a Hollande”, mas com um “mas”, um queixume acerca da campanha, acerca do que foi dito sobre “eles”, sobre aquela “França” que o emociona e que estava ali à sua frente. Um mau perdedor ainda se aguenta com piedade, mas um Presidente cessante da França que no discurso da derrota não dá os parabéns totais a Hollande reconhecendo-o como o Presidente de todos os franceses, contribuindo para a unidade, para a democracia, é uma das demonstrações do melhor da vitória de Hollande. Mais do que três vezes ouvi, com o alívio da despedida, Sarkozy invocar e, pior, convocar a sua França: a dos seus valores. Com isso afirmou que há duas Franças. Pior: pediu que assim fosse.
E os franceses. E os franceses. E os franceses. Só os franceses cabem naquela boca que felizmente se cala.

6 thoughts on “François Hollande – o melhor da sua vitória tão evidente num outro discurso: o da derrota”

  1. o discurso de vitória do hollande não foi grand-chose e não se teria perdido nada se tivesse sido mais curto. tamém não se percebe porque é que os direitolos portugueses encheram as têvês com discurssos de ressabiamento se dentro de uma semana irão todos ao beija-mão com conversa adaptada à ciscunstância.

  2. oh minha! atão os comentários ò barro do nunes foram à viola com a 6ª. emenda e agora até a justificação desapareceu. não tá mau para quem dizia que táva a curtir os comentários e aludia a encomendas. essas merdas colam bem é no parlamento, aqui nem por isso.

  3. Granda Ignatz páh. Já bimos como isto funciona, tanta emocionalidade sobre o direito a voto e a liberdade de expressão e olha, meu, fomos recambiados. Tás a bere purque não apetece escrebere bem’ Esta malta num merece páh e quanto aos gajos do parlamento, ehehehhehhe, e mais ehehehehhe quando bejo que os gajus acreditam neles próprios.

    en ce qui concerne les français, ó madame, ni la droite ni la gauche, surtout pas la gauche portugaise, celle que vous defendez, ou l´expression c´est quelque chose déjà vue ou pas vue…comme c´est votre cas. Ó ignatzzzz , camarada da porrada inteletualmente correta, desculpa lá a chose, queu de bez em quando gosto de me armar ao pingarelho, inda boue escrebere na rebista lere, bais a bere.

  4. foi um desapontamento: a primeira vez que a caixa de comentários foi eliminada do aspirina (ainda por cima calando os que já tinham sido feitos). Não há política da casa, Val?Não a tens defendido sempre? Agora fica ao sabor censor de cada um? Isabel, por seres tu, a pena é maior. Shame, shame, shame.

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